15.2.12

Kosushi: o melhor restaurante japonês de São Paulo?





Aqui neste Boa Vida, novidade sempre tem prioridade: as pessoas querem saber como é este ou aquele lugar que acabou de abrir. Não precisam de mim na hora de marcar mesa num Gero ou Varanda, certo?

Pois bem, eu tinha outros japoneses “na fila”: preciso contar minhas impressões do novo Aze Sushi (no geral muito boas), tocado pelo sushiman favorito de tantos foodies blogueiros, o Edson Yamashita, ex-Shin Zuhi, assim como tenho belas fotos da última ida ao Hikeki, umas semanas atrás, bem bom. Ah, e andei experimentando também o Momotaro e o Sto. Bentô.

Só que hoje vou falar do velho e bom Kosuhi. Até hesito um pouco em escrever estas linhas, talvez porque meus jantares no Kosushi sejam uma porta de entrada para a minha intimidade, ali passo meus melhores momentos quando estou “off”, de folga. Um ritual que sigo religiosamente desde meu primeiro emprego, no Estadão, e lá se vão os anos…..

Chego, sento-me em frente ao George e nem preciso falar nada. Ele já sabe.


Desembarquei em São Paulo depois de longa temporada baiana e logo liguei lá. George estava de folga, me informaram. Esperei, pacientemente, ele voltar. E lá fui eu jantar com um velho amigo - esplendidamente, como sempre - e nos matamos de comer buri, que estava, naquela noite, matador.

Sempre que chego, vou direto para o canto direito do balcão, para me sentar de frente para o George. Sim, todos atrás do balcão do Kosushi mandam muito bem – mas há certas coisas na vida que vão além de uma simples saída para jantar fora. Questão – e aqui, perdoem a pieguice – puramente emocional. Para mim, aquele lugar só tem graça com George fazendo os meus sushis, logo à minha frente.

Em abril passado, escrevi algo que ainda vale hoje:

"Não costumo falar desse meu “refúgio”, mas desta vez, não deu. Acordei, neste domingo, com os dedos e a cabeça fervilhando, relembrando cada bocada de ontem à noite e com uma vontade indomável de reviver o jantar por escrito.

Meninos, eu vi. Vi como um chu toro (na foto abaixo) pode ter um tom quase puxando para o burro-quando-foge, uma textura carnuda, uma consistência amanteigada, e como pode ter outro tom e outro gosto se tirado de outra peça. Dois pedaços de céu incrivelmente tenros e gostosos que respondem pelo nome de toro mas que, naquele caso, eram dois mundos à parte.

O olhete também estava um “petáculo”, como diria minha amiga M.

Que dizer do buri? Não muito gordo, mas agradavelmente rijo e sedoso, um sonho.

Duplinha de Djô, sim, só para matar a saudade – sabiam que foi o George que inventou esse sushi de salmão batido envolto em tira de salmão? A necessidade é a mãe da invenção, e naquela época alga seca era coisa cara e rara…





E por falar em alga, a do Kosushi sempre chega à boca sequinha e crocante: não passam-se mais do que 20 segundos entre o momento em que o George arremata um sushi ou rolinho e entrega-os.

Se alguém estivesse me espiando ontem, teria se assustado: eu juntava as palmas da mão como em prece, suspirava, fechava os olhos, ia gozando de cada bocado lentamente, atentamente.
Sim, sim, eu sei que sushiman a rala o wasabi na hora e tem um arroz especialíssimo, que sushiman b vai toda madrugada ao Ceasa.

Sei também que pega bem dizer que sushi bom mesmo é no Sushi Yasuda ou no Masa, em Nova York. Ou, em São Paulo, Shin Zushi, Ban, Hideki. Ah, claro, isso para não falar dos dois japoneses mais finos, Kinoshita e Jun (adoro ambos, mas não $$ervem para um jantarzinho descompromissado e não-planejado na saída da redação....).

Para mim, no meu mundo, o jogo é outro.

O japa do Yasuda já pediu as contas e serve uns sushizinhos pequenos demais para o meu gosto. O Masa cobra muito mais do que vale. O sushi de São Paulo, no geral, me agrada mais do que tudo o que já vi e provei em Nova York.

E o George San do Kosushi, que toda vez serve e-xa-ta-men-te o que eu tenho vontade de comer, me faz feliz como nenhum outro sushiman do mundo.

Pronto, falei.




Kosushi: Rua Viradouro, 139 – Itaim Bibi
Tel:(11) 3167-7272

13.2.12

Restaurante Girarrosto do chef Paulo de Barros: primeiras fotos!


Mr. G. e a mulher dele, Lígia Martins, estão estreando hoje o Girarrosto e acabam de mandar pelo celular fotos fresquinhas.....  Divido aqui com os leitores voyeurs.


E neste link, para quem ainda não viu, o post de ontem com meu videotour do Girarrosto.








 


Av. Cidade Jardim, 60 Jardim Europa. Tel. (11) 3062-6000

12.2.12

Restaurante Girarrosto do chef Paulo de Barros, onde era o Pandoro: vídeo

O chef Paulo de Barros apresenta o padeiro-napolitano-que-não-gosta-de-ser-chamado-de-padeiro

Um bar nunca é apenas a soma das partes, balcão, chopeira, estantes cheias de garrafas, mesas e cadeiras.

Bar tem alma.

Eu hoje mal tenho tempo para perder-me nos bons bares de São Paulo - mas nem sempre foi assim.

Sinto saudades, por exemplo, de quando eu podia perder tardes no Pandoro, naquele terração envidraçado da entrada, o salão quase sempre semi-abandonado, um quê de São Paulo antigo.

Sempre que me hospedava na casa do meu pai, que mora pertinho, eu passava lá a pé. Lembro com nostalgia dos tempos em que meu irmão me ligava de lá, já no quinto cajú amigo, e me chamava pra ir encontrar ele e os amigos dele. E assim passávamos a tarde do sábado rindo e contando casos e… bebendo, claro. Pra quem não sabe, o cajú amigo é uma mistura de vódca, açúcar, caju em calda e gelo, embora a versão original fosse feita com gim. Um perigo: tem gosto de suquinho de criança e desce fácil, fácil.

Era uma farra. Uma delícia de bar à moda antiga. Até que fechou e foi comprado por um Edgard Sahyoun (jovenzinho), em sociedade com investidores portugueses e o decorador João Armentano. Desastre completo. Mataram a alma do bar.

Eis que esta semana ele ressurge das cinzas, de novo – desta vez, transformado em mega restaurantão italiano, em mãos bem mais capazes.

Não vou entrar em muitos detalhes sobre o Girarrosto, que abre nesta terça-feira: o que tinha que ser dito saiu hoje mesmo na Vejinha, em matéria do Arnaldo Lorençato, e também neste post aqui. E o resto o próprio Paulo de Barros conta - e mostra! - nesse vídeo abaixo, que fiz lá uns dias atrás, quando ele me deu um tour.

Eu estava concentrada no tour, ia carregando o iPad de qualquer jeito. Resultado: o vídeo saiu péssimo – desculpem! – mas pelo menos dá boa ideia da magnitude da “brincadeira”.

Paulo de Barros (por acaso, meu amigo de infância) é um cara confiante e seguro. E tem porque ser, mesmo – é dos maiores cases de sucesso que esta cidade já viu. Resta ver se a força do nome do chef e o trabalho de um batalhão de gente que inclui os muito capazes chefs Massimo Barletti e Ivo Lopes, darão conta de preencher os 300 lugares e mandar todos para casa felizes. Missão um tanto ambiciosa, mas que do modo como vai a cena gastronômica paulistana, tem boas chances de vingar!

Av. Cidade Jardim, 60 Jardim Europa. Tel. (11) 3062-6000







Para quem recebe boletins deste blog via email e, portanto, não consegue ver o vídeo, clique aqui para vê-lo no YouTube.


E mais Paulo de Barros no Boa Vida:
Inaugurações de restaurantes em São Paulo a mil: coluna no caderno COMIDA da FOLHA
Italy, o restaurante de massas e antipasti de Paulo de Barros na Rua Oscar Freire

10.2.12

Chef José Andrés, do Bazaar e Minibar: o meu favorito nos Estados Unidos

chef José Andrés  Foto: Divulgação


Esses dias minha amiga Mariella me perguntou de chefs americanos. Falamos um pouco daqueles de sempre: Keller, Achatz, Chang.

Mas a verdade verdadeira é que para mim, na hora de comer muitíssimo bem, eu penso de cara no José Andrés. Esse americano de adoção, que fala um inglês com sotaque espanhol fortíssimo, é, acima de tudo, um showman que adora aparecer e fazer TV. Mas Deusdocéu, como cozinha este homem!
 
Mesmo tendo chegado nos States como imigrante, ele miraculosamente construiu brilhante carreira sem ser descoberto pelo resto do mundo – até há pouco.

Eu nunca entendi muito bem porque o nome dele não tinha “caído” no mainstream, já que para mim Andrés é simplesmente o chef mais talentoso trabalhando hoje nos Estados Unidos. O mini restaurante que o alçou à fama, o Minibar, é exatamente o que o nome indica: um mini bar com seis banquetas.



Atrás do balcão, dois chef passam três horas cortando, injetando, misturando, esquentando. E a cada cinco minutos, pumba! Depositam um pratinho na frente de cada cliente. Tudo muito estranho, no bom sentido, e o mais importante: delicioso. Já experimentei muitos menus degustação, mas poucos assim, com 26 coisinhas diferentes, todas de comer de joelhos – talvez meu melhor jantar EVER nos Estados Unidos!

Quando estive lá o Minibar ocupava um cantinho no segundo andar de um outro restaurante, bem maior, chamado Café Atlantico,  um esquema meio esquisito, pra ser sincera. Mas embora se escondesse dentro de outro restaurante, e não fosse super conhecido, fazia um sucesso tremendo entre foodies. Com razão: era uma experiência tão incrível quanto um jantar no famoso El Bulli do chef Ferran Adrià, na Espanha, mas custava bem menos e era mais acessível pra quem mora nos Estados Unidos.

America Eats Tavern, em foto tirada do site do José Andrés


Sobre o Café Atlantico: ele hoje virou outra coisa, mais interessante. Em 2010 e 2011 Andrés mergulhou em estudos sobre o que comiam os americanos em décadas passadas. A instituição National Archives o nomeou “chief culinary advisor” da mostra “What’s Cooking, Uncle Sam”, que analisa hábitos alimentares ao longo da história dos Estados Unidos. Retribuiu o gesto abrindo dia 4 de julho de 2011 um restaurante pop-up no espaço antes ocupado pelo Café Atlantico, que durará mais algum tempinho e revisita pratos americanos de diferentes eras, chamado America Eats Tavern
 
 
É no mínimo curioso ver um chef espanhol alinhado com a vanguarda de Ferran Adrià do hoje fechado El Bulli (seu mentor) recriando ostras Rockefeller, sopa New England Clam Chowder e outras receitas típicas de sua terra adotiva...


Voltando ao Minibar, quando fiz a reserva lá, muitos achavam que eu tinha enlouquecido. Minha única noite livre em Washington, e eu tinha escolhido jantar sozinha em um balcãozinho sei-lá-qual?! Pois sim.

Meu banquete solitário começou com uma “caipirinha nitro” servida em taça de martini e soltando fumaça, e terminou com uma bala de açafrão cujo papel era comestível. Comi como uma rainha. Meu prato favorito? Um tal de “zuchini em texturas”, uma espécie de sopinha de sementes de abobrinha estranhamente deliciosa (o chef contou que eles tiram as sementinhas a mão, uma por uma). Estive no Minibar há um bom tempo, mas mesmo assim acho que as fotos ainda são fieis ao que ele é capaz de fazer.... Vejam:




Macarron de bolo de cenoura, no alto, e chocolate aerado

Desde esse jantar, Andrés expandiu para Los Angeles. Foi convidado a abrir um restaurante no badalado hotel SLS de Sammy Nazarian. Nazarian é dono e C.E.O. do grupo SBE, abreviação de “Sammy Boy Entertainment”, que engloba vários hotéis e restaurantes hypados nas duas costas dos Estados Unidos. Para decorar o SLS ele escalou o celeb-designer Philippe Starck e o resultado ficou uma coisa assim.... starckiana, bem doida.

 Andrés abriou no SLS o restaurante The Bazaar, que simplesmente revolucionou a cena gastronômica de L.A. (só pra provocar, uma cidade que sempre esteve para Nova York como Rio para São Paulo, em termos de gastronomia). Vejam o que escrevi sobre isso na revista WISH (clicando nas imagens elas aparecem full size e dá pra ler direitinho): 



Em poucos meses, o Bazaar recebeu cotação máxima de quatro estrelas do jornal The Los Angeles Times e foi aclamado o melhor da cidade (cliquem aqui para ler a crítica na íntegra).

No Bazaar servem algumas das especialidades de Andrés, como o algodão doce com foie gras no miolo, “caipirinha” sólida, feita com nitrogênio líquido, e bala embrulhada em papel comestível. O mais divertido:  o restaurante é um dois em um. No Rojo, o menu tem tapas tradicionais. No Blanco, o menu solta as rédeas e viaja longe (que tal uma colherada de “azeitona líquida”?). No bar Centro, escuro e sedutor, circula um carrinho de caviar. E por todo lado, bizarrices saídas da fértil imaginação de Starck, como uma poltrona de pelúcia rosa-vovó e candelabros deliberadamente desengonçados e tortos dão ao lugar um ar lúdico, meio Alice no País das Maravilhas. Imperdível.



South La Cienega Boulevard, 465, Los Angeles, tel. (1-310) 246-5555

Tamanho foi o sucesso do Bazaar que pouco depois de inaugurado elegeram o chef Man of the Year na revista GQ. E o Bazaar foi escolhido o Restaurant of the Year pela Esquire. E Andrés eleito o chef do ano de 2011 pela fundação James Beard. UFA!

Andrés, hoje muito mais famoso e fortalecido do que quando jantei no Minibar, abriu até dois restaurantes em Las Vegas. O primeiro é uma filial do Jaleo, restaurante informal de tapas espanholas que Andrés abriu em Washington em 1993.

O segundo restaurante, o China Poblano, serve cozinha inventiva. Segundo o press release, o menu faz uma releitura “andresiana” das cozinhas chinesa e mexicana. Hãn? Ambos fazem parte do novo hotel e cassino The Cosmopolitan of Las Vegas (2.995 quartos, três piscinas, duas torres de 50 andares!)

Enfim, Mari, aqui tens: José Andres is the man!



E mais José Andrés:

Restaurante Bazaar no You Tube
José Andrés no programa 60 Minutes
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