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22.3.12

East End de Londres, aqui vou eu: quem tem boas dicas?


Mal voltei de Paris e já estou planejando outra viagem: Londres! Toda primavera eu vou para lá, para assistir à cerimônia de premiação dos The World's 50 Best Restaurants e este ano não será exceção. 

Equipe do restaurante NOMA na Dinamarca festejando o primeiro lugar
na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo


Mas quero aproveitar a viagem para fazer uma imersão total no East End, o pedaço de Londres onde há mais coisas acontecendo. Já fiz isso uma vez uns anos atrás, quando passei uma semana sem sair do East End, experimentando hoteis e restaurantes a trabalho. Adorei! 

Desta vez, quero revisitar alguns lugares - o mercado Spittalfields, sem dúvida, o St. John & Wine e o St. John, dois restaurantes respeitadíssimos, do chef Fergus Henderson, etc. - mas tenho certeza que há muitas novidades a serem descobertas.

Estou mergulhada em pesquisas, concentradas na região que aparece no mapa abaixo (clicando nele vocês podem ver a versão maior).



Por enquanto, decidi que preciso visitar, sem falta, os seguintes endereços:

RESTAURANTES:

Albion, um charmoso café no mesmo predinho do hotel The Boundary

Albion
O café do hotel The Boundary. Super charmoso.
2-4 Boundary Street,
Shoreditch,
London E2 7DD
020 7729 1051


St. John
26 St. John Street tel. 020 3301 8069.
Templo da gastronomia nose-to-tail e principal restaurante do audaz (e doidinho) chef Fergus Henderson.


 
St. John Bread & Wine
94-96 Commercial St., T: 20 7247-8724, stjohnbreadandwine.com
O segundo restaurante do Fergus Henderson, o pai da cozinha "da fuça ao rabo", ao lado do mercado Spittalfields, no East End. Produto, produto, produto. Não há espaço para o supérfluo, como quadros, toalhas de mesa, flores nem pratos enfeitados. Peixes, carnes e saladas frescas são servidos sem frufrus, num salão todo branco tipo refeitório escolar.


Patriot Square, Bethnal Green, tel. (44-20) 7871-0461
O principal restaurante do português Nuno Mendes, um dos maiores talentos da cozinha vanguardista londrina. 


The Corner Room
Novo restaurante do Nuno Mendes, no mesmo endereço. Preços bem mais baixos do que no Viajante, comida um pouco mais simples. Tem sido elogiadíssimo. Não fazem reservas.


Young Turks at the Ten Bells
The Ten Bells, First Floor, 84 Commercial Street, tel. 07530 492986
Pop-up de um duo de grande talento: Isaac McHale e James Lowe. Aqui o link para matéria sobre eles no Wall Street Journal.


HOTEIS:



Town Hall
A maior novidade do East End, é nesse hotel Art Déco reformado com modernidade e criatividade, onde ficam os dois restaurantes do premiado chef Nuno Mendes, citados acima.
Patriot Square | London | E2 9NF 
Tel: + 44 (0)20 7871 0460
Email: reservations@townhallhotel.com

The Zetter
86-88 Clerkenwell Road, T: 20 7324 4444
Único no design bem-sacado, no uso divertido de luzes pink, tecidos mod, carpetes com estampa de papoulas gigantes, e muito vermelho por toda parte. Serviço nota mil. Como as diárias são uma relativa pechincha, invista num king superior, com janelões dando para uma pracinha (os quartos standard são bem apertadinhos). Imensa discoteca digital grátis, bolsa de água quente com capa tricotada à mão, e livros antigos em todos os quartos.

The Boundary Hotel



The Boundary Hotel
Pequeno mas interesantíssimo hotel, com design do Terence Conran. Cada quarto homenageia um designer famoso: Le Corbusier, Charles e Ray Eames, Mies van der Rohe, etc.
entrada pela Redchurch Street
2-4 Boundary Street, Shoreditch,
Tel +44 (0)20 7729 1051




E também....

Galeria White Cube
48 Hoxton Square, T: 7930-5373
Primeira galeria de arte importante do pedaço, celebrizou Damien Hirst e botou o East End no mapa no início dos anos 90. Segue firme e forte.


Sites de pesquisa:

London East Side
Visit London

posts sobre Londres aqui mesmo no Boa Vida


E, para completar, reproduzo a seguir um super bem-feito press release sobre East London produzido pelo Visit Britain, orgão governamental inglês que cuida de promover o turismo:



A partir de 27 de julho, a região que abriga o Parque Olímpico será o ponto de encontro dos melhores atletas do mundo e dos fãs mais devotados dos esportes


Os bem informados já frequentam o leste de Londres há algum tempo para apreciar alguns dos melhores bares da cidade, uma grande variedade de restaurantes, feiras de rua e galerias de arte, além de centenas de anos de história fascinante, refletida em excelentes museus e trajetos para caminhadas – além de muitos pubs!

A região já começou a atrair muito mais gente em setembro do ano passado, quando foi aberto o maior shopping center da Europa, o Westfield Stratford City, uma meca para compradores, com cerca de 300 lojas, incluindo uma loja de departamentos John Lewis.

Muitas pessoas associam East End (como a região é conhecida) aos Cockneys – termo usado para definir a maneira de falar dos londrinos da classe trabalhadora que se estabeleceram nessa área da cidade. A Wikipedia descreve East End como a área que delimita o leste da City of London na cidade murada medieval e o norte do Rio Tâmisa. De qualquer forma, dois bons pontos de partida são Liverpool Street Station e Tower Bridge/Tower Gateway (onde começa o sistema metroviário Docklands Light Railway – DLR).

Certamente, limites rígidos não eram importantes para aqueles que no passado cruzaram as fronteiras em busca de uma vida melhor em Londres e na Grã-Bretanha, muitas vezes fugindo de perseguições em seus países de origem. A região leste de Londres foi o ponto de chegada e a primeira morada de protestantes franceses no século XVIII, depois vieram os imigrantes judeus e mais recentemente os nativos de Bangladesh. Além de imigrantes, os navios traziam mercadorias do mundo todo, o que acabou se refletindo nos nomes de algumas das antigas docas e cais, como Canada Water, East India e West India Docks.

Com a utilização de navios de transporte de carga, as docas entraram em declínio. A área passou por uma transformação, com o surgimento de prédios de escritórios, apartamentos, lojas e cafés e, o mais impressionante, as torres de Canary Wharf. O local também abriga o movimentado City Airport.

Assim como Canary Wharf e as vizinhanças do Parque Olímpico, outras áreas da região leste de Londres vêm sofrendo transformações e estão mais encantadoras para se visitar, com seus museus revitalizados, novos hotéis e restaurantes. As novas linhas de transporte tornam tudo mais interligado e acessível.


STRATFORD

Bairro onde foi construído o Parque Olímpico, Stratford certamente deve estar em sua lista, incluindo uma visita ao shopping center Westfield Stratford City. A melhor maneira de explorar a área e a história da região é participando da caminhada olímpica. O passeio não inclui ingresso para entrar no parque, mas é possível ter uma boa vista da Greenway – o ViewTube conta com uma das cafeterias mais bem localizadas da capital, bem ao lado do parque. As estações mais próximas são Stratford, nas linhas Central e Jubilee, e DLR, em Pudding Mill Lane.

BRICK LANE E SPITALFIELDS

Aos domingos, há poucos lugares mais divertidos para se visitar na capital do que as feiras de rua da região leste de Londres, como Columbia Road Flower Market, Brick Lane (onde há roupas de época, ótimos cafés e restaurantes), Old Truman Brewery, Sunday Up Market, e Spitalfields. O acesso de uma área para outra é bem fácil e a região também é ótima para visitar durante a semana, mas realmente ganha vida (e pode ficar bem cheia!) aos domingos, quando ocorrem as feiras.

Algumas das melhores lojas independentes também estão nesta parte da cidade – a lista de opções está no Quirky Shopping Guide, que cobre a zona leste de Londres.

Aqueles que procuram o melhor do design e da cozinha asiática podem seguir um pouco mais adiante para conhecer a Green Street, ótimo lugar para comprar sáris, pashminas, bijuterias e roupas sob medida a preços competitivos – o metrô mais próximo é a estação de Upton Park.

HOXTON

O bairro é lar da badalada galeria White Cube, além de bares e boates excelentes, como o Hoxton Bar and Kitchen, próximo à Old Street. Não deixe de ver os antigos vagões de trens de metrô, exibidos ali perto como parte de algumas instalações artísticas e oficinas culturais, e os ótimos trabalhos em grafite e arte de rua. Hoxton agora tem sua própria estação na parte nova da linha London Overground.

DOCKLANDS

No início da década de 1980, a London Docklands Development Corporation foi criada para revitalizar as docas em decadência, que se estendem ao leste da Tower Bridge. O antigo cais do porto agora é bem movimentado, tanto durante a semana como aos sábados e domingos, principalmente nos arredores de Canary Wharf. Há uma grande variedade de lojas e cafeterias e o acesso à área é facilitado pelo metrô de superfície Docklands Light Railway (DLR) ou pela linha Jubilee. E você pode ter um fascinante vislumbre do passado no Museum in Docklands, mantido em belos e antigos armazéns, a poucos minutos de caminhada de Canary Wharf, ou em West India Quay, no DLR.

A uma pequena distância de Canary Wharf – mas com aparência de milhões de quilômetros de distância se considerar a atmosfera – fica Mudchute Farm, uma das maiores fazendas urbanas da Europa, que abriga cerca de 200 animais. Estação mais próxima: Crossharbour no DLR.


MUSEUS IMPERDÍVEIS (E QUASE TODOS GRATUITOS!)

Os aficionados por cultura podem rumar para South Kensington ou outras áreas da região oeste de Londres para visitar museus, mas a zona leste de Londres também tem muito a oferecer. Além do Museum in Docklands, há o Museum of Childhood, um paraíso para as crianças – e para os adultos recordarem sua infância. The Geffrye Museum é um oásis tranquilo com muito verde em uma rua bem urbana. Abrigado em um antigo asilo, as salas do museu exibem a decoração de casas de classe média ao longo dos séculos, com jardins típicos de cada época.

Whitechapel Gallery, recentemente ampliada, é uma das mais respeitadas galerias de arte moderna, com uma história ilustre e ótimas exposições. Todos os museus e galerias citados acima têm entrada gratuita. A exceção é Dennis Severs House, que cobra uma taxa de entrada, mas é uma fascinante cápsula do tempo, em uma casa do século XVIII, sem eletricidade. Visite em uma tarde de domingo ou faça o circuito iluminado por velas nas noites de segunda-feira.


RESTAURANTES

Brick Lane é famosa por seus curries e bagels; Kingsland Road (perto do Museu Geffrye) é repleta de restaurantes vietnamitas; o recém-inaugurado Town Hall Hotel tem o aclamado restaurante Viajante, do chef português Nuno Mendes e, mais recentemente, Corner Room. Já o hotel Boundary dispõe de um restaurante e o AlbionCaff, combinação de padaria/cafeteria de estilo mais casual. Canary Wharf tem uma grande variedade de restaurantes (um dos mais recentes é a filial do escocês Boisdale), assim como o novo mercado de Spitalfields.

Você prefere algo mais peculiar? Vá ao Les Trois Garçons, (dos mesmos proprietários do Loungelover), ou ao Wapping Food, com seus ambientes incomuns de interior de uma antiga estação hidráulica. O Bistrotheque é outro local em voga – segundo o guia Square Meal, “se você quer acompanhar as tendências, Bistrotheque deveria ser frequentado regularmente. A clientela extravagante é composta de gente bonita e bem vestida”.

3.10.11

Restaurantes de Londres: os melhores e as novidades



O E. escreveu pedindo dicas de Londres, e aí notei que precisava dar uma atualizada na minha listinha "best of", pra facilitar a vida de quem vai pra lá em breve...

Os garantidíssimos:

1 - Scott's
Fui lá com a família toda e saí de queixo caído. Isso é restaurante de peixe. O resto é conversa.... Cliquem na imagem para ler a matéria que saiu na GQ.




2 - Hibiscus
Ligeiramente careta, sim, e "fino" à moda antiga. E caro. Fica em Mayfair (já não tinha dito que era careta?). Mas sabem do quê? Bom demais! Aqui, o post em que postrei prato por prato. Pra ir em ocasiões especiais e ver que ainda tem gente fazendo alta cozinha direito nesse mundo.



3- Bar Boulud
Geralmente tenho birra de restaurante "de série". Só que o Daniel Boulud sabe MUITO bem o que faz e acertou na mosca. Terrines, frutos do mar, comida francesa bem feita, clima de brasserie chique. Aqui, o meu post contando os detalhes.

4- Marcus Wareing at The Berkeley 
Para quem não sabe, Marcus Wareing já foi o mais querido e prestigiado dos protegidos do überchef Gordon Ramsay, até o dia em que brigaram. O restaurante no The Berkeley, aliás, era do seu ex-chefe Ramsay e chamava-se Pétrus. Ao passar de mãos, foi rebatizado como Marcus Wareing at The Berkeley e logo tornou-se o melhor da cidade. Caro, chique, etc. - para ocasiões ultra especiais.
Wilton Place, tel. +44 20 7235-1010,
www.the-berkeley.co.uk

5- Roka, um japa nota dez
MUITO bom. MUITO caro. Sempre animado. Super bem localizado, em Fitzrovia. No subsolo tem um bar de saquês bem bacana e barulhento.

Os "pra quem não vive sem uma novidade":

1- Thomas Keller na Harrod's
A modinha da estação, com as filas para conseguir mesa que obviamente a acompanham.

2- Dinner, do Heston Blumenthal, no hotel Mandarin Oriental
Já nem é tão novidade assim, e eu nem achei tão fantástico assim, mas.... aqui, o relato do meu almoço.





Os que EU mais tenho vontade de experimentar:

1- The Gilbert Scott
O lugar mais inglês, mais barato, mais cool e mais historicamente lindo do chef Marcus Wareing. De longe, a melhor novidade do ano, garantem ótimas fontes... Aqui, meu post.

2- Ottolenghi, o fantástico restaurante vegetariano que virou febre.



Os "depois não digam que eu não avisei":

1- Viajante
Um restaurante... viajante. Primeiro, por ficar bem, bem, BEM longe do centro turístico, lá no East End. Segundo, por ser um lugar que serve cozinha de vanguarda, cerebral, diferente de tudo o que já se viu na cidade. O chef, Nuno Mendes, é portuga. Aqui, meu post.

2- Les Deux Salons
Li montes de matérias sobre essa brasserie, altamente elogiosas. Ouvi falar por amigos. Fiquei curiosa. Fui. Jantei. Comi bem. Gastei uma nota. Achei simpático mas nada que valesse o táxi de 20 minutos do hotel.


Os bons e (relativamente) baratos:

1- The Engineer
Parece um pub, mas não é. Boa comida, em uma parte gostosa da cidade, perto de um canal. Pra quem estiver por aqueles lados... Belíssimo cheeseburguer.

2- St. John Bread & Wine
94-96 Commercial St., T: 20 7247-8724, stjohnbreadandwine.com

O segundo restaurante do respeitadíssimo e doido Fergus Henderson, o pai da cozinha "da fuça ao rabo", ao lado do mercado Spittalfields, no East End. Produto, produto, produto. Não há espaço para o supérfluo, como quadros, toalhas de mesa, flores nem pratos enfeitados. Peixes, carnes e saladas frescas são servidos sem frufrus, num salão todo branco tipo refeitório escolar.



Os achados mais surpreendentes:

1- Breakfast do Brown's Hotel

Hoteis de grande luxo não faltam em Londres, do The Dorchester ao Mandarin Oriental, do Park Lane ao The Connaught. Mas são poucos os que aliam os serviços esperados de um grande hotel de primeira classe com o charme intimista de uma guest house. Entre esses poucos, o Brown’s, onde Theodore Roosevelt passou sua lua-de-mel, destaca-se como o mais chique, sem dúvida. Trata-se, atualmente, do meu hotel favorito na capital inglesa.
O lobby é contido, pequeno. Os corredores, quase estreitos. Mas não se deixe enganar pela falta de grandiosidade: o Brown’s é uma das joias do elegantíssimo bairro de Mayfair e a menina dos olhos do dono, sir Rocco Forte (o rei do high londrino).
Nunca dormi lá, infelizmente. Em compensação, tomei um dos melhores cafés da manhã da minha vida. Chique e oh-so-British.
Rua Albermarle, Mayfair, tel. +44 20 7493-9381
www.roccofortecollection.com

2- Eyre Brothers: 70 Leonard St. , T: 20 7613 5346
Coisa rara: os irmãos Eyre, proprietários, pegam no pesado, Robert no salão, e David no fogão. O resultado se vê na qualidade impecável da cozinha ibérica em que reinam marinadas fortes, bacalhau e muito alho. Cozinha rústica e clássica, décor com muita madeira e geometria à la Wallpaper. Faz tempo que não vou, mas adoro o vibe, adoro o charme meio grunge da rua no East End.

3- Counter Café
Um lugar servindo ótimos brunches lá na pqp. Mas segundo minha amiga MoniqueVanni, brasileira que mora em Londres e bloga sobre a cidade, é imperdível.



As melhores fontes de informação:



Novo app do chef Jamie Oliver
Um bacaníssimo guia de onde comprar comidas e comer fora na Inglaterra.
Confesso que a superexposição desse chef anda me cansando um pouco. Ele já começa a parecer, para mim, um samba de uma nota só. Mesmo assim, não dá para negar o appeal dele, o talento para fazer toda receita parecer fácil, e o muito que ele anda fazendo para livrar seu país de junk food.
Mas voltando ao que interessa: o App é muito show, e faz par com um livro sobre o mesmo tema (aqui neste link, maiores detalhes). Dá para navegar facilmente um mapa super bem feito, clicando nos iconezinhos para saber maiores detalhes dos lugares – pubs, mercados, restôs – que ele recomenda.
Eu, que não vou a Londres tão cedo (aqui, inserir cara de triste), não consigo largar o brinquedo.

E-gullet: o mais anárquico, extenso e completo fórum de foodies discutindo restaurantes. Aqui, o link para o fórum focado na Inglaterra. Tem montes de comentários sobre todos os principais restaurantes e chefs.

Os melhores restaurantes da Inglaterra - lista compilada pela mesma revista que faz o famoso ranking The World's 50 Best Restaurants. A lista de 2011 será anunciada 10 de outubro.

Jay Rayner, crítico do The Observer
(Ele recentemente elogiou, por exemplo, o Crooked Well)

8.10.10

Hotel The Savoy, em Londres, reinaugurado sem o restaurante by Gordon Ramsay



I-na-cre-di-tá-vel. O venerando hotel The Savoy, de Londres, cujas suítes dão vista para o Tâmisa, que estava fechado para reformas desde 2007, finalmente foi reaberto no dia 10.

Quando o Savoy deixou de receber hóspedes, a cadeia de hotéis Fairmont, proprietária do hotel, vendeu milhares de relíquias e bugigangas colecionadas ao longo de décadas, de sofás a baldes de gelo, de bandejas de prata a um piano branco de cauda, de uma pista de dança desmontável a um biombo de mogno de 4 metros de altura.

O fechamento foi uma tristeza: os empregados deram adeus e uma taça de champanhe aos últimos hóspedes, e serviram, pela derradeira vez, o tradicional chá inglês (costume mantido ali, diariamente, durante 118 anos consecutivos). O concierge, na época, disse que viu gente com lágrimas nos olhos. O jornal The Guardian disse: “Para os 500 funcionários que, em conjunto, dedicaram milhares de horas de trabalho ao Savoy, hoje é como se alguém da família tivesse morrido”.

As obras custaram uma montanha de dinheiro – mais de 100 milhões de libras – e duraram muito mais do que os 16 meses previstos. Espero que eles tenham conseguido renovar e refrescar os interiores sem matar a alma do hotel (que ao longo dos anos foi freqüentado por incontáveis celebridades, como Oscar Wilde, Winston Curchill e Frank Sinatra).

As diárias começam em 350 libras e reservas podem ser feitas por email (savoy.reservations@fairmont.com) ou telefone.

Já o restaurante do hotel, o lendário The Savoy Grill, infelizmente vai demorar ainda mais para ser reinaugurado. A notícia saiu quinta-feira no jornal inglês Caterer and HotelKeeper:
“A reabertura do Savoy Grill será retardada por sete semanas. (...) Um porta-voz do grupo Gordon Ramsay Holdings, que irá operar o icônico restaurante, disse” ‘O curto atraso se deve a alguns problemas estruturais no prédio que já foram consertados’”.

Mal posso esperar para experimentar. Primeiro, porque Ramsay trará de volta velhos (e delicosos) clássicos como chateaubriand com batatas souflées, coquetel de camarão e pêssegos Melba. E segundo porque será um grande teste para o chef, que anda mal das finanças e em baixa: será o Savoy Grill sua redenção? A ver....  O chef teve outra péssima notícia esta semana: foi oficialmente anunciada a saída de sua fiel escudeira Angela Hartnett do GRH (Gordon Ramsay Holdings): ela comprou o restaurante Murano do ex-patrão e deslancha agora carreira-solo.

The Savoy: The Strand, tel. (44-20) 7836-4343, www.the-savoy.com/

Aqui, link para matéria sobre a reinauguração na CNN 

E aqui, link para um site com vários filminhos antigos mostrando festas e famosos no Savoy.

18.7.10

Chef Nuno Mendes e seu restaurante Viajante, em Londres: hype




Nuno Mendes: lembrem deste nome. Português radicado em Londres, com passagens pelo Jean-Georges e pelo El Bulli, está super em alta. Primeiro, ele fazia uns jantares fechados que viraram hype, aí resolveu oficializar a coisa e abrir de vez seu próprio restaurante.




Restaurante pequeno, no East End, difícil de achar.





Serve pratos de leve inspiração ibérica, mas absolutamente modernos. Exemplo: torrada com "romesco": amêndoa, azeitona cortada em palitinho, azeite, clara de ovo picada. 




Creme de berinjela defumada com geléia aromatizada com flocos de peixe bonito:




 “navaja” (navalha) com pingos de iogurte defumado e dashi de alecrim:





Polvo com batatinhas temperadas com “pimentón”, chouriço e ovos:






Asa de arraia com migalhas de brioche, e couve-flor. 


Sirloin, alho selvagem, pasta de miso, verdes  “no bafo” e erva-doce “chamuscada”.



Musse de cenoura em cilindro com granita (raspadinha) das folhas do pé de cenoura, farelo de épices e óleo de dill (aneto). Não exatamente minha sobremesa favorita...





Bolinho de chocolate com farelo de praliné e gel de cassis:



“mignardises”: trufinhas e gelées misturadas com os açúcares do cafezinho:






Viajante: Patriot Square, Bethnal Green, tel. (44-20) 7871-0461
www.viajante.co.uk
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