25.7.10

Os melhores restaurantes de Barcelona (e arredores)




Listas do melhor disto ou aquilo sempre são super subjetivas e questionáveis, mas como vivem me pedindo dicas de onde comer em Barcelona, lá vai.... uma lista! Não é completa nem perfeita, mas tampouco furada: tudo nela é tiro certo. Tem desde um três estrelas Michelin (El Celler de Can Roca) a um bar de tapas (Inopia): restaurantes para quaisquer ocasiões

1 – El Celler de can Roca

 Foto: divulgação

Atenção: dei uma "roubadinha", porque este restaurante fica em Girona, 1.5 hr de Barcelona para o Norte. Mas vale muito o desvio, e dá pra ir em um dia e voltar no outro, facilmente, tanto de carro como de trem.
O Celler é o QG dos famosos irmãos Roca.



Joan, o mais velho (à esq.), manda nos “salgados”. Jordi, o caçula (agachado), bola as sobremesas, e Josep, o sommelier. Nem tenho palavras pra dizer o quanto gostei de meu último jantar lá. Foi ge-ni-al.
Esses meninos, pra mim, vão herdar o manto do Ferran – amigo próximo deles – quando o El Bulli fechar. Baita responsa….
Sem tempo ou disposição de ir até Girona? Ok, neste caso, vá ao Moo (na foto abaixo), o restaurante supervisionado por eles, no hotel Omm. Serve pratos do Celler de estações passadas e, apesar de menos elaborado, o menu dá uma boa idéia do que fazem los hermanos Roca...





2- Dos Palillos



Foto: Ricardo Freire
 
Albert Raurich ralou por 9 anos no El Bulli, até que um dia cansou, se mudou pra Barcelona e abriu o  Dos Palillos.  Trata-se de um restaurantezinho bem pequeno e descontraído com cozinha aberta, em que come-se no balcão, à japonesa. No menu, "tapas" asiáticas (a mulher de Raurich, Tamae Imachi, é japonesa). Fica na rua Elisabets, anexo ao moderninho hotel Casa Camper, no bairro de Raval, perto do mercado Boqueria.


3- Commerç 24


Foto: divulgação

Depois de trabalhar no El Bulli por 7 anos, o chef Carles Abellan, abriu o Commerç24, um restaurante da moda, badalado, servindo excelente comida contemporânea. Há também, ao lado, o Tapaç24 (especializa-se em tapas). O carro-chefe do Commerç24 é o Kinder Ovo, que leva ovo mole, espuma de batatas e trufas.
Commerç24: Calle del Commerç, 24, Ciutat Vella, tel. 93 319-2102




4- Carme Ruscalleda no Mandarin Oriental







A chef Carme Ruscalleda, única mulher espanhola com 3 estrelas no Guia Michelin, agora tem um restaurante também em Barcelona, no lindo (e novo) Mandarin Oriental hotel.

 Serve pratos catalães como fricandó, canelons e sopa de galets. A chef escalou seu filho  Raul Balam para cuidar da cozinha.

Mandarin Oriental Barcelona: Passeig de Gracia, 38-40, tel. 93 151-8888


E um último que deixará saudade....

4- Inopia  FECHOU!!! DIA 31 DE JULHO DE 2010.









Albert Adrià, o homem por trás das geniais sobremesas do El Bulli - mas que já faz um tempo que saiu do restaurante pra "cuidar da vida" - hoje em dia tem um bar de tapas que bomba, o Inopia. Fica em Eixample e tem jeito de botequim carioca: barulhento, gente  encostada no balcão de mármore branco, especiais da casa rabiscados em lousas, meias-paredes de azulejo branco, chopinho bem tirado. Quando fui, enchi a pança de presunto cozido (com azeite do bom), patatas bravas (salada de batatas em fatias grossas com maionese), sardinhas fritas e barriga de atum na grelha. Mas o melhor de tudo eram as bombas picantes: deliciosas bolotas fritas recheadas de purê de batata e carne moída temperada, servidas sobre molho chipotle cremoso.TUDO é delicioso. Vá cedo, ou aguente a espera....
Inopia: calle Tamarit, 104, tel. 93 424-5231

23.7.10

Chef René Redzepi, do Noma: o restaurante número um do mundo



Quem é ligado em gastronomia certamente, a essa altura, já ouviu falar do chef René Redzepi e seu restaurante Noma, eleito restaurante número 1 do mundo no prêmio inglês World's 50 Best Restaurants.

O The New York Times publicou excelente reportagem sobre o Redzepi, assinada pelo Frank Bruni -- o ex-crítico de restaurantes do jornal.



Bruni pintou o retrato de um jovem obcecado pelo seu entorno, que prega uma cozinha radicalmente local. Sem essa de dizer que faz comida “de mercado” servindo foie gras francês ou lagosta canadense: ele mesmo dá o exemplo, vai pro mato e colhe plantinhas, raízes e frutos, e se vira com o que os fazendeiros de seu entorno podem produzir. E só.

Redzepi se atém ao seu (por vezes parco) terroir por convicção, e não por falta de conhecimento do “mundo lá fora” ou dos ingredientes que poderia conseguir se quisesse. Afinal de contas, o menino passou pelas cozinhas do El Bulli e do French Laundry, entre outras, e conhece o bom.

Mas ele voltou pra casa sem deslumbramento e sem querer copiar tudo o que vira. A principal lição, aprendida com o grande Adrià, foi de que qualquer um pode, se quiser, jogar todas as regras do jogo no lixo. A reportagem de Frank Bruni traz uma frase ótima do chef Redzepi:

“Não voltei para a Dinamarca pensando ‘vou servir fígado de peixe com o gel do gel do gel enquanto açoito meus clientes com ramos de alecrim’, eu apenas voltei tendo descoberto uma sensação de liberdade”.


Com essa liberdade, Redzepi foi explorar. Tornou-se um forte defensor da cozinha natural, ultra-local, baseada em ingredientes "achados" ou colhidos em sua forma mais selvagem e intacta.

Um modo novo de pensar, que foi muito bem descrito por José Carlos Capel, no El País:

No âmbito da alta cozinha ninguém chegou tão longe em tão pouco tempo. Apenas seis anos foram necessários para René Redzepi, de 31 anos, saltar do anonimato a uma posição invejável entre a elite das estrelas. Trata-se do último rebento europeu tributário do pensamento de Ferran Adrià e da cozinha espanhola contemporânea. Em meados de 2003, este jovem dinamarquês de família Macedônia inaugurava o restaurante Noma (No, de nordic, e Ma, de comida). À beira-mar, em um antigo armazém de sal na pitoresca zona de Christianhavn, no porto de Copenhaguem.

Esse líder por natureza foi um dos impulsores em 2005 do The Manifesto for the new Nordic Kitchen (Manifesto por uma Nova Cozinha Nórdica), código que promove as matérias-primas de seu entorno e a defesa da produção ecológica.  Um estallido de imersão gastronômica revestido de intransigência místico-poética. Bocados anti-globalização com selo de vanguarda. Um compromisso com o planeta defronte a ameaça das mudanças climáticas.(…) A partir desse momento, foi uma ascenção fulgurante.

Acompanhem os highlights da carreira do chef e seu Noma:

2006 -- 1a estrela Michelin e 33a posição no ranking 50 Best
2007 -- 2a estrela Michelin e 15a posição no ranking 50 Best
2009 -- 3a posição no ranking 50 Best
2010 -- 1a posição no ranking 50 Best (o troféu, na foto abaixo)



Tive a sorte de almoçar com René Redzepi em Londres, no Viajante, horas antes dele ser eleito o número um do mundo na cerimônia do 50 Best. E sabem o quê? Em tantos anos lendo e escrevendo sobre chefs, o que me impressionou em Redzepi foi algo que eu vi também em Ferran Adrià na primeira vez que o entrevistei: uma energia infantil e contagiante. Redzepi, como Adrià, tem jeito de moleque, sorriso solto, carisma evidente. Afinal, ninguém chega onde ele chegou por acaso….

E quanto ao Noma, bem fez quem foi antes. Agora, ficou difícil conseguir mesa, não bastasse ele ser tão longe e fora do circuitinho familiar da maioria dos viajantes….





Eu sei o que perdi por até hoje não ter ido lá. Nas palavras de Miguel Santos,

“É a excelência da depuração. Não a depuração pornográfica, plástica, evidente. Mas a orgânica, a que irradia calor, apesar do branco.
A localização é perfeita, junto a um dos canais da bela Copenhaga, capital do Reino da Dinamarca.
Paira no ar um ambiente estranho. Como se a triste proletária de Lars Von Trier afinal fosse uma sereia.
É de uma simplicidade aterradora. Travejamento caiado negligentemente, paredes refractárias e o mobiliário de madeira, que jurava ter saído do atelier de Palo Samko.

Simples.
Belo.
A sintonia perfeita entre o passado de sal e o presente de mel. (..)
Foge da mesmice do trapézio Franco-Italiano replicado no mundo todo. Daquele ping-pong do foie-gras para lá, trufas para cá, dos lugares comuns, da “Maria vai com as outras” que grassa nas grandes metrópoles do costume.

Ali está um verdadeiro bastião de convicções, bom gosto e simbiose com o local. Less is more.

Neste caso, definitivamente.”

Salon de Ning e outros rooftop bars de Nova York em vídeo do The New York Times





Acho que vocês vão gostar de assistir esta “vídeomatéria” sobre os rooftop bars de Nova York, feita pelo ex-crítico de restaurantes do The New York Times. Vale o clique.

Eu também já dei minhas passeadas pelos rooftops de N.Y., inclusive o Salon de Ning que Bruni visitou, no hotel Peninsula, vejam que show a vista:




Fui com minha amiga Constance Escobar, um tempo atrás. Achamos o bar meio….como dizer… estranho. Gente esquisita, muito turista barrigudo, muita sessentona mal-vestida. Ficamos pra um drinque. E foi caindo o dia, e as luzinhas iluminando o skyline, e… no final das contas, concluímos que a frequência é meio brega, mas a vista, imbatível.

Outro rooftop legal, ali perto, é o Ava Lounge, bem bonitinho e descolado e com ótimas vistas. Um rooftop nota 10, que fica num hotel meio psicodélico chamado Dream. Principalmente do lado direito de quem sai do elevador, onde fica um terracinho menor e mais intimista.




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22.7.10

Herzog & de Meuron projetam sede da São Paulo Companhia de Dança


   Quem diria: se até cinco anos atrás contávamos nos dedos das mãos quantos museus ou edifícios públicos sul-americanos com o carimbo de starquitetos internacionais, agora o cenário está mudando a passo rápido. Já mostrei aqui em Wish Online o lindíssimo projeto da firma Diller, Scofidio + Renfro para o novo MIS carioca, por exemplo (na foto acima). Mas ele é apenas um de vários museus que estão sendo planejados e que devem sair do papel nos próximos anos – e um deles trará a grife Herzog & de Meuron.

   A firma do duo de arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre De Meuron assina projetos icônicos como o Tate Modern, em Londres, e o belo estádio Allianz Arena, em Munique e o museu CaixaForum, em Madri. O prêmio Pritzker (passe para o panteão dos grandes) veio em 2001. O mais celebrado projeto deles talvez seja o de Young Museum, em San Francisco, que consegue ter perfeita harmonia entre entorno e acervo. A arte transborda para fora, com esculturas espalhadas ao seu redor, e o parque que o circunda, o Golden Gate, foi levado para o interior, em forma de  jardins de inverno triangulares de samambaias e blocos de ardósia. Como de costume, escolheram um material inusual e impactante – nesse caso, painéis de cobre ora martelado, ora perfurado – para revestir as paredes externas. O tom terroso e o formato irregular, cheio de recortes e arrematado por uma larga torre em formato de trapézio invertido, evocam um templo asteca. Faz muito sentido, já que o de Young, inaugurado em 2005, especializa-se em arte e artefatos indígenas.  

   Agora, Herzog & de Meuron está prestes a fincar bandeira em São Paulo (até escritório eles pretendem abrir!).  O governo do estado contratou a dupla para projetar a sede da "São Paulo Companhia de Dança" que será erguida no Centro, onde funcionava a antiga rodoviária, quase ao lado da Sala São Paulo.


Deverá ter três salas de espetáculos (1.750 lugares, 600 e 450), salas de ensaio, escola de dança e biblioteca. A inauguração está prevista para este ano, embora provavelmente só aconteça mesmo em 2011.



Pelo visto, os suíços estão vindo com tudo: também contei, uns meses atrás, que eles foram selecionados para projetar o novo Museo de Arte Moderna y Contemporanea em Guadalajara, no México – este, encarapitado no alto de uma montanha verde, uma série de quadrados e retângulos de concreto interligados, como blocos de brinquedo, com vista deslumbrante para um vale:




http://www.saopaulocompanhiadedanca.art.br/nova_sede.php
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