21.8.12
Chef Alex Atala no TEDx Campos: vídeo da palestra
Mais Alex Atala, hoje no blog... É que queria dividir com vocês esse vídeo que soltaram ontem: a palestra que ele deu em junho no TEDx em Campos do Jordão, na íntegra.
20.8.12
Restaurantes de São Paulo no Eater e na Travel + Leisure
Nunca me pediram tantas recomendações de restaurantes em São Paulo. Os pedidos chegam via Twitter, quase sempre: uma ora, é um dono de um café escandinavo, na outra, um chef inglês, e por aí vai. Outro dia, o pedido veio do Gabe Ulla, do blog Eater. Respondi e, três horas depois, minhas dicas tinham ido parar online...
Impressão minha ou tem cada vez mais gringos indo comer em São Paulo?
Que o interesse aumentou, isso é certo. Hoje, por exemplo, dei uma olhada na matéria sobre São Paulo publicada pela revista americana Travel + Leisure. No geral, achei ok, embora dê para ver que foi escrita por uma gringa que pediu dicas às pessoas certas.
Ela chama a galerista Raquel Arnaud de "newcomer" e diz que no restaurante Fasano "the creative set gathers" (!!!!). Creative set no Fasano?!
Estão também péssimas as descrições de alguns dos pratos: mocofava virou "cow-hoof soup with sausage", enquanto o pastel de bacalhau da Praça Benedito Calixto foi traduzido como "light and crisp codfish turnover". Sim, sim, tão "light" quanto um torresminho.... :)
Enfim: o importante é ver que São Paulo está virando um destino turístico de peso, em boa parte por causa da curiosidade em torno de sua gastronomia e seus chefs de talento. E isso me faz feliz.
Chef Abraham García do Viridiana, em Madri, cozinhará no Eñe esta semana
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Chef Abraham Garcia, do Viridiana, em Madri |
Como toda pessoa viciada em Twitter, Instagram e quetais, tenho muitos amigos virtuais. Gente que, como eu, não se cansa de falar de comidas e vinhos. Ao longo dos anos, vou conhecendo melhor essas pessoas, às vezes até nos encontramos "de verdade", no mundo real, e nos tornamos amigos.
É o caso de dois grandes conhecedores de gastronomia e vinhos espanhois, o Victor de la Serna (@VictordelaSerna) e o Pedro Espinosa (@espilva). Trocamos impressões de restaurantes e chefs há muitos anos e ao longo desse tempo tornei-me admiradora de ambos.
Pois eles dois me escreveram no Twitter perguntando se eu estava sabendo que o chef Abraham García está no Brasil.
Primeiro: não sabia. Segundo: por algum motivo, esse chef nunca tinha me chamado a atenção, nem o restaurante dele, Viridiana, em Madri. Mas, se eles estavam me alertando para a importância da ida do chef García a São Paulo e ao Rio, achei que convinha pesquisar.
Fui direto ao site do crítico gastronômico espanhol Carlos Maribona, em quem confio muito. O Viridiana, na opinião dele, é o 11o melhor restaurante de Madri. Diz ele:
"Nem sempre se trata Abraham García com justiça. Os "modernos" acusam-no de antigo, esquecendo quem foi o primeiro a levar a Madri a genuína cozinha fusion. Apesar disso ele segue em frente, com uma cozinha pessoal e autêntica, às vezes bem contundente, que é reflexo de sua exultante forma de ser e que, como ele próprio, não pode deixar ninguém indiferente."
Nada como um bom crítico para resumir em quatro linhas um homem e seu estilo de cozinhar.
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Guacamole de manga com vieiras defumadas, na chapa, um dos pratos que Abraham García servirá no Eñe |
Pois então: a quem interessar possa, Garcia cozinhará amanhã e quarta-feira no Eñe paulistano, e quinta-feira (23 de agosto) no Eñe carioca. Reproduzo abaixo o menu, em espanhol (a tradução no press release em português está bem ruinzinha....)
Gazpacho de fresas con arenques del Báltico marinados
Guacamole de mango con vieiras ahumadas a la plancha
Lomo de pez espada con “papas aliñás” al buen gusto andaluz
Rabo de toro estofado al amontillado (trigo salteado al azafrán con uvas pasas silvestres)
Arroz con leche al lemon grass con un toque de chocolate amargo y habas de tonka
Helado de roscón de reyes a la flor de naranjo (roscón de reyes é um pão doce em forma de rosca tradicionalmente feito no dia de reis, e na Páscoa, enfeitado com lascas de amêndoas e frutas cristalizadas, e que nesse caso terá um toque de flor de laranjeira e servirá de ingrediente principal em um sorvete).
Menu degustação Abraham Garcia
21 e 22 de agosto de 2012
Restaurante eñe São Paulo
R. Doutor Mario Ferraz, 213, Jardins, São Paulo
Tel. 11 3816 4333
23 de agosto de 2012
Restaurante eñe Rio de Janeiro
Av. Prefeito Mendes de Moraes, 222, São Conrado, Rio de Janeiro
Tel. 21 3322 6561
www.enerestaurante.com.br
15.8.12
Dabbous, Koya, etc: os melhores restaurantes de Londres
Já disse isso na Folha e em outros lugares, mas repito: Londres, hoje, é uma das melhores cidades do mundo para quem gosta de comer bem. Cada vez mais multiétnica, a mistura de povos reflete-se no mix de restaurantes: come-se maravilhosamente bem em todas as línguas e tribos. Há desde udons (macarrões japoneses) esplêndidos no Koya, a curries melhores do que os servidos em Mumbai; de alta gastronomia super descompromissada servida em pérolas como o Dabbous a lugarzinhos ultra-casuais dando show de perfeccionismo (o Albion é um). O fio condutor que os une: reverência quase religiosa ao ingrediente de primeira, de preferência inglês, e servido sem disfarces.
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restaurante CUT, especializado em carnes, do celeb-chef Wolfgang Puck |
Nesta minha última ida a Londres, quase não tive decepções. O único lugar que experimentei e não gostei muito foi a "churrascaria" chique do Wolfgang Puck, chamada CUT. Comida boa mas caríssima, climinha estranho, de lugar onde só vai gente em expense account. Metido a besta, em suma. Também não sairia da rota para comer o brunch do Bistrothèque que achei muito normalzinho para justificar o longo trajeto de táxi.
Mas outros todos onde fui comer estavam ótimos. E um disclaimer: o título diz "os melhores restaurantes de Londres", mas na verdade, são "os melhores restaurantes da viagem". :)
Vejam a seguir a lista:
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restaurante Dabbous |
Dabbous
Este foi o que mais me impressionou.
Há muitos anos não se via um new kid on the block ascender assim, meteoricamente, em Londres. Ollie Dabbous, depois de chegar ao posto de chef no famoso restaurante Le Manoir Aux Quat'Saisons e passar por curtos estágios em outros restaurantes renomados, como o Noma, em Copenhague, juntou dinheiro de parentes e sócios e abriu o Dabbous sem esperar que emplacasse. Em meras duas semanas, recebeu a primeira de uma série de críticas entusiasmadamente positivas e viu-se com o melhor problema que um chef pode ter: telefone tocando sem parar e inbox entupida de emails. A dura batalha por uma mesa vale a pena: o chef consegue extrair o máximo de sabor do mínimo de ingredientes. Sim, um cozido de perna de vitela com spelt (um cereal) e salsão é muito mais do que a soma de três elementos potencialmente sem-graça. Cebola grelhada com sour cream, beterraba e talos de agrião, idem. “Acredito em simplicidade restrita e clean. Quero um prato que tenha um fator-uau mas pareça fácil, e não tenha cara de comida de chef".
39 Whitfield Street, tel. +44 20 7323-1544
Hedone
Não há como não avisar antes: este restaurante fica muito fora de mão, no extremo oeste de Londres. O consolo: vale as 30 libras da corrida de táxi. A embalagem – um décor singelo, quase sem-graça – esconde um recheio recompensador. A comida, além de excelente, custa relativamente pouco, com um menu-degustação de sete pratos custando L 75 e o almoço com entrada, prato e sobremesa, meros L 30. Espere sabores puros de ingredientes ingleses da melhor qualidade: o chef-proprietário, um ex-blogueiro sueco, busca obssessivamente o mais fresco e mais autêntico produto de seu terroir de adoção, de ovos de pato com gema gigante à incrível arraia de Cornuália que frita na manteiga.
301-303 Chiswick High Road, tel. +44 20 8747-0377
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Udon do restaurante Koya: delícia! |
Koya
Melhor do que pedir dica ao primeiro taxista é perguntar a um bom chef onde ele gosta de comer nas noites de folga. Quando vários deles dão a mesma resposta – Koya, o japonês no bairro do Soho – é porque o lugar merece ser levado a sério. Não pelo ambiente, completamente despido de luxos e formalidades, quase espartano, mas sim pela comida, restauradora no melhor sentido da palavra. Os udons (grossos macarrões japoneses) podem ser pedidos frios ou quentes, nadando em saboroso caldo com perfume de peixe, com ou sem ovo cozido, tofu frito, nacos de carne de porco e outras gostosuras. Bebe-se chá, compartem-se mesas e o melhor: gasta-se pouco.
49 Frith Street, tel. +44
St. John
Há anos este é o templo inglês da gastronomia nose-to-tail (fuça ao rabo), em que aproveita-se cada parte do bicho sacrificado. Reverenciado por chefs e críticos, o audaz (e doidinho) chef Fergus Henderson serve em um espaço todo branco pratos sui generis (tutano com salada de salsinha está entre os carros-chefes), em pratos sem enfeites nem firulas. Escondido em ruazinha pacata perto do mercadão de carnes do East End, o St.John é para iniciados e fãs resolutos de miúdos e carnes em cortes incomuns.
26 St. John Street tel. +44 20 3301 8069
Upstairs at the Ten Bells
Se o nome estranha, o lugar pode espantar os incautos. Chega-se a esse novíssimo restaurante pop-up ao lado do mercado Spittalfields, no East End, atravessando um ruidoso pub e subindo escadaria estreita, nos fundos do salão. Depara-se com uma sala antiguinha e escurinha, com velas nas mesas, cujo foco do décor é um óleo humorosamente homoerótico. O que os jovens chefs Giorgio Ravelli (ex-The Ledbury) e Isaac McHale fazem de especial? Seguem o mantra produto, produto, produto. Carne de vaca maturada a seco por períodos obscenamente longos (até 66 dias); ovo de faisão com pepino em conserva; perna de cordeiro com anchova e batata. A Inglaterra no prato, em ambiente para lá de cool.
84 Commercial Street, tel. +44 7530492986, sem site
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Albion Café: bonitinho e NADA ordinário! |
Albion
Por mais luxuoso que seja um hotel, nunca se pode esperar que sirva ovos mexidos devidamente cremosos ou croissants que se esfarelam na primeira mordida. Café da manhã perfeito é verdadeira raridade e o Albion, no hotel The Boundary, passa na prova com louvor. Servindo salmão defumado de fazer virar os olhos, baguetes esplêndidas, a melhor Danish de Londres (massa folhada com creme e frutas) e geleias artesanais, esse mixto de café e boulangerie atrai não-hóspedes de toda a cidade, formando longas filas nos fins de semana. Também servem almoço e jantar, com a mesma pegada apresentação-simples-e-execução-impecável. Além de comes e bebes impecáveis, o Albion ainda tem uma clientela descolada e ambientação ultracool, já que o dono é ninguém menos que o sir Terence Conran, dos maiores nomes do design inglês.
2-4 Boundary Street, tel. +44 20 7729 1051
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Amuse bouches do The Ledbury |
The Ledbury
Logo que o primeiro amuse-bouche chega à mesa já se começa a ver como é que o belo restaurante em bairro fora do circuito conseguiu galgar este ano 20 posições no mais importante ranking que há, o The World’s 50 Best Restaurants, ficando em 14o. A exímia beleza de cada bocado que se leva à boca não passa da primeira metade da alegria: a outra está na maestria de combinações e cocções. Ostra empanada com dill? Deliciosa. Filé e costela de vaca inglesa cozidos lentamente, com cebola defumada? Sublime. Soufflé de maracujá no qual mergulham, à mesa, bolota de sorvete de vinho Sauternes? Fora de série. Isso sem falar no serviço impecável e no lindo salão com vista para charmosa rua de sobrados e árvores frondosas. Perfection.
127 Ledbury Road, tel: +44 20 7792-9090
Roka
Um ótimo japonês especializado em robatas, no Soho. Não é novo mas mesmo assim vive cheio e badalado. Mais uma vez, comi maravilhosamente. Dos mesmos donos do Zuma, outro que está na lista dos melhores restaurantes de Londres.
37 Charlotte Street, tel: +44 20 7580-6464
The Corner Room
Nuno Mendes está entre os três chefs de língua portuguesa mais influentes no mundo, mesmo se pouco conhecido pelos brasileiros. Vive há muitos anos no East End de Londres, onde conquistou fama e estrelas com seu restaurante de cozinha experimental Viajante (que de portuga só tem o nome). Há pouco, abriu um segundo restaurante no mesmo endereço – o hotel Town Hall – chamado The Corner Room. Simpático e mais acessível que o irmão maior, tornou-se rapidamente ponto de encontro de gourmets aventureiros. Salmão com aspargos; beterraba com salmão curado e migas de pão: Mendes casa bestsellers nos pratos, mas sempre com algum twist e em apresentações delicadas e belas que gritam alta cozinha. Os preços, entretanto, são 100% bistrô: no almoço, o menu fixo incluindo entrada, prato e sobremesa sai por L 21.
Patriot Square, Bethnal Green, tel. (44-20) 7871-0461
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