4.8.11
Ferran, Achatz, Liebrandt e cia. agora resolveram fazer cinema
Post-relâmpago só pra dizer que hoje é dia de caderno Comida na Folha. O tema da minha coluna? Chefs e cinema... Ferran Adrià, cujo El Bulli foi o assunto principal do Comida, está metido em pelo menos dois filmes. Um já saiu, e chama-se El Bulli - Cooking in Progress. O outro está em produção e vai focar nos muitos estagiários que passaram pela sua cozinha (hoje, muitos se tornaram chefs premiados, como René Redzepi e Grant Achatz). Será a versão cinematográfica do livro da jornalista Lisa Abend, The Sorcerer's Apprentices. Vejam o trailer do Cooking in Progress:
E aqui, a coluna publicada no Folha Comida:
3.8.11
CT Boucherie, do chef Claude Troisgros, no Rio: churrascaria à la française

A dica não é nada nova - já dei na GQ há alguns meses - mas continua valendo: CT Boucherie, no Leblon, já foram?
O que faz um francês quando abre uma churrascaria? Troca as bombachas por uniformes très chics (boina! Avental de um ombro só!)....
Encomenda um design à la bistrô estilizado, lembrando os restaurantes novaiorquinos do Keith McNally (Pastis, Balthazar, Morandi)....
Estende um toldo listrado vermelho-e-branco na entrada e oferece suas carnes grelhadas com molhos (bordelaise, mostarda de meaux, etc.).
Só que se o francês em questão chamar-se Claude, da famosa e arquiestrelada dinastia Troisgros, a churrascaria também chacoalha alicerces.
Bem à moda desse chef brincalhão, sua CT Boucherie, no Leblon, tem um esquema doido de rodízio inverso onde o cliente escolhe a carne e os garçons circulam com n acompanhamentos, servindo sem parar.
Se o francês sabe fazer faróf, fritar batát e grelhar bíf? Oui, messieurs!
Bem à moda desse chef brincalhão, sua CT Boucherie, no Leblon, tem um esquema doido de rodízio inverso onde o cliente escolhe a carne e os garçons circulam com n acompanhamentos, servindo sem parar.
Se o francês sabe fazer faróf, fritar batát e grelhar bíf? Oui, messieurs!
E ainda rebate com uma senhora musse de chocolate....
CT Boucherie: Rua Dias Ferreira, 636, LjA, Rio, tel. (21) 2529-2329
RECEITAS PREFERIDAS DO CHEF CLAUDE TROISGROS
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2.8.11
Rodrigo Oliveira, Atala, Helena Rizzo, Thiago Castanho, Pedro Martinelli e Harold McGee no Paladar do Brasil

Chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, e Diogo dos Destemperados
Trabalhar não é exatamente minha ideia de um fim de semana gostoso, mas ao ver a agenda do evento Paladar do Brasil logo concluí que eu seria uma tonta de não ir. Vi poucas palestras, é verdade – mas o pouco que vi valeu a longa viagem até aquela lonjura de hotel Hyatt (ontem à noite o táxi de volta custou 50 reais!).
Mas vamos ao que interessa: o evento. Farei um resumo resumidíssimo.
Assisti a uma harmonização de cachaças com queijos “tipo” isso e aquilo. Queijos mezza-boca, exceto o meia-cura à direita na foto.
Cachaças ótimas, exceto a primeira que provamos, chamada Thiago Lopes, que achei agressiva demais na boca (minhas favoritas: Boazinha e Weber Haus, essa última curtida em tonéis de amburana, ou cerejeira).
O papo era conduzido pelo chef Mauricio Maia (um auto-intitulado "cachacier") e o sommelier Manoel Beato, que dispensa apresentações. Aprendi algo novo sobre cada uma das cachaças. E aprendi que cachaça boa não combina com queijos mezza-boca... :)
Vi a sempre graciosa Helena Rizzo preparar dois pratos que já pude provar no Maní, descrevendo tudo naquele sotaque gostoso dela. “Tu pode usar creme”, “Tu bate na Thermomix” e por aí vai.
Dei muita risada na aula do Rodrigo Oliveira do Mocotó em parceria com Ana Rita Suassuna, uma senhora engraçada e espirituosa que sabe tudo de Nordeste (autora do livro Gastronomia Sertaneja - Receitas que Contam Histórias). Ele, muito reverente. Ela, muito solta e carismática. O tema era o milho: fubá, cuscuz, curau, canjica, pamonha, etc. Nessa aula, serviram comidinhas que ilustravam o que iam contando, e duas cachacinhas, o que achei uma maravilha. Nada como matar a cobra e mostrar o pau, não é?
Alex Atala demonstrou uns pratos e técnicas que eu já conhecia mas que encantaram a plateia. Ele soube alinhavar muito bem um peixe e um prato e outro peixe e outro prato de modo a realçar o fio condutor de sua aula: a água. Era gelo mal-picado e água com gás em uma sobremesa, água no arroz meloso de cabeça de garoupa, e assim por diante. Mas o mais importante foi vê-lo falar desta sua fase atual, em que menos é mais. Depois de tanto correr atrás de novidades e técnicas ele hoje tem maturidade suficiente para deixar o ingrediente falar mais alto. Poucas interferências. Produto. Sabores e memórias de viagens – especialmente ao Norte - compartilhados com o cliente, no prato, sem muita tradução. Bonito, isso.
O jovem galã Thiago Castanho, de Belém, sempre com seu irmão Felipe ao lado, deu a última palestra. Falou de um peixe icônico de sua terra – o pirarucu – e trouxe um bichão de 1.52 metros para exibir ao público. Foi uma sensação.
Paraense não gosta de comer pele, couro de peixe, contou o chef do Remanso do Peixe. E, pegando emprestada uma técnica que Rodrigo Oliveira usa para fazer seu torresmo ultra aerado e sequinho, Thiago mostrou como dá para fazer algo parecido com o couro do pirarucu.
Serviu com um açaí à moda deles, bem forte. Um gosto que adquire-se e que não é para o meu bico...

Falou também de como prepará-lo: moqueado, ensopado, defumado, etc. Tudo muito bem ilustrado com vídeos da dupla em campo: à beira-rio, salgando peixe, tirando o aroma de maresia (ou pitiú, como eles dizem) com sal e limão, visitando criatório de pirarucus, etc. Para saber detalhes, recomendo fortemente a leitura do poético post do sociólogo Carlos Alberto Dória sobre essa mesma palestra, neste link.
Mas o que me marcou pra valer foi a apresentação do grande fotógrafo Pedro Martinelli.
O discurso intimista, em salinha com não mais do que vinte ouvintes (muitos, amigos dele de longa data), chegou a ser emocionante. Pedrão falou das várias mandiocas do Brasil. Mostrou um belo vídeo em que índias transformam a mandioca em tantas outras coisas, como a farinha, o xibé e a tapioca (não a que se conhece em São Paulo, algo com o mesmo nome mas bem diferente).
E, no final, fez um discurso inflamado sobre a dor que ele sente ao ver tradições antigas sendo desvalorizadas, ao notar o pouco interesse do brasileiro em conhecer a Amazônia, suas comidas, sua gente e seus problemas. Este post jamais poderia reproduzir a força do que foi dito naquela sala. Felizmente, filmei quase tudo e postarei assim que possível.

As chefs Mara Salles e Roberta Sudbrack
Além da parte séria – as palestras – adorei encontrar colegas de mundinho gastronômico que admiro, e de quem muito gosto, como o Carlos Alberto Dória, a Rita Lobo, o Ricardo Castanho do Guia 4 Rodas e a Nina Horta, pessoa deliciosa. E cumprimentar e ver ao vivo gente que só “conhecia” da Internet, como Neide Rigo e o Diogo dos Destemperados. E, claro, dar meu “olá, queridos” aos montes de chefs e restaurateurs presentes: Benny, Belarmino, Rogério, Alex, Helena, Roberta, Rodrigo, Carla, Helô, Mara, Neka, etc.
Chefs que, pela fama que têm, já dispensam sobrenome.
Achei a maior graça em ver o grande cientista Harold McGee, idolatrado por tantos chefs americanos, passar quase desapercebido pelas salas e saguões. Ele assistiu às palestras da Helena, do Alex, do Pedro e do Thiago Castanho, sempre com uma intérprete ao lado (que, logicamente, jamais poderia transmitir tudo o que era dito e mostrado).
Não resisti. No final, perguntei a ele:
“E então, valeu a pena vir de tão longe?”
“Muitíssimo!”
“Provou algum sabor novo que lhe marcou?”
“Dúzias! Levei várias coisas ao meu quarto – principalmente frutas compradas em um mercando aonde me levaram - e fui cortando pedacinhos, provando, aos poucos, no primeiro dia, no segundo, terceiro...”
“Nossa, mas então eram degustações caprichadas, com anotações cuidadosas e tudo mais?”
“Muitas anotações e fotos! Eram sabores tão novos que eu sabia que teria que experimentá-los mais de uma vez para compreendê-los.”
Boa. Assim ele pode voltar aos Estados Unidos e contar “pros colega” que não é só o Peru que tem milhares de frutas, ervas, peixes e temperos que os norte-americanos e europeus desconhecem...
1.8.11
Restaurante Aya, do Juraci, ex-Jun: primeiras impressões


Fiz o post dizendo estar curiosíssima e, na mesma noite, fui jantar lá. Fiquei meio encucada com algumas coisas. Falhas. Mas pensei: "isto aqui acabou de abrir, tenho que ser menos dura, e dar uma segunda chance". Pois voltei lá logo no dia seguinte, para almoçar. A seguir, algumas de minhas impressões deste comecinho.
Primeiro: gostei de ver que, ao contrário do Jun, o Jura faz sashimis. Pedi alguns de entrada e estavam ok. Boa a vieira do Canadá - febre em restaurantes finos de São Paulo - mas salmão, por exemplo, nota 7.

Em seguida, pedimos alguns sushis que, em aparência e modo de serem servidos, lembravam muito os do Jun. Exemplo: lula com sal negro do Havaí, muito boa, aquela textura agradavelmente rija e sedosa ao mesmo tempo.
Como no Jun, serve-se Wasabi verdadeiro, fresco. Pede-se que não se coloque o wasabi no shoyu. Muitos dos sushis já vêm pincelados de shoyu pelo próprio Jura, que, aliás, é uma simpatia.
Vieram outros na sequência, e, sem me prender a muitos detalhes, eu diria que os peixes estavam apenas satisfatórios, bonzinhos - inclusive o toro. Não sei bem porque, já que o Jura entende muito de peixe e me contou que vai pessoalmente inspecionar e comprar o produto no Ceasa. Mistério.
E o arroz.... quente demais. Ligeiramente morninho, ok. Mas eu diria que naquela noite o sushi estava uns 5 graus acima do morninho, e menos solto do que deveria. Esse tipo de detalhe é o que pega em restaurantes japoneses: o mais difícil é acertar o que parece simples. E o arroz é primordial. Trata-se do falso simples, exige maestria do sushiman.

Percebi que tinham me reconhecido quando o chef de cozinha veio trazer, de cortesia, um belo tartare de toro com azeite de ervas. Uma coisa de bom! As ervas tinham sido infusas no azeite, depois descartadas, o que ajudou a não "falarem mais alto" do que o próprio atum. Delícia!
Falando do décor, achei o espaço meio parecido com o do Jun - balcão em destaque, salão retangular. As cadeiras do balcão, de alto design, são bacanas mas super desconfortáveis e geladas... Almofadas ajudariam muito.
O espaço no térreo é menor mas em compensação há um segundo andar com mais mesas, muito bem ajeitado.

E o banheiro tem uma pia ultramoderna com uma tevê no fundo, tinha que mostrar:
No dia seguinte, voltei para provar o almoço executivo. Eles têm cinco opções: sushi e sashimi só de salmão (74 reais), sushi e sashimi mixto (78 reais), sashimi misto (76 reais), sushi misto (72 reais) e aquele que me pareceu mais interessante, o "almoço executivo com 5 pequenos pratos sugeridos pelo chef e uma sobremesa", a 68 reais. Escolhi esse último.
O que veio? Ótimo couvert de sunomono de lulas e pepino....

Hossomaki com molho adocicado; depois, um excelente atum selado na chapa com crosta de gergelim, bem temperadinho e mal-passado por dentro.... De sobremesa, figos com sorvete um tanto doce demais.
Mas, indo logo ao que interessa, o almoço incluía também uns sushis. Estavam bons - definitivamente melhores do que os da noite anterior, principalmente porque o arroz mantinha-se alguns graus de temperatura a menos. Estranhamente, o salmão, em especial, mais uma vez me desapontou. Eu almoçava com um amigo, que ao terminar seus sushis, sentenciou: "bom, mas nada demais".
Triste ter que dizê-lo, mas concordei com ele...
Aya Japanese Cuisine
Rua Pedroso de Morais, 141 (quase na Rebouças, à esquerda)
50 lugares
Tel: (11) 2373.6431
Almoço das 12:00 às 14:30 (segunda a sábado)
Jantar das 19:00 às 23:30 (segunda a sábado)
Estacionamento com manobrista/segurança
Cartão débito/crédito Visa e Mastercard e cheque
www.restauranteaya.com.br
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