16.11.11

Osteria Francescana de Massimo Bottura ganha 3a estrela - e jantamos lá agorinha!



O chef Massimo Bottura acaba de conseguir o que ele mais queria: a tão almejada terceira estrela Michelin (a edição 2012 foi lançada hoje).

Pois o timing não poderia ser melhor: hoje estreia aqui no Boa Vida como colaboradora uma cozinheira e foodie de mão cheia, Mariana Marshall Parra, que acaba de jantar lá e nos conta tudo!

Estive com Mariana agorinha lá em Turim e quando ela me contou que iria na semana seguinte à Osteria Francescana eu imediatamente pensei em pedir que ela dividisse a experiência dela aqui. Dito e feito - espero que gostem. E Mariana... seja bem-vinda!


Menu Classici da Osteria Francescana – uma ode às musas de Massimo Bottura, por Mariana Marshall Parra

    Osteria Francescana        Foto:Divulgação

Costumo vasculhar todo tipo de informação sobre os chefs em cujos restaurantes eu programo visitar. Não por ser uma versão gastro de groupies e tietes, mas por buscar entender ao máximo aquilo que me será servido: o propósito da ordem de pratos; o significado de cada ingrediente; referências levadas em conta na criação dos menus...

Em se tratando de Massimo Bottura, é evidente que a reputação precedeu – em muito – o amuse bouche. Há mais de um bom par de anos que a Osteria Francescana, em Modena, figurava em minha lista de coisas a comer antes de morrer. Duas estrelas Michelin*, 4° restaurante do mundo na lista The World's 50 Best Restaurants e um chef com raízes profundas fincadas na região da Emilia Romagna - mas também asas que ignoram solenemente qualquer tipo de fronteira.

O que eu não sabia ainda era que a mulher do chef (Lara Gilmore, uma novaiorquina formada em história da arte) era peça fundamental nas criações de Bottura. Isso explica muito sobre a maestria de Bottura em unir a influência de uma das culinárias mais tradicionais da Itália à inspiração artística quase que onipresente nos pratos da Osteria Francescana.

O dedo de Lara se faz muito presente na ambientação do restaurante, que por fora não passa de  uma fachada discreta cravada no centro histórico da belíssima Modena. No interior, muito branco e cinza. Uma pequena biblioteca, poucas mesas, e a combinação de obras de arte, objetos de design e iluminação deixando claro que a comida ali provoca muito além de prazer e eventuais memórias gustativas. É também meditação.**


O primeiro prato, Ricordo di panino alla mortadella, brinca com o costume emiliano de abrirem-se as refeições com gnocco fritto e mortadella. Sai a pasta frita, entra uma espécie de foccaccia crocante, e no lugar da fatia de embutido, uma leve e aerada espuma de mortadela. Pó de pistache e creme de alho completam o canapé, e a adaptação de sabores comuns a texturas inesperadas dá o tom do jantar que começa a se desenrolar.


Croccantino di foie    Foto:Divulgação

Quem nunca salivou lendo em revistas de gastronomia sobre o Croccantino di foie all'Aceto Balsamico (um picolé de foie gras, em tradução livre e grosseira)? Prová-lo foi como encontrar pessoalmente aquela celebridade deslumbrante das telas de cinema e constatar que a desgraçada é ainda melhor ao vivo. A crosta uniforme são avelãs e amêndoas tostadas. No interior, mousse de foie gras com textura rica e cremosa, como um bom gelatto. Escondido lá no meio, um núcleo precioso na forma de uma gota de Aceto Balsamico stravecchio. Doce, espesso e suficientemente marcante para interagir com os outros sabores, como só 30 anos de batteria podem permitir. (Batteria é o nome dado ao conjunto de barricas onde o Balsamico envelhece segundo métodos ancestrais.)

Palmas para a divertida ironia de servir ingredientes altamente sofisticados em uma versão tão lúdica!



O Tortino di porri, scalogno di Romania, tartufo di Bologna e sale di Cervia foi o prato menos expressivo da noite. Uma pasta longamente cozinhada de alhos porrós e echalotes, trufas bolognesas e um sal célebre das cercanias. Bom, mas nada de espetacular. E se havia alguma mensagem implícita, não fui perspicaz o bastante para captar. Talvez tenha me perdido com a quantidade de locais citados no título. Forse...


    Cinque Stagionature di Parmigiano Reggiano             Foto:Divulgação


Cinque Stagionature di Parmigiano Reggiano
Uma obra de arte minimalista. Um ingrediente, cinco texturas e uma apresentação que parece poesia. Apoiando-se nas diferenças operadas pelo envelhecimento no Parmigiano, Bottura apresenta o mais jovem, de 18 meses, como creme leve, na base do prato. O de 24 meses vem em forma de demi-soufflée, o de 30 é uma espuma, 36 uma gallette. O mais ancião, com 50 meses de idade, é quase etéreo: uma espuma que está mais para ar, de leveza que contrasta com o sabor pungente fruto da maturação avançada. Surpreende descobrir que a técnica base para essa espuma é das tradições mais simbólicas da Emilia Romagna: a Maltagliata di croste di Parmigiano. Consiste em ferver a camada externa do queijo, dura e seca, obtendo-se um caldo rico em sabor (umami, principalmente). Assim, nada é jogado fora, e mesmo na falta de carne, o brodo não perde a graça. Truques da singela cozinha camponesa de outrora sendo homenageados em um prato que mais parece um quadro. Eu vejo uma imagem marinha, a gallette como coral, banhada por espuma do mar e avizinhada por uma concha. E você?

Compressione di pasta e fagioli

Pasta e fagioli (ou massa com feijão) é um prato comum em toda a Itália. As receitas variam um pouco de região para região, mas é basicamente isso: um comfort food nacional. Sensacional como Bottura transformou um símbolo de cozinha singela em uma miríade de sabores e texturas. Mais sensacional ainda como funciona bem! O copinho que se vê acima vem com instruções: cada colherada deve ser levada até o fundo, trazendo de volta um pouco de cada uma das camadas. Na base, um velouté de vitela, seguido por radicchio salteado em vinho (acidez e amargor necessários em meio aos demais ingredientes). Em seguida, mais uma vez a Maltagliata di croste di Parmigiano. Aqui, a crosta foi fervida no caldo de feijão, sendo depois ralada e unida a pancetta. O feijão em questão vai por cima, na forma de puré aveludado. No topo do bicchierino, uma espuma levíssima batizada de acqua di rosmarino faz as vezes do alecrim que costuma aparecer na receita tradicional. Como a erva tem folhas duras e sabor pronunciado, a acqua traz sutileza na textura e apenas uma nota aromática.


O Ravioli di cotechino al Lambrusco e lenticchie brinca com a própria singeleza. Cotechino é um salame cozido. Gordo, até pele do porco leva. Costuma ser servido com lentilhas e harmonizado com Lambrusco, o vinho símbolo da Emilia Romagna. Depois de uma refeição nestes moldes, a siesta é obrigação! Bem, não na versão Francescana, na qual pedacinhos de cotechino são cozidos no vapor de Lambrusco, unidos a poucos grãos de lentilha e transformados em recheio de massa (as masas recheadas são outro clássico regional). Delicado como eu nunca pensei que um prato com estes ingredientes poderia ser.


Costola di maiale nero all'Aceto Balsamico, purea di patate e topinambour
Uma costela de respeito, glaceada por Balsamico e com a carne se desprendendo dos ossos. Dois purês, um de batatas, outro de Jerusalem artichokes (ou topinambo, como a Wikipedia acaba de me informar), e basta. Para quê mais? O grand finale do menu salgado é um manifesto: apóia-se em dois elementos da sagrada trindade emiliana (que além de porco e Balsamico, inclui o Parmigiano), sem arroubos técnicos ou ingredientes inusitados. É o que é, e está ótimo assim. A cena final diz tudo: ossos limpos e talheres cruzados sobre os pratos vazios. Existe sinal mais primitivo e eloquente de satisfação absoluta?


Depois de tanto porco, Parmigiano e pratos conceituais, a sobremesa traz refresco em todos os sentidos. Seguindo um pré-dessert  de gelato de leite de cabra com coulis de pêssego sobre biscoito de ervas e iogurte, vêm à mesa pâte sucrée, gelato de capim limão e zabaglione, mais uma gota de calda concentrada de menta. Detalhe: tanto prato como sobremesa vêm em cacos, como se a coisa toda tivesse sido lançada contra a parede.


Eu costumo esperar dois tipos de sobremesa: em restaurantes vanguardistas, uma cornucópia de elementos que no mais das vezes é excessiva. Parece que o chef pâtissier fica ressentido por ter menos pratos do que a cozinha salgada e resolve usar todas as técnicas que conhece em uma ou duas sobremesas, deixando o pobre comensal tonto e confuso. As boas casas tradicionais, por sua vez, apostam em uma receita só, executada e apresentada à perfeição. (Eu sei, é uma generalização, mas neste caso sou definitivamente old school, e quando gosto de um doce, quero mais do que uma colherada ou gota.) Pois aqui não é uma coisa, nem a outra: sim, temos uma tartelette com gelato e zabaglione, três clássicos, classicamente combinados. Mas temos também um prato espatifado. Não é genial?

Bottura tem o dom de misturar seu amor desmesurado pela Emilia Romagna à sua sensibilidade artística e capacidade técnica. Na cozinha da Osteria Francescana vêem-se as influências de Ducasse e Adrià, de quem o chef foi discípulo, mas vê-se muito mais do que isso. Massimo Bottura é dotado de talento, inteligência, senso de humor e humildade.


O resultado? Bem, além dos prêmios e reputação gozada pelo restaurante no mundo inteiro, eu não vejo a hora de voltar a Modena para provar o Menu Sensazioni.


**A colaboração do casal Bottura/Gilmore pode ser vista no curta Il Retorno, filme lindo e tocante sobre a Emilia Romagna e sua influência na cozinha da Osteria Francescana.




E a seguir, a quem interessar possa, os novos estrelados do novo Michelin Italia 2012:

14.11.11

Os 10 melhores restaurantes de Nova York: minha lista, atualizada



Hoje recebi um email de um amigo paulistano pra lá de fino. Arquiteto e designer, sabe tudo, viaja muito, tem um escritório em Manhattan. E ele tinha me pedido umas dicas de onde comer em Nova York, dizendo estar cansado dos lugares da moda e dos mesmos de sempre. Mandei pra ele minha lista, dizendo que ele tinha que experimentar, especialmente, meus dois favoritíssimos do momento, The Dutch e Esca. E vejam o que ele me escreveu no email:


"Obrigado pelas dicas....acabei de chegar do The Dutch e adorei! A decoração , a musica, a falta de toalha na mesa não condizem com a comida que é maravilhosa e só ajuda ao restaurante ser 30 por cento mais barato do que poderia ser....rsssssss...... O Esca tambem foi excelente, o melhor branzino no sal que ja comi  for sure. Tksss , bjs"

Recomendar restaurantes é coisa que eu levo MUITO a sério. Longe de mim estragar a noite de um leitor mandando ele numa roubada! Por isso fiquei feliz feliz feliz de ver que acertei na mosca.

E aproveito pra repetir aqui: esses dois restaurantes são daqueles raros onde come-se sempre bem. Pra ir sem medo!

Aproveitando o embalo, eis a seguir a versão atualizada dos meus 10 favoritos, deixando de fora alguns clássicos sempre maravilhosos (Le Bernardin, Daniel) que as pessoas já estão carecas de conhecer. (E por falar em clássicos, aqui meu post sobre o Guia Michelin de Nova York 2012 e  todos os restaurantes estrelados).

Minha lista é pra lá de subjetiva, claro, e reflete os gostos muito peculiares de uma comilã insaciável. E atenção: não estão em ordem de preferência!

  1. Momofuku Ssäm Bar
  2. Esca
  3. The Dutch
  4. Franny's (no Brooklyn, mas vale a viagem)
  5. Pulino's (pizza, badalo)
  6. Del Posto (italiano chique)
  7. The Standard Grill
  8. Eleven Madison Park
  9. Minetta Tavern
  10. DBGB
E a seguir, o porquê das minhas escolhas....


Esse restaurante com bar de ostras e imensos janelões, numa esquina do Soho, é encantadoramente belo. Do mesmo chef Andrew Carmellini do Locanda Verde, serve pratos como siri com bloody mary que tiram o fôlego de tão deliciosos e coquetéis malucos porém interessantíssimos.
131 Sullivan St. tel. (212) 677-6200



Momofuku Ssam Bar


Momofuku Ssam Bar

Animado, barulhento, sempre lotado, comida de-li-ci-o-sa focada em porco e sabores asiáticos. Conforto, há pouco: os bancos são toras de madeira cortadas em cubo ou retângulo.
O menu divide-se em capítulos: crus, presuntos, da estação/da região, miúdos, etc. E as porções, pequenas, permitem que se peçam vários pratinhos pra experimentar.
Imprescindível experimentar o sanduichinho de barriga de porco no steamed bun (pãozinho feito no vapor, quase uma panqueca gorducha). Pra dar um contraste, julienne de pepino e scallions. Maciozinho e quentinho, a carne uma manteiga, cada bocada um pedacinho do céu.
Agora, eles aumentaram o espaço e no almoço servem só pratos com pato, do sanduíche com musse de pato ao arroz com pato assado. Até a mortadela e a pancetta são de pato!
SSAM BAR 207 Second Avenue, tel. (212) 254-3500 - não fazem reserva


Sanduíche de porco no steamed bun do Momofuku Ssäm Bar







Minetta Tavern

Minetta Tavern 
Em uma ruela no Village, pequeno, apertadinho, ultrabadalado, sempre lotado, difícil de reservar, super bife, super hambúrguer, comida pendendo para francesa deliciosa. Meses foram gastos no restauro dessa velha taverna do Village de modo que quase não se diferencia o novo do original. Fica numa viela, rodeado de barzinhos encardidos, neons, lojas furrecas, uma coisa assim bem alternativa. Mas sua clientela bem-vestida e ruidosa não tem nada de alternativa: famosos, aspirantes a famosos e boa parte do who’s who de Nova York. Reservar com muita antecedência é primordial.
  Nunca comi algo lá que não estivesse excelente. Gosto bastante do trio de tartares, por exemplo: vitela com trufa preta, cordeiro com menta e azeitona e carne com mostarda e picles. Carnes cortadas na faca com cuidado, os cubinhos todos idênticos, de um rosa e um vermelho intensos, e claramente de uma qualidade e frescura bem superiores à média. Outro de meus favoritos é o tutano de boi servido ainda no osso, aquela gordura rica e explodindo de sabor, salpicada de salsinha e tomilho picados e, pra acompanhar, fatias tostadas de baguete. Mas verdade seja dita: quase todo mundo que vai comer lá pede a carne (maturada, perfeita) ou o Minetta Burger (com queijo cheddar e cebola caramelada).

Minetta Tavern: Rua MacDougal esquina com Minetta Lane, tel. 212-475-3850









  Esca
 Peixes e frutos do mar? Querendo gastar, sempre há o excelente Le Bernardin (155 West 51st Street . tel. (212)-554-1515 ) - caro, careta, formal, clientela business, salão meio anos 80 mas mesmo assim um dos meus favoritíssimos porque os peixes são simplesmente maravilhosos. Quem nunca foi tem que ir, nem que seja uma vez na vida.


Mas, atualmente, se é para comer em um bom restaurante de peixes e frutos do mar, prefiro o Esca. Simples, com toalhas brancas nas mesas e paredes pintadas de creme. Em um endereço ermo, no bairro Hell’s Kitchen e perto da megaloja de fotografia B+H, brilha pelo que traz no prato: delícias recém-tiradas do mar, sempre com a maior qualidade possível.


Crudo de vieiras do Esca, o melhor que já comi
Os crudos são impecáveis, idem os peixes servidos inteiros, trazidos à mesa em frigideira funda de cobre. Até a sopa de pescados e mariscos merece aplausos. O chef e entendido no assunto chama-se Dave Pasternak, mas por trás dele há a mão onipresente de Mario Batali, sócio-proprietário do negócio. Este é para anotar, sem falta, no caderninho…
Esca: 402 West 43rd Street, tel. 212 564-7272, www.esca-nyc.com















Standard Grill: super hambúrguer no Meatpacking

The Standard Grill 
No térreo do hotel Standard, no Meatpacking, especializado em carnes e hambúrgueres, ambiente super charmoso, muito badalado. Em geral, ótima comida.
Rua Washington , 846, esquina com rua 13.Tel. (212) 645-4646








The Breslin

Melhor brunch de Nova York e ponto final. A inglesinha April Bloomsfield é uma chef durona, perfeccionista e o resultado percebe-se. Mesmo sendo uma cozinha simples, farta, robusta, é executada com grande rigor. Resultado: hambúrguer perfeito, fritas perfeitas, salada caesar das melhores que comi na vida, tomates assados que fazem suspirar. Mas cuidado: aquilo ali lota todo fim de semana então o jeito é ir muito cedo ou preparar-se pra tomar umas no bar....


No escurinho The Breslin dá para encomendar um assado inteiro para
dividir com amigos na mesa de frente para a cozinha






DBGB, na Bowery, do Daniel Boulud

DBGB 
Lugar casual do famoso chef Daniel Boulud, seu primeiro negócio na parte mais cool da cidade, a Bowery (Downtown, perto de Nolita). Escurinho, hambúrgueres deliciosos, barulhento, badalado. Fachadinha apagada, de vidro, sem graça nenhuma. Mas uma vez lá dentro a gente vê que na verdade o décor é lindo: salão principal tem uma cara bem diferentona, com sofás cinza-granito de espalda alta formam “booths” e as mesas ficam meio engaioladas no centro de um cercado de prateleiras, onde ficam expostas panelas de cobres presenteadas por chefs famosos, conservas e garrafas de vinho. O hambúrguer chamado “the piggie” tem por cima da carne de hambúrguer um montinho de carne de porco barbecue desfiada; pão feito com cheddar e milho, e uma maionese de pimenta jalapeño pra dar um coice leve. Ma-ra-vi-lho-so, gostinho bem defumado, irresistível contraste de doce, salgado e picante. E macio como colo de babá. Costuma vir com fritas mas pedi uma salada de alface bib – pecado, eu sei… O cachorro quente da casa é outra maravilha: o pão, tostado; a salsicha, gorda e levemente defumada.
DBGB: Rua Bowery, 299, tel. (212) 933-5300
Post em que eu mostro todos os pratos que experimentei, neste link.


 

Eleven Madison Par



Eleven Madison Park 
Lindo, lindo, lindo (principalmente de dia), pra ir com a namorada ou mulher, muito elegante e bastante caro mas a comida vale cada dólar. Fica de frente para o parque que lhe dá nome.
Eleven Madison Park: Av. Madison, 11, tel. (212) 889-0905
Post em inglês em que eu mostro todos os pratos que experimentei.






Pulino’s 
A pizzaria badalada do Keith McNally dono do Balthazar, Pastis, Morandi, Minetta Tavern, na Bowery, que tornou-se verdadeiro corredor gastronômico. Lugar sempre ultra-lotado (reservem sem falta!) pra comer pizza bem-feita, e carnes assadas também em forno à lenha.
282 Bowery, tel. (212) 226-1966, www.pulinosny.com
Aqui, um post em que eu descrevo o Pulino's em detalhes, com fotos dos pratos


Del Posto, o super italino do Mario Batali no Meatpacking
Del Posto 
O italiano do Mario Batali no Meatpacking que recebeu a cotação máxima do crítico do The New York Times. Lindo, chique e… delicioso.
Saiba mais sobre o Del Posto, aqui.

Fórum Gastronomika em San Sebastian, Espanha: Brasil, México e Peru homenageados

Ferran Adrià no Gastronomika de 2010


Com algum atraso, eis a coluna de quinta-feira passada no Folha Comida, sobre o Gastronomika, fórum que começa no domingo que vem em San Sebastian...


ALEXANDRA FORBES

Comitiva brasileira na Espanha



Extra! Extra! A Europa descobre que existe gastronomia pensante no Brasil!


CHEFS BRASILEIROS estão alegres e orgulhosos -e com razão- por sermos, com peruanos e mexicanos, os grandes homenageados do fórum Gastronomika, que acontece neste mês em San Sebastian, no País Basco.
Nunca tivemos presença tão maciça em importante evento estrangeiro. Atrás deles -Helena Rizzo, Alex Atala, Rodrigo Oliveira, Roberta Sudbrack e Claude Troisgros- vai outra comitiva, de jornalistas.
Extra! Extra! A Europa descobre que existe gastronomia pensante no Brasil!
A julgar pelo que vi ali no ano passado, quando o tema era Nova York, temo que também dessa vez alguns sucumbirão à tentação de fazer a chamada palestra-cartão-de-visitas. A fórmula? Contar de si, mostrar imagens do restaurante e terminar preparando alguma receita. Os americanos David Chang (dono do império Momofuku) e Drew Nieporent (do Nobu) ficaram apagados perto da alta técnica e dos belos vídeos exibidos por chefs espanhóis como Joan Roca e Andoni Aduriz.
Está errado nivelar por baixo: o chef que faz isso perde rara chance de mostrar facetas mais aprofundadas de sua cozinha para gente interessada e preparada. A plateia compõe-se de chefs, estudantes de gastronomia e alguns dos maiores críticos gastronômicos do mundo. Muitos terão feito sua lição de casa no Google e, espera-se, conhecem ao menos um pouco do Brasil além de Alex Atala, feijoada e churrasco.
Terei comigo meu senso crítico, mas também meu patriotismo: não nego que estarei torcendo para que brilhemos. Mas isso exigirá dos chefs grande esforço de reflexão e de preparo, além de boa dose de carisma (neste departamento, ao menos, estamos bem). Inevitavelmente, serão feitos paralelos entre as chamadas "cozinhas emergentes" e seus líderes, Atala e o peruano Gaston Acúrio. Pouco importa, é para o bem. O que emerge, na verdade, não é tanto nossa cozinha, mas o interesse dos europeus por ela. Desde que se evite a obviedade (yes, nós temos banana e Amazônia e mandioca) e que se exiba profundidade nas apresentações, o Brasil sairá no lucro.

ALEXANDRA FORBES, jornalista gastronômica e "foodtrotter", conta de suas andanças e comilanças também no Twitter (@aleforbes)

E mais Gastronomika e San Sebastian no Boa Vida:


Almoço no restaurante Akelarè com o chef Daniel Boulud - com vídeo

Um jantar inesquecível no Arzak... com o Arzak!

Minha lista dos melhores restaurantes de San Sebastian e arredores: Bernardina, Etxebarri, Elkano, etc.

Jantar com Anthony Bourdain, Dave Chang et. al no Elkano: os melhores peixes e frutos do mar na grelha que já provei - com vídeo

O restaurante Mugaritz, do chef Andoni Aduriz: único

Abertura do Gastronomika 2010: noitada no Museo del Whisky

Palestra de Ferran Adrià no Gastronomika 2010: vídeo mostrando pratos do El Bulli

Gastronomika: programa completo inclui grandes nomes como Adrià, Andoni, Arzak, Anthony Bourdain e Daniel Boulud 

Chef Josean Martínez-Alija do restaurante do Guggenheim Bilbao anuncia novo - e revolucionário! - restaurante para o início de 2011

Uma semana em San Sebastian para o Gastronomika: as lições que aprendi
e os gim tônicas que bebi

Resumo (em espanhol) do Gastronomika 2010 pelo crítico Carlos Maribona 

8.11.11

O novo hotel Intercontinental no Porto: nota dez em elegância

HOTEL INTERCONTINENTAL PORTO - PALÁCIO DAS CARDOSAS


Eu sempre desgostei do estilo normalmente associado a cadeias hoteleiras de luxo: conforto sem sal, sem personalidade; ar corporativo. Sempre preferi me hospedar em hotéis únicos, onde além de luxo eu poderia encontrar personalidade. Um quarto idêntico ao outro, musiquinha de elevador tocando nos ambientes públicos.... nada disso me atrai. No entanto, o mundo tem mudado rapidamente. Cadeias como Mandarin Oriental deram uma guinada e pararam de fazer hotéis “cookie-cutter”, como chamam os americanos – parecidos uns aos outros, tal qual biscoitos da mesma fôrma.

Já falei algumas vezes do melhor exemplo disso, o deslumbrante Mandarin Oriental de Barcelona, em que os arquitetos espanhóis Carles Ferrater e Juan Trias de Bes souberam transformar a antiga sede de um banco, em pleno Paseig de Gracia, em uma obra-prima. Aqui, o link com fotos.

Mas o Mandarin barcelonês não está só. Em uma era em que até a megarede Marriott quer ter seu dia de boutique hotel (e dá-lhe imitadores da estética lançada pelo francês Philippe Starck), mais e mais hotelões de luxo de grandes redes procuram se destacar através do design. Em viagem recente a Nova York, percorri diversos cinco estrelas novos, pesquisando para grande reportagem sobre o tema. Estive, entre outros, no Gansevoort Park Avenue, com atitude papai-quero-ser-cool, e no caríssimo e luxuosíssimo The Chatwal, que pretende abalar os alicerces com suas paredes forradas de camurça e mantas de cashmere. Mas o que me impressionou mesmo, a ponto de literalmente me deixar boquiaberta, foi o Intercontinental perto do Times Square. Sim, isso mesmo: In-ter-con-ti-nen-tal!

E agora, eis-me aqui hospedada em outro Intercontinental lindo, no Porto. Acaba de abrir e, a meu ver, já leva o troféu de melhor hotel da cidade. (E olhem que não estou falando isso porque hospedo-me a convite do Oporto Wine Tourism Forum, mas sim porque fiquei recentemente em dois outros cinco estrelas daqui, o Infante de Sagres e o The Yeatman, então consigo comparar bem...).


entrada do Palácio das Cardosas


Este palácio bem no centro da cidade era, originalmente, o Mosteiro dos Lóios, dos cônegos de S. João Evangelista, uma Ordem detentora de riquíssimas alfaias de ouro e de prata.

Mas as convulsões do princípio do século XIX e a entrada de D. Pedro IV à frente do Exército Libertador, no Porto, ditaram a fuga da Ordem Religiosa que apoiava D. Miguel, abandonando o convento.

O Mosteiro foi comprado por Manuel Cardoso dos Santos, um burguês abastado, com fortuna feita no Brasil. Passado pouco tempo, ele morreu e os seus bens passam para a sua mulher e suas três filhas, conhecidas como as Cardosas, daí o nome “O Palácio das Cardosas”.


Eis que ele ressurgiu em julho como hotel. Ganha o Porto, certamente....

Estou em um quarto "básico" que de "básico" não tem nada...



Gostei, principalmente, da ótima - e GRATIS - internet sem fio; do imenso banheiro; do pé-direito duplo; da curadoria de bom-gosto do minibar, que oferece biscoitinhos caseiros de canela, chocolate com laranja de São Tomé e outras portuguesices boas, além de chás de primeira qualidade, em sachês de tecido.

E gostei de ver, por todo o hotel, espaço abundante: um grande luxo hoje em dia em hoteis modernos.




O café da manhã tem mais portuguesices boas, inclusive pasteis de nata para os overgulosos e meu bolinho favorito, feito com farinha de arroz. NHAM.



Enfim, preciso falar que estou feliz aqui? :)

O Intercontinental jamais poderá competir com as lindas piscinas (uma interna, outra externa) do Yeatman, nem com a deslumbrante vista de que aquele hotel goza. Mas em contrapartida, enquanto o Yeatman está do outro lado do rio, em relativo isolamento, este "palácio" fica no miolo de tudo.



Para mim, se fosse recomendar, saberia facilmente o que dizer. Aos casais querendo passar muito tempo namorando no hotel, indo ao spa, etc, o The Yeatman é a melhor escolha. Para o turista que quer bater perna pela velha cidade, melhor ficar no Intercontinental. E o Infante de Sagres...... hmm... depois falo mais dele!


Palácio das Cardosas

Praça da Liberdade, 25,

+351-22-0035600
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