30.1.12

Butcher's Market, no Itaim: búrguer nota 10, ambiente idem


AVISO: Desde que publiquei o post abaixo o chef saiu de lá e, ouvi dizer, as coisas já não estão as mesmas....

Hoje voltei ao Butcher's Market, hamburgueria que eu conhecia do tempo em que foi inaugurada, uns meses atrás, mas não tinha revisitado.

Da primeira vez, eu gostei bastante e recomendei a amigos. Alguns desses amigos depois reclamaram para mim, dizendo que a) vive lotado e b) às vezes erram o ponto da carne.

O ponto a), claro, só é sinal de sucesso. Quem quer mesmo comer lá pode sempre ir em horário ou dia mais tranquilo, como eu. O ponto b) é de fato um problema: aqui no Brasil as pessoas ainda não entendem direito o ponto da carne de hambúrguer. Pessoas querendo dizer certos garçons, que quando a gente diz que quer mal-passado duvidam e trazem uma coisa beirando o "ao ponto".

Mas esse problema eu resolvo facilmente: digo que quero "mal-passado-mal-passado". Que não confundam com mal passado de mentirinha ou mal passado para quem gosta, na verdade, de carne quase cinza. Ao insistir um pouco, deixo claro o que quero e funciona.



Dei essa volta toda para dizer que o meu cheesebúrguer de hoje estava mal passado tipo quase mugindo, como eu queria. Queijo cheddar de verdade - não aquele quadrado plástico à la McDonald's. Pão quentinho, ligeiramente tostado. Um bichão grande, com 180 g de carne pingando seus sucos. Nham.

De sobremesa, comi o maravilhoso ice cream sandwich, coisa tão rara por aqui. Dois cookies  imensos de chocolate ensanduichando o mais molenga e delicioso sorvete de baunilha. Nham de novo.


Adoro quando uma primeira impressão minha confirma-se em nova visita. Isso me deixa aliviada: quer dizer que ao indicar o Butcher's Market a tanta gente, não errei. Ufa! ;)

E que dizer do décor? Amo! Quem fez foi o Jae Kim, o sócio-proprietário coreano, radicado em Williamsburg, no Brooklyn. Aliás, ele me contou uma super notícia hoje, da qual falei no blog da GQ....

Butcher’s Market
R. Bandeira Paulista, 164, Itaim Bibi
Tel. (11) 2367-1043












Chef Daniel Burns (ex-Momofuku, Noma e Fat Duck) cozinha com Young Turks esta semana

O chef Daniel Burns com o genial Albert Adrià, na cozinha do NOMA

Dica quente para quem estiver em Londres: um dos melhores chefs que eu conheço, o Daniel Burns, está lá para cozinhar esta semana (só até o dia 4!!) com os hypadíssimos Young Turks (complicado explicar, mas esses chefs, todos de currículo incrível, são meio itinerantes, e atualmente estão sublocando um lugar chamado Ten Bells, onde puseram para funcionar um pop-up restaurant).

É coisa raríssima poder comer coisas tão bem feitas e vanguardistas, feitas por um chef tão talentoso como o Dan Burns, por meras 50 libras.

No site deles, os Young Turks dizem tudo:

"We are very happy to welcome Daniel Burns to The Ten Bells for four nights, next week, to cook with us.  Dan's cv is ridiculous - Fat Duck, St John, Noma and Momofuku, where he's just finished as head development chef.  The menu will be slightly more expensive at £50 which includes a couple more courses and snacks with the usual vibes."

Burns tocava a cozinha de experiências do David Chang (do Momofuku Ko e outros Momofukus), desenvolvendo receitas novas, até umas semanas atrás, e antes disso passou anos no NOMA e no Fat Duck. O cara é mesmo bom pra caramba. Recomendo!

Aqui, o site oficial com mais informações.

29.1.12

Anish Kapoor jantando no D.O.M. de Alex Atala: momento tiete



Também sou gente, e de vez em quando me sinto uma tiete. Quando, por exemplo, estou no D.O.M. e de repente aparece para jantar ninguém menos que Anish Kapoor.

Holy cow!

Se eu sou fã? Preciso dizer?
 



O que faz Anish Kapoor em São Paulo? Simples: acaba de chegar de Inhotim, o museu-louco-com-mil-e-uma-esculturas-ao-ar-livre-daquele-mecenas-de-fundos-aparentemente-infinitos, em Minas. Kapoor estava lá para resolver onde será instalado o pavilhão que abrigará sua obra  Shooting into the Corner.
Três anos atrás, meu tio Jorge Forbes, que tem grande talento para ler as coisas em níveis nada convencionais, escreveu para este blog um textinho rápido em que expressava sua reação a uma obra de Kapoor exposta no Guggenheim. Reproduzo aqui:

Anish Kapoor no Guggenheim. Crédito: Guggenheim. Cliquem na foto para vê-la maior.


Memória, de Anish Kapoor
Obra do escultor indiano, exposta no Guggenhein, faz os clássicos envelhecerem

A escultura de Anish Kapoor em exibição no Guggenhein de Nova Iorque é maior que a sala onde está instalada. Ela é maior do que aquilo que se possa ver. De nenhum ângulo o visitante a enxerga totalmente, sempre só dela se apropriando por partes; e como a arquitetura de Lloyd Wright não é cartesiana, no sentido de fazer que alguém se localize facilmente, virou um esporte ajudar as pessoas angustiadas a acharem a próxima sala, de onde possam ver mais um pouquinho daquela coisa estranha.

Ela, de certa maneira, tem um dentro e um fora. Por fora, é toda em ferro vermelho, um casco curvo de navio, ou uma grande peça de motor que lembraria Richard Serra, com a diferença de o ferro estar ali recortado e não em contínuo, como esculpe o americano. Por dentro, nada além de um vazio negro. Curioso é que seria esperado, uma vez que a coisa é toda em curva, que sua boca também fosse assim, redonda. Mas não, ela é quadrada. Entra-se em uma das salas e se vê um quadrado preto recortado na parede. Ao se aproximar, nota-se o vazio do interior do objeto. Preto, totalmente preto. De perto, um espelho ao infinito; de longe, um belo quadro monocrômico.

Ela está lá, como o artista a chamou, a Memória. Como toda memória, esta, mesmo de ferro, nos escapa, e, quando finalmente achamos sua entrada, damos um passo para trás, ou ficamos na admiração: na saudade, como dizem os brasileiros.

Ao nos afastarmos da Memória, mesmo que para excelentes encontros, como com Kandisky, logo ali do lado, em maravilhosa retrospectiva, saímos certos que há algo novo na arte: a exposição do incompleto. Fenômeno coerente com esse tempo de um homem igualmente incompleto em sua história e em suas certezas fragilizadas.

Kapoor fez uma Memória de esquecer a garantia do encontro nostálgico do passado, pedindo, na tontura da pós-modernidade, a invenção de um futuro.

Jorge Forbes, em New York, quarta-feira, 4 de novembro de 2009.



28.1.12

Prédio de Oscar Niemeyer onde era o Detran vira, hoje, sede do MAC



Não parece, mas eu tenho outros interesses além de comida e bebida... O principal deles, eu diria, é arquitetura. Por isso estou super animada para ir ver como ficou o ex-Palácio da Agricultura, mais conhecido como o prédio do Detran, ao lado do Parque do Ibirapuera, agora que virou sede do MAC.



O novo MAC, depois de muito atraso, muito blablablá e muitas reformas, abre hoje com apenas o térreo disponível para visitação. A mostra de abertura incluirá apenas 17 esculturas, nada mais.

Quem quer ver o prédio todo, como eu, vai ter que esperar pelo menos mais um ano, até que terminem toda a reforma e transportem para lá todo o (ENORME) acervo do Museu, que está desde sempre escondido do público, sem espaço para ser exposto.

Explicando: o velho MAC, lá na USP, não tinha nem de perto salas suficientes para poder mostrar porção significativa do acervo. Então essas obras todas, muitas valiosíssimas, ficavam simplesmente acumulando poeira em um depósito.

Agora, aos pouquinhos, os dirigentes do museu vão tirar essas obras do depósito para serem exibidas.

Antes tarde do que nunca, não é?

Vejam este vídeo da FOLHA que explica melhor:




Para quem quer entender melhor onde fica o novo MAC, e como se liga ao Parque do Ibirapuera (já que foi concebido por Niemeyer como parte daquele conjunto arquitetônico) pode ver no mapa abaixo. O museu é o objeto que aparece como dois retângulos cinzas paralelos, à direita da avenida 23 de Maio. Clicando nele, aparecerá a imagem em tamanho maior. E, mais abaixo, o mesmo mapa aparece em zoom.


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