19.7.10

Hotel The Chatwal, no Theater District de Nova York, de Vikram Chatwal



Não é todo dia que ouço falar de um hotel novo no Theater District. Raridade, aliás...

Dia 1o de agosto o riquíssimo hotelier Vikram Chatwal, etíope de origem indiana, inaugura mais um hotel cinco estrelas em Nova York, chamado The Chatwal.


O hotel já abre com o aval da Virtuoso, que, pra quem não conhece, " é o network mais exclusivo do mundo de consultores de viagem. Tão exclusivo que, por sinal, só um por cento das agências de viagem é convidado a virar membro. Nosso network internacional de especialistas de elite já organizou desde aulas de dança com um coreógrafo da Broadway a uma lua-de-mel em uma tenda beduína no Sahara. Fazendo as vontades do viajante de alto poder aquisitivo que tem sede de novas experiências, o network Virtuoso de mais de 6 mil consultores de viagem bookaram US$ 4,8 bilhões em viagens no ano passado".


O hotel já nasce sob o peso de altas expectativas, porque Chatwal - que tem até página na Wikipedia  - já é dono da rede homônima, a Vikram Chatwal Hotels, que ele fundou aos 28 anos!

Um dos hotéis do Vikram Chatwal chama-se Night. Outro, Dream, andou em apuros, segundo o blog da revista New York:
"A crise das hipotecas pode estar abatendo mais uma vítima: Vikram Chatwal, o bon-vivant-de-turbante que todo mundo ama. A filial do Credit Suisse que aprovou a hipoteca de US$ 100 milhões do Dream Hotel recentemente desabou".

Pelo visto, com o fim da crise foram-se os problemas de financiamento, já que o The Chatwal exala luxo por todos os poros.



Não pouparam dólares na reforma do prédio de 1905 que abriga o The Chatwal (e que foi sede do clube teatral Lambs um século atrás, do qual Fred Astaire foi sócio).

Há paredes revestidas de veludo, closets forrados de couro, e amenities da Asprey nos banheiros.



Suíte Presidencial honrando Drew Barrymore (The Barrymore Suite). O renomado Thierry Despont (o mesmo do Carlyle Hotel) assina o décor, que se inspirou na era art déco e também nos tradicionais malletiers franceses (Louis Vuitton e Cia.): criados mudos e escrivaninhas, por exemplo, têm puxadores em formato de alça de mala e formato remetendo a velhos baús.




Embora as obras estejam muitíssimo atrasadas, o hotel pretende inaugurar, simultaneamente, o Lamb’s Club, restaurante anexo ao lobby que será tocado pelo chef Geoffrey Zakarian. Terá como peça central do décor uma monumental lareira do século 18, inteira de pedra, que vai do chão ao teto.

The Chatwal
130 West 44th St., tel. +1 212 764 6200. www.thechatwalny.com

18.7.10

Chef Nuno Mendes e seu restaurante Viajante, em Londres: hype




Nuno Mendes: lembrem deste nome. Português radicado em Londres, com passagens pelo Jean-Georges e pelo El Bulli, está super em alta. Primeiro, ele fazia uns jantares fechados que viraram hype, aí resolveu oficializar a coisa e abrir de vez seu próprio restaurante.




Restaurante pequeno, no East End, difícil de achar.





Serve pratos de leve inspiração ibérica, mas absolutamente modernos. Exemplo: torrada com "romesco": amêndoa, azeitona cortada em palitinho, azeite, clara de ovo picada. 




Creme de berinjela defumada com geléia aromatizada com flocos de peixe bonito:




 “navaja” (navalha) com pingos de iogurte defumado e dashi de alecrim:





Polvo com batatinhas temperadas com “pimentón”, chouriço e ovos:






Asa de arraia com migalhas de brioche, e couve-flor. 


Sirloin, alho selvagem, pasta de miso, verdes  “no bafo” e erva-doce “chamuscada”.



Musse de cenoura em cilindro com granita (raspadinha) das folhas do pé de cenoura, farelo de épices e óleo de dill (aneto). Não exatamente minha sobremesa favorita...





Bolinho de chocolate com farelo de praliné e gel de cassis:



“mignardises”: trufinhas e gelées misturadas com os açúcares do cafezinho:






Viajante: Patriot Square, Bethnal Green, tel. (44-20) 7871-0461
www.viajante.co.uk

Restaurante Daniel, em Nova York, 3 estrelas Michelin: na crista da onda


   Se há um chef de quem se pode dizer que está navegando na crista da onda, é Daniel Boulud. Em 2009, foram muitas as vitórias, do estrondoso sucesso do DBGB, seu primeiro “burger joint”, na badalada rua Bowery, à tão almejada terceira estrela Michelin que consquistou para a matriz de seu império, o Daniel, no Upper East Side ambos em Nova York.






   Estive no Daniel há duas semanas e vi com os próprios olhos o que ele tem feito para ser merecedor das três estrelas Michelin. Casa lotada. Salão caloroso, muito melhorado depois da reforma assinada pelo celeb-designer Adam Tihany, as mesas montadas em dois níveis, com o centro rebaixado alguns degraus.






   Achei o serviço impecável exceto pela insistência em anotar nosso pedido de vinho sem que tivéssemos recebido menus para escolher os pratos. Estávamos no auge da primavera, por isso pedi uma salada de caranguejo do Maine, com salsão, molho de maça Granny Smith para trazer uma bem-vinda acidez, e gotas de óleo de noz. Perfeita.  Ainda melhor era o mignon de cordeiro, maravilhosamente tenro e suculento, com erva-doce confitada e polenta. Sobremesas não só deslumbrantes, mas maravilhosas: a minha, musse de iogurte grego com ruibarbo e baunilha. As mignardises eram outro espetáculo. E, no final, um sinal que sempre me inspira confiança: o próprio chef se despedia dos clientes à porta (demos sorte).



Daniel: 60 East 56th St, Nova York, tel. 1-212 288-0033, www.danielny.com

Bar Boulud em Londres, no hotel Mandarin Oriental: ponto pro Daniel Boulud!

Quando comecei a escrever sobre grandes chefs e gastronomia, no início dos anos 90, o rei do mundo chamava-se Alain Ducasse (acima). Tinha mais estrelas Michelin do que qualquer de seus concorrentes. Só abria restaurantes de sucesso. Mas.... o que o tempo não faz... Desde então, Ducasse sofreu algumas derrotas bem doídas – especialmente o fracasso de seu primeiro restaurante gastronômico em solo americano (de frente para o Central Park) e o semi-fracasso do segundo, chamado Adour. Pouco depois, Joël Robuchon desencanou da aposentadoria precoce e entrou de novo na corrida, abrindo uma série de Ateliers com seu nome e abocanhando várias estrelas pelo caminho. E hoje, o único chef que ameaça seu posto de chef mais estrelado e poderoso do mundo não é mais Alain Ducasse, e sim Daniel Boulud.





  Daniel, francês radicado em Nova York, está com a bola toda. Fez seu nome com o restaurante homônimo, bastião do Upper East Side, o bairro mais chique e conservador da cidade – e que recentemente conquistou a tão almejada terceira estrela Michelin. Hoje Daniel tem restaurantes também no Midtown e no West Side – onde fica o Bar Boulud, especializado em vinhos em taça e boas charcuteries. De dois anos para cá, o chef arriscou abrir algo mais informal em Downtown, onde modas e gostos são outros. Sua brasserie DBGB está entre os principais atrativos da rua Bowery – que era barra-pesada mas hoje virou super hype - quase ao lado do badaladíssimo Bowery Hotel. Um sucesso estrondoso.

  Agora, Daniel deu seu primeiro passo na Europa: abriu, em maio, uma filial do Bar Boulud em Knightsbridge, no chiquíssimo hotel Mandarin Oriental.


Eu estive lá literalmente no primeiro dia de funcionamento, quando Daniel ofereceu um almoço de celebração para os vencedores da eleição dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo (50 Best) – escrevi sobre os bastidores desse evento na última edição de Wish Report.

    Era um dia de grande importância para o chef, que estava desde cedo na cozinha, comandando tudo e – quem diria! – botando a mão na massa.



Conforme Boulud dava os toques finais aos pratos que seriam servidos – coisa rara, já que o überchef raramente cozinha hoje em dia – ele contava para mim o que significava aquela inauguração. “Não só  hoje eu tenho a plateia mais exigente do mundo, como o restaurante sequer está pronto, eu queria ter tido uma semana para ensaiar”, disse. “Mas isto aqui antes de mais nada é um bistrô, e sei que eles querem algo casual e gostoso. Comida de chef, não comida de cliente: simples e tradicional e nada fancy. Soul food. Então acho que vão gostar”.

    O “simples” de Boulud, claro, não é exatamente o que se costuma chamar de simples. O Bar Boulud serve plateaus de frutos do mar de onde pendem pinças de lagosta e enormes camarões:



Outra especialidade: esplêndidos frios e embutidos, terrines e patés.



O altíssimo padrão é garantido por Gilles Verot, um dos maiores charcutiers da França e fornecedor oficial do Bar Boulud. Especialmente denso e complexo estavam o pâté grand-père (múltiplas camadas contendo foie gras, jus de trufa, vinho do Porto e figo), e o pecaminoso rillon (barriga de porco frita e ultra crocante). Adorei as fotos falsamente antigas nas paredes, a cozinha aparente e a “arte” bolada por Vik Muniz, grande amigo de Daniel: fotos enquadradas de manchas de vinho em guardanapos.










   Mesmo sendo um nome que associamos, sempre, a Nova York, Daniel Boulud já virou peça chave da cena foodie londrina. Para quem for a Londres, digo sem medo de errar: uma reserva no Bar Boulud é fundamental. Até o peixe ao vapor estava maravilhoso!







Bar Boulud: hotel Mandarin Oriental, 66 Knightsbridge Rd., Londres, tel. 44-2- 7235-2000, http://www.mandarinoriental.com/london/
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