23.8.11

O Peru de Gaston Acurio na Folha, e o Mistura, evento foodie em Lima


Estou agora mesmo tentando achar um hotel bacana no centro de Lima (HELP! alguém tem uma boa dica?), para onde vou dia 8 de setembro, pela primeira vez. O motivo da viagem resume-se em uma palavra: Mistura.

Foi aí que lembrei de dividir aqui com vocês minha coluna de quinta-feira passada no caderno Comida da Folha. Fala justamente desse novo gigante gastronômico, o Peru. Vejam:


"O Peru, paiseco de menos de 30 milhões de habitantes, parece para muitos ter mais gastronomia do que o Brasil. O überchef Gaston Acúrio, espécie de ministro extraordinário para assuntos da mesa, conseguiu vender uma imagem de seu país como pomar inexplorado e porta de entrada para a Amazônia.

A Amazônia é mais nossa do que deles: temos 6,5 vezes o território peruano, 61% dele tomado pela Amazônia Legal. Ganhamos em diversidade de flora e fauna? De longe. Nossos chefs hoje estudam e exploram as diferentes cozinhas regionais deste país? Sim! São Paulo e Rio oferecem mais bons restaurantes do que Lima? E como!

Entretanto, ouço falar muito mais em Peru na mídia e pelos fóruns gastronômicos por onde ando, mundo afora.

Gaston Acurio e a gastronomia peruana na Playboy,
em excelente reportagem de Jardel Sebba


Se uma árvore cai na floresta, faz barulho? Não basta sermos grandes e donos de uma miríade de tradições culinárias se estrangeiros acham que nossa cozinha limita-se a feijoada, moqueca, churrasco e Alex Atala. Até nós desconhecemos o que temos. Bacuri. Filhote. Tucupi. Mocotó. Pequi. Saberia descrever isso a um estrangeiro?

Taí o porquê da ascenção dos peruanos: todos jogam no time de Acúrio para forjar a imagem do Peru gastronômico. Restaurantes típicos abundam. Taxistas e lojistas conhecem a herança à mesa e orgulham-se dela. O governo investe. E aqui?

Assisti uma palestra do fotógrafo Pedro Martinelli, em evento gourmet em São Paulo. Clamou emocionado pela preservação das tradições indígenas de trato da mandioca, mas não havia mais do que 20 pessoas na plateia. Nossos fóruns gastronômicos custam caro e falam para poucos.

Já o Mistura, em Lima, orquestrado por Acúrio, deverá atrair cerca de 300 mil visitantes em setembro. Famosos como Alex Atala, René Redzepi e Ferran Adrià darão aulas e assinarão um manifesto. Será grande o impacto. Não só por estar ali a nata dos chefs estrelados mas também por se tratar de uma feira vasta, democrática e farta em comidas, feita pelo povo e para o povo.

Esse Peru exuberante, exótico e exibido rodará o mundo em imagens enquanto assistimos de camarote."

E para quem quiser saber mais sobre o Mistura, eis um repeteco de post meu recente:

Atala, Acúrio, Bras, Adrià, Redzepi et. al no Mistura, em Lima: G9 assina manifesto

Eu e o chef Gastón Acúrio na cerimônia de premiação
dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, Londres, este ano


Já há alguns anos o evento gastronômico Mistura em Lima, vem ganhando embalo e relevância no cenário global, em grande parte por causa do überchef Gastón Acúrio, verdadeira celebridade em seu país, com poder para mover mundos e fundos. O Mistura, nesta sua quarta edição, acontecerá de 9 a 18 de setembro - e meu feeling que me diz que este ano os peruanos vão estourar a boca do balão.

Acham que eu poderia deixar de ir?

Desta vez, dedicarão áreas do pavilhão para exposições de Pisco e doces tradicionais do Perú (tejas, guargueros, voladores, turrones, crema volteada, leche asada, arroz con leche, alfajores, suspiros a la limeña, sanguito e king kong), explicando como são feitos e contando sua história.

As frutas serão outro destaque: estarão expostas  mais de 86 variedades da costa, montanhas e na selva do Peru, como graviola, cupuaçu, ameixa, maracujá, manga e outras que não sei traduzir, como inayugo, titomba, pitajaya e aguaje.

Padeiros virão de de Cusco, Arequipa, Ayacucho, Junín, Piura e Cajamarca para assar pães típicos.
Serão promovidos concursos para eleger os melhores pratos em inúmeras categorias: melhor ceviche sustentável (!), melhor ají de gallina, melhor anticucho, melhor salada de frutas, etc.

Quando me perguntam porque acho este evento especial, se há tantos parecidos no mundo, respondo com facilidade. De todos os fóruns gastronômicos este é o que mais abraça o povo. Vendem tíquetes, como fichinhas, para quem quiser experimentar as tantas comidas servidas, fazem shows musicais, expõem frutas, verduras, doces, pães. Envolvem toda a população em uma grande festa que deverá atrair, este ano, 300 mil pessoas. 



Mas o filé mignon será o muito esperado encontro dos G9, os "presidentes" das maiores potências gastronômicas mundiais (grupinho nada fraco que inclui o francês Michel Bras, o dinamarquês René Redzepi do NOMA, Ferran Adrià e o nosso Alex Atala, além dos outros que aparecem acima). O único senão? Nessa ocasião, será na verdade um G8, já que Heston Blumenthal do Fat Duck (Inglaterra) pelo visto deu o cano...



Eles pretendem lançar um manifesto intitulado "A Declaração de Lima". E mesmo sem bola de cristal desconfio que o manifesto dirá que é preciso valorizar e preservar culturas gastronômicas diversas, inclusive as menos conhecidas, como as do Perú, e cuidar do meio-ambiente de onde tiramos os ingredientes com que cozinhamos. E que o primeiro passo para preservar a natureza é conhecer os ingredientes que ela produz.

Além dos G9 chefs famosos vindos de muitos países darão palestras - os mais importantes, para mim, são Albert Adrià (irmão do Ferran), Quique Dacosta e o americano Daniel Patterson. Ah, e temos uma outra chef representando o Brasil, além do Alex: a sábia Mara Salles, do Tordesilhas, que sabe tudo de cozinhas regionais.

Selecionei, da agenda do evento, os highlights (já que no site deles a pesquisa é bem confusa). Lá vai, a quem interessar possa:


SáBADO, 10 DE SETEMBRO



15:00 - 16:00
Salão Creatividad - Aula Magistral
Eneko Atxa, Restaurante Azurmendi - España


16:00 - 16:45
Auditorio Tradiciones
Charla Tradiciones: "Perú: Sabiduría en fruta y sabor"
Andrés Aguirre - Juguero, La Gran Fruta


16:15 - 17:15
Salão Creatividad
Aula Magistral: "Nossa Mistura é a Farofa"
Mara Salles, Restaurante Tordesilhas - Brasil


18:45 - 19:45
Salão Creatividad
Aula Magistral
Gastón Acurio, Restaurante Astrid & Gastón - Perú



DOMINGO, 11 DE SETEMBRO



14:00 - 15:00
Salão Creatividad
Apresentação dos G9: "Declaración del Manifiesto G9"



15:00 - 16:00
Salão Creatividad
Aula Magistral:
Massimo Bottura, Restaurante Ostería Francescana, Italia


16:15 - 17:15
Salão Creatividad
Aula Magistral: "Quique Dacosta Restaurante: Sale el Sol"
Quique Dacosta, Restaurante Quique Dacosta - España


16:45 - 17:45
Salão Creatividad
Aula Magistral
Enrique Olvera, Restaurante Pujol - Mexico
 

17:30 - 18:30
Salão Creatividad
Aula Magistral: "La Cocina de Biko"
Mikel Alonso y Bruno Oteiza, Restaurante Biko - Mexico


18:45 - 19:45
Salão Creatividad
Aula Magistral: "La cocina como Lenguaje"
Ferrán Adriá, Restaurante El Bulli - España



SEGUNDA-FEIRA, 12 DE SETEMBRO

14:00 - 14:45
Salón Creatividad
COLETIVA DE IMPRENSA
Reunión Chefs Latinoamericanos


15:00 - 16:00
Salão Creatividad
Aula Magistral: "El Bulli, Esencia de un servicio"
Luis García, Restaurante El Bulli, España



16:15 - 17:15
Salão Creatividad
Aula Magistral
Alex Atala, Restaurante D.O.M., Brasil



17:30 - 18:30
Salão Creatividad
Aula Magistral
René Redzepi, Restaurante Noma, Dinamarca


18:45 - 19:45
Salón Creatividad
Fórum de Discussão: "Herdeiros da Cozinha Peruana"
Ferrán Adriá, Gastón Acurio e 3 chefs da nova geração


TERÇA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO


13:45 - 14:45
Salão Creatividad
Aula Magistral:
Enrique Olvera, Restaurante Pujol - Mexico


15:00 - 16:00
Salão Creatividad
Aula Magistral: "Orgánicos: La despensa del mundo"
Rafael Osterling, Restaurante Rafael - Perú



16:15 - 17:15
Salão Creatividad
Aula Magistral: "Búsqueda de Criterios Unificadores. El caso de Venezuela Gastronómica"
Sumito Estevez, Restaurante Mondeque - Venezuela



17:30 - 18:30
Salão Creatividad
Aula Magistral:: "Coastal Flavors"
Daniel Patterson, COI, San Francisco - USA



QUARTA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO

17:30 - 18:30
Salão Creatividad
Aula Magistral:: "Tickets: Un Nuevo Conepto en el Mundo de las Tapas"
Albert Adriá, Restaurante Tickets/Coctelería 41°, España



QUINTA-FEIRA 15 DE SETEMBRO


15:15 - 16:15
Salão Creatividad
Aula Magistral: " Nuevos Horizontes: Carnes Peruanas en el Mundo del Sushi"
Mitsuharu Tsumura, Restaurante Maido - Perú



17:45 - 18:45
Salão Creatividad
Aula Magistral:
Pedro Miguel Schiaffino, Restaurante & Bar Malabar - Perú



SEXTA-FEIRA 16 DE SETEMBRO


16:15 - 17:15
Salão Creatividad
Aula Magistral: "Perú, País del Cacao"
Astrid Gutsche, Restaurante Astrid & Gaston - Perú



E mais sobre o Mistura:


Site oficial do Mistura
Mistura no jornal peruano La Republica (com vídeo)

21.8.11

Fasano abre o Hotel Fasano Fazenda Boa Vista a 100 km de São Paulo

Condomínio Fazenda Boa Vista

Hoje li com grande prazer e curiosidade uma matéria escrita pelo jornalista Carlos Maranhão (e publicada na Veja São Paulo) sobre o novo hotel do grupo Fasano, inaugurado ontem: Fazenda Boa Vista

Aprendi uma série de coisas que não costumam ser citadas em panfletos promocionais ou sites oficiais. Resolvi listar a seguir as 10 descobertas mais interessantes:


1 - Só pode conhecer o hotel quem se hospedar, fizer uma refeição em seu restaurante ou frequentar, como proprietário ou convidado, o condomínio fechado em que está localizado.

2- A diária do apartamento standard, de 60 metros quadrados, custa 1.500 reais, incluindo o café da manhã.

3- A diária para ficar em uma das treze suítes (dois andares, 120 metros quadrados) custa 2.000 reais, incluindo o café da manhã.

4- Nos fins de semana e em feriados, exige-se permanência mínima de duas noites.

Condomínio Fazenda Boa Vista


5- O hotel, assim como o condomínio de luxo do qual faz parte, ocupa o antigo haras do banqueiro Pedro Conde.

6-  Maranhão diz o seguinte sobre o condomínio: "... o terreno mais barato custa 3 milhões de reais. Já foram erguidas ali cerca de 200 casas, sem contar as 95 da Villa Fasano (nada a ver com o hotel), mais simplesinhas, vamos admitir, com preços a partir de 2,5 milhões de reais. Estão todas vendidas."

7 - O complexo tem um campo de polo e outro de golfe (com um segundo campo de golfe a caminho), além de uma hípica.

8-  Dos 350 proprietários, entre os quais incluem-se Nizan Guanaes e Nelson Biondi, nenhum é morador.


9 - 70% da área foi mantida verde (campos, jardins, lago artificial, etc).

10 - O restaurante, apesar de ter como consultores um italiano (Salvatore Loi) e um francês (Laurent Suaudeau), servirá a partir de setembro comidinhas brasileiras como virado à paulista, feijoada e leitão à pururuca.

20.8.11

Chef Paulo Barros abre o restaurante Italy na rua Oscar Freire

Berinjela à parmeggiana do Italy   Foto: divulgação


Felizmente, tiveram o bom senso de fechar a filial da Oscar Freire da hamburgueria General Prime Burger - onde comi pessimamente mal uma vez. Os sócios - o chef Paulo Barros, do Due Cuochi, e Paulo Kress - transformaram o enorme espaço (quatro andares! elevador!) em uma nada simples "trattoria", a Italy, que abriu esta semana. 
No menu, muitas massas: secas de grano duro, recheadas ou frescas e feitas com gemas de galinhas caipiras. O pai do Paulo, Luiz Antônio de Barros, que eu desde a infância chamo de tio Dina (!!), foi dono do extinto Roma Jardins, e parece que seu antigo menu serviu de inspiração para alguns dos antepastos.  Por coincidência, escrevi matéria sobre eles dois este mês, na revista GQ...
Paulo Barros e Luiz Antônio de Barros, na GQ

O press release dá mais detalhes:

Conhecidos como Carrelos di Antipasti, fazem uma referência à Cantina Roma, restaurante que pertenceu ao Sr. Casalena, da família de Paulo Barros, onde o chef passou parte de sua adolescência. A partir dali, o futuro cozinheiro começou suas primeiras aventuras gastronômicas. Nos anos 90, foi no Roma Jardins – restaurante inaugurado por seu pai Luis Antonio Barroso de Barros - que Paulo definiu sua vocação para as panelas. Dessa experiência também vieram importantes influências para este novo projeto.




Carrinho de antepastos do Italy   Foto: Divulgação

 
Bola dentro: escalaram como chef executivo o florentino Giancarlo Marchegiane (ex-Terraço Itália).
Por enquanto, as mesas dividem-se em dois andares, mas em breve abrirão o "garden" (também conhecido como a cobertura), onde terão mais mesas, ao ar-livre.
Italy
Rua Oscar Freire, 450, Jardins, tel. 3167-7489.

Dîner en Blanc de Montreal: vídeo de um jantar maluco e muito glam!


O Dîner en Blanc, eu já sabia, não é assim um evento dos mais normais. É piquenique,  mas não é: as comidinhas são caprichadíssimas, servidas em pratos de louça e acompanhadas de vinhos top, em taças de vidro. Mas ao mesmo tempo, é, sim, um piquenique: cada um leva sua mesa e cadeiras dobráveis, seu cesto de palha, talheres, guardanapo e etc.
Difícil explicar esse jantar, que aconteceu quinta-feira em Montreal. Todo mundo de branco dos pés à cabeça, obrigatoriamente. Lugar do encontro mantido em segredo até o último momento. Jantar civilizadíssimo das 8 às 11, e aí... PUF! - todos somem como a carruagem da Cinderela.

Ao invés de ficar explicando, faço melhor: mostro o vídeo que fiz do jantar maluco:





E tem mais: semana que vem, vai ter repeteco, em Nova York. Minha amiga Marcie, que mora lá e tem o blog Abrindo o Bico, conta o seguinte:



Tudo começou com um expatriado francês que resolveu voltar para sua terrra natal. Chegando a Paris, decidiu dar um jantar e rever todos os amigos de uma vez só. Só que, quando foi ver a lista, era amigo que não acabava mais. Pensou, pensou e saiu-se com a seguinte idéia: jantar no Bois de Bologne! E para que todos conseguissem se reconhecer, ele determinou também o dress code: todo mundo de branco!
Bom, nascia assim a tradição do Dîner en Blanc, que mudou um pouco ao longo do tempo mas conservou as características originais. Todo ano, milhares de pessoas se reunem no parque da Torre Eiffel, na esplanada do Louvre ou na frente da Notre Dame para jantar. Só que com o seguinte detalhe: todo mundo veste branco e traz a tralha toda, quer dizer, mesa, toalha, guardanapos, talheres, comida, bebida, o diabo.
Jantam, bebem, dançam, se divertem. E depois recolhem tudo, migalha por migalha, e depositam nas poubelles (recipientes de lixo) demostrando com o gesto a civilidade que parece faltar em tantos eventos tanto no novo como no velho mundo.
Mas vamos ao “dunque”, ou à conclusão, como se diz na Itália. Estou contando tudo isso porque, pela primeira vez, o Dîner en Blanc vai acontecer também em New York. A data, dia 25 de agosto. O local… ninguém sabe. Parece que há  uma waiting list  no site.
Mistério, enfim. E uma grande preocupação com as restrições impostas pela legislação municipal. Para começar, não pode haver álcool. O que, embora eu não beba, sei que acaba com qualquer festa. E depois o toque de recolher para eventos desse tipo que, dizem, é às onze da noite. Quer dizer, frustrante.
Vamos aguardar. Mas saibam todos que, mesmo vivendo no município, não posso deixar de registrar aqui minha total preferência pela versão original do evento. Na cidade-luz. Uma festa que seguramente fica a anos-luz de qualquer cópia que se venha a fazer. E olha que estou sendo boazinha…
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