22.3.12

Helena Rizzo, Mara Salles, Alex Atala e outros grandes chefs no festival Ver-o-Peso, em Belém, de 11 a 15 de abril

Chef Thiago Castanho, de Belém, mostra um enorme pirarucu em palestra

Uma grande falha no meu currículo é o fato de eu jamais ter ido a Belém....

Se eu pudesse largar tudo e pegar um avião, não perderia por nada o festival que Belém irá sediar, de 11 a 15 de abril, o Ver-o-Peso da Cozinha Paraense 2012. Não há, no Norte do Brasil, maior evento gastronômico do que esse, criado pelo falecido chef Paulo Martins, grande estudioso e difusor da gastronomia daquela região. Eis os chefs que irão participar:

  • Alex Atala (D.O.M – SP)
  • José Barattino (Emiliano- SP)
  • Mara Salles (Tordesilhas – SP)
  • Bel Coelho (Dui – SP)
  • Beth Beltrão (Viradas do Largo – Tiradentes, MG)
  • Helena Rizzo (Maní – SP)
  • Almir da Fonseca (CIA – EUA)
  • Mônica Rangel (Gosto com Gosto – RJ)
  • André Saburó (Quina do Futuro-PE )
  • Thiago Castanho (Remanso do Peixe, Belém)
  • Daniela Martins, a filha de Paulo Martins (Lá em Casa, Belém)
  • Fabio Sicilia (Família Sicilia, Belém)

O evento inclui jantares em benefício do Instituto Criança Vida, a R$190 (por pessoa) com harmonização de vinhos; aulas de gastronomia e mesa redonda intermediada por Josimar Melo e com participação do sociólogo Carlos Alberto Dória.

No domingo à noite os chefs convidados irão cozinhar com as boieiras (feirantes que servem as “boias” no mercado), e o público poderá provar os pratos por 30 reais.


QUINTA (12/04):
Jantar Beneficente (Bel Coelho, Daniela Martins, Helena Rizzo, Mara Salles, Mônica Rangel) – R$190 por pessoa com vinhos

SEXTA (13/04):
Jantar Beneficente (Alex Atala, Almir da Fonseca, André Saburó, José Barattino e Thiago Castanho) – R$190 por pessoa com vinhos

SÁBADO (14/04):

Manhã - Aula de Gastronomia com Alex Atala, Bel Coelho,
Tarde - Aulas de Gastronomia com José Barattino, Thiago Castanho, Almir da Fonseca, Mara Salles, Wanderson Medeiros, André Saburó
19h - Mesa Redonda

DOMINGO (15/04):

Tarde - Aulas de Gastronomia com Beth Beltrão, Ariani Malouf
19h - Jantar das boieiras – R$30 com direito a 2 degustações


A graça, para uma paulistana como eu, não está em ver, mais uma vez, conhecidos chefs do Sudeste cozinhando ou dando aula, claro. O ponto importante desse evento, acho eu, é que ele joga luz na tão mal-conhecida cozinha paraense. Cada chef paulista ou carioca que vai a Belém e volta encantado com um ingrediente ou uma receita ajuda a disseminar informação sobre o que se come de bom naquele "outro Brasil". É aquela velha história: enquanto nós brasileiros não conhecermos o que temos, não temos a menor chance de solidificar, lá fora, a imagem de nossa gastronomia, qualquer que seja ela.







Querem ter um gostinho do que se come por lá? Então assistam o vídeo de uma entrevista improvisada que fiz com o Thiago Castanho e seu irmão e braço-direito Felipe no estúdio do fotógrafo Rogério Voltan, quando produzimos juntos a capa da seção de gastronomia que eu edito na revista GQ Brasil, na foto acima.





E um outro vídeo dos irmãos Castanho, mostrando o mercado Ver-o-Peso para a Carol Ribeiro da MTV:


Festival Ver-o-Peso

Aulas acontecem no Hangar – Av. Dr. Freitas, s/n – Marco

Jantares acontecem no Chateau Classic – Av. Magalhães Barata, 774.

A operadora Turismo Consciente tem pacote turístico exclusivo para o evento, com atividades do programa inclusa, além de passeio a comunidade produtora de farinha d´água. Os valores variam de R$858,00 (quarto triplo sem aéreo) até R$2.104,00 (quarto single com aéreo).

East End de Londres, aqui vou eu: quem tem boas dicas?


Mal voltei de Paris e já estou planejando outra viagem: Londres! Toda primavera eu vou para lá, para assistir à cerimônia de premiação dos The World's 50 Best Restaurants e este ano não será exceção. 

Equipe do restaurante NOMA na Dinamarca festejando o primeiro lugar
na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo


Mas quero aproveitar a viagem para fazer uma imersão total no East End, o pedaço de Londres onde há mais coisas acontecendo. Já fiz isso uma vez uns anos atrás, quando passei uma semana sem sair do East End, experimentando hoteis e restaurantes a trabalho. Adorei! 

Desta vez, quero revisitar alguns lugares - o mercado Spittalfields, sem dúvida, o St. John & Wine e o St. John, dois restaurantes respeitadíssimos, do chef Fergus Henderson, etc. - mas tenho certeza que há muitas novidades a serem descobertas.

Estou mergulhada em pesquisas, concentradas na região que aparece no mapa abaixo (clicando nele vocês podem ver a versão maior).



Por enquanto, decidi que preciso visitar, sem falta, os seguintes endereços:

RESTAURANTES:

Albion, um charmoso café no mesmo predinho do hotel The Boundary

Albion
O café do hotel The Boundary. Super charmoso.
2-4 Boundary Street,
Shoreditch,
London E2 7DD
020 7729 1051


St. John
26 St. John Street tel. 020 3301 8069.
Templo da gastronomia nose-to-tail e principal restaurante do audaz (e doidinho) chef Fergus Henderson.


 
St. John Bread & Wine
94-96 Commercial St., T: 20 7247-8724, stjohnbreadandwine.com
O segundo restaurante do Fergus Henderson, o pai da cozinha "da fuça ao rabo", ao lado do mercado Spittalfields, no East End. Produto, produto, produto. Não há espaço para o supérfluo, como quadros, toalhas de mesa, flores nem pratos enfeitados. Peixes, carnes e saladas frescas são servidos sem frufrus, num salão todo branco tipo refeitório escolar.


Patriot Square, Bethnal Green, tel. (44-20) 7871-0461
O principal restaurante do português Nuno Mendes, um dos maiores talentos da cozinha vanguardista londrina. 


The Corner Room
Novo restaurante do Nuno Mendes, no mesmo endereço. Preços bem mais baixos do que no Viajante, comida um pouco mais simples. Tem sido elogiadíssimo. Não fazem reservas.


Young Turks at the Ten Bells
The Ten Bells, First Floor, 84 Commercial Street, tel. 07530 492986
Pop-up de um duo de grande talento: Isaac McHale e James Lowe. Aqui o link para matéria sobre eles no Wall Street Journal.


HOTEIS:



Town Hall
A maior novidade do East End, é nesse hotel Art Déco reformado com modernidade e criatividade, onde ficam os dois restaurantes do premiado chef Nuno Mendes, citados acima.
Patriot Square | London | E2 9NF 
Tel: + 44 (0)20 7871 0460
Email: reservations@townhallhotel.com

The Zetter
86-88 Clerkenwell Road, T: 20 7324 4444
Único no design bem-sacado, no uso divertido de luzes pink, tecidos mod, carpetes com estampa de papoulas gigantes, e muito vermelho por toda parte. Serviço nota mil. Como as diárias são uma relativa pechincha, invista num king superior, com janelões dando para uma pracinha (os quartos standard são bem apertadinhos). Imensa discoteca digital grátis, bolsa de água quente com capa tricotada à mão, e livros antigos em todos os quartos.

The Boundary Hotel



The Boundary Hotel
Pequeno mas interesantíssimo hotel, com design do Terence Conran. Cada quarto homenageia um designer famoso: Le Corbusier, Charles e Ray Eames, Mies van der Rohe, etc.
entrada pela Redchurch Street
2-4 Boundary Street, Shoreditch,
Tel +44 (0)20 7729 1051




E também....

Galeria White Cube
48 Hoxton Square, T: 7930-5373
Primeira galeria de arte importante do pedaço, celebrizou Damien Hirst e botou o East End no mapa no início dos anos 90. Segue firme e forte.


Sites de pesquisa:

London East Side
Visit London

posts sobre Londres aqui mesmo no Boa Vida


E, para completar, reproduzo a seguir um super bem-feito press release sobre East London produzido pelo Visit Britain, orgão governamental inglês que cuida de promover o turismo:



A partir de 27 de julho, a região que abriga o Parque Olímpico será o ponto de encontro dos melhores atletas do mundo e dos fãs mais devotados dos esportes


Os bem informados já frequentam o leste de Londres há algum tempo para apreciar alguns dos melhores bares da cidade, uma grande variedade de restaurantes, feiras de rua e galerias de arte, além de centenas de anos de história fascinante, refletida em excelentes museus e trajetos para caminhadas – além de muitos pubs!

A região já começou a atrair muito mais gente em setembro do ano passado, quando foi aberto o maior shopping center da Europa, o Westfield Stratford City, uma meca para compradores, com cerca de 300 lojas, incluindo uma loja de departamentos John Lewis.

Muitas pessoas associam East End (como a região é conhecida) aos Cockneys – termo usado para definir a maneira de falar dos londrinos da classe trabalhadora que se estabeleceram nessa área da cidade. A Wikipedia descreve East End como a área que delimita o leste da City of London na cidade murada medieval e o norte do Rio Tâmisa. De qualquer forma, dois bons pontos de partida são Liverpool Street Station e Tower Bridge/Tower Gateway (onde começa o sistema metroviário Docklands Light Railway – DLR).

Certamente, limites rígidos não eram importantes para aqueles que no passado cruzaram as fronteiras em busca de uma vida melhor em Londres e na Grã-Bretanha, muitas vezes fugindo de perseguições em seus países de origem. A região leste de Londres foi o ponto de chegada e a primeira morada de protestantes franceses no século XVIII, depois vieram os imigrantes judeus e mais recentemente os nativos de Bangladesh. Além de imigrantes, os navios traziam mercadorias do mundo todo, o que acabou se refletindo nos nomes de algumas das antigas docas e cais, como Canada Water, East India e West India Docks.

Com a utilização de navios de transporte de carga, as docas entraram em declínio. A área passou por uma transformação, com o surgimento de prédios de escritórios, apartamentos, lojas e cafés e, o mais impressionante, as torres de Canary Wharf. O local também abriga o movimentado City Airport.

Assim como Canary Wharf e as vizinhanças do Parque Olímpico, outras áreas da região leste de Londres vêm sofrendo transformações e estão mais encantadoras para se visitar, com seus museus revitalizados, novos hotéis e restaurantes. As novas linhas de transporte tornam tudo mais interligado e acessível.


STRATFORD

Bairro onde foi construído o Parque Olímpico, Stratford certamente deve estar em sua lista, incluindo uma visita ao shopping center Westfield Stratford City. A melhor maneira de explorar a área e a história da região é participando da caminhada olímpica. O passeio não inclui ingresso para entrar no parque, mas é possível ter uma boa vista da Greenway – o ViewTube conta com uma das cafeterias mais bem localizadas da capital, bem ao lado do parque. As estações mais próximas são Stratford, nas linhas Central e Jubilee, e DLR, em Pudding Mill Lane.

BRICK LANE E SPITALFIELDS

Aos domingos, há poucos lugares mais divertidos para se visitar na capital do que as feiras de rua da região leste de Londres, como Columbia Road Flower Market, Brick Lane (onde há roupas de época, ótimos cafés e restaurantes), Old Truman Brewery, Sunday Up Market, e Spitalfields. O acesso de uma área para outra é bem fácil e a região também é ótima para visitar durante a semana, mas realmente ganha vida (e pode ficar bem cheia!) aos domingos, quando ocorrem as feiras.

Algumas das melhores lojas independentes também estão nesta parte da cidade – a lista de opções está no Quirky Shopping Guide, que cobre a zona leste de Londres.

Aqueles que procuram o melhor do design e da cozinha asiática podem seguir um pouco mais adiante para conhecer a Green Street, ótimo lugar para comprar sáris, pashminas, bijuterias e roupas sob medida a preços competitivos – o metrô mais próximo é a estação de Upton Park.

HOXTON

O bairro é lar da badalada galeria White Cube, além de bares e boates excelentes, como o Hoxton Bar and Kitchen, próximo à Old Street. Não deixe de ver os antigos vagões de trens de metrô, exibidos ali perto como parte de algumas instalações artísticas e oficinas culturais, e os ótimos trabalhos em grafite e arte de rua. Hoxton agora tem sua própria estação na parte nova da linha London Overground.

DOCKLANDS

No início da década de 1980, a London Docklands Development Corporation foi criada para revitalizar as docas em decadência, que se estendem ao leste da Tower Bridge. O antigo cais do porto agora é bem movimentado, tanto durante a semana como aos sábados e domingos, principalmente nos arredores de Canary Wharf. Há uma grande variedade de lojas e cafeterias e o acesso à área é facilitado pelo metrô de superfície Docklands Light Railway (DLR) ou pela linha Jubilee. E você pode ter um fascinante vislumbre do passado no Museum in Docklands, mantido em belos e antigos armazéns, a poucos minutos de caminhada de Canary Wharf, ou em West India Quay, no DLR.

A uma pequena distância de Canary Wharf – mas com aparência de milhões de quilômetros de distância se considerar a atmosfera – fica Mudchute Farm, uma das maiores fazendas urbanas da Europa, que abriga cerca de 200 animais. Estação mais próxima: Crossharbour no DLR.


MUSEUS IMPERDÍVEIS (E QUASE TODOS GRATUITOS!)

Os aficionados por cultura podem rumar para South Kensington ou outras áreas da região oeste de Londres para visitar museus, mas a zona leste de Londres também tem muito a oferecer. Além do Museum in Docklands, há o Museum of Childhood, um paraíso para as crianças – e para os adultos recordarem sua infância. The Geffrye Museum é um oásis tranquilo com muito verde em uma rua bem urbana. Abrigado em um antigo asilo, as salas do museu exibem a decoração de casas de classe média ao longo dos séculos, com jardins típicos de cada época.

Whitechapel Gallery, recentemente ampliada, é uma das mais respeitadas galerias de arte moderna, com uma história ilustre e ótimas exposições. Todos os museus e galerias citados acima têm entrada gratuita. A exceção é Dennis Severs House, que cobra uma taxa de entrada, mas é uma fascinante cápsula do tempo, em uma casa do século XVIII, sem eletricidade. Visite em uma tarde de domingo ou faça o circuito iluminado por velas nas noites de segunda-feira.


RESTAURANTES

Brick Lane é famosa por seus curries e bagels; Kingsland Road (perto do Museu Geffrye) é repleta de restaurantes vietnamitas; o recém-inaugurado Town Hall Hotel tem o aclamado restaurante Viajante, do chef português Nuno Mendes e, mais recentemente, Corner Room. Já o hotel Boundary dispõe de um restaurante e o AlbionCaff, combinação de padaria/cafeteria de estilo mais casual. Canary Wharf tem uma grande variedade de restaurantes (um dos mais recentes é a filial do escocês Boisdale), assim como o novo mercado de Spitalfields.

Você prefere algo mais peculiar? Vá ao Les Trois Garçons, (dos mesmos proprietários do Loungelover), ou ao Wapping Food, com seus ambientes incomuns de interior de uma antiga estação hidráulica. O Bistrotheque é outro local em voga – segundo o guia Square Meal, “se você quer acompanhar as tendências, Bistrotheque deveria ser frequentado regularmente. A clientela extravagante é composta de gente bonita e bem vestida”.

18.3.12

Chateaubriand, Dauphin, Baratin, etc: restaurantes de Paris resumidos em RESTAGRAMS


Quem me segue no Twitter e no Instagram (username @aleforbes) já sabe um pouco do que achei deste ou daquele restaurante onde comi nesta ida a Paris. Mas de todo modo, para facilitar a vida de quem está de viagem marcada para Paris e quer um resumo resumidíssimo, eis meus Restagrams parisienses. Naturalmente, na capital mundial do mau humor, as notas para o serviço só são altas nos lugares mais finos e caros. Basta sair dali e ir comer algo casualmente para se ter um gostinho da grosseria ou descaso típicos dos locais.

E não custa lembrar, mais uma vez:
DISCLAIMER: Sim, as notas são super subjetivas. De sete pra cima, quer dizer que gostei. Oito, muito bom. Nove, excelente. Dez, perfeito. Nem preciso explicar o óbvio, espero: meço o serviço de um boteco, por exemplo, contra aquilo que espero de um boteco, não comparando-o ao de um lugar fino. Idem a comida. Idem o ambiente. Por isso posso dar um 10 para o ambiente da simplíssima Casa dos Cariris em São Paulo: dentro do que se propõe a fazer, não poderia ser mais charmosa. E, por fim, digo que são notas nada definitivas: refletem a minha experiência naquele lugar naquele dia.


Agapé Substance 
COMIDA: 8.5
AMBIENTE: 6
SERVIÇO: 7
66, rue Mazarine
París (75006)
Metro: Mabillon, Odéon, Saint-Germain des Prés & Saint-Michel
Tel.: +33 1 43 29 33 83



Camélia (chef Thierry Marx)
COMIDA: 8
AMBIENTE: 9
SERVIÇO: 10
251, rue Saint Honoré, hotel Mandarin Oriental
Tel.: +33 1 70987400

Le Baratin
COMIDA: 6
AMBIENTE: 7
SERVIÇO: 4
3 Rue Jouye-Rouve, 75020
Metro: Pyrénees
tek, +33 1 43 49 39 70

Chatomat
COMIDA: 9.5
AMBIENTE:4
SERVIÇO: 6
6 rue Victor Letalle, 75020
tel. +33 1 47 97 25 77






Le Dauphin
COMIDA: 10
AMBIENTE: 7
SERVIÇO: 7
131, avenue Parmentier
París (75011)
Metro: Goncourt, Parmentier & République
Tel: + 33 1 55 28 78 88 





Le Chateaubriand
COMIDA: 9
AMBIENTE: 9
SERVIÇO: 6 (apesar da simpatia do Sébastien, na foto)
129 Ave. Parmentier, 75001
tel. +33 1 43 57 45 95all

COMIDA: 7
AMBIENTE: 7
SERVIÇO: 7
20 rue Saint Victor (Maison de la Mutualité)
75005
tel. +33 1 44 31 54 54
reservations@bistrot-terroirparisien.fr




Thoumieux (chef Jean-François Piège)*
COMIDA: 8
AMBIENTE: 10
SERVIÇO: 10
*fui a um jantar organizado pelo Omnivore em que alternavam-se
pratos do espanhol Quique Dacosta e de Jean-François Piège.
Baseei minha nota somente nos pratos do Piège, claro.
79, rue Saint-Dominique
París (75007)
Metro: La Tour-Maubourg, Pont de l'Alma & Ecole Militaire
Tel: +33 1 47 05 79 79
COMIDA: 9
AMBIENTE: 7
SERVIÇO: 10
*almoço simples, à la bento box, que experimentei nessa que é,
principalmente, uma finíssima casa de chás.
10 Rue St. Florentin
tel. + 33 1 42 60 13 00




17.3.12

L'Ami Louis: o melhor bistrô de Paris?


Estou com Paris na cabeça.... acabo de chegar de lá...

O próximo post contará um pouco de cada um dos lugares onde comi, mas, estranhamente, preferi começar pelo lugar onde NÃO comi desta vez: o L'Ami Louis.

Voltei de Paris com saudades de outra Paris: a que eu visitava com meu querido pai. Sim, cidades mudam conforme o bairro, o contexto, a companhia. E desta viz vi uma nova Paris, pisei pela primeira vez no 20ème arrondissement, onde me hospedei no hotel-butique Mama Shelter (blergh), comi em bistronomiques melhores (Le Dauphin) e piores (Le Baratin).

E, enquanto descobria coisas novas, lembrei de viagens passadas a Paris. Como lá nada muda - ou quase nada - acho que o que eu escrevi sobre o velho L'Ami Louis ainda vale, por isso resolvi republicar aqui... Trata-se de um texto sentimental, mas que explica bem, acho eu, o porquê daquele pequenino bistrô dar tanto pano para a manga. Lá vai:





Meu pai me ensinou muita coisa, mas acima de tudo me ensinou a comer e beber.    Desde que me lembro por gente, me faz experimentar pratos que não conhecia, e beber vinhos que nunca irei comprar (quando pequena, ele deixava que diluísse em um pouco d’água). Em casa, papai corrigia nossas maneiras à mesa e avaliava, severo, a performance da cozinheira. Durante viagens de família, o ritual se intensificava: nada de sanduíches no café de algum museu! Cada dia íamos a um de seus restaurantes favoritos. Podia ser tanto um bistrozinho de bairro como um restaurante de fine cuisine. Ele nos contava a história do lugar, descrevia as especialidades do chef, e fazia o pedido para nós (temia as escolhas que poderiam brotar de nossa ignorância infantil).

Um desses favoritos de meu pai, onde me levou ainda criança e ainda leva sempre que me convida a ir a Paris, é o célebre l’Ami Louis. Em minha primeira visita, lembro-me de ter estranhado sua localização num pedaço perdido do 3ème arrondissement, ao norte do Marais, numa rua estreita e sem graça. Com o tempo, fui aprendendo que não só o endereço desse velho bistrô mas também seu cardápio e decoração tinham atravessado as décadas indiferentes às diferentes tendências ou gostos que decretaram nascimento e morte de tantos restaurantes.



    O piso gasto de ladrilho hidráulico, as mesas estreitas de tampo de mármore e as paredes escuras e envernizadas estão ali desde a inauguração, em 1924. Também resistem o aquecedor a carvão, os banheiros minúsculos no porão e a perdiz empalhada acima da boqueta. As cortininhas em xadrez vermelho-e-branco seguem protegendo a clientela abastada dos olhares curiosos de quem passa na rua.

    O lema do l’Ami Louis é não mexer em time que está ganhando. O chef tunisiense Ismail Benn Abdallah – ou Bibi, para os garçons – comanda a grelha e o fogão à lenha desde 1969. Bonachão, não se incomoda em dividir o espaço na minúscula cozinha de pouco mais de 9 metros quadrados com outros 2 cozinheiros. “Estou acostumado”, diz, abrindo largo sorriso.

    Com a chegada de Bibi ao bistrô – ou desde muito antes ainda - o menu pouco mudou. Impresso em grosso papel de carta, sempre oferece os clássicos que com o passar dos anos viraram pratos quase cult, como as gordas fatias de foie gras servidas com uma pilha de fatias de baguette tostada e o frango assado, que vem com fritas fininhas, empilhadas em forma de frágil pirâmide amarelo-palha.





    Tem gente que vem de longe – americanos ricos e gourmands, na maioria – para matar a saudade do franguinho com fritas do l’Ami Louis. Que ele custe 80 euros (talvez o frango assado mais caro do mundo, mesmo que dê para duas pessoas) não parece incomodar os muitos e fidelíssimos clientes. Os preços altos, aliás, são muito controvertidos, inclusive entre foodies convictos.

    No portal americano  e-gullet, que atrai para seus fóruns online milhares e milhares de chefs e gourmands, o tema l’Ami Louis terminou em briga. Um investidor de Nova York, definiu assim o perfil de quem deve ir ao bistrô: “quem não gosta de se surpreender ao comer e quem gosta de comida simples e porções enormes. Quem acha que mesas coladas umas às outras cria um clima aconchegante, quem não se incomoda em ser mal-tratado, quem acha bacana estar num restaurante famoso, de frente talvez para alguma celebridade. Quem é rico ou gostaria de sê-lo e sente-se em casa quando ouve americanos falando alto”. 

    Mesmo supondo que o que diz esse auto-denominado cozinheiro amador seja verdade (embora eu nunca tenha reparado nos tais americanos falando alto), seus comentários causaram furor, e foram rebatidos ferrenhamente e à exaustão por outros membros do fórum. Afinal de contas, assim como tem gente que acha que o lugar não vale o que cobra, outros rabatem que não há comida melhor em Paris. Gente do calibre do chef americano Thomas Keller, que considera o lugar um de seus favoritos no mundo, e seu frango assado e foie gras, simplesmente incríveis. Jacques Chirac também é fã convicto e inclusive levou Bill Clinton para conhecer, quando ainda era presidente americano. Mas a controvérsia continua: o famoso frango vale mesmo 80 euros? O l’Ami Louis seria o mais autêntico e imutável dos bistrôs parisienses, ou uma armadilha caríssima para turistas endinheirados?

Da última vez que estive lá e pedi o foie gras, que estava impecável como sempre, e uma dúzia de escargots gigantescos afogados em alho, manteiga e salsinha. Experimentei os cogumelos (cêpes) na manteiga da mesa vizinha (eles se compadeceram de me ver comendo sozinha, acho) e esses, também, estavam ótimos como sempre. Só me decepcionei com as fraises des bois (moranguinhos selvagens), servidas com a promessa de ainda estarem boas naquela tarde de início de outono, mas que tinham uma textura meio molenga de fruta cansada, talvez por terem vindo de Málaga, e não dos arredores de Paris. Apesar do pequeno tropeço, para mim esse é um bistrô único, especial.

      Mas meu olhar, longe de ser objetivo, passa pelo filtro da história, das lembranças queridas que guardo de minhas idas a Paris em família. Releio uma passagem de meu diário de viagem de 2003: “Econtramo-nos em frente à Notre Dame para a missa, turistas espocando flashes, orgão lúgubre. O almoço no Ami Louis levantou os ânimos. Eu não estava com vontade de comer frango, mas adorei os tijolões de foie gras e o presunto cru cortado grosseiramente. Melhor que o frango, que achei bom, era a torta de batatas que o acompanhava, tipo uma tatin sem massa, com uma colherada de salsinha picada por cima. Hmmm!”


Meu pai e meu irmão caminhando
rumo ao l'Ami Louis
    Mesmo controvertido, o l’Ami Louis é inegalvelmente um grande sucesso, graças à clientela fiel, à qualidade imbatível da matéria-prima, do charme de seu décor à moda antiga, e também ao serviço, sempre eficiente e gentil. E quem está por trás disso tudo é o co-proprietário Louis Gadby (ao contrário de seu sócio-investidor, Thierry de la Brosse, dá expediente cinco dias por semana, e até serve mesas). Gadby não é o Louis que deu nome ao bistrô, mas sim um rechonchudo amante de vinhos que tinha o posto de sommelier e maître no l’Ami Louis de 1977 até comprá-lo em 1986 do suíço Antoine Magnin, cujo retrato em preto-e-branco está pendurado na parede atrás do caixa (esse último, por sua vez, comprou do Louis original, que dá nome ao bistrô).




     Gadby nunca enviou um email, anota reservas num livro, rabisca contas a mão e recusa-se a ler reportagens a respeito de seu restaurante. O que importa, para ele, é administrar  o dia-a-dia do l’Ami Louis, fazer agrados aos habitués e atender o telefone, que toca sem parar. E se precisar, vestir a casaca branca e ajudar a servir as mesas. Não dá receita de nada, reluta a mostrar a cozinha, e insiste em lembrar que seu sucesso está nos ingredientes, fresquíssimos, comprados dos mesmos fornecedores, em certos casos, há duas ou três gerações, servidos quase em estado natural, apenas grelhados ou fritos em fogão à lenha e “enfeitados” com um naco de manteiga persillée (com salsinha picada).  Ele questiona seus críticos e justifica os preços que cobra em entrevista:

Eu: Como fazem os cozinheiros para trabalhar nessa cozinha minúscula?

Louis Gadby: Estão acostumados. E quase não transformamos os ingredientes, damos apenas uma grelhadinha, uma fritada, e pronto. Então não precisamos de muito espaço.


Arranjo de frutas do l'Ami Louis


Porque um restaurante especializado em pratos do terroir francês tem como principal decoração um arranjo de frutas tropicais (banana, kiwi, abacaxi, manga, etc.)?
Não sei. Sempre foi assim, então até hoje mantemos as frutas expostas. Para que mudar? E vendemos muita fruta fresca, porque depois de um almoço substancial as pessoas não costumam querer uma pâtisserie, preferem uma fruta.

Quando foi a última vez que o senhor introduziu uma novidade ao menu?
Nunca. O menu não muda, a não ser pelas especialidades sazonais, como aspargos na primavera, cogumelos girolle no inîcio do verão,  caças no outono, etc.

Quando foi a úlitma vez que reformaram o restaurante?

Também nunca. Fechamos um mês no verão, que é quando consertamos o que estiver defeituoso, e retocamos a pintura, com muito cuidado. E só.

Onde o senhor gosta de comer quando não está trabalhando?

Saio muito pouco, porque prefiro passar meus dias de folga em casa com minha mulher. Nós dois cozinhamos. Minha especialidade são os cozidos e as carnes de caça.

Os pratos do l’Ami Louis são um tanto pesados. Como comer foie gras, manteiga, carnes, fritas e frutas com chantilly sem perder a saúde?
Comida boa nunca matou ninguém. Se comêssemos assim quatro a cinco vezes por semana, faria mal, sim, mas como tudo na vida, é preciso saber dosar.

O que o senhor pensa dos crîticos que acusam-no de cobrar preços caríssimos?

Não leio críiticas e não dou a menor bola. Tudo o que é bom custa caro, e essa gente que me critica não deve ir ao mercado freqüentemente – ingredientes da melhor qualidade sempre custam mais. Acho que críiticos de restaurantes falam mal de tudo aquilo que é caro demais para o bolso deles, e como nunca os convido de graça, acho que faz com que se voltem contra o l’Ami Louis. É natural, mas não ligo, não.

Acha que a localização numa parte nada glamurosa e fora de mão do 3ème arrondissement atrapalha o negócio?
De modo algum, isso não muda nada. Quem quer comer no l’Ami Louis não se importa em pegar um táxi. Nunca pensamos em nos mudar. Estar fora da zona mais turística pode ser uma desvantagem, de certa forma,  mas.. não seria também uma vantagem?
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