12.6.11

The Gilbert Scott, em Londres: novo restaurante do chef Marcus Wareing



Estive em Londres há pouco mas, infelizmente, não consegui ir conhecer o novo The Gilbert Scott, do grande chef Marcus Wareing - ainda não tinha sido inaugurado! Mas mesmo sem ter conferido em pessoa, tenho certeza que vale muito a pena almoçar lá. Primeiro, porque o lugar é lindo de morrer. Gastaram milhões reformando um velho hotelão anexo à estação de trem st. Pancras, do qual faz parte o restaurante. Não fica exatamente no centro de Londres, mas chegar lá é super fácil, várias linhas de metrô param naquela estação...


Encomendado pela Midland Railway ao arquiteto George Gilbert Scott, o hotel original levou cinco anos para ser construído e foi inaugurado em maio de 1873. O Grand Midland era de um luxo extravagante e vitoriano, com capitéis dourados esculpidos vagens e romãs folhadas a ouro Fechou em 1935 porque já não dava para manter um hotel de luxo em que faltavam banheiros nos quartos. Funcionou como  dormitório de funcionários de transportes de 1945 a 1985.





Agora, foi reaberto como St. Pancras Renaissance London Hotel, e diárias custando a partir de 300 libras.

O restaurante tem feito enorme sucesso pelo menu ultra-British baseado em receitas antigas que o chef pesquisou em livros. O ambiente manteve muitos detalhes de época, restaurados - uma beleza!




Marcus Wareing at The Berkeley
Para quem não sabe, Marcus Wareing já foi o mais querido e prestigiado dos protegidos do überchef Gordon Ramsay, até o dia em que brigaram. O restaurante no The Berkeley, aliás, era do seu ex-chefe Ramsay e chamava-se Pétrus. Ao passar de mãos, foi rebatizado como Marcus Wareing at The Berkeley e logo tornou-se o melhor da cidade (segundo guias como o Harden`s (uma espécie de Zagat da Inglaterra, popularíssimo).

The Gilbert Scott: Euston Road, tel.
+44 207 278 3888
reservations@thegilbertscott.co.uk

Marcus Wareing at The Berkeley
Wilton Place, tel. +44 20 7235-1010,
www.the-berkeley.co.uk  

O vídeo abaixo mostra o chef fazendo um tour com o jornalista inglês Tim Hayward, do The Guardian, seguido das impressões do Hayward durante um almoço no The Gilbert Scott.




E o menu do The Gilbert Scott:







Blogueiros contra chefs: coluna desta semana no Folha Comida

 


Coluna desta quinta-feira no caderno Comida, da Folha


A simbiose entre chefs e blogueiros, caldeirão de amor-e-ódio, parece prestes a entornar. Se por um lado restaurantes faturam cada vez mais fama e fortuna graças  a relatos detalhados de jantares postados na web (que podem ser repicados ad infinitum via Twitter e Facebook), por outro, nem todo post é positivo ou mesmo factualmente correto. De elogios todos gostam, mas quando algo escrito desagrada ou insulta, chefs naturalmente sentem-se vítimas injustiçadas, vulneráveis a ataques às vezes até infundados. 


   Em maio o respeitado chef Alex Stupak (ex-Alinea e WD-50) levou pancada de um food blogger americano por ter deixado a pâtisserie avant-gardista para abrir um restaurante mexicano.  Revidou publicando uma carta ao importante site Eater onde defendia o direito de mudar a rota de sua carreira e apontando erros na crítica: “dizer que estou dando um passo para trás quando você não tem ideia do quão difícil foi fazer o que fiz é um insulto. (...) Você não teve nem a decência de checar a ortografia de um chef muito prolífico nem sabia que ele tem hortas próprias (...) Dizer que sou mais “ligado às feiras” é outro indicador de ignorância e escrita preguiçosa”.


   O blogueiro aprendeu na marra que criticar restaurantes é pesada responsabilidade que requer ética e savoir faire e que deveria ser deixada só para quem sabe do que fala. Mas incidentes desses não impedem que surjam a cada dia novos “críticos gastronômicos” formados pela Universidade Wordpress, postando em blogs e nas mídias sociais milhares e milhares de descrições e fotos de suas experiências gastronômicas. Uns entendem mais, outros menos – mas coletivamente exercem tremendo poder e, individualmente,  em maior ou menor grau, podem denegrir a imagem de um chef.


   Naturalmente, os chefs procuram se defender das críticas, sejam elas justas ou não. Publicar respostas a ataques, como fez Stupak, nem sempre ajuda: acaba jogando-se mais lenha na fogueira e chamando atenção para aquilo que se quer ocultar. Os mais espertos tornam-se amigos do maior número possível de blogueiros e jornalistas, fornecendo notícias em primeira mão, oferecendo jantares grátis e disparando elogios pelo Twitter: chamemos esta a tática desmonta-inimigo. Mas há aqueles que, desconectados da nova era-em-que-tudo-vira-notícia-em-meio-segundo, tentam tapar o sol com a peneira. Como? Fazendo para seus restaurantes sites ocos e proibindo que clientes tirem fotos. 


Em Nova York, o superhypado Momofuku Ko, o caríssimo japonês Masa e o Locanda Verde baniram as câmeras. Isso impede que se achem na web fotos tiradas com celular ou centenas de posts? Elimina o risco de ser criticado? Não.

A esses eu diria: desistam, meus caros. É inútil tentar controlar esse monstro amorfo chamado internet.
Mais vale ignorar o ruído e focar no que interessa: cozinhar bem.


10.6.11

Montreal: o Peel Paddock e o fim de semana da Fórmula 1



Este fim de semana, aqui em Montréal, sempre é o mais intenso do ano. Uma verdadeira loucura! Muito mais do que em São Paulo, aqui a corrida toma conta de tudo. Há bandeirinhas xadrezes por todo lado, enfeites vermelhos nas vitrines (a scuderia favorita é a Ferrari, sempre), e muita gente na rua.



Aliás, eles fecham várias ruas do Downtown para os carros e aquilo fica tomado de turistas e garotas com modelitos prá lá de sugestivos. E carrões, estacionados no meio da bagunça, com seus donos pavoneando ao redor.


A rua Crescent - a mais turística de todas - fica totalmente intransitável.

Já a rua Peel, que se transforma no chamado Peel Paddock, tem pelo menos uns decks privativos armados pelos restaurantes onde se pode comer, beber e admirar a bagunça do alto e com conforto.


Tanto o Ferreira Café quanto o vizinho (meia-boca) Alexandre & Fils irão mostrar a corrida de domingo em mega telões 3D. Dos dois, o Ferreira dá de mil a zero, eu recomendo... se ainda tiverem mesas!


Carlos Ferreira (à direita) com um amigo em frente a seu
restaurante Ferreira Café
, durante esta F1 week


8.6.11

Hotel Mondrian Soho, em Nova York: uma noite esquecível



Vejam vocês que incrível coincidência: eu estava editando, hoje, as fotos que tirei na noite que passei no hotel Mondrian Soho há duas semanas. Quando estava lá, me senti meio mal de não experimentar o restaurante. Parecia lindo, mas... sei lá, meu instinto dizia que seria roubada: lugarzinho querendo ser badalado, com uma clientela de ladies who lunch e engravatados de crachá.



E não é que meu sexto sentido estava certo? Hoje, no The New York Times, o Sam Sifton mandou ver em sua crítica do Imperial No. 9, o restaurante do hotel. OUCH! :)

Mas aproveitando o embalo, deixem eu mostrar para vocês meu quarto lá no Mondrian. Minúsculo, mas devo admitir que o décor dá uma bela disfarçada na falta de espaço (espelho, teto pintado de azul, etc). Gostei do vibe meio náutico, meio sul da França. A cama era ótima, e tinha um belo iPod dock na cabeceira.







Mas o que me incomodou no hotel foi a sensação de estar em um clone de um hotel butique.

O Mondrian Soho pertence ao grupo Morgans, que já foi um dia do super hoteleiro Ian Schrager. Schrager aventurou-se no mundo hoteleiro com o Morgans, em Nova York: o primeiro a abaixar as luzes e aumentar o som e dar às áreas públicas um certo quê de boate. Mas foi com os hoteis seguintes que Schrager selou sua reputação. O Mondrian, em Los Angeles, o Delano, em South Beach, o Hudson em Nova York e o Sanderson, em Londres, conjuntamente lançaram uma nova estética, meio surrealista, meio sexy, que seria copiada pelo mundo afora. E um clima de badalação que ele gosta de chamar de lobby socializing.

Até hoje, hoteis  pelo mundo afora usam elementos de decoração lançados por ele, como cortinas gigantescas e esvoaçantes (Delano), e vasos ainda mais gigantescos, do tamanho de um homem adulto (Mondrian). A parceria com o designer francês Philippe Starck – e o look Alice no País das Maravilhas que popularizaram juntos, nos hoteis do grupo – marcaram uma era.
Um dia, o criador cansou-se da criatura, e vendeu o Morgans Hotel Group.

E os novos donos tentaram fazer esse novo Mondrian Soho no molde dos hoteis by Schrager. Só que.... não é a mesma coisa. Saiu meio fake. Feio, não é - pelo contrário. Mas achei irritante a recepção no 1o andar, com funcionários distraídos, o elevador escuro tocando música lounge, a clientela nada charmosa. E por $400 ou $500 a diária, sei de vários hoteis que valeriam mais a pena....

Mondrian Soho : 9 Crosby Street, New York, NY, United States +1 212-389-1000 ·
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