5.12.11

Brasil sediará edição do OMNIVORE, evento foodie cult lançado na França

Pôster hilário do OMNIVORE 2012: quem reconhece os chefs?
(Para ver em tamanho maior, basta clicar)

No Brasil, já percebi pelas conversas que andei tendo, ninguém sabe o que é o OMNIVORE.

Ainda...

Mas podem anotar: logo, logo, todo cara com flor de sal na despensa e Michelins na estante vai estar por dentro.

O OMNIVORE apareceu no meu radar quando eu soube que o bad boy Iñaki Aizpitarte, chef-proprietário do Le Chateaubriand e do Le Dauphin, iria fazer um "Fucking Dinner" - assim mesmo, era o nome oficial! - em Nova York, no Momofuku Noodle Bar, em 2009.

chef Iñaki Aizpitarte, do Le Chateaubriand (Paris)

Fui lendo daqui, lendo dali e logo aprendi que o Fucking Dinner do Iñaki fazia parte de um evento maior, armado por uma turma de franceses. O tal OMNIVORE.

Não é como o Gastronomika da Espanha ou o Mesa Tendências. Nada a ver. Tem palestras, mas em clima bem mais informal. E tem comilanças, menores e maiores, abertas ao público, em restaurantes e em lugares maiores, como píers ou galpões. E foca sempre em chefs jovens e atrevidos.

O chefão da coisa chama-se Luc Dubanchet. Cara muito importante no mundo da gastronomia de vanguarda, foi por muitos anos uma pessoa importante no time do Gault Millau (assumiu a direção de redação em 1999) e por uma época editou a seção de gastronomia da GQ francesa.

Ele lançou o festival em 2003 e a coisa logo deslanchou.

Até hoje, era um evento esparso, que acontecia uma vez por ano na França, outra em Nova York. Mas eles acabam de anunciar que o OMNIVORE globalizou-se: em 2012 fará uma turnê mundial.


  • Genebra, 5-7 de fevereiro
  • Paris, 11-13 de março (na Maison de Mutualité)
  • Bruxelas, 18-21 de março
  • Moscou 24-27 de abril
  • Copenhague 26-28 de maio (segundo eles, "OMNIVORE foi o primeiro a revelar a cozinha nórdica ao mundo quando René Redzepi participou do festival em 2006")
  • Shangai 12-14 de junho
  • Nova York 14-16 de julho
  • Montreal 18-20 de agosto
e...
  • São Paulo em setembro! (datas a confirmar)


Trata-se do primeiríssimo evento internacional de gastronomia a pisar em solo brasileiro, portanto, tenho certeza, vai abalar alicerces.

chef Felipe Bronze, do ORO:
OMNIVORE abraça o Brasil

E vejam que bacana: o Felipe Bronze, do ORO, no Rio, vai participar da edição parisiense do OMNIVORE, aqui o link.




Em 2010 essa mesma turma armou evento BEEEEM divertido em Nova York…. O nome: Le Grand Fooding.

Era uma série de quatro jantares em que alguns dos chefs favoritos do guia  cozinharam em solo novaiorquino. O nome da série: Four Fucking Dinners. Todos em restaurantes do David Chang.

Pascal Barbot, do impossível de conseguir reserva l’Astrance, de Paris, cozinhou no Momofuku Ko, do… igualmente impossível de conseguir reserva!
Inazi Aizpitarte do Le Chateaubriand cozinhou no Momofuku Noodle Bar, do mesmo David Chang.

O terceiro restaurante de Chang, o Momofuku Ssam Bar, recebeu como chef-convidado, David Kingch, do Manresa, em San Francisco. E o lendário Michel Bras cozinhou ao lado de Wylie Dufresne e o próprio Chang no WD-50, o tecnoemocional de Dufresne.

Os lugares se esgotaram mais de um mês antes….

Em 2010 fizeram uma “guerra” de mentirinha entre Nova York e San Francisco, liderada, de cada lado, por dois chefs de renome.  Chang representava Nova York. O zen Daniel Patterson, do Coi, comandava a outra banda.



Na prática, ninguém brigou com ninguém. Um monte de gente se aglomerou no MoMA PS1, filhote do museu MoMA, pra comer e beber muito bem, numa espécie de piquenique gourmet: champa Veuve Clicquot, comidinhas by Chang, etc. Mixologistas de ambas as costas também estavam lá servindo bebidas – cada um criou um coquetel e no final a idéia seria eleger um vencedor….

O de Nova York era Jim Meehan, autoridade no assunto, barman do ultrahype PDT (Please Don’t Tell).

Rolou até harmonização de pizza com vinho!

Este  foi o programa da primeira noite:


Programa do dia sequinte:




Se o programa paulistano tiver o naipe desse, estamos feitos...

3.12.11

Samba no Pirajá e Pra Ver as Meninas: a festa que eu estou perdendo...



OUTRO AUDIOPOST - APERTEM PLAY ANTES DE LER!


Hoje o samba saiu... lá no Pirajá.

Souberam da farra organizada mais conhecida como projeto “Para ver as meninas”?

Teve as cantoras Mariana de Moraes (neta do Vinícius de Moraes), Thaís Macedo, e a cozinheira Donzília Gomes, do premiado Bar da Portuguesa, da Zona Norte do Rio. Começou agora ao meio-dia, deve estar pra acabar...

Comandado por Moacyr Luz, padrinho da casa, o projeto reúne nomes de destaque nas áreas de música e gastronomia e já trouxe para a cidade Mart’nália, Verônica Ferriani, Thalma de Freitas, Mariana Baltar, Ana Costa, Aline Calixto e as chefs Kátia Barbosa, do boteco Aconchego Carioca, e Rosiana Coelho, do Pontapé Beach.

Os quitutes preparados por dona Donzília para a festa? Pastel de camarão com catupiry e risole de bacalhau. Portuguesa radicada no Brasil, Donzília comanda o Bar da Portuguesa, aberto em 1972, em uma esquina de Ramos, tradicional bairro do subúrbio carioca. Ele foi eleito em 2010 o melhor boteco da cidade pela revista Veja Rio e já serviu como cenário de um encontro histórico, entre Pixinguinha, morador de Ramos, e o violonista Baden Powell, registrado pelo músico francês Pierre Barouh no documentário "Saravah".

Então não resisti em republicar aqui as fotos que tirei no último "Pra Ver as Meninas"....

Não era qualquer sambinha não…. Estavam lá, em dezembro passado, o grande Moacyr Luz, o prodigioso Carlinhos Sete Cordas (adivinhem o que ele toca?) e um outro craque carioca, o Gabriel, no cavaquinho.


E mais uns paulistas também muito bons de samba….



Cheguei tarde mas ainda deu para pegar a sessão-larica do final… sem querer entrar pra “briga do cabrito de boêmio”, posso dizer que tava mais-do-que-bom! Cabritada à passarinho das sérias…




Este camarão à milanesa com Catupiry não era meu mas…. saquem só:


Isso sem falar naquele chopp do Pirajá, de espuma densa como uma musse, servido no copo perfeito, que vai chegando sem parar, sem que a gente tenha que pedir. Êêêê, delícia!

Lavou minha alma.


 

 

Bar Pirajá

Av. Brigadeiro Faria Lima, 64 – Pinheiros – (11) 3815-6881
Segunda a quarta, do 12h às 1h. quinta a sábado do 12h às 2h. Domingo, do 12h às 19h.
www.piraja.com.br/

1.12.11

Restaurante Joe Beef, em Montréal: porque amo o lugar, porque amo o livro

Montreal tem alguns lugares que eu considero mágicos, irreproduzíveis.

O Joe Beef, pequeno restaurante de dois chefs ultrabacanas, é um deles. Já escrevi N vezes sobre o Joe Beef, em guias e matérias sobre Montreal e acho que TEM que estar no roteiro de qualquer pessoa que visite a cidade.

Não é chique. Não tenta ser gastronômico. Não é especialmente confortável.

Eu diria que é uma espécie de Mocotó nórdico.

Ao saber que tinham lançado um livro, corri a arranjar um exemplar. Comecei a ler e simplesmente não consegui largar. E quem é que lê livro de restaurante?!

Pois não só li como comprei – acreditem!! – quatro cópias na Amazon, pra dar de presente no Natal a amigos que curtem cozinhar. Sim, eu gostei tanto assim. Tanto que escrevi um post desses bem sinceros e apaixonados - que mostra bem o que livro tem de especial - só que está em inglês. Aqui o link.

E resolvi dar como destaque em uma página de lançamentos de livros na GQ:




Delícia de leitura!

Mostro aqui pra vocês uma entrevista que fiz com os chefs-proprietários, Fred Morin e Dave McMillan. Mesmo quem não entende inglês pode achar graça, já que mostra bem o jeitão da dupla e do restaurante, vejam:




Joe Beef
2491, rue Notre-Dame O., Montréal, 514-935-6504

A chef Roberta Sudbrack no Canadá: pesca no gelo e revista En Route


Acabei de ver a matéria que acaba de sair na bacaníssima revista En Route sobre pescaria no gelo, produzida em um hotelzinho de luxo que é um velho conhecido meu: o Relais & Châteaux Manoir Hovey

Lindíssima, ficou. E o mais divertido? Eu fui figurante na matéria! Explico: soube em fevereiro que iam levar vários top chefs canadenses para pescar no gelo em North Hatley. Por acaso, um lugarejo onde eu vivi durante sete anos (por acaso uma ova, mas isso já é outra história, mais complicada...)

Eu não ia perder essa, né? Ainda mais no quintal da minha ex-casa!

Bom, o pessoal da revista me conhece há séculos (sou colaboradora), e me ligou pra pedir umas dicas, tal e coisa.

E eu perguntei: "ora, uma super chef brasileira, a Roberta Sudbrack, vai estar por aqui nessa mesma data, porque não convidam ela também?" 

E assim foi. Roberta topou. Pois lá fomos nós brasileiras, eu com minha pele comprada a 200 dólares de uma velhinha, juntar-me à trupe sobre o lago congelado. 

Os chefs estavam paramentados chiquemente em parkas vermelhos e outras finezas levadas pela produção (revista de primeiro mundo...) 

A matéria que está este mês da En Route. Eu apareço com meu casaco de pele
da vovozinha (cliquem na imagem para ver maior)


Era um dream team québecois composto por Normand Laprise (Toqué, que está para Montreal como o D.O.M. para São Paulo), Fred Morin do Joe Beef, aquele "lugarzinho" que eu AMO e vivo elogiando aqui, os chefs do próprio Manoir Hovey, Roland Ménard e Francis Wolf, e David Fergusson do Jolifou.
(Para quem não sabe o que é o Joe Beef - aqui, "leitura obrigatória", meu último post a respeito)

Os chefs preparando o jantar em uma cozinha improvisada

Naquela noite, quando cada chef preparou um prato, em improvisação livre, depois comemos todos juntos ao redor de uma bela mesona antiga de madeira. 

A mesa onde jornalistas e chefs jantaram juntos: a night to remember
Infelizmente, não posso mostrar todo o banquete que foi servido - afinal de contas, a matéria era da En Route e não tem coisa mais chata do que jornalista que rouba pauta dos outros.

Só digo o seguinte: nunca na minha vida comi ovos mexidos com tamanha quantidade de (ótimas) trufas negras - foi esse o prato servido pelo Normand Laprise. De uma simplicidade extrema, mas por outro lado, o supra-sumo do luxo. Ele estava encantado, tinha acabado de achar um fornecedor dos sonhos, que tinha umas trufas de primeiríssima. Olha elas aqui, sendo picadas pelo chef:


Mais do jantar, não mostro. Tá lá na versão online da matéria, eis o link.

A equipe da revista En Route

Mas voltando à pescaria: ao chegar em North Hatley - nunca me esqueço - Roberta quase morreu de susto quando viu aquele gelo todo.

Se fazia frio? Nossa senhora, vocês nem imaginam. Uns menos 15 mais ou menos!

Apesar do frio e da neve, a famosa chef se animou a vir comigo conhecer um pouco do que faz o Québec tão lindo.

Vales nevados, lagos congelados que cobrem o horizonte como uma manta fofa e alva.
Ficamos no Manoir Hovey, e passamos o dia fazendo as coisas mais típicas daqui.





Depois de uma manhã inteira pescando, graças a Deus rolou uma pausa para almoço de salmão, ostras com raiz forte e vódca, cozido de linguiça e feijões verdes.

Tudo servido na varanda, como se fosse um piquenique para esquimós!! (O que não se faz por belas fotos....)


Roberta Sudbrack com os chefs do Manoir Hovey, J-F Hébert e Francis Wolf, durante o "piquenique"

Fred Morin e Normand Laprise abrem ostras para o "piquenique" ártico
Depois do almoço, ainda encaramos uma partida de hockey no gelo, em pleno jardim do hotel!


E no final, outra vodquinha pra espantar o frio, no pub do hotel - imaginem só a farra hivernal...


Roberta Sudbrack, de preto, entre Fred Morin (gorro vermelho)
e Normand Laprise, depois da pescaria.
Eu apareço à direita do chef Laprise. (cliquem na imagem para ver maior)
Da esq. à dir.: Roland Ménard, Fred Morin,
Roberta Sudbrack, Normand Laprise


Foi dureza aguentar o vento cortante, pegar o jeito dessa pescaria estranha, com vara curta e anzol que entra no lago gélido através de um buraco feito com uma espécie de britadeira-saca-rolha. Umas coitadas trutazinhas famintas morderam a isca - logicamente que a gente estava ali mais para fazer de conta do que pescar algo com alguma "sustança"...






Vejam só a chef Roberta Sudbrack festejando, depois de pegar seu primeiro peixinho:





A própria En Route fez outro vídeo - BEM mais bonito e bem-editado. Aqui, o link.

E a ficha dos restaurantes dos chefs que participaram da pescaria:
Le Jolifou (David Fergusson)
1840, rue Beaubien E., Montréal, 514-722-2175

Lawrence (onde trabalha a bela sommelière Etheliya Hananova)
5201, boul. Saint-Laurent, Montréal, 514-503-1070

Joe Beef (Fred Morin)
2491, rue Notre-Dame O., Montréal, 514-935-6504

Manoir Hovey (Roland Ménard, Francis Wolf, J-F Hébert)
575, ch. Hovey, North Hatley, 800-661-2421

Roberta Sudbrack
Rua Lineu de Paula Machado, 916, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 55-21-3874-0139

Toqué! (Normand Laprise)
900, pl. Jean-Paul-Riopelle, Montréal, 514-499-2084
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