22.7.11

Tuk-tuks e o jeito mutcho loco dos indianos de se locomoverem


Faixas só existem nas ruas de Nova Déli de enfeite. Todo mundo anda por todo lado, cruzando e descruzando e buzinando loucamente. Chose de lóc. Naquele calor dos infernos, aprendi rapidamente que o tuk tuck tem uma grande vantagem sobre os táxis: ventilação natural. E naquele lugar onde poucos parecem curtir um desodorante, o ventinho vai muito bem... Fora que todo trajeto fica altamente emocionante, no que o motora vai costurando alucinadamente. Fiz um filmito ilustrativo, vejam:


21.7.11

Lourdes Hernandez abre primeira taqueria paulistana e cozinha no Obá


São Paulo nunca teve grandes restaurantes mexicanos. Trata-se de uma cozinha praticamente desconhecida por aqui. Mas uns dois anos atrás o casal Lourdes Hernandez e Felipe Ehrenberg começou a mudar isso. Abriram, sem alarde, a Casa dos Cariris – literalmente, a casa deles – onde servem uma vez por semana diversos pratos de seu país natal (eles são da cidade do México), em ambiente super informal e… caseiro. Reservas são feitas por email e só então o endereço é revelado. Apesar da relativa dificuldade de acesso (ou talvez até por causa do elemento surpresa) a Casa virou hype total. Fazia séculos que queria conhecer os dois, até que finalmente estive com eles ontem à tarde, no restaurante Obá (neste link, explico o porquê).

chef Lourdes Hernandez (Foto: Divulgação)

Eu me dei imediatamente bem com o casal: gente autêntica, aberta, culta, simpática. Uma pena eu nunca ter ido à casa deles...

Tamanho sucesso fazem os tais jantares deles que a coisa agora vai crescer. Encantei-me com a grande notícia de que o casal vai abrir em breve algo muito maior no Itaim, com sócios, endereço oficial e horário de funcionamento regular. As pessoas conhecerão o lugar como restaurante Hecho mas na verdade trata-se de um três-em-um. Hecho é o nome da taqueria pequena que ficará na frente do espaço, servindo comida rápida: tacos, burritos, tortas (sanduíches), saladas, quesadillas. Abre em algumas semanas.

 tacos da Lourdes, neste caso, de língua com azeitona e abacate

Atrás da taqueria, meio escondido, funcionará o botecão mexicano La Muerte Chiquita (arrepio, ou termo usado para descrever a sensação de orgasmo). Servirá margaritas, mezcal, micheladas… e, é claro, comidinhas mexicanas como ceviches, fundidos, tacos e enchiladas.


No mezanino, acima do bar, será recriado eventualmente o ambiente da Casa dos Cariris. Lá Lourdes vai continuar a servir seus famosos jantares, seguindo o sistema original de reservas (via email).
A taqueria será inaugurada em agosto, mas o boteco e Casa dos Cariris, só mais pra frente.

E o melhor de tudo: a taqueria fica a três quadras de casa! :)

Abaixo, vídeo de um trechinho de entrevista que fiz com a chef para a GQ:


19.7.11

A semana em Nova Delhi e a volta atormentada: dores e confissões


Voltei de Nova Dehli. Atormentada, cambaleante, abatida, mas voltei.

E estou fazendo um esforço danado para não permitir que a dureza dos últimos três dias - verdadeiro pesadelo - mascarem algumas Polaroids que guardo na memória com carinho.

Sim, fiquei doente. Não a clássica intoxicação alimentar, mas algum híbrido desconhecido, que prefiro não descrever, mas que tanto me baqueou  que tive que ser transportada nos aeroportos da volta de maca e cadeira de rodas.

Mas não percamos tempo falando disso, que a vida é curta e em breve estarei boa de novo. Queria contar da Índia, de que tanta gente anda me perguntando lá no Twitter. Ou, pelo menos, começar a contar como foi a viagem.

Primeiro, tenho que explicar que meu roteiro era pré-estabelecido. Fui como enviada da GQ para cobrir a final mundial do maior campeonato de coquetelaria que há, o World Class. Quem representou o Brasil foi a bartender Talita Simões, do At Nine, bar bacana na rua da Consolação (mais detalhes no link acima).



E os anfitriões, os figurões da multinacional de bebidas Diageo, armaram a coisa de modo que passamos a maior parte do tempo submersos no mundo dos coquetéis e destilados, no hotel Imperial, em Nova Dehli.



Entre uma tequila e outra eu fugia dali e saía para explorar, com os ótimos companheiros de viagem Luciano e Rodrigo.



Mesmo me considerando uma pessoa viajada, essas excursõezinhas pela cidade foram tapas na cara. Vi coisas e gentes que me deixaram atônita, ora rindo, ora torcendo o nariz de nojo ou pena.

Look típico pelas ruas de Dehli, onde gordos
inexistem. Vai um bifinho aí, amigo?



Em posts futuros, aqui e no site da GQ, vou dar as dicas do que vi de melhor por lá (poucas e boas). Mas hoje, ainda fraca e zonza e em processo de recuperação, o que me vem à cabeça de positivo desta viagem é simples: joie de vivre.

Nunca vi tanta miséria e imundície, e nunca vi um povo que mesmo vivendo naquele buraco quente consegue ser feliz. Eles sorriem, se desdobram em mesuras, deixam ser fotografados mesmo trajando os mais ridículos uniformes. São de uma humildade comovente.



Garçom no café da manhã do hotel Imperial

E mesmo os mais pobres dentre os pobres, os mais miseráveis, esmeram-se no look. Penteiam o cabelo, passam a roupa, capricham nos acessórios. Podem não cheirar lá muito bem, mas saem bem na foto. As mulheres, então, parecem estampar sua joie de vivre nos sáris que vestem, de uma exuberância e de um colorido deslumbrantes.


E é delas, das belas mulheres indianas, que tiro a lição: há que se ver o belo no feio, lembrar da alegria na tristeza. E assim, desembarquei em Guarulhos com novos olhos, já achando lindo aquilo tudo. Tão limpinho! Todo mundo calçado! Nenhum esgoto à vista! :) E, mesmo miseravelmente doente, mal conseguindo andar, pude resgatar da memória flashes felizes e coloridos para relatar no caminho até a casa.



13.7.11

Business da Emirates: a primeira vez a gente nunca esquece

Sala VIP da Emirates em Dubai: Veuve Clicquot a rodo!

Imaginem vocês que eu acabo de chegar.... na Índia! Vim para cobrir a final mundial do campeonato de coquetelaria World Class, organizado pela gigante de bebidas Diageo (dona de marcas como rum Zacapa, uísque Blue Label e vódca Ketel One, entre MUITAS outras), em…. Nova Delhi!!

Não vou dizer que tenha sido uma viagenzinha das mais fáceis – já nem sei direito que dia é, o fuso entrou em parafuso, e passei mais horas dentro de aviões do que imaginava ser humanamente possível. Mas aqui estou, rodeada de barmen e barwomen do mundo inteiro, no Imperial Hotel, com etapas classificatórias rolando a semana toda.

E tenho algumas confissões a fazer. A primeira: a parte da viagem à Índia que mais me animava, até eu chegar aqui, era saber que viria de business, pela Emirates - sabidamente, uma das melhores companhias aéreas do mundo. Sempre tive curiosidade de conhecer o tão famoso serviço das arábias e os luxos que fazem a fama da companhia.
E, depois de voar 15 horas de Guarulhos até Dubai, e outras 4 horas de Dubai até Nova Delhi posso atestar que os caras são bons mesmo. A business tem cadeiras enormes, muretinhas que sobem e descem entre elas para garantir a privacidade, e tevês de tela plana com controle remoto com montes de filmes e programas de televisão. Orquídeas frescas, Champanhe de verdade logo ao embarcar, mimos em série. Fui espiar a primeira classe e.... minha nossa senhora, que coisa nababesca! Ali o passageiro tem cubículo privativo com escrivaninha/penteadeira, minibar, etc.


O que mais me impressionou na Emirates:
- fones de ouvido bem grandes e macios com cancelador de ruídos
- acolchoados distribuídos na hora de dormir para deixar a poltrona mais fofa
- bolsa de toiletries super caprichada, em versão feminina (com espelhinho) e masculina (creme e lâmina de barbear, etc).

O que deixou a desejar:
- A poltrona não fica 100% plana como uma cama - a da Air Canada, por exemplo, fica. E sempre achei que a business da Emirates fosse dez vezes mais luxuosa do que a da Air Canada. E não é!
- Ô comidinha ruim, sô! Tinha um tal de breakfast "churrascaria" (!!) terrível, club sandwich qualquer nota, tudo morno, sem gosto, equivocado. Café morno. Pão frio e duro.
Aqui, um filminho que mostra alguns detalhes do avião:



Mas de toda a viagem - longuíííssima - a maior bola dentro deles foi a sala VIP de Dubai. Lá havia montanhas de vinhos - branco, tinto, champanhe - de excelente qualidade. Veuve Clicquot a rodo. E um tinto de-li-ci-o-so, Chateau St. Georges 2002 de Saint Emilion.

Não resisti à tentação: confesso que foi a primeira vez na vida que tomei Bordeaux de café da manhã!


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