Eu moro em Montreal, embora passe boa parte do ano no Brasil - mas nem parece! Escrevo pouco sobre minhas peregrinações a restaurantes daqui, talvez porque ache que interessa pouco aos leitores do Brasil, e talvez porque estou sempre contando de lugares onde como pelo mundo afora.
Mas resolvi consertar isso, compartindo aqui links para duas listas bem diferentes que fiz recentemente para dois grandes portais. Uma lista, dos melhores restaurantes de Montreal (na minha opinião, claro) foi publicada pela super blogueira e viajante Rachel Verano, em seu blog na Vejinha.
A outra lista, em inglês, eu fiz para o portal EATER, e é de "hot" restaurants, querendo dizer os que estão em alta, na moda... não necessariamente os melhores. Difere um pouco da primeira. Vem com mapa interativo.
Em ambos os casos misturei hi e lo, lugares caros (Joe Beef) e baratos (Grumman78), sem grande rigor, muito subjetivamente. A quem interessar possa.......
Apesar da fama de francesinha das Américas, o que Montréal tem de melhor não são apenas os restaurantes afrancesados, mas também os portugueses. Frango grelhado nota mil no Chez Doval, cozinha tradicional e generosa na Casa Minhota e, para aquelas noites mais especiais, o Ferreira Café.
Às vezes, para explicar o Ferreira Café, acabo comparando-o ao Antiquarius mas na verdade… o lugar não é bem como o Antiquarius paulistano, que anda meio caidinho. O restaurante tem em comum com o Antiquarius do Rio, aí sim, o fato de serem considerados os melhores portugueses de suas respectivas cidades (embora uma amiga tenha me contado que o bacalhau do Antiquarius carioca também já viu dias melhores).
Embora seja portuguesíssimo, o Ferreira tem uma vibe que lembra mais um Gero: homens de negócios, gente conhecida, etc. Música alta, escurinho, uma ou outra beleza bebericando um vinho no bar à espera do namorado. Ah, sim: o Ferreira tem também garçonetes très mignonnes sempre de vestidinho curto e justo, como gostam os… homens de negócios.
A cozinha não tem grandes pretensões mas é sempre boa. O chef açoriano sabe grelhar sardinha sem deixar passar do ponto; realçar um bacalhau com uma redução de Porto, dar cara nova a clássicos portugueses, rejuvenescidos. A melhor sobremesa que já provei lá? Bolinho de figo com sorvete de batata doce e especiarias casado com um senhor porto Tawny da Quinta do Vallado.
O melhor prato? Caldeirada de arroz e frutos do mar repleta de nacos suculentos de lagosta:
Até o pastel de nata vem à mesa vestido para festa, uma metade montada sobre a outra, quenelle de sorvete ao lado. Mas, confesso, eu prefiro meu pastel de nata sem nada “para atrapalhar”….
O dono do lugar, lógico, é portuguesíssimo: Carlos Ferreira é praticamente o embaixador de Portugal neste país:
Já fui n vezes ao Ferreira. Por que falar dele hoje? Porque uma super chef brasileira, a Roberta Sudbrack, do restaurante homônimo, cozinhou lá na semana passada, como parte do importante Highlights Festival, que este ano homenageia as mulheres (chefs, vinicultoras, sommelières, etc).
Estive lá para o jantar - lógico! - e comi como rainha. Era especialmente de lamber os dedos (sim, porque comi com a mão) esse canudinho super crocante recheado de maçãs assadas, que era para ser passado no molho de caremelo e na "farofa" de pistache que vinham junto. Nham!
Vejam minha reportagem com ela, quando fomos às compras pelos mercados de Montréal:
O Festival, agora já foi…. Resta guardar a dica do Ferreira Café, para a próxima vinda a Montréal!
Meu amigo Carlos Ferreira não é exatamente um homem que goste de revelar o que sabe. O português dono do Ferreira Café, espécie de Antiquarius do Canadá (o restaurante dele é menos sério/fino e menos caro que ambos Antiquarius, mas bem mais animado e faz um bacalhau melhor) conhece o mundo e está sempre por trás dos grandes eventos gastronômicos daqui.
Ele está cansado de saber que eu escrevo sobre chefs e restaurantes. Vivo disso. E no entanto, ficou quietinho e não me contou que o Charlie Trotter estava de viagem marcada pra cá, Montréal.
Essa é boa! Mas quem nasce repórter morre repórter e eu no fim das contas descobri não só o porquê da vinda do Trotter, mas os detalhes do jantar beneficiente que vai rolar amanhã, super bico fino, com renda revertida para a Fondation du Cancer du Sein du Québec.
Charlie chegou hoje à tarde e está jantando no Toqué, o melhor restaurante da cidade.
Amanhã, se os céus conspirarem a meu favor - o entourage de Trotter parece estar dificultando as coisas - eu devo entrevistá-lo. Coisa simples, rápida, mesmo porque ele não veio aqui pra falar a jornalistas.
Bom mesmo vai ser o jantar.... Além do Trotter, veio dos U.S. o chef do Balthazar. E representando Montreal temos os principais stars da cena local. Depois eu conto....