28.8.10

Rua Bowery, em Nova York, reúne excelentes restaurantes: Pulino's, Faustina, DBGB e Peels




Quem segue meus escritos já ouviu eu dizer isso antes, mas não custa repetir: a rua que mais bomba em Nova York atualmente é, com toda a certeza, a Bowery.  

Principalmente no quesito restaurantes: de dois anos pra cá foram sendo inaugurados um atrás do outro, todos badalados, legais, com boa comida. 

Primeiro veio o Gemma, italianinho casual com mesas na calçada, que faz parte do The Bowery Hotel

Aí abriram um segundo hotel duas quadras ao norte, o Cooper Square, de arquitetura muito curiosa (abaixo), onde fica o excelente Faustina, do Scott Conant




E aí, pra selar de vez a vocação gastronômica do pedaço, aportou o chef Daniel Boulud ( chef-proprietário de um império gastronômico em Nova York que inclui o famoso Daniel, no Upper East Side e restaurantes também no Midtown e no West Side, todos muito bem-sucedidos.

Sua brasserie DBGB tem salão escurinho com sofás negros de espalda alta formando nichos e mesas meio engaioladas no centro de um cercado de prateleiras, onde estão expostas panelas de cobres presenteadas por chefs famosos, conservas e garrafas de vinho. 


A especialidade da brasserie são as mil e uma cervejas e os hambúrgueres variados. O maravilhoso “the piggie” vem coroado com um montinho de carne de porco barbecue desfiada, pão de cheddar e milho, e maionese de pimenta jalapeño. Outra delícia, o crab cake (croquete de siri à americana) é servido com molho de curry. Vive cheio desde o primeiro dia que abriu.

Keith McNally na Bowery

Não tardou e o rei da cena gastronômica novaiorquina - o inglês Keith McNally - fincou bandeira ali também. 

Dono de sucessos perenes como Balthazar, Pastis e Morandi, sua Minetta Tavern, no Village, é de todos meu favorito. Sempre que estou em Nova York, bato ponto do balcão do bar (onde consegue-se comer sem ter que encarar o infernal processo de reservar mesa).  Da última vez, eu ia jantar com minha amiga Lea em outro restaurante – o Momofuku Ssäm Bar – mas demos uma “passadinha” pra tomar algo. E fomos ficando, ficando, pedimos um tutano com torradas, e quase desistimos do Ssäm Bar. Quase!

O Minetta nem bem fez o primeiro aniversário e ele já rebateu com outra novidade, inaugurada em março, justamente na Bowery: Pulino’s Bar & Pizzeria. 
Lugar pra comer pizza bem-feita, e carnes assadas também em forno à lenha.




E agora, a última novidade é o Peels, dos mesmos donos do Freemans. Pra quem conhece bem aquela parte da cidade, nem preciso explicar o que é o Freemans, mas basta dizer que trata-se de um dos restaurantezinhos mais cool de Nova York, semi-escondido em um beco do Lower East Side. Mega fervido. Mega bacana. Então o Peels obviamente vai ser o it spot da temporada. Todo envidraçado, paredes brancas, o Peels pretende ser um country diner, ou uma lanchonete chique especializada em pratos caipiras do sul americano, como frango frito, carnes curadas e defumadas e muita carne de porco.


DBGB: Rua Bowery, 299, tel. (212) 933-5300

Faustina: The Cooper Square Hotel (25 Cooper Square, tel. (212) 475-5700, 

Peels: Rua Bowery, 325, esquina com Second St.

Pulino’s Bar & Pizzeria: Rua Bowery, 282. tel: 212 226-1966. 
Aqui, link para visualizar no mapa.
 

26.8.10

The Bowery Hotel, em Nova York: vibe e localização imbatíveis



Hotéis são a minha paixão, não me canso de pular de um para outro e mais outro, ficando uma noite em cada, só pra poder comparar camas, banheiros, vistas e croissants. Em Nova York já fiquei num monte deles, mas infelizmente muitos sem-graça, genéricos, hotelões sem personalidade.

Por muito tempo, meu favorito foi – e isso tem a ver com lembranças da minha infância, mais do que qualquer luxo material – o super tradicional The Carlyle, que ano após ano continua maravilhosamente clássico e classudo. 


lobby do hotel Carlyle

Mas... de uns anos pra cá, troquei de time. Comecei achar muito melhor ficar "lá embaixo", o que significa aquele miolinho ótimo composto por NoLita, Soho, Village e Bowry. 

E "lá embaixo", não existe nada que se compare ao The Bowery.

Desde a última vez em que me hospedei no Bowery (em 2008), muita água já passou debaixo da ponte. Montes de novos hoteis surgiram em Nova York: The Surrey, Crosby Street Hotel, etc. etc. etc. 

"Lá embaixo" também surgiram outros novos hotéis curiosos... o Hotel on Rivington, por exemplo, com seus corredores tipo boate, no Lower East Side. E seu concorrente igualmente moderninho, o Thompson LES (dos mesmos donos do 60 Thompson). E o Cooper Square, muito legal também, e quase vizinho ao The Bowery.

hotel Thompson LES

Entretanto, apesar das novidades todas, sempre que me perguntam qual é meu hotel favorito em Nova York, respondo sem titubear: The Bowery. Ainda mais agora que a rua Bowery virou a mais nova meca gastronômica de Nova York: os excelentes Pulino’s, DBGB e Faustina ficam a passos do lobby!





É simplesmente o mais charmoso hotel que conheço em Manhattan, mesmo se o prédio em si, por fora, não tem nada de especial:




Sou louca por coisas antigas, tecidos puídos pelos anos, madeira de demolição, ladrilhos hidráulicos. Então pro meu gosto o Bowery é um sonho, exatamente o prédio onde eu moraria se eu ganhasse na loteria. 




Quando fui lá, adorei cada detalhe. Os janelões floor-to-ceiling com jeitão industrial, a pia, a banheira e as torneiras retrô, com ar cinqüentinha, os subway tiles (azulejos retangulares como os das estações de metrô), o cobertor vermelho ao pé da cama.





… meu quarto não era grande nem de alto luxo, mas esbanjava charme e era banhado de luz.




E tinha uma bela vista:






Mesmo que você não se hospede no Bowery eu recomendo uma ida até lá. Nem que seja só pra almoçar no restaurante Gemma (super casual, super gostoso).




Depois do cafezinho, dê um giro pela sala de estar (um lounge escurinho, com lareira) e pelo bar.






Um charme. À noite, então.... acho aquele bar imbatível! 



Pena que não deixam não-hóspedes se sentarem...


The Bowery Hotel, 355 Bowery St., esquina com East 3rd St., 
tel. (212) 505-9100

Minha amiga Karin Dauch, que mora bem pertinho do hotel e bloga sobre Nova York, fez um vídeo bem bacana:


25.8.10

Eataly, novidade do chef Mario Batali em Nova York: primeiras fotos!

Joe Bastianich (sentado) e Mario Batali


Eu AMO meus leitores. Sério mesmo. Viajados, antenados e... generosos. Primeiro, a Marcie deu a dica de uma super novidade em Nova York: o EATALY!, na West 23rd, pertinho da 5th Avenue. Conta ela:

"A idéia, importada de Torino, é mais um empreendimento dos restaurateurs Joseph Bastianich e Mario Batali – o que significa que a coisa já é sucesso, antes mesmo de ter aberto.

Projetado nos moldes do Chelsea Market, o Eataly vai ser um espaço enorme dedicado à gastronomia italiana: mercadinhos de comida, peixaria, açougue, lanchonetes e  alguns restaurantes. Claro que, sendo um local italiano, não podem faltar as gelaterie e uma imensa adega de vinho."

E agora, outro leitor, o Juliano Mendes, deu sequência na reportagem. Ele está em Nova York e mandou fotos fresquinhas do lugar, em primeira mão. A história é incrível, vejam só o que aconteceu com ele:


Oi Alexandra

Tudo bem? Não sei se lembras de mim, mas em janeiro me destes uma ajuda enviando dicas para Miami.

Estou te mandando umas fotos que podem te interessar.

Estou em NY e ontem fui jantar no Minetta Tavern. Acabaram me colocando em uma mesa grudada a do Mario Batali. Batemos um papo bacana e perguntei para ele sobre o Eataly, já que antes de vir para NY fiquei acompanhando pela internet pra ver se estaria aberto. Ele acabou nos convidando para visitarmos o Eataly e estive lá hoje. Só que era o evento de apresentação do espaço para a imprensa.

Estou te mandando em anexo algumas fotos. Caso te interesse, tenho mais algumas.

O lugar ficou fantástico, como já era de se esperar. Só fiquei triste, como ex-cervejeiro, de saber que a instalação da cervejaria ficará mais pra frente.

Espero que gostes das fotos!

Continuo acompanhando teu blog!

Juliano




Amei, Juliano, eu e os leitores do Boa Vida agradecemos! :)

E pros curiosos, deixem eu contar quem é o Juliano:
Ele e a família fundaram a Cervejaria Eisenbahn (artesanal, site www.eisebahn.com.br). Em 2008,
venderam a empresa para o Grupo Schincariol. Como viviam visitando bares e restaurantes bacanas pelo Brasil todo (clientes), e também muitos pela Europa durante pesquisas cervejeiras, criaram paixão por bares e restaurantes.

Em 2009 eles abriram um Gastropub em Blumenau, aonde vivem. Antes disso visitaram o Spotted Pig no Village novaiorquino (do qual o próprio Batali é sócio), alguns gastropubs do Gordon Ramsay em Londres, e outros. 

De volta a Blumenau, encontraram um porão de 100 anos, construído em pedras e tijolos, super charmoso, e ali criaram o  The Basement (www.basementpub.com.br). Contrataram um chef bem bacana (Flávio Frenkel, de Curitiba) que se formou em São Francisco e trabalhou por dois anos no French Laundry.

Bacana, não?

EATALY NEW YORK - site oficial

E aqui, um vídeo do dia da inauguração: que FILAAAA!



Má Pêche: o chef David Chang do ultrafamoso Momofuku Ko, agora no Midtown?!




Nem preciso explicar pra vocês quem é o David Chang, certo? 

O chef por trás do Momofuku Ko, que é, de longe, o lugar mais impossível de se conseguir mesa em Nova York. Eu já me irritei tanto tentando reservar um mísero lugar. Per Se, do Thomas Keller? Bico, em comparação. O Ferran Adrià pode chegar em Manhattan e ligar, e mesmo assim, nada de conseguir reservar mesa. Ninguém, nem o papa, tem pistolão nem passe vip.

Aí vocês devem querer saber: mas por quê? Que lugar é esse? O que tem de tão fantástico?

Também não sei - nunca consegui uma maldita reserva!

O que sei é o seguinte:

David Chang conseguiu enfeitiçar toda a imprensa gastronômica americana. A Ruth Reichl, diretora de redação da Gourmet, é sua íntima. Chefs ultra-mega-famosos, como Alice Waters (do Chez Panisse, a musa do movimento orgânico) e Mario Batali, idem. Até a revista New Yorker - a seríssima e intelectual New Yorker, imaginem! - deu um perfil sobre ele de DEZ páginas. Chef nenhum mereceu tanto confete, nem Ducasse nem Keller nem ninguém.

Este mês, ele está na Esquire, em editorial de moda, de terno e gravata (nada a ver com o estilo dele):



A revista elegeu-o um dos 75 homens mais influentes do mundo, dizendo assim:

"Because he cooks in a spectacular way, but, somehow, without pretense."

A ficha: ele tem uns 33 anos, e abriu seu primeiro restaurante há sete anos sem entender nada do negócio. Estudou gastronomia meros seis meses. Já foi lavador de pratos. É filho de imigrantes coreanos que chegaram em Nova York com 50 dólares na carteira.

Passou por alguns restaurantes bem conhecidos de Nova York - Mercer Kitchen, Craft e Café Boulud, por exemplo. Foi nesse último, uma pauleira, um trabalho infernal, que ele teve uma epifania. Queria cozinhar algo simples. Chega de francesices. Chega de cozinhas enormes e caras e equipes estressadas.

Fissurado por ramen - o macarrão asiático - ele abriu em 2004 o Noodle Bar. Lugarzinho simples. Demorou pra pegar, mas quando pegou…. virou uma febre. Seu segundo, o Momofuku Säam Bar, abriu pouco depois. Também pequeno e simples, mas mesmo assim… outro sucesso estrondoso. E isso, servindo tripas e terrine de miolo de vitela. Incrível!

Aí ele abriu o Momofuku Ko, que só tem 14 lugares. Muito miúdo e muito porco no menu. Todo mundo come no balcão. E vejam vocês: ele conseguiu o feito inédito de ganhar, logo de cara, duas estrelas no guia Michelin 2009 ! 

Será que o Chang hipnotizou os inspetores? Na época muito foodie reclamando, pela internet afora. Como! Que escândalo! Duas estrelas prum lugarzinho minúsculo e informal?

Pra quem quiser tentar a sorte, já vou avisando: não tem telefone. O único modo de reservar no Ko é pela internet, neste site aqui. Você se registra e aí tenta - pontualmente às 10 da manhã horário de Nova York - pedir uma reserva pelo sistema. 

Eu, pessoalmente, já cansei. Desisti. Sabem do que mais? Que se lixe o Ko e seu 14 lugares impossíveis de reservar.

Mas sou l-o-u-c-a pelo outro restaurante dele, o SSsäm Bar, apesar do barulho e do fato de não aceitar reservas. O lance lá é a comida. Conforto, há pouco: os bancos são toras de madeira cortadas em cubo ou retângulo. Come-se no balcão. Servem lá o melhor sanduíche que eu comi na vida. Juro. De carne de porco no molho barbecue, desfiada. 


 E tem um outro que é igualmente orgásmico: barriga de porco em um steamed bun. Nham!



Quando estive em Nova York ano passado com meu irmão, nosso jantar no Momofuku Ssam Bar foi, de longe, o campeão. Isso sendo que comemos também na brasserie do Daniel Boulud e no Le Bernardin, entre outros. O lugar é fora de série! Mas olhem a foto: um nada, certo? Toldinho preto xoxo numa esquina x.....




Ele abriu recentemente no Midtown o Má Pêche (trocadilho com peach, ou pêssego, o logo de seu "império".

Midtown tem ZERO a ver com ele. Chang é desencanado, farrista. O Midtown é.... entupido de turistas e wannabes. Será que a combinação está dando certo?

Momofuku Ssam Bar: 207 2nd Avenue, esquina com rua 13, sem telefone.

15 W 56th St
(entre Fifth e Sixth Aves.)
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