19.10.11

Per Se, Daniel, Bernardin, etc.: os melhores restaurantes de Nova York: Michelin 2012

Eleven Madison Park: 3 estrelas no guia Michelin

Com atraso, e sem muito tempo de fazer comentários a respeito, e sem querer com isso dizer que acho que o Guia Michelin acertou em tudo, divido com vocês a lista de estrelados do guia na edição 2012.

Digo apenas que a lista inclui lugares onde eu não gastaria meus valiosos tostões, como Marea, Corton e Adour. Mas, de uma forma geral - e nessa era de perigosos rankings de amadores e/ou gente de rabo preso - de uma forma geral, trata-se de um raioX razoavelmente coerente e verdadeiro de quem está fazendo as coisas direito em Nova York.


18.10.11

Dicas de Barcelona para a chef Roberta Sudbrack


Lá vou eu, a "diqueira profissional", atender a outro pedido. Desta vez, foi a chef Roberta Sudbrack, no Rio, que me escreveu, perguntando se eu tinha recomendações de Barcelona para dar a ela.

Ô, se tenho! Amo aquela cidade mais do que qualquer outra na Europa e vou sempre que posso!

Se fosse qualquer outra pessoa, diria para tentar, desde já, pela internet, descolar uma vaga no Tickets, o pseudo bar de tapas dos irmãos Adrià que eu ADORO. Mas... é bem difícil conseguir a reserva e sei que a chef não curte muito as técnicas popularizadas pelo duo catalão...

Chef, além do Tickets, seguem aqui minhas dicas:

Tapas24, leia aqui o meu post.
Tapas24: Rua Diputació, 24, 269. Barcelona, tel. (34-93) 488-0977

Dos Cielos, dos gêmeos Torres, se quiser provar um restaurante chique, de alta cozinha.
Aqui no meu post eu explico porque vale a a pena.

Vila Viniteca: os melhores presuntos, queijos e vinhos, no Born

Dos Palillos, no Casa Camper. 
Achei o chef um antipático mas amei o resto. Bom, bom, bom demais! O “bar de tapas” Dos Palillos, ocupando uma quina do transadíssimo hotel Casa Camper, lembra um sushibar. Detrás de um balcão, os chefs cozinham à vista dos clientes, servem e descrevem os pratos. Divertido! Chamar os pratinhos que compõem o menu degustação de tapas seria passar uma falsa ideia de rusticidade. Os pequenos bocados, muito sofisticados, refletem os oito anos que o chef-proprietário passou no comando da cozinha do mítico restaurante El Bulli, de Ferran Adrià. O menu mescla Ásia e Espanha mas a primeira sai à frente: do won ton crocantíssimo, passando pelo temaki que o próprio cliente enrola, o Dos Palillos passeia por Japão, China e sudeste asiático. Para acompanhar há uma bem-sacada lista de saquês e vinhos assinada por Tamae Imachi, mulher do chef e sommelière. Dos Palillos: Hotel Casa Camper, Barcelona, tel. (34-93) 304-0513


Cuines Santa Caterina: cozinha de mercado em ambiente bacana
O Cuines Santa Caterina, que fica anexo ao mercado de mesmo nome. Faz o tipo pau para toda obra: é lugar para ir de jeans, bem relax, mas tem claras ambições gastronômicas. E o divertido menu divide-se em quatro “capítulos”: vegetariano, mediterrâneo, oriental e carbón (grelha). Fui com duas amigas e, lógico, pedimos um pouquinho de tudo. Mesmo não sendo muito fã de alcachofra, a do Cuines, com jamón e muito alho, é fantástica. A salada de tomates com atum é simplesmente isso: rodelas de tomate do melhor, com lascas de atum de lata, também ótimo. Os legumes sautés são servidos bem al dente, cortados com muito esmero. Tudo super fresco. E o ambiente é um charme: pé direito duplo, cozinha aberta para o salão, longas prateleiras abarrotadas de conservas, enlatados e outros mantimentos e, ao fundo, um muro coberto de ervas. Na entrada, há um bar de tapas que abre as 9 da manhã (sim, servem desayuno!) e só fecha lá pela meia noite.
Cuines Santa Caterina: Avenida Francesc Cambó, 16, Barcelona, tel. 34 93 268 9918,


HOTEIS

Mandarin Oriental
Tendo bala - porque é beeeem caro - não há hotel mais incrível. Querendo pagar menos, sugiro mesmo assim uma passada no Mandarin para ver o estonteante lobby, tomar um vinho, chá, café da manhã, qualquer coisa. Tem-que-ver total. Aqui, meu post cheio de fotos.

Casa Camper
O meu hotel favorito para quando vou como pessoa física. :)
Super bacaninha, jovem, com um cotê meio louco-desencanado, bicicletas de aluguel, café da manhã self-service e outras invencionices. Bem divertido.

OMM
Hospedei-me aqui uma vez e gostei muito, embora prefira a relativa "zona" do Raval, onde fica o Camper. O Omm, bem moderninho, fica no bairro de Eixample, que está para Barcelona como os Jardins para São Paulo. Assim que cheguei me afundei num banho de espuma, no meu banheiro com vista para a rua, super iluminado. Logo percebi que eu estava no hotel do momento. No lobby mobiliado com sofazões fofos de lona eu via um entra-e-sai sem fim de gente bonita e arrumada, e o zunzunzum ia aumentando conforme as pessoas iam chegando do trabalho e pedindo drinques. O melhor é que fica a uma quadra da Casa Milà, que os nativos chamam de La Pedrera, um predinho (residencial com alguns escritórios) lindo de morrer, desenhado por Gaudí. (É também o endereço do restaurante Moo, que leva a assinatura dos irmãos Roca).

E mais:

Quem realmente manja de Barcelona, um milhão de vezes mais do que eu, é a super jornalista Adriana Setti (ela é brasileira mas vive lá há anos). Um dos muitos posts tem-que-ler by Dri Setti: Restaurantes escondidinhos de Barcelona que valem a Viagem.

Food trucks: onda gastronômica que está tomando a América do Norte


A nova GQ está na banca e minha seção, a SABOR, fala de uma onda que ainda não desembarcou no Brasil: os food trucks. Já notaram a explosão deles pela América do Norte? Não falo de food trucks quaisquer, mas sim daqueles em versão turbo-gourmet. É larica com uma pegada gastronômica, preparada com ingredientes de primeira, muitos degraus acima do que imaginamos quando ouvimos o termo  “comida de rua”. Os caminhõezinhos, que surgiram em Los Angeles como uma versão gourmet e turbinada dos tão tradicionais taco trucks tocados por mexicanos, viraram febre que alastrou-se pela América do Norte. Funcionam como restaurantes sobre rodas, geralmente caminhões dos correios daqueles quadradões, customizados e equipados com fogão, coifa, geladeira, caixa e boqueta. Cada qual tem sua especialidade – que pode variar de sanduíches de queijo a carne assada, de saladas a sorvetes artesanais.

A GQ publicou uma seleção dos melhores food trucks, que reproduzo aqui:




Kogi BBQ (@kogi_bbq) - Los Angeles
Não se trata de UM truck, mas sim uma caravana de 5: Azul, Verde, Roja, Naranja e Rosita. Servem “tacos coreanos” e burritos, mixando Coréia e México nas receitas.
Chef: Roy Choi








Grumman ’78 (@grumman78) - Montreal
Caminhão de tacos do casal Hilary McGown (que trabalhou em restaurantes de Toronto) e Marc-André Leclerc, que passou por algumas das melhores cozinhas de Montreal: Toqué!, Au Pied de Cochon, L’Express e McKiernan. A terceira sócia, Gaëlle Cerf (na foto acima), foi gerente do restaurante mais cult de Montreal, o Au Pied de Cochon, por oito anos.  Circulam por Montreal sem endereço fixo.







O Coolhaus original, de Los Angeles    Foto: Coolhaus

Coolhaus
Food truck de duas arquitetas, cujo nome homenageia o starquiteto Rem Koolhas. O menu é tão sacado quanto o visual fofo-kitsch: os sabores incorporam trocadilhos como

Matéria na revista Time sobre os caminhões Coolhaus

Coolhaus de Nova York    Foto: Coolhaus










Ludo Truck (@LudoTruck) -  Los Angeles
O chef francês Ludo Levèbvre trabalhou em grandes restaurantes. Começou aos 14 como aprendiz do lendário Marc Meneau, no L’Esperance, em Vezelay, na Borgonha. Trabalhou em seguida para o também lendário Pierre Gagnaire e Alain Passard, dois dos maiores chefs da França.
Ele sonhava em viver na América e mudou-se para a Califórnia, onde comandou as cozinhas de dois excelentes restaurantes franceses, L’Orangerie e Bastide. Ganhou prêmios, publicou livros e tem hoje um programa de tevê. O Ludo Truck especializa-se em frango frito.





Miho Gastrotruck, San Diego, California
Esse truck especializa-se em gastronomia “farm-to-street”, o que significa ênfase em ingredientes orgânicos e pouco “viajados”, e menus que mudam sempre e incorporam o que há de melhor no mercado naquela semana.




Spencer on the Go!, San Francisco
O chef Laurent Katgely comanda esse bistrô sobre rodas que serve cozinha francesa fina mas a preços super acessíveis. Tem até boeuf bourguignon trufado! Dos poucos que fica em um endereço fixo na maior parte do tempo: a esquina da rua Folsom com a 7th.




Roli Roti, San Francisco
Rôtisserie sobre rodas de Thomas Odermatt, filho de um açougueiro suíço. Formou-se em agronomia orgânica em Zurique, fez mestrado em Berkeley, na Califórnia e nunca mais quis voltar à Europa.










Taïm Mobile (@taimmobile), Nova York
Truck especializado em falafels do chef israelense Einat Admony, do restaurante Taïm, no West Village. Pratos são muito criativos, como a salada de quinoa, grão de bico e cranberry. É dos raros food trucks que servem  jantar.











Gastropod (@gastropod) – Miami
O chef Jeremiah (assim mesmo, sem sobrenome) inspira-se na cozinha tecnoemocional e técnicas ultramodernas aprendidas em restaurantes famosos como Moto (Chicago) e WD-50 (Nova York).

13.10.11

Clos de Tapas, Eñe, Venga, Tasca da Esquina, Taberna 474: paixonite ibérica em São Paulo

Croqueta de paella do Venga    Foto: divulgação


Coluna no COMIDA da Folha desta semana...



Paixonite ibérica



Surgem não só novos 'portugas' como espanhóis transados e outros que misturam as duas vertentes

A UMA "estrangeira" como eu, o Rio parece pitorescamente português.
Lá sempre abundaram os adegões e quetais, servindo bacalhau em bolinhos ou nas receitas clássicas. No Leblon nasceu o fenômeno Antiquarius. Gloriosa história de sucesso de imigrantes lusos, hoje apenas um vaga-lume de fôlego evanescente, cuja filial paulistana um tanto apagada não faz jus à matriz, também já na curva descrescente.

Pois chegou a São Paulo, finalmente, o "portufilismo" -só que em versão muito atualizada. Iria além: vivemos uma paixonite ibérica.

Surgem não só novos "portugas" como espanhóis transados e outros que misturam as duas vertentes ao traduzi-las para o gosto local -quase todos casuais (aqui, como no mundo todo, os menus rígidos e o salão formal vão caindo de moda).

Muito já se falou da chegada do Vítor Sobral -famoso na terrinha- e de sua falsa tasca nos Jardins, a Tasca da Esquina: bem simpática e boa, porém bem carinha também, ao contrário das autênticas.

Embora ainda entorpecido pela aura dourada da calorosa acolhida, o chef "tuga" logo verá que a concorrência não está fácil: as boas tascas multiplicam-se. Destacam-se, no mar de opções, a pioneira Adega Santiago, de Ipe Moraes, e sua nova Taberna 474, com pegada ainda mais portuguesa, e a Tasca do Zé e da Maria, em Pinheiros.

Se a cozinha "tuga" revisitada avança a passo rápido por aqui, diria o mesmo da espanhola. Por décadas, a Espanha em São Paulo resumia-se à caretice do Don Curro.

Hoje a cena é outra. Temos desde os modernos Clos de Tapas e Eñe até vários bares de tapas ou pintxos, como o Maripili, em Santo Amaro, e o Donostia, em Pinheiros. Abrirá em breve na Oscar Freire o Alma María, de dono e chef espanhóis.

E teremos, logo mais, filial paulistana do Venga!, botequinho de tapas no Leblon que tomou o Rio de assalto, lotado desde o primeiro dia, já com outro endereço em Ipanema.

Curioso: tardiamente, caímos de amores pelas comidinhas das terras onde tantos de nós temos raízes.

ALEXANDRA FORBES, jornalista gastronômica e foodtrotter, conta de suas andanças e comilanças também no Twitter (@aleforbes)
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