13.2.12

Restaurante Girarrosto do chef Paulo de Barros: primeiras fotos!


Mr. G. e a mulher dele, Lígia Martins, estão estreando hoje o Girarrosto e acabam de mandar pelo celular fotos fresquinhas.....  Divido aqui com os leitores voyeurs.


E neste link, para quem ainda não viu, o post de ontem com meu videotour do Girarrosto.








 


Av. Cidade Jardim, 60 Jardim Europa. Tel. (11) 3062-6000

12.2.12

Restaurante Girarrosto do chef Paulo de Barros, onde era o Pandoro: vídeo

O chef Paulo de Barros apresenta o padeiro-napolitano-que-não-gosta-de-ser-chamado-de-padeiro

Um bar nunca é apenas a soma das partes, balcão, chopeira, estantes cheias de garrafas, mesas e cadeiras.

Bar tem alma.

Eu hoje mal tenho tempo para perder-me nos bons bares de São Paulo - mas nem sempre foi assim.

Sinto saudades, por exemplo, de quando eu podia perder tardes no Pandoro, naquele terração envidraçado da entrada, o salão quase sempre semi-abandonado, um quê de São Paulo antigo.

Sempre que me hospedava na casa do meu pai, que mora pertinho, eu passava lá a pé. Lembro com nostalgia dos tempos em que meu irmão me ligava de lá, já no quinto cajú amigo, e me chamava pra ir encontrar ele e os amigos dele. E assim passávamos a tarde do sábado rindo e contando casos e… bebendo, claro. Pra quem não sabe, o cajú amigo é uma mistura de vódca, açúcar, caju em calda e gelo, embora a versão original fosse feita com gim. Um perigo: tem gosto de suquinho de criança e desce fácil, fácil.

Era uma farra. Uma delícia de bar à moda antiga. Até que fechou e foi comprado por um Edgard Sahyoun (jovenzinho), em sociedade com investidores portugueses e o decorador João Armentano. Desastre completo. Mataram a alma do bar.

Eis que esta semana ele ressurge das cinzas, de novo – desta vez, transformado em mega restaurantão italiano, em mãos bem mais capazes.

Não vou entrar em muitos detalhes sobre o Girarrosto, que abre nesta terça-feira: o que tinha que ser dito saiu hoje mesmo na Vejinha, em matéria do Arnaldo Lorençato, e também neste post aqui. E o resto o próprio Paulo de Barros conta - e mostra! - nesse vídeo abaixo, que fiz lá uns dias atrás, quando ele me deu um tour.

Eu estava concentrada no tour, ia carregando o iPad de qualquer jeito. Resultado: o vídeo saiu péssimo – desculpem! – mas pelo menos dá boa ideia da magnitude da “brincadeira”.

Paulo de Barros (por acaso, meu amigo de infância) é um cara confiante e seguro. E tem porque ser, mesmo – é dos maiores cases de sucesso que esta cidade já viu. Resta ver se a força do nome do chef e o trabalho de um batalhão de gente que inclui os muito capazes chefs Massimo Barletti e Ivo Lopes, darão conta de preencher os 300 lugares e mandar todos para casa felizes. Missão um tanto ambiciosa, mas que do modo como vai a cena gastronômica paulistana, tem boas chances de vingar!

Av. Cidade Jardim, 60 Jardim Europa. Tel. (11) 3062-6000







Para quem recebe boletins deste blog via email e, portanto, não consegue ver o vídeo, clique aqui para vê-lo no YouTube.


E mais Paulo de Barros no Boa Vida:
Inaugurações de restaurantes em São Paulo a mil: coluna no caderno COMIDA da FOLHA
Italy, o restaurante de massas e antipasti de Paulo de Barros na Rua Oscar Freire

10.2.12

Chef José Andrés, do Bazaar e Minibar: o meu favorito nos Estados Unidos

chef José Andrés  Foto: Divulgação


Esses dias minha amiga Mariella me perguntou de chefs americanos. Falamos um pouco daqueles de sempre: Keller, Achatz, Chang.

Mas a verdade verdadeira é que para mim, na hora de comer muitíssimo bem, eu penso de cara no José Andrés. Esse americano de adoção, que fala um inglês com sotaque espanhol fortíssimo, é, acima de tudo, um showman que adora aparecer e fazer TV. Mas Deusdocéu, como cozinha este homem!
 
Mesmo tendo chegado nos States como imigrante, ele miraculosamente construiu brilhante carreira sem ser descoberto pelo resto do mundo – até há pouco.

Eu nunca entendi muito bem porque o nome dele não tinha “caído” no mainstream, já que para mim Andrés é simplesmente o chef mais talentoso trabalhando hoje nos Estados Unidos. O mini restaurante que o alçou à fama, o Minibar, é exatamente o que o nome indica: um mini bar com seis banquetas.



Atrás do balcão, dois chef passam três horas cortando, injetando, misturando, esquentando. E a cada cinco minutos, pumba! Depositam um pratinho na frente de cada cliente. Tudo muito estranho, no bom sentido, e o mais importante: delicioso. Já experimentei muitos menus degustação, mas poucos assim, com 26 coisinhas diferentes, todas de comer de joelhos – talvez meu melhor jantar EVER nos Estados Unidos!

Quando estive lá o Minibar ocupava um cantinho no segundo andar de um outro restaurante, bem maior, chamado Café Atlantico,  um esquema meio esquisito, pra ser sincera. Mas embora se escondesse dentro de outro restaurante, e não fosse super conhecido, fazia um sucesso tremendo entre foodies. Com razão: era uma experiência tão incrível quanto um jantar no famoso El Bulli do chef Ferran Adrià, na Espanha, mas custava bem menos e era mais acessível pra quem mora nos Estados Unidos.

America Eats Tavern, em foto tirada do site do José Andrés


Sobre o Café Atlantico: ele hoje virou outra coisa, mais interessante. Em 2010 e 2011 Andrés mergulhou em estudos sobre o que comiam os americanos em décadas passadas. A instituição National Archives o nomeou “chief culinary advisor” da mostra “What’s Cooking, Uncle Sam”, que analisa hábitos alimentares ao longo da história dos Estados Unidos. Retribuiu o gesto abrindo dia 4 de julho de 2011 um restaurante pop-up no espaço antes ocupado pelo Café Atlantico, que durará mais algum tempinho e revisita pratos americanos de diferentes eras, chamado America Eats Tavern
 
 
É no mínimo curioso ver um chef espanhol alinhado com a vanguarda de Ferran Adrià do hoje fechado El Bulli (seu mentor) recriando ostras Rockefeller, sopa New England Clam Chowder e outras receitas típicas de sua terra adotiva...


Voltando ao Minibar, quando fiz a reserva lá, muitos achavam que eu tinha enlouquecido. Minha única noite livre em Washington, e eu tinha escolhido jantar sozinha em um balcãozinho sei-lá-qual?! Pois sim.

Meu banquete solitário começou com uma “caipirinha nitro” servida em taça de martini e soltando fumaça, e terminou com uma bala de açafrão cujo papel era comestível. Comi como uma rainha. Meu prato favorito? Um tal de “zuchini em texturas”, uma espécie de sopinha de sementes de abobrinha estranhamente deliciosa (o chef contou que eles tiram as sementinhas a mão, uma por uma). Estive no Minibar há um bom tempo, mas mesmo assim acho que as fotos ainda são fieis ao que ele é capaz de fazer.... Vejam:




Macarron de bolo de cenoura, no alto, e chocolate aerado

Desde esse jantar, Andrés expandiu para Los Angeles. Foi convidado a abrir um restaurante no badalado hotel SLS de Sammy Nazarian. Nazarian é dono e C.E.O. do grupo SBE, abreviação de “Sammy Boy Entertainment”, que engloba vários hotéis e restaurantes hypados nas duas costas dos Estados Unidos. Para decorar o SLS ele escalou o celeb-designer Philippe Starck e o resultado ficou uma coisa assim.... starckiana, bem doida.

 Andrés abriou no SLS o restaurante The Bazaar, que simplesmente revolucionou a cena gastronômica de L.A. (só pra provocar, uma cidade que sempre esteve para Nova York como Rio para São Paulo, em termos de gastronomia). Vejam o que escrevi sobre isso na revista WISH (clicando nas imagens elas aparecem full size e dá pra ler direitinho): 



Em poucos meses, o Bazaar recebeu cotação máxima de quatro estrelas do jornal The Los Angeles Times e foi aclamado o melhor da cidade (cliquem aqui para ler a crítica na íntegra).

No Bazaar servem algumas das especialidades de Andrés, como o algodão doce com foie gras no miolo, “caipirinha” sólida, feita com nitrogênio líquido, e bala embrulhada em papel comestível. O mais divertido:  o restaurante é um dois em um. No Rojo, o menu tem tapas tradicionais. No Blanco, o menu solta as rédeas e viaja longe (que tal uma colherada de “azeitona líquida”?). No bar Centro, escuro e sedutor, circula um carrinho de caviar. E por todo lado, bizarrices saídas da fértil imaginação de Starck, como uma poltrona de pelúcia rosa-vovó e candelabros deliberadamente desengonçados e tortos dão ao lugar um ar lúdico, meio Alice no País das Maravilhas. Imperdível.



South La Cienega Boulevard, 465, Los Angeles, tel. (1-310) 246-5555

Tamanho foi o sucesso do Bazaar que pouco depois de inaugurado elegeram o chef Man of the Year na revista GQ. E o Bazaar foi escolhido o Restaurant of the Year pela Esquire. E Andrés eleito o chef do ano de 2011 pela fundação James Beard. UFA!

Andrés, hoje muito mais famoso e fortalecido do que quando jantei no Minibar, abriu até dois restaurantes em Las Vegas. O primeiro é uma filial do Jaleo, restaurante informal de tapas espanholas que Andrés abriu em Washington em 1993.

O segundo restaurante, o China Poblano, serve cozinha inventiva. Segundo o press release, o menu faz uma releitura “andresiana” das cozinhas chinesa e mexicana. Hãn? Ambos fazem parte do novo hotel e cassino The Cosmopolitan of Las Vegas (2.995 quartos, três piscinas, duas torres de 50 andares!)

Enfim, Mari, aqui tens: José Andres is the man!



E mais José Andrés:

Restaurante Bazaar no You Tube
José Andrés no programa 60 Minutes

9.2.12

Oryza: simpático restaurante focado em arroz, em Higienópolis


Faz tempo que estou para contar, aqui, do meu loooooongo almoço no Oryza meses atrás. É um simpático restaurantinho em Higienópolis.Tijolinhos brancos, arte do grafiteiro Finok estampada nas paredes... gostei. Climinha bom.



O nome, Oryza, vem de arroz, em latim. 
Ideia sacada dos dois proprietários, os chefs Daniela Amendola e Marcio Silva: fazer um menu com arroz em tudo. Ou... quase tudo. 


Pra não virar um tédio repetitivo, eles usam uns truques. Primeiro, variam bastante o tipo de arroz. Segundo, usam o cereal em várias formas. Aqui, em forma de papel, ali, o grão inteiro e soltinho, acolá, um risotão bem meloso, à espanhola, e assim por diante.

Eu comi muito bem. Gostei de quase tudo, embora alguns pratos dêem uma derrapadinha...


Interessante ideia de servir, com o pão, manteiga noisette ao invés da comum....



Rolinho vietnamita (ou seja: enrolado em papel de arroz). Bonzinho. Mas para quem conhece o da Carla Pernambuco, esse fica um ponto abaixo...


Suppli. Fritura sequinha, não tem como não ser boa. Dentro, arroz, queijo, gostosuras.



Ostras com coisinhas por cima. Cada uma com um sabor, inclusive uma espuma de coco. Sou chata com ostras, mal-acostumada, e prefiro aquelas menores, de concha mais funda, como as Kumamotos. Mas não tem no Brasil, ok.... De todo modo, não sei se a pobre ostra carecia daquilo tudo, não "ornou" como deveria....



Nessa salada de beterraba com sorvete de queijo de cabra não vi arroz. Mas era bem boa...


Aí chegou esse pratinho, que elevou o nível alguns degraus. Lindo! Delicioso! Moderno! Balanceado! Era um bacalhau mantecato (sal um ponto a mais...) com coulis de pimentão, azeite em pó e, só pra dizer que tinha arroz, um crocante de arroz negro enfeitando... Impressionou.

Outro sem arroz: terrine de fígado de galinha sobre polenta, com cogumelos. Sabores potentes, para paladares corajosos. Gostei.


Mas este risoto negro de tinta de lula, com uns nacos da bichinha na lateral do prato, ganhou. Foi o ponto alto do menu, sem dúvida. Muito alho, muito saboroso, muito cremoso. Nham.



Outro minimalismo bem sucedido, esse atum foi frito na frigideira envolto em crosta de arroz negro pulverizado. Combinou bem com o purê de edamame.

Aí de repente fomos parar em Portugal: arroz de pato, com lingüiça portuguesa, coxa de pato confitada e, para estourar a boca do balão, raspas de foie gras congelado por cima. Muito bom, mas, obviamente, meio pesadinho...

Preferi esse aqui, o arroz carreteiro com um ovão por cima, de gema mole. E umas pipocas na lateral. Comfort food brazuca.

Riz au lait com caramelo salgado. Sabores que casam muito bem. Poderia ser um pouquinho menos líquido...


E pra terminar, "sushi" de frutas. Lindo, sim. Mas achei que parecia sobremesa criada para chamar a atenção. O porquê da birra? O arroz. Levava coco, e estava solidamente grudado, pesado demais, não lembrava em nada um arroz de sushi. A ideia até poderia funcionar, se a receita do arroz fosse mudada para algo mais à japonesa.


Antes tarde do que nunca, mesmo que o menu já tenha mudado, fica a dica....


Oryza: Rua Mato Grosso, 450, Higienópolis, tel. 3151-4463




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