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26.2.12

Brasserie T!, em Montréal: RESTAGRAM do dia

Vieiras com trufas negras e endívias

Tartare de veado do Québec com fritas

Falsa trufa de chocolate (com gosto de banana), "farelo" crocante


COMIDA: 9,5
AMBIENTE: 8
SERVIÇO: 9

Brasserie T!: 1425 rue Jeanne-Mance
(esquina com rua St. Catherine), tel. (514) 282-0808


Cliquem aqui para ver mais RESTAGRAMS de restaurantes de São Paulo.
RESTAGRAM do F Bar, em Montréal

O que é um RESTAGRAM:
Como bem diz o nome, uma versão comidística de um INSTAGRAM (foto de iPhone) tirada no restaurante X ou Y, seguida, sempre, das notas que dei para aquele jantar. 

Sim, as notas são subjetivas. De sete pra cima, quer dizer que gostei. Oito, muito bom. Nove, excelente. Dez, perfeito. Nem preciso explicar o óbvio, espero: meço o serviço de um boteco, por exemplo, contra aquilo que espero de um boteco, não comparando-o ao de um lugar fino. Idem a comida. Idem o ambiente. Por isso posso dar um 10 para o ambiente de um botequim, se dentro do que se propõe a fazer, é super charmoso, assim como posso dar um 5 para um restaurante chiquérrimo que me pareça metido a besta ou desconfortável.

E, por fim, digo que são notas nada definitivas: refletem a minha experiência naquele lugar naquele dia.

25.6.11

Peixes e crustáceos em perigo: um alerta da jornalista Marie-Claude Lortie



Tenho falado pra vocês que um dos fatores que encorajam sobrepesca de espécies ameaçadas é quando o público pouco sabe, e não se interessa em conhecer os peixes e crustáceos que come. Foi esse o tema, inclusive, da minha coluna desta semana no caderno Comida, da Folha, que focava no atum bluefin.

Sob o risco de entediar quem não tem lá grande vontade de ler tanto sobre o tema, sinto que preciso voltar a bater nessa tecla.... Fica o aviso: este post não faz nada o tipo curtinho-e-levinho, quem preferir que pare por aqui! :)

Aos que entendem francês, recomendo vivamente a leitura da reportagem publicada hoje no jornal La Presse pela crítica gastronômica Marie-Claude Lortie, que repete alguns dos mesmos pontos que levantei também nesta semana na Folha.

A matéria dela foca no Québec, é claro - uma província gigantesca, maior do que muito país europeu, com incrível abundância de produtos da terra e do mar. 

Mas a questão-chave é a mesma: se as pessoas tivessem a cabeça mais aberta procurariam comer peixes e moluscos de espécies menos conhecidas, mas nem por isso menos gostosas - e na época certa. Isso aliviaria a pressão sobre o bluefin, o Chilean Sea Bass (Patagonian Toothfish) e o bacalhau, entre outros animais ameaçados.

O golfo do rio São Lourenço está repleto de peixes e frutos do mar de primeira, conta ela. Os melhores chefs de Montréal, como Normand Laprise do Toqué!, sabem disso e procuram servir justamente esses produtos, e não aqueles importados de outros países. 

chef Normand Laprise

Mas é uma questão beeeem complicada. Por dessas grandes ironias, a maior parte do que se pesca no golfo vai para o Japão (de novo ele, o Japão, o grande vilão!). Os japoneses simplesmente pagam mais e pagam no prazo. Sobra pouco para chefs locais como Laprise - e esse pouco acaba inflacionado pelos japoneses. Outro problema: pescadores preferem pescar somente aquilo que tem saída garantida, como a lagosta. Relutam em gastar tempo e esforços pescando coisas que os consumidores não conhecem e não pedem nos restaurantes. Inicia-se assim um ciclo vicioso: o consumidor não conhece e não pede, então o chef não põe no menu e o pescador não pesca, e assim explica-se a gama limitada de peixes e crustáceos oferecidos na maioria dos lugares.

Felizmente, chefs como Laprise remam contra a corrente.

Brasserie T!, em Montreal



Primeiro, o plateau de frutos do mar de sua Brasserie T! (versão mais barata e descontraída do Toqué!) é um exemplo de diversidade e de repeito ao produto local. Tudo vem da província do Québec ou, no máximo, das províncias mais ao Leste, como Nova Scotia ou New Brunswick.


Mexilhões e vieiras das ilhas Magdalen (essas últimas, disponíveis só três semanas por ano, e servidas em ceviche com moranguinhos de verão). Lagosta do Québec. Camarõezinhos nórdicos (crevettes de Matane)... 
Eu não conhecia o whelk (a linda concha no centro, molusco gastrópode primo do búzio brasileiro) - que ele retirou da concha, preparou na chapa e serviu usando a concha como recipiente para o molho aïoli. 



Ah, sim, e ouriço de Rimouski na própria concha com creme e brunoise de batata cozida. 


O ouriço daqui tem sabor muito mais suave do que o ouriço brasileiro, e espinhas quase macias, esverdeadas, além de ser bem menor. Gostei muito! E embora pareça over "empetecá-lo" com creme de leite e batata, era simplesmente um manjar dos deuses, tive que pedir para repetir!

Mas o que me impressionou foi o cuidado em buscar, o mais perto possível, cada um daqueles elementos do plateau. Quando não acham, é simples: o plateau sai do menu imediatamente!! 
Agora, quero achar um restaurante no Brasil que sirva algo equivalente, com uma larga amostragem de produtos dos nossos mares. Quem sabe indicar?



BRASSERIE T!
1425 rua Jeanne-Mance (esquina com rua St. Catherine)
 11:30 até o último cliente
Tel 514-282-0808
           


3.10.10

Brasserie T!, Le Petit Hôtel.... Montreal no The New York Times... de novo!

Matéria do The New York Times abre com prato de
terrines, patés e fromage de tête da Brasserie T!

Não é de hoje que o The New York Times tem um caso de amor com Montreal.... Nunca vi ficarem mais do que 3 meses sem publicar algo elogioso sobre a cidade.

Em agosto aconteceu de novo: materinha esperta e pontual com dicas de como passar 36 horas prazerosas por aqui.


A foto que abre a matéria é da tábua de charcuteries maison (nham nham!) da Brasserie T! - que eu já comi umas três vezes, a última delas anteontem. Bom, bom, bom demais. Bola dentro do NYT, como sempre.

Aproveito pra reproduzir a seguir meu post sobre a Brasserie T!, que, de fato, é uma das melhores coisas que esta cidade tem atualmente - fiquei feliz de ver que o excelentíssimo jornal concordou comigo! :)


Brasserie T! do chef Normand Laprise: comidinha de bistrô nota mil






Montreal ferve durante o festival de jazz, e embora não faltem lugares pra comer e beber em volta dos muitos palcos montados no complexo Quartier des Spectacles - de mil barraquinhas a fast foods e quetais - os lugares mais badalados do pedaço, sem dúvida, são os dois novíssimos e vizinhos restôs dos top restaurateurs Normand Laprise e Carlos Ferreira.

Ambos parecem brotar da calçada como se fossem aquários, e têm vastos janelões que se abrem pra esplanada principal do festival.



A Brasserie T!  é do famoso chef Normand Laprise, cujo principal restaurante, o Toqué, é o mais chique de Montreal. Apesar do alto pedigree, trata-se de um cara simples e ultra simpático:  




Adoro as vidraças abertas pra rua, a transparência do espaço e como ele interage com seu entorno:


E que à noite ganham um charme extra, porque os jatos d'água parecem dançar e ganham show de luzes que vão mudando de cor, como em uma coreografia:



A Brasserie T! serve pratos simples e a bom preço, e a cozinha, nesta primeira fase, fica a cargo do Charles-Antoine Crête, há anos braço-direito de Laprise:




Há muitos velhos clássicos, como esses deliciosos ovos recheados...


E terrinas e salsichas variadas, o que anda super na moda. O plâteau de terrines e patés, que dá pra duas ou três pessoas, tem que ser pedido: vem com brioche tostado, tête de fromage salpicada com flor de sal; uma maravilhosa terrine de pato; paté de figado de galinha, e creton, uma espécie de patê de porco ultra típico do Québec (na foto abaixo, à direita).


Frescor e simplicidade: asparagos com sauce gribèche (agora já fora de estação, infelizmente):


 Não adianta querer pedir os aspargos da foto: não é mais época e aqui a sazonalidade é levada a sério. O consolo: essa linguiça de galinha de angola, apelidada de saucisse de Montréal, nunca vai sair do menu e é ma-ra-vi-lho-sa. Desmancha na boca (coisa que raras linguiças fazem) e tem um quê de defumada. Nham!





 Pra dar uma quebrada nas carnes e nos embutidos, vá de salmão cozido em baixa temperatura. Parece ter sido confitado e tem textura amanteigada, como um sashimi ligeiramente mais rijo. A crocante saladinha de erva doce fatiada fina como papel vai super bem como acompanhamento:





Chef Charles bolou um carrinho de doces e queijos que ele chamou de "DJ booth du manger", ou chariot de l'amour. E pra quem não sabe: os queijos artesanais do Québec estão entre os melhores do mundo, às vezes batem até os franceses!



Ma-ra-vi-lho-sa a torta de morango e ruibarbo (trottoir aux fruits) com calda de morango ultra fresca e concentrada.


Não provei mas achei legais os suspiros com sabor de menta, whisky ou Ricard que o chef Charles batizou de "sputniks":




Céus! Devorei também esses biscoitos de chocolate que eram fofos como nuvens.


Brasserie T!: 1425 rue Jeanne-Mance (corner of St. Catherine), tel. (514) 282-0808


site oficial do Quartier des Spectacles
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