18.10.11

Food trucks: onda gastronômica que está tomando a América do Norte


A nova GQ está na banca e minha seção, a SABOR, fala de uma onda que ainda não desembarcou no Brasil: os food trucks. Já notaram a explosão deles pela América do Norte? Não falo de food trucks quaisquer, mas sim daqueles em versão turbo-gourmet. É larica com uma pegada gastronômica, preparada com ingredientes de primeira, muitos degraus acima do que imaginamos quando ouvimos o termo  “comida de rua”. Os caminhõezinhos, que surgiram em Los Angeles como uma versão gourmet e turbinada dos tão tradicionais taco trucks tocados por mexicanos, viraram febre que alastrou-se pela América do Norte. Funcionam como restaurantes sobre rodas, geralmente caminhões dos correios daqueles quadradões, customizados e equipados com fogão, coifa, geladeira, caixa e boqueta. Cada qual tem sua especialidade – que pode variar de sanduíches de queijo a carne assada, de saladas a sorvetes artesanais.

A GQ publicou uma seleção dos melhores food trucks, que reproduzo aqui:




Kogi BBQ (@kogi_bbq) - Los Angeles
Não se trata de UM truck, mas sim uma caravana de 5: Azul, Verde, Roja, Naranja e Rosita. Servem “tacos coreanos” e burritos, mixando Coréia e México nas receitas.
Chef: Roy Choi








Grumman ’78 (@grumman78) - Montreal
Caminhão de tacos do casal Hilary McGown (que trabalhou em restaurantes de Toronto) e Marc-André Leclerc, que passou por algumas das melhores cozinhas de Montreal: Toqué!, Au Pied de Cochon, L’Express e McKiernan. A terceira sócia, Gaëlle Cerf (na foto acima), foi gerente do restaurante mais cult de Montreal, o Au Pied de Cochon, por oito anos.  Circulam por Montreal sem endereço fixo.







O Coolhaus original, de Los Angeles    Foto: Coolhaus

Coolhaus
Food truck de duas arquitetas, cujo nome homenageia o starquiteto Rem Koolhas. O menu é tão sacado quanto o visual fofo-kitsch: os sabores incorporam trocadilhos como

Matéria na revista Time sobre os caminhões Coolhaus

Coolhaus de Nova York    Foto: Coolhaus










Ludo Truck (@LudoTruck) -  Los Angeles
O chef francês Ludo Levèbvre trabalhou em grandes restaurantes. Começou aos 14 como aprendiz do lendário Marc Meneau, no L’Esperance, em Vezelay, na Borgonha. Trabalhou em seguida para o também lendário Pierre Gagnaire e Alain Passard, dois dos maiores chefs da França.
Ele sonhava em viver na América e mudou-se para a Califórnia, onde comandou as cozinhas de dois excelentes restaurantes franceses, L’Orangerie e Bastide. Ganhou prêmios, publicou livros e tem hoje um programa de tevê. O Ludo Truck especializa-se em frango frito.





Miho Gastrotruck, San Diego, California
Esse truck especializa-se em gastronomia “farm-to-street”, o que significa ênfase em ingredientes orgânicos e pouco “viajados”, e menus que mudam sempre e incorporam o que há de melhor no mercado naquela semana.




Spencer on the Go!, San Francisco
O chef Laurent Katgely comanda esse bistrô sobre rodas que serve cozinha francesa fina mas a preços super acessíveis. Tem até boeuf bourguignon trufado! Dos poucos que fica em um endereço fixo na maior parte do tempo: a esquina da rua Folsom com a 7th.




Roli Roti, San Francisco
Rôtisserie sobre rodas de Thomas Odermatt, filho de um açougueiro suíço. Formou-se em agronomia orgânica em Zurique, fez mestrado em Berkeley, na Califórnia e nunca mais quis voltar à Europa.










Taïm Mobile (@taimmobile), Nova York
Truck especializado em falafels do chef israelense Einat Admony, do restaurante Taïm, no West Village. Pratos são muito criativos, como a salada de quinoa, grão de bico e cranberry. É dos raros food trucks que servem  jantar.











Gastropod (@gastropod) – Miami
O chef Jeremiah (assim mesmo, sem sobrenome) inspira-se na cozinha tecnoemocional e técnicas ultramodernas aprendidas em restaurantes famosos como Moto (Chicago) e WD-50 (Nova York).

13.10.11

Clos de Tapas, Eñe, Venga, Tasca da Esquina, Taberna 474: paixonite ibérica em São Paulo

Croqueta de paella do Venga    Foto: divulgação


Coluna no COMIDA da Folha desta semana...



Paixonite ibérica



Surgem não só novos 'portugas' como espanhóis transados e outros que misturam as duas vertentes

A UMA "estrangeira" como eu, o Rio parece pitorescamente português.
Lá sempre abundaram os adegões e quetais, servindo bacalhau em bolinhos ou nas receitas clássicas. No Leblon nasceu o fenômeno Antiquarius. Gloriosa história de sucesso de imigrantes lusos, hoje apenas um vaga-lume de fôlego evanescente, cuja filial paulistana um tanto apagada não faz jus à matriz, também já na curva descrescente.

Pois chegou a São Paulo, finalmente, o "portufilismo" -só que em versão muito atualizada. Iria além: vivemos uma paixonite ibérica.

Surgem não só novos "portugas" como espanhóis transados e outros que misturam as duas vertentes ao traduzi-las para o gosto local -quase todos casuais (aqui, como no mundo todo, os menus rígidos e o salão formal vão caindo de moda).

Muito já se falou da chegada do Vítor Sobral -famoso na terrinha- e de sua falsa tasca nos Jardins, a Tasca da Esquina: bem simpática e boa, porém bem carinha também, ao contrário das autênticas.

Embora ainda entorpecido pela aura dourada da calorosa acolhida, o chef "tuga" logo verá que a concorrência não está fácil: as boas tascas multiplicam-se. Destacam-se, no mar de opções, a pioneira Adega Santiago, de Ipe Moraes, e sua nova Taberna 474, com pegada ainda mais portuguesa, e a Tasca do Zé e da Maria, em Pinheiros.

Se a cozinha "tuga" revisitada avança a passo rápido por aqui, diria o mesmo da espanhola. Por décadas, a Espanha em São Paulo resumia-se à caretice do Don Curro.

Hoje a cena é outra. Temos desde os modernos Clos de Tapas e Eñe até vários bares de tapas ou pintxos, como o Maripili, em Santo Amaro, e o Donostia, em Pinheiros. Abrirá em breve na Oscar Freire o Alma María, de dono e chef espanhóis.

E teremos, logo mais, filial paulistana do Venga!, botequinho de tapas no Leblon que tomou o Rio de assalto, lotado desde o primeiro dia, já com outro endereço em Ipanema.

Curioso: tardiamente, caímos de amores pelas comidinhas das terras onde tantos de nós temos raízes.

ALEXANDRA FORBES, jornalista gastronômica e foodtrotter, conta de suas andanças e comilanças também no Twitter (@aleforbes)

12.10.11

A última ceia no El Bulli: The Last Waltz em delicioso documentário, na web, grátis

Chef Ferran Adrià indo servir o último "Pêche Melba" da noite - e da vida

Depois que o último prato saiu da cozinha, o primeiro que Ferran abraçou
foi o irmão e braço-direito Albert


Já MUITO se falou e escreveu sobre o fechamento do El Bulli, no fim de julho, com um jantar-pra-estourar-a-boca-do-balão apelidado de The Last Waltz. Redzepi, Achatz, Bottura, Roca, Andrés... estavam todos os importantes ex-stagiaires e ex-chefs lá, e a balada foi até o raiar do dia.

Chef René Redzepi do Noma tirando foto com o gigante bolo-buldogue comemorativo

Não vou repetir tudo aqui...

Os voyeurs que quiserem ver tudo o que rolou têm que conferir esse documentário (em catalão, mas com muito espanhol e inglês misturado no meio).

Imperdível.

Aqui, o link.

Créditos das imagens acima: tiradas do documentário, que foi produzido pela Televisió de Catalunya


Foto do pôster: Bob Noto

Gastrotech, em Barcelona: a última cartada do chef Ferran Adrià



Sei que falo muito de Ferran Adrià neste blog. Tento me policiar, falar de outros. Mas o que eu posso fazer se o cara não para? A cada semana descubro uma nova!

Dos dias 17 ao 19 deste mês ele inventou de comandar um outro evento, o Gastrotech. Não é exatamente um fórum de gastronomia, mas de... sei lá do que. De internet. De tecnologia. Do admirável mundo novo. Acho que nem ele sabe bem.

Ferran vai fazer o evento na Telefonica, seu maior sponsor atual. Ele é o garoto-propaganda da empresa e diz que pretende usar o laboratório de pesquisas deles para aprender coisas novas. A ver.

O fato é que Ferran anda de orelha em pé com essa coisa de blogs, guias de restaurantes online, a compra do Zagat pela Google, etc. Ele quer entender, dominar. Daí o surgimento do Gastrotech.

Olhei o programa. Tem muita coisa ali feita pra agradar sponsor (almoço patrocinado pelo queijo gorgonzola, etc). E ninguém precisa ouvir discurso de diretor de Telefonica, né? (Eu, pelo menos, dispenso). Mas......................   vi também uns speakers com potencial para serem muito bons, para dizerem algo de realmente novo e/ou relevante. Assinalei abaixo em tipologia azul o que parecem ser os highlights:


Program

MONDAY 17th Oct

Inauguration

(Telefonica Digital Barcelona premises)

     9:00 Acreditation
      9:15 Welcome and press conference (Ferran Adrià & Pablo Rodríguez)

Blog for Food

(Telefonica Digital Barcelona premises)

     9:45 Cuisine Blogging Panel (D. Calvao, P. Albornà,  S. Bonilli, R. McCormack, lead by M.F. Guadaño)
    11:15 Coffee Break, Andalusian Breakfast by Inés Rosales & Acesur
    11:45 Cooks & Internet Panel (F.Adrià, Pepe Solla, Francis Paniego, Quique Dacosta, Marcos Morán, Paco Morales lead by Guía Repsol)
    13:45 Departure to CETT Venue for the "Out for Food" session

Out for Food (by invitation)
(CETT Cook School premises)

    ---Spanish session---
    14:15 Visit to CETT cook school

    14:30 Gourmet Lunch by Gorgonzola, Reyno Gourmet, Oviaragón, Beso de Vino, Acesur, Jamones Sierra de Sevilla y Barbadillo.

    16:30 Alicia Foundation (Toni Massanés)
    17:00 GorgonzoLAB innovation project & Gorgonzola workshop (Ángel León, Angela Barusi)
    17:45 Showcooking by Guía Repsol (Ana Ruiz and Quintín Quinsac of the AQ rest)
    18:30 Meat tasting Workshop by Cárnicas Goya (Roberto Ruíz)
    19:15 Sherry Tasting Workshop by Bodegas Barbadillo (Pepe Ferrer)

    20:15 Departure to the Damm premisses for the Social Dinner

Social Dinner (by invitation)

(Damm old factory premises)

    20:45 Visit to Damm premises
    21:30 Social Dinner

TUESDAY 18th Oct
   
Thought for Food
(Telefonica Digital Barcelona premises)

 8:00 Accreditation
 8:30 Welcome by Pablo Rodriguez (Telefonica Digital Research Director)

 9:00 Session I – Food & Social
    Social Networks and Gastronomy Balachander Krishnamurthy (AT&T Research)
    Shared Cooking and Shared Eating K. O'Hara (Microsoft Research)
    Language as a platform for innovation: Lessons from elBulli P. Opazo, R.Sangüesa (U. of Columbia, UPC)

10:30 Keynote -Food, Innovation, and Intellectual Property Rights
    Johanna Blakley, Deputy Director at the Norman Lear Center   

11:00 Coffee Break
11:30 Session II – Food Genommics & Data Mining
    Food Hacking and Food Genome M.Powell (Foodspotting)
    Ingredients., Flavours and Data Mining  S.Anhert/Y.Ahn (Cambridge U.)
    Rating of Restaurants 2.0 What do reviews tell? T. Roelleke, (Yahoo Research)


13:00 Lunch Break
14:00 Session III – Food Technologies
    Super Mario's  Mushrooms: the role of food in video games,  G. Sinclair (U. of Vancouver)
    Food and Computer Science P. Inverardi (U. dell Áquila)

15:30 Coffee Break
16:00 Session IV: Food Trends
    Trends in Food and Technology A. Van de Ven (Telefonica Digital)
    Trends in Aesthetics, Art and Cooking. What are the Key Issues of Philosophy of Cooking and Gastronomy to be addressed by Technology? G.Vilar, J. Jaques (UAB)
    Mobile marketing with food and drinks (Golden Gekko)


18:00 Closing Pablo Rodriguez (Telefonica Digital Research Director)
Veremos no que vai dar....
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