1.3.11
Minha despedida do portal da revista ALFA...
Hoje anunciei oficialmente minha saída do portal Club ALFA, da Editora Abril, onde tinha o blog Mondo Forbes.
Aos meus queridos leitores, queria explicar que a (amigável) ruptura, apesar de triste, é o prenúncio de algo bom que está por vir... Revista nova, que, tão logo possa, anunciarei a vocês.
Enquanto isso, o bom e velho Boa Vida segue, firme e forte...
27.2.11
Os melhores hoteis do Douro, em Portugal: é pra lá que eu vou!
Ano vai, ano vem e eu sigo com uma vontade crescente de embrenhar-me no vale do rio Douro, em Portugal. Pegar um carro ou trem, subir de Lisboa até o Porto - ponto de partida para qualquer expedição pelo Douro - e dali percorrer as vertiginosas estradinhas que beiram o vale profundo que corta a terra semi-árida daquele encantador pedaço de mundo.
O vale foi considerado durante séculos um canto pitoresco mas pouco glamouroso da Europa, famoso apenas pelos vinhos do Porto. Mas isso está mudando – e rapidamente. Trata-se, simplesmente, de uma região deslumbrante que vive grandes transformações, em plena ebulição. Querem prova? Então não deixem de assistir esse vídeo (com a banda larga vagabunda que se tem no Brasil, há que esperar um pouco para dar tempo de baixar direito, assim o filme passa sem interrupções).

Lindíssimo, não? A cereja no bolo é a seguinte: o Boa Vida tem um leitor, o Miguel Santos, que mora… no Porto! E, com sorte, vai me ajudar a bolar o roteiro ideal...
Difícil vai ser escolher onde ficar....
Se antes quase não havia hotéis bacanas naquela região, os últimos dois anos foram repletos de inaugurações e agora há muita escolha de lugares para se hospedar em grande estilo. Entre os melhores novos hotéis estão o Aquapura (da mesma família portuguesa que esteve enroscada com aquele elefante branco – ou cinza – em Itacaré), o Romaneira Quinta dos Sonhos e a Quinta do Vallado (em cuja homepage as intruções são claras – mova o rato (!!!) sobre a imagem).
Aquapura Douro
Quinta do Vale do Abraão, Samodães, Lamego, 254-660-600, aquapurahotels.com
Da mesma família dona do Aquapura de Itacaré, o elefante cinza que foi embargado pelo Ibama. Segundo a Food&Wine, “fica do outro lado do rio de Régua – uma virtude, porque de longe, especialmente sob a luz da lua, Régua é um charme. O hotel é uma quinta do século 18 que foi reformada num estilo vagamente asiático. Dos quartos se tem vista para o rio Douro através de vidraças do chão ao teto”.

Quinta da Romaneira Cotas, Alijó, 254-732-432, maisonsdesreves.com
Chique no último. Ponto.

E mais três hotéis bacanas no Douro:
Quinta do Vallado (Vilarinho dos Freires, Peso da Régua, 254-323-147, quintadovallado.com. O solar de 1716 tem cinco quartos.
Quinta do Portal (N-323 Celeirós do Douro, Sabrosa, 259-937-104, quintadoportal.com. O novo armazém de envelhecimento foi desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza.
Vintage House (Lugar da Ponte, Pinhão, 254-730-230, cs-vintagehouse.com, da rede Relais & Chateaux.
26.2.11
Restaurante Lá da Venda, em São Paulo: comidinha caseira deliciosa
Tomei um café com meu amigo Rogério há duas semanas e ele me perguntou:
“E aí, Alê, depois de um mês de São Paulo, o que você achou de realmente diferente e novo?”
Novidades não faltam na cidade: andei muito de táxi, todos os dias, e fui fotografando novos bares, restaurantes, lojas… tudo em plena ebulição, o dinheiro evidentemente segue rolando solto. Mas…. o que eu vi de realmente bom e diferente? O que eu recomendaria a um amigo como ele, que gosta de comer bem mas detesta frescura? Pouca coisa, confesso.
Pensei um minuto e respondi:
“Tem um lugar, sim, que eu recomendaria de olhos fechados. Chama-se Lá da Venda e serve um almoço delicioso”.
Não só o almoço é delicioso, como o lugar todo é delicioso também. Verdade que sou menina, e portanto presa fácil para a “vendinha” que toma a maior parte do espaço, vendendo de goiabada a porta-retratos, de bijuterias a panelas esmaltadas e mil e um outros cararecos adoráveis e artesanais. Mas quem cruza a venda descobre, lá no fundo, um quintal fofo, com plantas em latas cobrindo as paredes, muita luz natural e poucas mesinhas (uma crítica: eita cadeira dura!).
Fui almoçar com dois velhos amigos e, de boas vindas, nos trouxeram pasteis cuja massa era de farinha de milho, diferentes mas muito gostosos.
Eu não resisti em matar a saudade de um bom picadinho. Mesmo porque, sabia que seria um picadinho de verdade, sem modernices nem releituras. The real thing.
Preferiria comer tudo em um prato só, ao invés de ter que ficar ciscando de pote esmaltado em pote esmaltado, mas entendi que o conjunto fica mais bonitinho montado assim, por partes… Confesso que mal encostei no arroz, de tão cróc-cróc que estava a farofa, e de tão crispy que era a banana à milanesa. Ovo frito, carne bem temperadinha… ai ai, só de relembrar minha boca enche d’água.
Experimentei o mignon de porco da Mari com canjica e – incrível! – era tão gostoso quando o meu.
Ah…. mas tinha mais. Marco mandou muito bem ao pedir o pudim de tapioca com calda de baba de moça (um pouco diluída). Fundinho de côco, gosto de infância, uma loucura. Eu devorei minha imensa fatia de bolo de chocolate mas tive pena de não ter sobrado apetite para provar os doces de fazenda com queijo da serra da Canastra – uma raridade! Na venda, dá para comprar os doces inteiros e levar para casa.
Sabem que nada nessa vida é por acaso, né? E comidinha caseira boa não sai boa assim sem que haja alguém por trás que saiba das coisas. Esse alguém é Helô Bacellar, uma cozinheira de mão cheia, e das pessoas mais doces e generosas que já conheci. Descobri os dotes da Helô uns 20 anos atrás (!!!) quando fiz umas aulas na escola Atelier Gourmand, que era dela – e desde então, fui acompanhando a carreira dela, os lindos livros de receitas publicados…
Acho que não via Helô há uns 8 anos – razão a mais para ter adorado ir ao Lá da Venda e reencontrá-la.
E na saída… lógico que não resisti e tive que “dar uma gastadinha” – sorry, rapazes, coisa de menina mesmo! Mas adorei a ideia por trás da loja. A Helô quis fazer “um espaço que lembrasse as vendas de antigamente, que tinham de tudo e ainda serviam coisinhas para comer, tudo preparado com bom gosto e muito capricho”.
Prateleiras e balcões de uma antiga farmácia pintados de roxo ocupam todo o espaço da loja. Aquele montão de coisas com cara de interior foi escolhido a dedo pela Helô e encomendado de bordadeiras, crocheteiras, costureiras e cesteiros do Vale do Paraíba, além de artistas plásticos, artesãos, associações e cooperativas de todo o Brasil.
Vi lençóis, colchas, toalhas, jogos americanos e panos de prato em algodão puro, pintados, bordados ou com aplicações; chapéus de tecido ou crochê, vassouras, prendedores e cabides de roupa; cestas e sacolas em palha; rolo de macarrão, colher de pau, tigelas e cerâmicas diversas; frigideira, polenteira e assadeira de ferro fundido; canecas e panelas de ágata…Tem até bolsas em couro de capivara, bilboquê, pião e ioiô!
Bom, preciso dizer que gostei do lugar? Melhor lugar para um almoço preguiçoso, não há!
Lá da Venda: Rua Harmonia 161, esquina com Apicuelta, só almoço.
tel. 3037-7702
19.2.11
Galinhada da meia-noite no restaurante Dalva e Dito: programa cool
Mas não eu. Acho ele modesto, juro. Isso ficou evidente, pra mim, ao ouvi-lo contar, na minha frente, as burradas cometidas quando ele abriu o Dalva e Dito. Ele fala em tom de resignação, sem culpar ninguém além dele próprio. Errou mesmo – como todos erramos.
Acho que requer modéstia para um chef daquela estatura admitir derrota, abaixar a cabeça, arregaçar as mangas e consertar a situação.
Pois foi o que ele fez. Venho observando, de longe, as melhorias, a retomada de rumo. Já faz muito tempo que aquele tal chef francês saiu da jogada – ainda bem (essa foi a burrada número um, ter colocado o cara para mandar na cozinha).
Hoje Alex cuida muito mais de perto do Dalva e Dito. Segurou a onda nos preços – (a burrada número dois foi inaugurar o lugar com preços bem acima do que o público esperava, elevando demais as expectativas).
Alex melhorou e simplificou o menu, inserindo nele clássicos paulistas, pratos de mãe com os quais ele tem uma ligação afetiva. Outra bola dentro.
Agora, mais uma bela sacada: recebi um press release contando que desde a semana passada tem rolado, aos sábados, uma galinhada da madrugada:´
“São Paulo sempre teve uma grande tradição boêmia, de bares que não fecham e de pratos da madrugada, como a sopa de cebola do CEASA, os café da manhã no hotel Maksoud Plaza e o sanduíche de pernil do Bar Estadão, entre tantos outros ícones da capital. O restaurante Dalva e Ditovem reforçar esta tradição da cidade com um prato especial que será servido aos sábados, à meia-noite: uma galinhada, acompanhada de arroz e pirão, que começa dia 12 de fevereiro.
Esta tradição nasceu dentro do restaurante D.O.M. A cada sábado, um cozinheiro da equipe da casa é designado para fazer o jantar para toda a equipe. O prato mais festejado sempre é a galinhada preparada pelo subchef Geovane Carneiro. A fama do prato ganhou a porta dos fundos de muitos restaurantes de São Paulo e, cada vez que é feita, cozinheiros e garçons de outros restaurantes aparecem para visitar.
O chef Geovane Carneiro, em foto
de Gabriel Rinaldi para Playboy
de Gabriel Rinaldi para Playboy
A fama continuou crescendo, e os clientes da casa começaram a pedir para fazer parte deste momento, que agora é aberto ao público no Dalva e Dito. A cada sábado, após a meia-noite, um grande bufê será montado dentro da cozinha do restaurante. O serviço será conforme a tradição: o cliente vai até a cozinha, pega seu prato e seus talheres e come à vontade.
Logo, a cozinha será feita com carinho e destinada a amigos e pessoas que compõe o cenário dos restaurantes, e os clientes podem se sentar ao lado de um garçom ou cozinheiro que já os serviu antes. A galinhada sai por R$ 29 por pessoa. Bebidas, serviço e valet são cobrados à parte. O prato é servido em horário especial: das 0h às 3h, apenas aos sábados.
Dalva e Dito
R. Padre João Manoel, 1.155, Jardins.
Tel. (11) 3068-4444
www.dalvaedito.com.br
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