31.5.12

Chef Daniel Humm comanda restaurante no NoMAD, novo hotel ultracool em Nova York





Vida de jornalista é bem menos glam e fácil do que parece. Pautas caem na última hora, fotos encomendadas saem péssimas.... faz parte.

Mas tem vezes que tudo dá certo e uma matéria sai lindona, com fotos matadoras e bem na hora certa. Foi o caso desta aqui, do qual estou super orgulhosa, publicada na CASA VOGUE deste mês. Como a dica é boa para vocês leitores gulosos, resolvi repicar aqui também... (Clicando nas imagens elas aparecem maiores).

Mesmo antes de sua inauguração, em fevereiro, o hotel NoMad, instalado em  grandioso prédio de estilo Beaux-Arts, já causava frisson como há muito não se via em Nova York. Mal receberam os primeiros hóspedes e os interiores já eram aclamados como a obra-prima em solo americano do decorador francês Jacques Garcia, famoso pelos salões “boudoir chic” que criou no Hotel Costes, em Paris. Escancaradamente francês e vintage, ao mesmo tempo luxuoso e acolhedor, o décor do NoMad lhe empresta um quê de icônico, como se estivesse ali há mais de século.

   O Sydell Group, dono do NoMad (mesmo nome do bairro, abreviação de North of Madison Park), não economizou. Os quartos têm banheiras de ferro fundido esmaltado, tapetes persas, assoalho de madeira reciclada, biombos com brocados e camas king size com cabeceiras de couro e edredons de pluma de ganso. Não parecem-se, entretanto, com clássicos aposentos cinco-estrelas. O look elegante-relaxado inspira-se no apartamento parisiense onde Garcia passou a juventude, com móveis propositamente descombinados que transmitem um ar de casa particular.   

 Assim como no hypadíssimo Ace Hotel, a uma quadra dali (e dos mesmos proprietários), o NoMad tem salões convidativos, com muito vai-e-vem de gente bacana e climinha de festa. A diferença? O que o primeiro tem de descolado e rock’n’roll, o segundo tem de opulento e romântico. No NoMad, uma sala com seis mesas e poltronas ricamente estofadas tem como peça-central antiga lareira de mármore trazida de um château francês. Na deslumbrante biblioteca de pé-direito duplo, com paredes forradas de estantes de livros escolhidos a dedo belo bibliófilo Thatcher Wine, servem-se pâtisseries e café.

    Bar e restaurante integram-se perfeitamente às outras áreas públicas. Ali quem manda é um duo de respeito: Daniel Humm e Will Guidara, chef e gerente do restaurante Eleven Madison Park, respectivamente. No bar, um balcão de mogno estende-se de uma parede a outra, e milhares de garrafas idênticas alinhadas em estantes servem de pano de fundo. Na sala de jantar uma cozinha aberta quebra a formalidade das cortinas pesadas, do lambris de mogno e do carpete vermelho-vinho. Servem o café da manhã em um terceiro espaço, um luminoso átrio com poltronas de couro e piso de pedra.

   “Quando hóspedes descem pela manhã sentem o cheiro do pão saindo do forno. E quanto chegam à tarde pode haver uma galinha sendo assada. Já vimos muitos restaurantes de hotel estéreis, onde você sente que está comendo em um lobby”, diz Guidara. Eis aí o segredo do NoMad: entremear o luxo com toques caseiros que fazem as pessoas se sentirem acolhidas. “Desenho ambientes em que eu gostaria de passar meu tempo. Detesto má iluminação ou música alta às 8 da noite. Procuro sempre criar uma atmosfera onde políticos, celebridades e escritores podem interagir, porque se sentem bem ali”, diz Garcia. A julgar pelo zunzunzum dos salões cheios de bacanas, missão cumprida.



NoMad: 1170 Broadway, tel. +1 212 796-1500, diárias a partir de US$ 395, por tempo limitado

E mais fotos do NoMad no site da CASA VOGUE 

E mais sobre Daniel Humm e o novo restaurante:

A cotação máxima de três estrelas no Guia Michelin é o olimpo que todo chef sonha em atingir. Este ano Daniel Humm tornou-se um dos sete que detêm a distinção em Nova York, com seu restaurante Eleven Madison Park (um dos mais belos da cidade).

Agora, no NoMAD é possível ter um gostinho da cozinha de Humm em clima informal. Enquanto no Eleven Madison só há menus-degustação, no NoMad pode-se pedir à la carte. O carro-chefe: frango assado com trufas negras e foie gras e crosta de brioche, para dois.  


29.5.12

Shin Zushi: sushis imbatíveis feitos por sushiman recém-chegado do Japão

À esq., Egashira Keisuke, sushiman top-de-linha

Desde que pus os pés em São Paulo, duas semanas atrás, já fui comer em um sem fim de restaurantes, uns melhores outros piores. Mas nenhum deixou um carimbo mais forte na memória do que o Shin Zushi, onde jantei no sábado.

Nada menos que fenomenal, me levando a concluir que, atualmente, tecnicamente falando, não há sushi melhor na cidade (por mais que eu adore o Jun e o Kinoshita).

Que arroz, Deusdoceu! Que atum, Deusdoceu!

Sentei-me no balcão (óbvio) e disse que só queria crus. Faltava peixe: tinham recebido muito mais clientes do que o esperado, me contaram. Por isso, tinha acabado quase tudo, da cavalinha ao buri (ou olho-de-boi, meu peixe favorito).

Eis aí o mais curioso: mesmo se virando só com lula, atum, uni (ouriço), ovas (in natura e secas/prensadas) e pargo, o novo (e craquíssimo) sushiman Keisuke Egashira, recém-chegado do Japão, deu um verdadeiro show. O sushiman principal do Shin, Ken Mizumoto (outro fera) teve que ficar traduzindo para nós, já que Keisuke mal fala português - mas valeu o esforço...

atum do Shin Zushi: dá de dez no bluefin que anda sendo
vendido a preço de ouro em outros japoneses


O atum (bachi, jamais kihada) estava melhor do que qualquer outro que já provei em São Paulo. E olhem que pude prová-lo de vários modos: em niguiri, em niguiri de sua barriga (toro), em sashimi, depois... raspado com colher e servido com finos pedacinhos de ciboulette.

O mesmo atum, raspado com colher e servido com ciboulette


O pargo veio em tiras, com raspas de "bottarga" de tainha. Também ótimo.


pargo com raspas de ovas secas


O golpe de misericórdia foi um "misturado" de lula em tiras, uni e ovas: espetacular!

Lula, ovas, uni

O único ponto menos alto, o camarão (também em sushi) me pareceu um pouco passado do ponto...

camarão

De ruim, no Shin, só mesmo o preço: mesmo valendo cada real cobrado, a conta foi ardidíssima. 


Shin Zushi: Rua Afonso De Freitas, 169, Tel.: (011) 3889-8700

ovas de salmão

E outros restaurantes japoneses ótimos de São Paulo, aqui no Boa Vida:

27.5.12

Visconde de Mauá: chef Mônica Rangel do restaurante Gosto com Gosto preside a nova Associação Brasil à Mesa


Os chefs Alex Atala, Mônica Rangel e Rodrigo Martins, no Gosto com Gosto

Quem me segue pelas mídias sociais já sabe que passei o último fim de semana em Visconde de Mauá, onde fui prestigiar a fundação oficial da Associação Brasil à Mesa, com direito à presença do assessor da presidência da Embratur, André Vilaron,  assembleia de membros-fundadores,  eleição da diretoria e assinatura do Estatudo. Nada mais natural que decidissem que a presidente seria Mônica Rangel, do restaurante Gosto com Gosto, a madrinha da história. Na vice-presidência, o carismático Wanderson Medeiros, do restaurante Picuí (esse garoto vai longe, querem apostar?)

Vocês podem perguntar: "E daí? E nós com isso?"

Pois acho que todo mundo que tenha algum interesse por gastronomia deveria estar a par do surgimento - agora oficial - dessa Associação. Não é à toa que quinze chefs de onze estados se arrastaram até a cidadezinha serrana (entre eles Alex Atala, Daniela Martins - Lá em Casa/PA; Flavia Quaresma – /RJ; Joca Pontes - Ponte Nova/PE; Rodrigo Martins – Vino/SP e Tereza Paim - Terreiro Bahia/BA).

Se foram até lá tantos, e de tão longe, é porque nitidamente começa a pegar embalo a briga de muitos chefs pela valorização, por parte do governo, da gastronomia do Brasil. Em termos práticos, eles querem democratizar a gastronomia, e que ela seja vista como a peça importante que é da nossa cultura. Querem que se conheça mais sobre nossas diferentes cozinhas regionais e os mil e um ingredientes desconhecidos e pouco valorizados. E que o governo apoie, lá fora, como faz o Peru, ações de divulgação, em eventos de gastronomia e/ou turismo.

Eu resumi tudo resumidíssimo, claro, mas o fato é que os objetivos são nobres, e a turma envolvida, muito boa. Que a associação tenha longa vida e renda frutos: o Brasil só tem a ganhar.

Júri do Concurso Gastronômico de Visconde de Mauá: e haja pinhão!
No júri: Roberta Malta, Alex Atala, Josimar Melo e esta que vos escreve...
Foto: Mônica Rangel

 
P.S.1 Não posso deixar de citar o concurso do melhor prato feito com pinhão, este ano em sua 20a edição. Nós, os jurados, sentamo-nos em longa mesa no palco, sob holofotes, e fomos dando notas às criações dos chefs e confeiteiros locais. Não posso dizer que estivesse tudo gostoso, mas achei comovente o empenho dos concorrentes e o entusiasmo de todos os envolvidos. Se mais cidades brasileiras tivessem concursos como esse, focando em um ingrediente típico, conheceríamos muito melhor os nossos quintais, os nossos terroirs. Neste link, mais sobre o concurso, em matéria da jornalista Roberta Malta, com várias fotos.

P.S.2  Mais sobre o movimento Brasil à Mesa no Boa Vida, neste link.

P.S.3  - Nada como um lugar belíssimo para tornar o trabalho gostoso. Eu tinha me esquecido o quão bela é aquela serra, com cheirinho bom de pinheiros e mato, cavalos pastando à beira da estrada e comidinha de fogão a lenha. Um deleite....
















24.5.12

50 Melhores Restaurantes: a lista que muitos amam odiar



Já fazem duas semanas que foram anunciados os eleitos do importante ranking "The World's 50 Best Restaurants" mas o bafafá continua. Em conversa com chefs e uma amiga carioca o assunto voltou à tona. Outra amiga me pergunta minha opinião, para uma matéria que está escrevendo sobre o tema.

Sendo assim, achei que viria a calhar postar aqui a versão original (e mais longa) da coluna que escrevi para a Folha falando disso... Lá vai:

São mesmo os 50 melhores do mundo?


   Fui comer no Mugaritz, famoso restaurante do chef Andoni Aduriz em San Sebastian, na Espanha, número 3 no ranking Os 50 Melhores Restaurantes do Mundo. Não gostei. Mês passado jantei no nono colocado, o Le Chateaubriand, em Paris. Trata-se de um bistrô dos mais barulhentos, com serviço apressado, mesas espremidas e comida ótima - mas não espetacular. 

   Diante disso, poderia juntar-me às crescentes multidões que acusam de injusta e fajuta a lista dos “50 Best”, cuja edição 2012 será anunciada no próximo dia 30 em Londres.  Lista que hoje em dia tem o poder de lotar os restaurantes altamente cotados, mais venerada por chefs até do que o Guia Michelin. Ao invés disso, pergunto: existe algum ranking 100% objetivo ou exato? Dá para elaborar regras e critérios que pareçam corretos para todos? Confia-se no Michelin cegamente? Claro que não.

    Já disse muito e repito: o ranking dos 50 Best deve ser visto não como uma declaração absoluta de que tal restaurante é melhor do que tal. Compilado a partir dos votos de mais de 700 chefs, restaurateurs, gourmands e críticos gastronômicos (entre os quais me incluo), define apenas quem está em alta – e digo isso no bom sentido.  Uso-o como utilíssimo retrato de quais restaurantes mereceram, no último ano, mais atenção e elogios dos especialistas.

      A lista está aí para ficar e tem um poder monstruoso. Grant Achatz, do Alinea, em Chicago, conta: “Em maio de 2010 fui a Londres para a premiação. Alinea subiu para a sétima posição no ranking, mas ainda por cima foi nomeado o Melhor Restaurante na América do Norte. (...) Pessoas ligavam no restaurante dizendo que nosso site tinha saído do ar. Meu sócio me mandou um texto em Londres: ‘Servidores caíram. Cinquenta mil pedidos de reservas na última hora! Telefones não param de tocar’ ”.

    Aos que estão no business, digo: ao invés de remarem contra a maré em vão, mexam-se. Apresentem-se em fóruns lá fora, recebam estrangeiros como chefs-convidados, apareçam na mídia e na internet. A dura verdade é que entrar para a tão almejada (e polêmica) lista dá muito trabalho, e manter um restaurante sempre no mesmo alto nível de excelência não passa do primeiro requisito. O segundo consiste em atrair jurados a provar sua cozinha. 

E  mais posts sobre o 50 Best aqui no Boa Vida:





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