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12.10.11

A última ceia no El Bulli: The Last Waltz em delicioso documentário, na web, grátis

Chef Ferran Adrià indo servir o último "Pêche Melba" da noite - e da vida

Depois que o último prato saiu da cozinha, o primeiro que Ferran abraçou
foi o irmão e braço-direito Albert


Já MUITO se falou e escreveu sobre o fechamento do El Bulli, no fim de julho, com um jantar-pra-estourar-a-boca-do-balão apelidado de The Last Waltz. Redzepi, Achatz, Bottura, Roca, Andrés... estavam todos os importantes ex-stagiaires e ex-chefs lá, e a balada foi até o raiar do dia.

Chef René Redzepi do Noma tirando foto com o gigante bolo-buldogue comemorativo

Não vou repetir tudo aqui...

Os voyeurs que quiserem ver tudo o que rolou têm que conferir esse documentário (em catalão, mas com muito espanhol e inglês misturado no meio).

Imperdível.

Aqui, o link.

Créditos das imagens acima: tiradas do documentário, que foi produzido pela Televisió de Catalunya


Foto do pôster: Bob Noto

18.6.11

Chef Ferran Adrià anuncia parceria com a Pepsi!

A C.E.O. da PepsiCo, Indra Nooyi, e o chef Ferran Adrià, no El Bulli.      Crédito: PepsiCo.


Não sei bem o que pensar, nem o que dizer sobre a notícia muito surpreendente da
parceria do chef Ferran Adrià com a Pepsi. Vou ter que me dar uns dias para digerir, confesso. Enquanto isso, reproduzo trechos de um "blog" da Pepsi, que procura explicar melhor o porquê do acordo:

"What a great way to start this blog!  Today we have had the pleasure of being around two impressive figures: first, our CEO and Chairman Indra Nooyi and, on the other, the world’s best chef, Ferran Adrià.
Both have been in a joint workshop on the premises of El Bulli (...).

Adrià has been linked to PepsiCo for a while through earlier successful partnerships in which PepsiCo received advice on the creation of such products as Lay’s Craft 100% olive oil or cream Alvalle.
Now the agreement is an even more enriching international cooperation, including all PepsiCo brands worldwide. Adrià, who describes himself as an artist, shared his passion with Indra and her team at the session. “While I know think they have a chef in front, I am expressing myself using the language of an artist in the kitchen,” he said.

From this philosophy, the prestigious Chef will create new snack products, more choices for breakfast, and will share samples, food trends and observations from around the world, expanding PepsiCo’s portfolio of healthier products. "

Cuma?! Primeiro, a tradução do espanhol está sofrível - grave para uma empresa desse porte e dessa reputação. Segundo, não entendi a lógica.... A blogueira escreve que "filosofia" segundo a qual Adrià é um artista (!!) o permitirá criar para a multinacional lanches novos?! Hãn?! Repita?!

Santo Deus.

A leitora (e xará) Alexandra deixou comentário dizendo "a parceria anunciada não foi com a marca Pepsi, mas sim com a empresa PepsiCo (dona da Pepsi, mas também da Elma Chips, Coqueiro, Lays, Quaker, etc)". Sim, Alexandra, isso mesmo. Eu digo Pepsi porque é como a empresa é mais conhecida, mas refiro-me à gigante dona dessas outras marcas que você cita. As maiores marcas da PepsiCo. são Quaker, Tropicana, Gatorade, e Frito-Lay (batatas chips).


E mais chef Ferran Adrià no Boa Vida, neste link.



Abaixo, o press release, na íntegra:


Ferran Adria, whose restaurant El Bulli in Spain has been named best in the world five times by Restaurant Magazine, will work with PepsiCo to help develop new methods and concepts for creative food innovation. This partnership follows an existing successful relationship between the two parties which began in 2005 and involved Chef Adria's consultation on PepsiCo Spain's Alvalle brand of chilled vegetable soups and Lay's Artesanas 100% olive oil among others.
Ferran Adria will share creative principles, methods, procedures and techniques in order to assist PepsiCo in the creation of new snackable foods, breakfast options and convenience alternatives. He will help to inspire PepsiCo's product development team by sharing samples, food trends and observations from around the world.

One specific area of focus for the partnership will be exploring the culinary arts to enable PepsiCo to broaden its portfolio of healthier choices. This includes developing taste enhancement ingredients and natural preserving techniques in order to reduce the use of fat and oil in current products, therefore making them healthier.

Indra Nooyi, PepsiCo Chairman and CEO, explained, "PepsiCo has had a long standing reputation for food innovation and this partnership, with arguably the best chef in the world, will enable us to move further forward with new creative concepts and ideas. We will also share our own creative principles and ideas, developed over our 46 year history, in order to help assist Ferran Adria with his mission to create a world leading gastronomic think tank and research facility in the future."
Ferran Adria said, "It is an honor for us, as well as a challenge, to be able to work so closely with a food company as important as PepsiCo and, most especially, with its extraordinary R&D teams around the world. This is certainly an enriching experience for both parties, from which we hope to obtain interesting results from our joint task, where El Bulli will provide its historic know-how regarding high level gastronomy as well as other areas of the food business."

About PepsiCo
PepsiCo offers the world's largest portfolio of billion-dollar food and beverage brands, including 19 different product lines that generate more than $1 billion in annual retail sales each. Our main businesses -- Quaker, Tropicana, Gatorade, Frito-Lay, and Pepsi Cola -- also make hundreds of other enjoyable and wholesome foods and beverages that are respected household names throughout the world. With net revenues of approximately $60 billion, PepsiCo's people are united by our unique commitment to sustainable growth by investing in a healthier future for people and our planet, which we believe also means a more successful future for PepsiCo. We call this commitment Performance with Purpose: PepsiCo's promise to provide a wide range of foods and beverages for local tastes; to find innovative ways to minimize our impact on the environment, including by conserving energy and water usage, and reducing packaging volume; to provide a great workplace for our associates; and to respect, support, and invest in the local communities where we operate. For more information, please visit www.pepsico.com.

31.5.11

A última ceia no El Bulli: detalhes e impressões dos pratos



Os frequentes relatos que escrevo aqui, mostrando prato a prato o que estava bom ou nem tanto nos restaurantes que visito, servem não só para guiar as escolhas de vocês, leitores, quando forem viajar, mas servem para mim também. São como uma segunda visita ao restaurante, me forçam a repensar cada gosto, procurar temas recorrentes, entender o porquê disto ou daquilo.

Mas um post prato-a-prato do meu último jantar no El Bulli me pareceria bobagem, porque a) ninguém poderá experimentar nada parecido e b) leitor nenhum aguentaria ler minhas impressões de um menu de QUARENTA E SETE serviços!

Ao mesmo tempo, sinto um ímpeto incontrolável de mostrar, dividir, deixar anotada, aqui, para eternidade, a genialidade que testemunhei naquele 19 de maio.

Comer no El Bulli nunca é fácil: há aspectos que encantam, outros que desagradam, agridem, intimidam. Talvez o modo mais simples de pintar um retrato do meu jantar seja, portanto, listar os altos e baixos que mais me marcaram:

BAIXOS

1- Na chegada, os clientes são educadamente forçados a passarem pela cozinha para cumprimentarem Ferran e tirarem fotos (assim ele evita que queiram falar com ele na saída). Detesto. Morro de vergonha de fazer esse papelão de turista, fico lá de pé, sem jeito, com 20 e tantos cozinheiros observando.

2- Ferran tem fixação por determinados ingredientes e texturas. Atualmente, anda fazendo muitas coisas leitosas, espumosas. Tenho um pouco de aflição do gosto de leite quando não é nem doce nem salgado, principalmente se tépido, confesso. Uma coisinha branca com cara de macarron, por exemplo, era na verdade uma maria-mole bem mole e aerada, com farelos gelados de parmesão por cima.



Outra coisa espumosa e leitosa que  não consegui comer? O "tiramisù", acompanhado de um caldo morno que tinha gosto de água suja. Blergh! Já tinha provado isso em setembro passado, e já tinha desgostado...



3- Em teoria, eu como de tudo - faz parte do meu trabalho. Mas há coisas que, se puder, eu dispenso. Como os percebes, aqueles moluscos que parecem um dedão de pedreiro que levou uma martelada (só uma vez na vida achei verdadeiramente bons, e isso foi graças à grelha mágica do Etxebarri). Estes do El Bulli vinham com caviar por cima e, dentro da casca de um deles, adivinhem caldo do quê?



Tampouco curto sabores marcadamente florais (como aqueles crème brulées de lavanda que têm gosto de sachê). Por isso achei pouca graça nas pétalas de rosas servidas de amuse bouche, sob polpa de maracujá. De tão frágeis e molengas, nos deram pinças ao invés de talheres. Na boca, ao serem mastigadas, um pálido amargor dominava.



ALTOS

1- Por avantgardista que seja a comida, o que nunca se diz é que no El Bulli o serviço permanece super old-fashioned, graças a Deus. Leia-se: garçons experientes e sempre atentos, com pleno domínio de cada composição de prato. Timing perfeito. E sommeliers sensíveis aos gostos e orçamentos dos clientes (sou muito chata com brancos e acertaram na mosca com o Plou i fa Sol 2009 Côte Garraf do Penedès, relativa pechincha e exatamente seco e mineral como eu queria).



2- Conforme o último dia de serviço vai se aproximando, Ferran vai rendendo-se à nostalgia. Pratos vintage foram tirados do baú, quem diria! Sorte minha: assim pude provar o famoso tagliatelli de consommé de mil anos atrás, à carbonara, com fina brunoise de queijo. Delícia pura!



Também ressucitaram o belíssimo "papel" de flores, em que fina lâmina de algodão doce aprisiona flores comestíveis - inclusive, quem diria, uma de jambú! (ou, se não era jambu aquele botãozinho que parecia elétrico na boca, era muuuuito parecido). Por coincidência, uns 3 anos atrás escrevi uma matéria sobre os avant-gardistas espanhois que abria justamente com esse "prato":

Então foi muito bacana poder finalmente comê-lo. Tem gosto de.... algodão doce! As flores não tem gosto de nada, claro, exceto uma que eu podia jurar ser jambú, embora não consiga entender como ele poderia arrumar jambú naquele fim de mundo.




3 - Se eu comparar este jantar ao de setembro passado, muito mais pratos me pareceram deliciosos. "A nível de" prazer gustativo, desta vez foi bem melhor. Eis meus favoritos:

Pacotinho de creme de pistache. A película, impossivelmente fininha, é crocante, doce e derrete-se na boca. O creme, de uma intensidade que potencializa o pistache. Pistache ao cubo, digamos.



Ar de parmesão!  O que eles chamam de "müesli", que vinha num saquinho à parte, mais parecia pedacinhos de pão sírio torrado e framboesas "lyo", ou desidratadas. Vinha à mesa em um falso pote de sorvete, de isopor. O ar, geladinho e etéreo, dissolvia-se de imediato sobre a língua, deixando um rastro de parmesão, gostoso contraste com a doçura discreta da fruta.



Duo de ervilhas (as mais escuras, verdadeiras) com filmes semi-transparentes de banha de jamón Joselito. Nham! O curioso é que vivem dizendo que Ferran inventa onda, transforma demais os alimentos, e no entanto, da dezena de pratos que comi recentemente com ervilha, este era o mais singelo, o que mais realçava o ingrediente.



Pontas de aspargos brancos. Uma vinha sobre um creminho de missô, outra sobre outro creme, mas isso era detalhe. De novo: produto, produto, produto. Quem sabe, sabe.


E, mostrando que Ferran anda com a cabeça focada em vegetais (comemos pouquíssima carne), fiquei fascinada com a sequência de pratos de nozes. Primeiro, gominhos tirados de pinhas dos pinheiros dali mesmo. Pareciam, na textura, gominhos de grapefruit, mas o gosto era outro, claro (a pinha partida ao meio servia só de demonstração). No copo, "suco" dos pinhõezinhos.



E aí vieram dois pratos incríveis de amêndoas, espécie de estudos da amêndoa em todos seus estágios de desenvolvimento (tinha até um envelopezinho contendo óleo dentro) e texturas. Fascinante.


O segundo prato de amêndoas vinha com um delicioso naco de pêssego grelhado. Mas as "amêndoas" não eram sempre amêndoas, uma confusão de realidade e ilusão que, no fim, acaba forçando a pessoa a se perguntar: afinal, o que é uma amêndoa?!




Achei curioso notar a crescente presença de ingredientes sul-americanos (jambú, polpa de maracujá, cachaça) e também japoneses (yuzu, feijão vermelho, missô, etc). Não é coincidência: Japão, Brasil e Peru são os lugares que mais fascinam Ferran ultimamente, gastronomicamente falando. Esta sobremesa abaixo, por exemplo, era Japão puro!



Que mais me encantou? Essa delícia aqui, lagosta com porco, um mar e monte inspirado em Shangai. Quase old-fashioned comparado com o resto, mas... delícia pura!



E por falar em delícia pura, que dizer de La Caja (A Caixa)? Daria pra passar duas horas beliscando pedacinhos de chocolates, não pode haver no mundo mignardises mais deslumbrantes em todos os sentidos:







E chega, que este post já está virando um livro! Quem quiser ver os outros pratos que comi pode assistir o vídeo abaixo....








E mais Ferran Adrià no Boa Vida:

28.5.11

Ferran Adrià e a capa da Esquire España que tem cheiro de El Bulli!


É, minha gente.... quem pensava que o homem ia ficar quietinho esperando o dia da "aposentadoria" chegar estava muito, muito enganado! O El Bulli vai deixar de existir no dia 30 de julho e, em homenagem a esse que é o maior restaurante de todos os tempos a Esquire espanhola fez uma capa em que, se riscando o título da revista, sente-se o cheiro daquele lugar mágico. Coincidência: justamente o cheiro sobre o qual venho escrevendo esses dias, depois de meu jantar ali na semana passada. E que procurei traduzir, através de fotos e imagens... Ferran fala, emocionado, desta capa olfativa, neste vídeo aqui.



E este segundo vídeo eu mesma fiz, de meu jantar lá na semana passada...




E mais Ferran Adrià e El Bulli:





27.5.11

A última ceia no El Bulli: coluna de ontem no Comida, da Folha


Isso aqui está igual novela da Globo: mó suspense! Depois do post de ontem, que narrava a linda viagem até o restaurante, hoje reproduzo aqui o texto que escrevi para o Comida, o caderno de gastronomia da Folha.


Só amanhã vou mostrar os pratos todos que experimentei no El Bulli... aguardem as cenas dos próximos capítulos! :)





A última ceia no El Bulli

    Escrevo estas linhas de Roses, na Catalunha, ainda mexida e desnorteada, na manhã seguinte ao meu derradeiro jantar no mítico El Bulli do chef Ferran Adrià. Que poderia lhes contar de novo? Pululam pela internet descrições e fotos mil das bizarrices que compõem o menu degustação. E já se escreveu à exaustão sobre o fim próximo do restaurante que revolucionou o mundo (fechará no 31 de julho por 3 anos para reforma milionária até ser reaberto como think tank, ou laboratório de ideias).

Palitos de cana de açúcar embebidos de caipirinha e de mojito
(os que têm folhinha de hortelã): "chupe!"


     Prefiro poupá-los de longo discurso crítico dos 47 bocados que provei (papel de flores! Caipirinha sólida!). Isso  só sublinharia a injustiça que faz dos que lá foram uns felizardos, e dos que sempre sonharam em ir mas não conseguiram reserva, uns azarados condenados a morrerem na vontade.

     É o fim de uma era, e quem não viu, não verá. E agora? Haverá sucessor à altura? Mesmo sem ter comido no Noma, que tomou do El Bulli o posto de número 1 no ranking dos 50 melhores do mundo, atrevo-me a dizer que não existe outro restaurante que tenha o mesmo poder de mexer no fundo da alma, de abalar emocionalmente quem se entrega a seus esquisitos sabores.

     Muito da magia do El Bulli está fora do prato. O percurso de táxi por estradinha deserta e periculosamente sinuosa desnuda paisagens de beleza comovente, íngremes montes semi-áridos indo de encontro ao mar imenso.




Naquele Parque Nacional de muitas baías o ar cheira a pinho e o grito dos pássaros mistura-se ao bater das ondas no cascalho.

Eis que surge naquele isolamento selvagem a casinha velha de ar familiar, com sua cristaleira repleta de buldogues (bullis) de porcelana....



    Tem um quê de surreal a caretice do espaço, contrastando estranhamente com o avant-gardismo dos ares, papéis comestíveis e encapsulamentos.



   A cada instante da noite encantada eu me via rindo, ou refletindo, ou buscando domar a forte emoção que me invadia o peito. Não chamaria aquilo de jantar, mas sim de uma janela que se abriu revelando o íntimo de um gênio. Epifania que durou curtas horas e me fez sentir, mais do que nunca, viva e plena.




25.5.11

A última ceia no El Bulli: no caminho, há que se cheirar as flores...



Exausta, abatida, com olheiras profundas e uns 2 ou 3 quilos a mais, reflito sobre os dias que se passaram. Uma viagem em dois capítulos.

Catalunha, Douro. Jantar no El Bulli seguido de ziguezague por quintas debruçadas sobre o mais belo rio de Portugal.


E só poderia mesmo começar pelo começo, pelo jantar que me fez cruzar o Atlântico. Mas vou mais longe: antes até de mostrar o que comi - e como comi, Deus do céu! - queria ver se explico de onde vem essa melancolia e esse turbilhão de emoções que senti mesmo antes de por os pés dentro do mítico restaurante.

Pouco se fala do Parque Nacional onde está o El Bulli, montanhas semi-áridas debruçadas sobre o mar onde quase não se vê viv'alma (mais especificamente, na baía onde fiz um xis verde, na ponta direita do mapa abaixo).



Chega-se lá de táxi, partindo de Roses, balneário cafoninha que há anos vive em boa parte dos "gastroturistas peregrinos".




Foi em Roses que dormimos, eu e minha amiga Marie-Claude Lortie, que é crítica gastronômica como eu.  Rachamos um quarto modesto em um hotel mais modesto ainda, o Mar y Sol, e logo ao chegarmos o senhorzinho da recepção nos reconheceu e perguntou:
"Quieren el mismo cuarto de la otra vez?"

Surreal!



Tomamos banho correndo, largamos tudo de qualquer jeito e saímos, apressadas, ansiosas, de vestido e salto alto e cheias de esperanças e expectativas. Nervosas, enfim.


Mas bastou o táxi começar a subir o morro, afastando-se do balneário, para entrarmos em outro mundo. As casas foram rareando até sumirem, ao entrarmos no parque nacional.




Ali, só mesmo mato, arbustos baixos, flores selvagens e o mar. Paisagem para fazer calar até o mais chato dos gastroturistas.



Nós, sedentas por absorver e saborear cada instante, cada curva, pedimos para o motorista parar, tiramos fotos, sentimos o vento cheiroso e quente, deixamos, por uns instantes, a armadura cair e entregamo-nos a uma alegria infantil de turistas entusiasmadas.





Até que chegamos.

E como não poderia deixar de ser, Ferran Adrià nos virou de ponta-cabeça, mesmo se achávamos que seria, de certa forma, mais do mesmo que tínhamos visto em setembro passado. Mas qual o quê! Ele serviu-nos 47 bocados mágicos que não me saem da cabeça - tema da minha coluna de amanhã no caderno Comida, da Folha.... depois mostro fotos de cada um, prometo.

E com isso dou tchau, que já quase não consigo segurar os olhos abertos, e o voo de volta ao Canadá sai em poucas horas....



Aqui, vídeo que fiz do meu jantar no El Bulli em setembro de 2010...



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