Chef Juan Mari Arzak na cozinha de seu restaurante, o Arzak |
Nossa, como o tempo voa... acabo de desembarcar em San Sebastian, no País Basco. Estou animada, ansiosa, contando as horas, porque acho que vai ser uma semaninha espetacular.
E quem diria: eu estive aqui há apenas um mês e meio, em uma passagem-relâmpago, pra jantar no famoso três estrelas Michelin Arzak com minha amiga Marie-Claude Lortie. Chegamos à tarde, largamos as malas, trocamos de roupa e duas horas mais tarde fazíamos um tour da cozinha experimental do chef Juan Mari Arzak (o grande padrinho e mentor dos principais chefs de vanguarda espanhóis) e da filha e braço-direito Elena:
Amoras falsas e verdadeiras: impossível adivinhar qual é qual! |
Nada é por acaso: o complicado caderno de notas de Juan Mari e Elena |
Detalhe da vasta "biblioteca" de temperos e especiarias do mundo todo |
O jantar foi muito bom, mas começou meio estranho, com o sommelier não entendendo muito bem o que a gente queria (um vinho diferente com cada prato) e teimando em servir-nos Txakoli, o branco local. Mas foi só o próprio Juan Mari Arzak aparecer que a coisa mudou de figura no mesmo instante. Ele veio à mesa, cumprimentou-nos com a habitual simpatia e perguntou:
"Hombre, como vai? Tá indo tudo bem?", e eu:
"Er..... hããn... tá indo ok, mas o vinho poderia estar melhor". Foi a senha pra abrirem-se as portas do paraíso e daquele ponto em diante o serviço melhorou mil por cento, e o sommelier subitamente compreendeu que a gente não estava ali a passeio. :)
Comemos, entre outras coisas:
Lagosta em uma casquinha feita de batata com molho à base de copaíba, uma árvore amazônica de onde se extrai o óleo, que Arzak descobriu graças ao Alex Atala. Foi o melhor da noite.
Uns "menires" curiosíssimos, semi-ocos e frágeis, parecendo batatas souflées, só que feitos de mandioca e huitlacloche, o fungo que os mexicanos adoram. Desintegrava-se na boca, revelando um untuoso foie no recheio. Inesperados e saborosos farelos de chá e de café completavam o prato.
Mas a brincadeira visual mais incrível de todas era esta, as mignardises em forma de "oficina":
Já era uma da manhã quando passamos ao bar, onde entrevistamos Arzak e sua filha (e parceira na cozinha) Elena até 2 ou 3 da manhã. Mas essa conversa vou guardar pra Prazeres da Mesa... :)
Ao final, Arzak, eterno gentleman, ofereceu:
"Querem que eu leve vocês pra comerem uns pintxos amanhã?"
Nem pensamos duas vezes, óbio. "SIM!" E logo estava marcado nosso tour-privê com chef Arzak.
No dia seguinte, chovia cântaros. Passamos de táxi no restaurante pra pegar Juan Mari, que já nos esperava debaixo de um toldo, a cabeça toda molhada de chuva. O taxista arregalou os olhos e perguntou:
"Nossa, mas é o próprio Juan Mari?!"
Achamos a maior graça no espanto do homem e, nos sentindo super privilegiadas, apanhamos Juan Mari e seguimos pro Centro Velho de San Sebastian.
O tempo era curto, então só dava pra dar uma passada em um lugar de tapas moderninhas, e outro bem clássico. Os favoritos de Juan Mari. Mas isso já é tema pro próximo post....
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Oi Alexandra,tanto ano nesta vida e só me interessei hoje por "entrar" no seu mundo. Cheguei a tempo e não saio mais. Bom comentário, excelente objectiva crítica e um grande "savoir faire". Fiquei fan, tem de vir a Portugal experienciar o topo da grande cozinha dos autores Lusos. bj Octavio Costa
ReplyDeletePuxa Octavio, que coisa otima vc ter virado leitor do Boa Vida, seja sempre bem-vindo e claro que irei a Lisboa, acho q ja em abril, inclusive! :)
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