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28.9.12

Guia Michelin UK 2013: pub de Heston Blumenthal ganha uma estrela

Chef Heston Blumenthal, em seu laboratório em Bray, vizinho ao pub Hinds Head,
que acaba de ganhar sua primeira estrela
 

Desde ontem só se fala no "vazamento" da lista dos estrelados pelo guia Michelin inglês, edição 2013. Como vazou? Quem revelou a bombástica notícia? Ora... e isso lá tem alguma importância para alguém além dos donos dos restaurantes? Much ado about nothing... 

Hoje, soltaram o release oficial. Este ano, não há nenhuma grande novidade, conforme podem ver a seguir... Digna de nota, só a estrela que deram ao Hinds Head o pub que Heston Blumenthal tem vizinho ao seu The Fat Duck, em Bray.

15.8.12

Dabbous, Koya, etc: os melhores restaurantes de Londres



Já disse isso na Folha e em outros lugares, mas repito: Londres, hoje, é uma das melhores cidades do mundo para quem gosta de comer bem. Cada vez mais multiétnica, a mistura de povos reflete-se no mix de restaurantes: come-se maravilhosamente bem em todas as línguas e tribos. Há desde udons (macarrões japoneses) esplêndidos no Koya, a curries melhores do que os servidos em Mumbai; de alta gastronomia super descompromissada servida em pérolas como o Dabbous a lugarzinhos ultra-casuais dando show de perfeccionismo (o Albion é um). O fio condutor que os une: reverência quase religiosa ao ingrediente de primeira, de preferência inglês, e servido sem disfarces.

restaurante CUT, especializado em carnes, do celeb-chef Wolfgang Puck



Nesta minha última ida a Londres, quase não tive decepções. O único lugar que experimentei e não gostei muito foi a "churrascaria" chique do Wolfgang Puck, chamada CUT. Comida boa mas caríssima, climinha estranho, de lugar onde só vai gente em expense account. Metido a besta, em suma. Também não sairia da rota para comer o brunch do Bistrothèque que achei muito normalzinho para justificar o longo trajeto de táxi.


Mas outros todos onde fui comer estavam ótimos. E um disclaimer: o título diz "os melhores restaurantes de Londres", mas na verdade, são "os melhores restaurantes da viagem". :)
Vejam a seguir a lista:

restaurante Dabbous


Dabbous
Este foi o que mais me impressionou.
Há muitos anos não se via um new kid on the block ascender assim, meteoricamente, em Londres. Ollie Dabbous, depois de chegar ao posto de chef no famoso restaurante Le Manoir Aux Quat'Saisons e passar por curtos estágios em outros restaurantes renomados, como o Noma, em Copenhague, juntou dinheiro de parentes e sócios e abriu o Dabbous sem esperar que emplacasse. Em meras duas semanas, recebeu a primeira de uma série de críticas entusiasmadamente positivas e viu-se com o melhor problema que um chef pode ter: telefone tocando sem parar e inbox entupida de emails. A dura batalha por uma mesa vale a pena: o chef consegue extrair o máximo de sabor do mínimo de ingredientes. Sim, um cozido de perna de vitela com spelt (um cereal) e salsão é muito mais do que a soma de três elementos potencialmente sem-graça. Cebola grelhada com sour cream, beterraba e talos de agrião, idem. “Acredito em simplicidade restrita e clean. Quero um prato que tenha um fator-uau mas pareça fácil, e não tenha cara de comida de chef".
39 Whitfield Street, tel. +44 20 7323-1544


Hedone
Não há como não avisar antes: este restaurante fica muito fora de mão, no extremo oeste de Londres. O consolo: vale as 30 libras da corrida de táxi. A embalagem – um décor singelo, quase sem-graça – esconde um recheio recompensador. A comida, além de excelente, custa relativamente pouco, com um menu-degustação de sete pratos custando L 75 e o almoço com entrada, prato e sobremesa, meros L 30. Espere sabores puros de ingredientes ingleses da melhor qualidade: o chef-proprietário, um ex-blogueiro sueco, busca obssessivamente o mais fresco e mais autêntico produto de seu terroir de adoção, de ovos de pato com gema gigante à incrível arraia de Cornuália que frita na manteiga.
301-303 Chiswick High Road, tel. +44 20 8747-0377  


Udon do restaurante Koya: delícia!


Koya
Melhor do que pedir dica ao primeiro taxista é perguntar a um bom chef onde ele gosta de comer nas noites de folga. Quando vários deles dão a mesma resposta – Koya, o japonês no bairro do Soho – é porque o lugar merece ser levado a sério. Não pelo ambiente, completamente despido de luxos e formalidades, quase espartano, mas sim pela comida, restauradora no melhor sentido da palavra. Os udons (grossos macarrões japoneses) podem ser pedidos frios ou quentes, nadando em saboroso caldo com perfume de peixe, com ou sem ovo cozido, tofu frito, nacos de carne de porco e outras gostosuras. Bebe-se chá, compartem-se mesas e o melhor: gasta-se pouco.
49 Frith Street, tel. +44


St. John
Há anos este é o templo inglês da gastronomia nose-to-tail (fuça ao rabo), em que aproveita-se cada parte do bicho sacrificado. Reverenciado por chefs e críticos, o audaz (e doidinho) chef Fergus Henderson serve em um espaço todo branco pratos sui generis (tutano com salada de salsinha está entre os carros-chefes), em pratos sem enfeites nem firulas. Escondido em ruazinha pacata perto do mercadão de carnes do East End, o St.John é para iniciados e fãs resolutos de miúdos e carnes em cortes incomuns.
26 St. John Street tel. +44 20 3301 8069

 
Upstairs at the Ten Bells
Se o nome estranha, o lugar pode espantar os incautos. Chega-se a esse novíssimo restaurante pop-up ao lado do mercado Spittalfields, no East End, atravessando um ruidoso pub e subindo escadaria estreita, nos fundos do salão. Depara-se com uma sala antiguinha e escurinha, com velas nas mesas, cujo foco do décor é um óleo humorosamente homoerótico. O que os jovens chefs Giorgio Ravelli (ex-The Ledbury) e Isaac McHale fazem de especial? Seguem o mantra produto, produto, produto. Carne de vaca maturada a seco por períodos obscenamente longos (até 66 dias); ovo de faisão com pepino em conserva; perna de cordeiro com anchova e batata. A Inglaterra no prato, em ambiente para lá de cool.
84 Commercial Street, tel. +44 7530492986, sem site


Albion Café: bonitinho e NADA ordinário!



Albion
Por mais luxuoso que seja um hotel, nunca se pode esperar que sirva ovos mexidos devidamente cremosos ou croissants que se esfarelam na primeira mordida. Café da manhã perfeito é verdadeira raridade e o Albion, no hotel The Boundary, passa na prova com louvor. Servindo salmão defumado de fazer virar os olhos, baguetes esplêndidas, a melhor Danish de Londres (massa folhada com creme e frutas) e geleias artesanais, esse mixto de café e boulangerie atrai não-hóspedes de toda a cidade, formando longas filas nos fins de semana. Também servem almoço e jantar, com a mesma pegada apresentação-simples-e-execução-impecável. Além de comes e bebes impecáveis, o Albion ainda tem uma clientela descolada e ambientação ultracool, já que o dono é ninguém menos que o sir Terence Conran, dos maiores nomes do design inglês.
2-4 Boundary Street, tel. +44 20 7729 1051

Amuse bouches do The Ledbury


The Ledbury
Logo que o primeiro amuse-bouche chega à mesa já se começa a ver como é que o belo restaurante em bairro fora do circuito conseguiu galgar este ano 20 posições no mais importante ranking que há, o The World’s 50 Best Restaurants, ficando em 14o. A exímia beleza de cada bocado que se leva à boca não passa da primeira metade da alegria: a outra está na maestria de combinações e cocções. Ostra empanada com dill? Deliciosa. Filé e costela de vaca inglesa cozidos lentamente, com cebola defumada? Sublime. Soufflé de maracujá no qual mergulham, à mesa, bolota de sorvete de vinho Sauternes? Fora de série. Isso sem falar no serviço impecável e no lindo salão com vista para charmosa rua de sobrados e árvores frondosas. Perfection.
127 Ledbury Road, tel: +44 20 7792-9090 


Roka
Um ótimo japonês especializado em robatas, no Soho. Não é novo mas mesmo assim vive cheio e badalado. Mais uma vez, comi maravilhosamente. Dos mesmos donos do Zuma, outro que está na lista dos melhores restaurantes de Londres.
37 Charlotte Street, tel: +44 20 7580-6464


The Corner Room
Nuno Mendes está entre os três chefs de língua portuguesa mais influentes no mundo, mesmo se pouco conhecido pelos brasileiros. Vive há muitos anos no East End de Londres, onde conquistou fama e estrelas com seu restaurante de cozinha experimental Viajante (que de portuga só tem o nome). Há pouco, abriu um segundo restaurante no mesmo endereço – o hotel Town Hall – chamado The Corner Room. Simpático e mais acessível que o irmão maior, tornou-se rapidamente ponto de encontro de gourmets aventureiros. Salmão com aspargos; beterraba com salmão curado e migas de pão: Mendes casa bestsellers nos pratos, mas sempre com algum twist e em apresentações delicadas e belas que gritam alta cozinha. Os preços, entretanto, são 100% bistrô: no almoço, o menu fixo incluindo entrada, prato e sobremesa sai por L 21.
Patriot Square, Bethnal Green, tel. (44-20) 7871-0461

5.8.12

Hotel charmoso em Londres: o minúsculo 40 Winks, no East End


Quando estive em Londres, em maio, experimentei três hoteis diferentes. O terceiro, se é que dá para chamar aquilo de hotel, era o 40 Winks, que tem apenas.... DOIS quartos! Fica super fora de mão, no East End. O táxi largou eu e minha amiga M. na porta e, claro, nada de alguém aparecer para ajudar com as malas. Ela aparece na foto sorrindo, mas estava, na verdade, pronta pra me matar. Ela achava que eu tinha arrumado um belo mico.

Mas quando a gente entrou na casinha..... UAU. Nem sabíamos para onde olhar, cada canto parecia pedir para ser fotografado. Amamos!


meu banheiro no 40 Winks

meu quarto no 40 Winks



Não tem internet. Não tem tevê. Não tem elevador. Não tem frigobar. Não tem armário. Não tem chuveiro (!!), só banheira à moda antiga. Mas tem toneladas de charme e bom gosto. O dono, pra lá de excêntrico, é David Carter, que não se acanha em dizer que é um dos designers mais talentosos de Londres. Adora falar dos famosos e das equipes de fotografia que já passaram por lá. Aos viajantes mais aventureiros, e fãs de decoração, recomendo!

 
40 Winks, 109 Mile End Road, Stepney Green, London.
Tel: +4420 7790 0259.
reservations@40winks.org 
A partir de 65 libras por noite








E neste link, mais hoteis em Londres, no Boa Vida.

27.4.12

Chá da tarde no hotel Ritz, de Londres: lovely, my deah!



A-do-ro anacronismos, e adoro ainda mais hotéis que não têm vergonha de serem antigos.

Tantos velhos clássicos ressurgiram em roupagem moderninha na última década – em Londres, por exemplo, The Connaught e The Langham – que sinto um grande alívio ao entar em um hotel que ainda orgulha-se de seu look histórico.

O melhor exemplo disso qualquer que vá tomar um chá da tarde no The Ritz verá com os próprios olhos. Lovely!

Sentem-se no lindo salão e observem o vaivém dos impecáveis garçons de fraque: surreal.

Cada chá chega em seu próprio bule de prata, claro – acompanhado dos imprescindíveis sanduichinhos em pão de miga (com recheio de pepino, presunto, salmão defumado ou ovos).




Uma bandeja prateada traz, no primeiro dos três andares, um assortimento de doces que inclui um folhado ultracremoso e abaunilhado.





Antigo o bastante para vocês?

Ah, mas esperem: tenho que mostrar os scones, que chegaram quentinhos. Devorei o meu com generosa colherada de creme (clotted cream), e outra de geléia. Nham!





Se eram os melhores tea sandwiches que já provei? Não, longe disso.

Os doces também estavam muito bons, mas não excepcionais. O chá chegou quente, pero no mucho.

Mas há certas coisas a que devemos nos entregar sem fazer grandes julgamentos.

Uma tarde primaveril em Londres.

Um salão deslumbrante.

Garçons para lá de solícitos.

Durante o tempo que passei ali invadiu-me a mais plena sensação de felicidade.




ps. a quem interessar possa, o chá custa 40 libras por pessoa e, para minha alegria, exigem que os homens usem gravatas e proíbe-se jeans, regatas e outras deselegâncias do tipo.

The Ritz London: 150 Picadilly, tel. 44 20 7493 8181

26.4.12

50 Melhores Restaurantes do Mundo: ranking de 2012 será anunciado dia 30


Andrea Petrini, jornalista gastronômico,
e Bob Noto, fotógrafo e gourmet, ambos
jurados do 50 Best: saideira em
speakeasy da Brick Lane




No meu universo, o próximo dia 30, segunda-feira, é dia do Oscar.

Na versão gastronômica, o prêmio chama-se The World’s 50 Best Restaurants, ou 50 Best no jargão. Eis os 25 primeiros colocados em 2011:


Não existe nada no mundo que faça tantos chefs famosos e estrelados reunirem-se num só lugar, num mesmo dia. Eles estão todos aqui em Londres (e eu, que faço parte do júri de 800 e poucas pessoas, na cola deles!).

Por isso acabo de chegar em Londres.

Em quatro dias serão anunciados os 50 Melhores deste ano – e o chef que disser que não está nervoso está mentindo. Minhas apostas (chute total, que fique claro):

- El Celler de Can Roca em 1o lugar, ultrapassando o NOMA
- Caem algumas posições Arzak e Boulud
- Sobem os sul-americanos, com boa chance de o Maní entrar para os 50
- Quique Dacosta entra para os 50
- Osteria Francescana de Massimo Bottura ultrapassa o Mugaritz
- entra para a lista o Tickets, de Ferran e Albert Adrià


A cotação nesse ranking, mesmo com as falhas que tem em seu sistema de votos, importa mais do que qualquer outro prêmio ou guia, mais até que o Michelin.

Para uma observadora como eu, não poderia ser mais divertido.

No ano passado, na mesma ocasião, jantei com vários jornalistas gastronômicos europeus no East End e depois fomos a um bar speakeasy na Brick Lane onde estava boa parte dos top chefs: Wylie Dufresne (WD-50), Inaki Aizpitarte (Le Chateaubriand e Le Dauphin), Magnus Nilsson (Faviken), Davide Scabin (Combal Zero), Alex Atala, etc.


Hotel Mandarin Oriental, em Knightsbridge,
onde fica o restaurante Dinner de Heston
Blumenthal e onde vários dos
chefs se hospedam


No dia seguinte, almoçavam no novo Dinner do überchef Heston Blumenthal o mesmo Aizpitarte, Claude Bosi (do Hibiscus, em Londres) e cia.

Na saída, esbarrei com Andoni Aduriz (Mugaritz), Josean Martinez Alija (Guggenheim Bilbao), Joan Roca (El Celler de Can Roca) e Juan Mari Arzak (Arzak), entre outros. Assim, pude dar parabéns pessoalmente ao Arzak, que este ano ganhou o Lifetime Achievement Award – estava radiante, claro!


À noite, reencontrei todos na premiação. Clima elétrico, ansiedade palpável. Sofrido para os chefs mas divertido para os jornalsitas....

chef Massimo Bottura indo recolher seu trofeu



Pai e filha e parceiros no trabalho: Juan Mari e Elena Arzak

René Redzepi, Alex Atala, Gaston Acurio

O time do NOMA


Alex Atala na expectativa, antes de saber de sua 7a colocação

E levando o trofeu
Joan Roca dando entrevista


Veremos o que este ano trará de surpresas...

Depois eu conto...
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