Desde a primeira vez que experimentei um prato seu, em Paris, onde ele participava de um evento gastronômico, virei fã do chef James Lowe. Meses depois, em Londres, ele me serviu os ovos mais marcantes dos últimos anos - eram de gaivota, recolhidos dos ninhos nas rochas por algum alpinista maluco. Admiro, entre outras coisas, o domínio que ele tem sobre o processo de maturação da carne. Ele mesmo envelhece bifões de vacas que compra em Cornwall, na costa Sul da Inglaterra, chegando a servir a carne com mais de um mês desde o abate. Sabor denso, profundo, não para principiantes.
Até há pouco, ele tinha, com o sócio Isaac McHale (eles se auto-denominavam Young Turks) um restaurante pop-up escondido no segundo andar de um pub no East End, o Ten Bells. Uma das especialidades era justamente essa carne ultra-maturada, servida crua, como um tartare,
e por cima um farelo de pão frito na gordura da mesma vaca.
Pois os dois romperam a sociedade e James agora está para abrir um restaurante dele, estreando sua carreira solo.
O CV básico do moço: depois de passagens pelo Noma e pelo The Fat Duck ele foi head chef do St. John Bread and Wine, em Londres (do chef cult Fergus Henderson).
E enquanto isso, adivinhem: James resolveu viajar. Depois de encantar-se com o que viu e comeu no México, ele chega a São Paulo semana que vem, para cozinhar a quatro mãos com o chef Alberto Landgraf, no Epice. O jantar será dia 13 de agosto.
James disse: "Não sabemos qual será o menu. Estou super animado, será minha primeira ida ao Brasil. Combinei com o Alberto que decidiríamos juntos o que servir, depois que eu tiver uma ideia melhor dos ingredientes à nossa disposição. Adoraria incorporar uns ingredientes brasileiros, inclusive".
Se eu estivesse em São Paulo não perderia essa por nada!
Li o press release e imediatamente pensei em minha amiga "macarronólica" Constance Escobar....
Agora tem Ladurée em São Paulo, no térreo do shopping JK Iguatemi, entre Dolce & Gabanna e Louboutin. O projeto da loja brasileira segue molde de todas as lojas Ladureé.
Vendem macarons, mas também chocolates, balas, chás, geléias e velas. Tudo importado da França.
Divulgaram ontem a agenda do Mistura, um dos fóruns de gastronomia mais importantes do mundo, que acontece em Lima (aqui, a reportagem que escrevi a respeito da edição passada, na Prazeres da Mesa). Me chemaram atenção as ausências do nome do Thiago Castanho, que tinha sido anunciado como um dos palestrantes, e também do Gastón Acurio, padrinho do evento...
A quem interessar possa:
6a feira, 7 de setembro
Eneko Atxa (Espanha),
Roberta Subrack (Brasil)
Massimo Bottura (Italia)
Quique Dacosta (Espanha)
Mauro Colagreco (argentino que trabalha na França)
Sábado 8 de setembro
Iván
Kisic (Peru)
Virgilio Martinez (Peru)
Rodrigo de la Calle (Espanha)
Hajime Kasuga & Giancarlo Nazario (Peru)
Giacomo Bocchio (Peru).
Domingo 9 de setembro:
Daniel Ovadia (México)
Aurora Mazzucchelli
(Italia)
Sang Hoon Degeimbre (Coreia do Sul/ Bélgica)
Maxime Bilet (E.U.A.)
2a feira 10 de setembro:
Nelson
Méndez (Venezuela)
Pepe Solla / Xose Torres (Espanha)
José
Ramón Castillo (México)
Paco Torreblanca (Espanha).
3a feira 11 de setembro:
Eduardo Navarro (Peru)
Matias Palomo (Chile)
Giancarlo Morelli (Italia)
4a feira 12 de setembro:
Carme Ruscalleda (Espanha)
Frosted rain: imagens projetadas sobre tiras de cristal no 41 Grados, em Barcelona
Outro dia, conversando com minha amiga Marie-Claude Lortie, crítica gastronômica do jornal La Presse, de Montreal, disse a ela que nada faz mais sucesso na mídia impressa e em sites do que listas. As pessoas amam ler listas, debater listas, imprimir listas para levar em suas viagens de férias.
Ela ouviu, achou curioso e resolveu escrever no blog dela um post com a lista dos 10 restaurantes que ela sonha em conhecer. Resultado? Choveram comentários, estações de rádio chamaram-na para dar entrevista sobre a (controvertida) lista, e chefs do mundo inteiro tomaram nota do auê via Twitter. Agora, resolvi imitá-la.
41 Grados
Hoje, ao ver um vídeo recém-postado da nova encarnação do restaurante 41 Grados (que já era algo totalmente incrível, conforme mostrei, prato-a-prato, nesse post musical), resolvi que não há nada que eu queira mais, hoje, do que jantar lá de novo. O Albert Adrià reformou o espaço, transformando radicalmente o look. Do teto ele pendurou, com a ajuda de um artista multimídia, montes de tiras de cristal que servem de tela assimétrica e amorfa para uma série de imagens que projetam durante o jantar. Ao mesmo tempo, a trilha sonora acompanha o fluxo dos minipratos e das imagens, formando, em seu todo, uma experiência maluca e multisensorial que vai muito além do simples ato de comer. Este é, portanto, o número 1 na minha lista de restaurantes que sonho em conhecer (neste caso, re-conhecer). Vejam o vídeo:
Vamos aos outros 9:
2- Calima, Marbella
Há muitos anos acompanho o trabalho do chef Dani Garcia, um dos grandes talentos de sua geração. Mas ainda falta ir até Marbella provar seu menu....
3- Osteria Francescana, Modena
Massimo Bottura não chegou à terceira estrela Michelin ou ao topo do ranking dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo à toa.... Sou fã da filosofia dele, e adoro como ele insere sua sensibilidade artística no que cozinha.
4- Faviken Magasinet, Suécia
Já escrevi montes sobre o jovem Magnus Nilsson, aqui e também na Folha. Admiro enormemente o trabalho dele, e tenho fascínio pelo domínio que ele tem sobre o processo de putrefação de carnes e legumes. O rei das conservas.
5- Enoteca Pinchiori, Florença
Dos grandes clássicos, o que mais tenho vontade de conhecer. Talvez por causa dos elogios rasgados que ouço, há anos, de parentes e amigos.
6- Jiro, Tóquio
Sim, sei que o Jiro-San não é flor que se cheire. Sim, sei que custa uma fortuna comer lá, sendo que o ambiente é bem pobrinho. Mas também sei que o sushi é de virar os olhos, inesquecível. Desde que vi o trailer sobre o filme que fizeram sobre esse japonês tinhoso e seríssimo tenho curiosidade em conhecê-lo ao vivo.
7- Remanso do Bosque, Belém
A verdade verdadeira: envergonho-me de nunca ter ido a Belém. Já li tanto a respeito, já vi tantas fotos, mas, até hoje não peguei um avião até lá. Quando o dia chegar, minha primeira parada será o mercado Ver-o-Peso. E a segunda, o Remanso do Bosque, restaurante dos irmãos Thiago e Felipe Castanho.
8- Next, Chicago
Segundo restaurante do Grant Achatz, que segue um conceito genial e inédito: vendem ingresso ao invés de mandar contas para as mesas, e os menus temáticos viram o estilo da cozinha de cabeça para baixo regularmente.
9- The Bazaar, Miami
Pode ser que nem seja tão bom - sempre corre-se esse risco instalando-se em um hotel da moda, como é o SLS Miami - mas essa novíssima filial do The Bazaar de Los Angeles tem o carimbo de um dos chefs mais talentosos dos Estados Unidos, o espanhol José Andrés. Aqui, eu explico porque acho ele incrível.
10 - Bras, Laguiole
O restaurante do chef francês Michel Bras é uma peça que falta no meu repertório. Ele inspirou tantos chefs, ensinou e inovou tanto que será para sempre referência. Até para poder fazer o meu trabalho direito, acho importantíssimo ir lá e tentar entender o fascínio que ele exerce sobre seus colegas de profissão.