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14.4.13

Posts na FOLHA: Bourdain em São Paulo, novo restaurante dos Adrià em Barcelona, etc.

M.Wells, no museu MOMA P.S.1 em matéria que fiz para a CASA VOGUE


De vez em quando passo aqui só para dividir com vocês os links para os posts da "casa nova", lá na FOLHA. Não vou perder tempo linkando tudo, mas esses posts a seguir, em especial, acho relevantes... comentários, como sempre, são super bem-vindos!

1 - Primeiras fotos do restaurante nipo-peruano Pakta, de Albert Adrià, em Barcelona
2 - M.Wells no museu MOMA P.S.1 em Nova York, de um discípulo do chef Martin Picard: cool e delicioso
3- O hotelier André Balazs abre um segundo hotel The Standard em Nova York, na Bowery
4- Ferran Adrià fatura US$ 1.8 milhões para a El Bulli Foundation em leilão na Sotheby's
5- Mel urbano virou hype - e faz bem ao meio-ambiente
6- As 50 escolhas foodie do jornal The Observer: ótimas dicas de Londres!
7- Mocotó Café, o novo restaurante do chef Rodrigo Oliveira
8- O culto ao café de origem e nossa representante paulistana, a Isabela Raposeiras do Coffee Lab
9- Bar Tatu, no subsolo do restaurante Jacarandá em Pinheiros: ótima novidade
10- "Um chef tem que saber beijar bem, mesmo sem saber quem ele está beijando"
11- Um jantar vale 1220 reais? Minha conta no Frantzén/Lindeberg em Estocolmo
12- Mission Chinese, em Nova York, e o chef-proprietário Danny Bowien, explodem em cena
13- Minha "briga" com o dono do Chez Sardine, novidade ultrabadalada de Nova York
14- A moda da salada caesar "reinventada" e restaurantes de Nova York
15- Decepção no japonês de Nova York mais elogiado por chefs: Kajitsu
16- O bacaníssimo hotel NoMAD em Nova York
17- Ici Brasserie no Shopping JK: primeiras impressões
18- Salvation Taco, em Nova York:o novo mexicano da chef April Bloomfield (The Breslin, John Dory)
19- Episódio do programa The Layover do Anthony Bourdain sobre São Paulo.

14.9.12

Chefs Daniel Humm (Eleven Madison Park) e Grant Achatz (Alinea) trocam de cozinha



Essa ideia leva, na minha opinião, o prêmio de originalidade. Os chefs Grant Achatz e Daniel Humm, super amigos, resolveram trocar de cozinha por uns dias, com equipe e tudo. Achatz vai cozinhar no Eleven Madison Park, em Nova York, e Humm vai cozinhar no Alinea, em Chicago, #1 dos Estados Unidos no 50 Best.

Esse vídeo explica melhor: MUITO bom!





O mistério é proposital. Maiores informações "vazarão" no Facebook, nesta página aqui.



Como já escrevi algumas vezes, acho que o Daniel Humm está no auge de sua carreira.
(Aqui, o texto que escrevi sobre ele no caderno COMIDA, da Folha).

E o melhor: Humm está de viagem marcada para São Paulo! Ele vai palestrar na Semana Mesa SP e cozinhar no restaurante Clos de Tapas na semana do 5 de novembro.

ADENDO - agora soltaram uma página explicativa, respondendo a várias FAQs (frequently asked questions) - neste link.


5.3.12

Restaurantes de Nova York: as melhores novidades


Meu amigo Arthur está indo para Nova York e pede dicas. Como ele vai lá mais frequentemente até do que eu, não posso mandar dicas de "velhos" favoritos, como o Minetta Tavern, por exemplo - ele já está careca de conhecer!

Para ele - e, de quebra, para quem mais se interessar por novidades novaiorquinas - passo a seguir a lista de lugares onde eu iria comer se estivesse de viagem marcada pra lá:

Torrisi 
Os chefs e amigos Rich Torrisi e Mario Carbone (que trabalharam no Del Posto e no Cafe Boulud) servem comida ítalo-americana super refinada em ambiente cool. Comida séria, lugar descolado. Não é exatamente novo, mas antes o esquema era mais mambembe. Depois que começaram a fazer muito sucesso com seus menus-degustação super baratos e deliciosos, os sócios deram uma profissionalizada na coisa.
Cliquem aqui para ver um relato prato-a-prato no blog Serious Eats, com fotos.

Kajitsu
Um japonês diferente de todos os outros, faladíssimo nas rodas de entendidos. Tem uma pegada vegetariana.
414 East 9th Street, tel. (212) 228-4873

Saxon and Parole
Na sempre fervida Bowery, corredor gastronômico de Manhattan. Dica da minha amiga Karin.
316 Bowery, corner of Bleecker St., tel. (212) 254-0350

Lelabar
Um super wine bar perfeito para ir comer sozinho, acaba de ser eleito um dos top wine bars dos Estados Unidos na Travel + Leisure deste mês.
422 Hudston St., tel. (212) 206-0594


Hotel Americano
Eu iria também dar uma conferida no bar do novo e ultracool Hotel Americano, dos meus hoteleiros favoritos (o grupo Habita, do México).
518 West 27th St., tel. (212) 525-0000

14.11.11

Os 10 melhores restaurantes de Nova York: minha lista, atualizada



Hoje recebi um email de um amigo paulistano pra lá de fino. Arquiteto e designer, sabe tudo, viaja muito, tem um escritório em Manhattan. E ele tinha me pedido umas dicas de onde comer em Nova York, dizendo estar cansado dos lugares da moda e dos mesmos de sempre. Mandei pra ele minha lista, dizendo que ele tinha que experimentar, especialmente, meus dois favoritíssimos do momento, The Dutch e Esca. E vejam o que ele me escreveu no email:


"Obrigado pelas dicas....acabei de chegar do The Dutch e adorei! A decoração , a musica, a falta de toalha na mesa não condizem com a comida que é maravilhosa e só ajuda ao restaurante ser 30 por cento mais barato do que poderia ser....rsssssss...... O Esca tambem foi excelente, o melhor branzino no sal que ja comi  for sure. Tksss , bjs"

Recomendar restaurantes é coisa que eu levo MUITO a sério. Longe de mim estragar a noite de um leitor mandando ele numa roubada! Por isso fiquei feliz feliz feliz de ver que acertei na mosca.

E aproveito pra repetir aqui: esses dois restaurantes são daqueles raros onde come-se sempre bem. Pra ir sem medo!

Aproveitando o embalo, eis a seguir a versão atualizada dos meus 10 favoritos, deixando de fora alguns clássicos sempre maravilhosos (Le Bernardin, Daniel) que as pessoas já estão carecas de conhecer. (E por falar em clássicos, aqui meu post sobre o Guia Michelin de Nova York 2012 e  todos os restaurantes estrelados).

Minha lista é pra lá de subjetiva, claro, e reflete os gostos muito peculiares de uma comilã insaciável. E atenção: não estão em ordem de preferência!

  1. Momofuku Ssäm Bar
  2. Esca
  3. The Dutch
  4. Franny's (no Brooklyn, mas vale a viagem)
  5. Pulino's (pizza, badalo)
  6. Del Posto (italiano chique)
  7. The Standard Grill
  8. Eleven Madison Park
  9. Minetta Tavern
  10. DBGB
E a seguir, o porquê das minhas escolhas....


Esse restaurante com bar de ostras e imensos janelões, numa esquina do Soho, é encantadoramente belo. Do mesmo chef Andrew Carmellini do Locanda Verde, serve pratos como siri com bloody mary que tiram o fôlego de tão deliciosos e coquetéis malucos porém interessantíssimos.
131 Sullivan St. tel. (212) 677-6200



Momofuku Ssam Bar


Momofuku Ssam Bar

Animado, barulhento, sempre lotado, comida de-li-ci-o-sa focada em porco e sabores asiáticos. Conforto, há pouco: os bancos são toras de madeira cortadas em cubo ou retângulo.
O menu divide-se em capítulos: crus, presuntos, da estação/da região, miúdos, etc. E as porções, pequenas, permitem que se peçam vários pratinhos pra experimentar.
Imprescindível experimentar o sanduichinho de barriga de porco no steamed bun (pãozinho feito no vapor, quase uma panqueca gorducha). Pra dar um contraste, julienne de pepino e scallions. Maciozinho e quentinho, a carne uma manteiga, cada bocada um pedacinho do céu.
Agora, eles aumentaram o espaço e no almoço servem só pratos com pato, do sanduíche com musse de pato ao arroz com pato assado. Até a mortadela e a pancetta são de pato!
SSAM BAR 207 Second Avenue, tel. (212) 254-3500 - não fazem reserva


Sanduíche de porco no steamed bun do Momofuku Ssäm Bar







Minetta Tavern

Minetta Tavern 
Em uma ruela no Village, pequeno, apertadinho, ultrabadalado, sempre lotado, difícil de reservar, super bife, super hambúrguer, comida pendendo para francesa deliciosa. Meses foram gastos no restauro dessa velha taverna do Village de modo que quase não se diferencia o novo do original. Fica numa viela, rodeado de barzinhos encardidos, neons, lojas furrecas, uma coisa assim bem alternativa. Mas sua clientela bem-vestida e ruidosa não tem nada de alternativa: famosos, aspirantes a famosos e boa parte do who’s who de Nova York. Reservar com muita antecedência é primordial.
  Nunca comi algo lá que não estivesse excelente. Gosto bastante do trio de tartares, por exemplo: vitela com trufa preta, cordeiro com menta e azeitona e carne com mostarda e picles. Carnes cortadas na faca com cuidado, os cubinhos todos idênticos, de um rosa e um vermelho intensos, e claramente de uma qualidade e frescura bem superiores à média. Outro de meus favoritos é o tutano de boi servido ainda no osso, aquela gordura rica e explodindo de sabor, salpicada de salsinha e tomilho picados e, pra acompanhar, fatias tostadas de baguete. Mas verdade seja dita: quase todo mundo que vai comer lá pede a carne (maturada, perfeita) ou o Minetta Burger (com queijo cheddar e cebola caramelada).

Minetta Tavern: Rua MacDougal esquina com Minetta Lane, tel. 212-475-3850









  Esca
 Peixes e frutos do mar? Querendo gastar, sempre há o excelente Le Bernardin (155 West 51st Street . tel. (212)-554-1515 ) - caro, careta, formal, clientela business, salão meio anos 80 mas mesmo assim um dos meus favoritíssimos porque os peixes são simplesmente maravilhosos. Quem nunca foi tem que ir, nem que seja uma vez na vida.


Mas, atualmente, se é para comer em um bom restaurante de peixes e frutos do mar, prefiro o Esca. Simples, com toalhas brancas nas mesas e paredes pintadas de creme. Em um endereço ermo, no bairro Hell’s Kitchen e perto da megaloja de fotografia B+H, brilha pelo que traz no prato: delícias recém-tiradas do mar, sempre com a maior qualidade possível.


Crudo de vieiras do Esca, o melhor que já comi
Os crudos são impecáveis, idem os peixes servidos inteiros, trazidos à mesa em frigideira funda de cobre. Até a sopa de pescados e mariscos merece aplausos. O chef e entendido no assunto chama-se Dave Pasternak, mas por trás dele há a mão onipresente de Mario Batali, sócio-proprietário do negócio. Este é para anotar, sem falta, no caderninho…
Esca: 402 West 43rd Street, tel. 212 564-7272, www.esca-nyc.com















Standard Grill: super hambúrguer no Meatpacking

The Standard Grill 
No térreo do hotel Standard, no Meatpacking, especializado em carnes e hambúrgueres, ambiente super charmoso, muito badalado. Em geral, ótima comida.
Rua Washington , 846, esquina com rua 13.Tel. (212) 645-4646








The Breslin

Melhor brunch de Nova York e ponto final. A inglesinha April Bloomsfield é uma chef durona, perfeccionista e o resultado percebe-se. Mesmo sendo uma cozinha simples, farta, robusta, é executada com grande rigor. Resultado: hambúrguer perfeito, fritas perfeitas, salada caesar das melhores que comi na vida, tomates assados que fazem suspirar. Mas cuidado: aquilo ali lota todo fim de semana então o jeito é ir muito cedo ou preparar-se pra tomar umas no bar....


No escurinho The Breslin dá para encomendar um assado inteiro para
dividir com amigos na mesa de frente para a cozinha






DBGB, na Bowery, do Daniel Boulud

DBGB 
Lugar casual do famoso chef Daniel Boulud, seu primeiro negócio na parte mais cool da cidade, a Bowery (Downtown, perto de Nolita). Escurinho, hambúrgueres deliciosos, barulhento, badalado. Fachadinha apagada, de vidro, sem graça nenhuma. Mas uma vez lá dentro a gente vê que na verdade o décor é lindo: salão principal tem uma cara bem diferentona, com sofás cinza-granito de espalda alta formam “booths” e as mesas ficam meio engaioladas no centro de um cercado de prateleiras, onde ficam expostas panelas de cobres presenteadas por chefs famosos, conservas e garrafas de vinho. O hambúrguer chamado “the piggie” tem por cima da carne de hambúrguer um montinho de carne de porco barbecue desfiada; pão feito com cheddar e milho, e uma maionese de pimenta jalapeño pra dar um coice leve. Ma-ra-vi-lho-so, gostinho bem defumado, irresistível contraste de doce, salgado e picante. E macio como colo de babá. Costuma vir com fritas mas pedi uma salada de alface bib – pecado, eu sei… O cachorro quente da casa é outra maravilha: o pão, tostado; a salsicha, gorda e levemente defumada.
DBGB: Rua Bowery, 299, tel. (212) 933-5300
Post em que eu mostro todos os pratos que experimentei, neste link.


 

Eleven Madison Par



Eleven Madison Park 
Lindo, lindo, lindo (principalmente de dia), pra ir com a namorada ou mulher, muito elegante e bastante caro mas a comida vale cada dólar. Fica de frente para o parque que lhe dá nome.
Eleven Madison Park: Av. Madison, 11, tel. (212) 889-0905
Post em inglês em que eu mostro todos os pratos que experimentei.






Pulino’s 
A pizzaria badalada do Keith McNally dono do Balthazar, Pastis, Morandi, Minetta Tavern, na Bowery, que tornou-se verdadeiro corredor gastronômico. Lugar sempre ultra-lotado (reservem sem falta!) pra comer pizza bem-feita, e carnes assadas também em forno à lenha.
282 Bowery, tel. (212) 226-1966, www.pulinosny.com
Aqui, um post em que eu descrevo o Pulino's em detalhes, com fotos dos pratos


Del Posto, o super italino do Mario Batali no Meatpacking
Del Posto 
O italiano do Mario Batali no Meatpacking que recebeu a cotação máxima do crítico do The New York Times. Lindo, chique e… delicioso.
Saiba mais sobre o Del Posto, aqui.

19.10.11

Per Se, Daniel, Bernardin, etc.: os melhores restaurantes de Nova York: Michelin 2012

Eleven Madison Park: 3 estrelas no guia Michelin

Com atraso, e sem muito tempo de fazer comentários a respeito, e sem querer com isso dizer que acho que o Guia Michelin acertou em tudo, divido com vocês a lista de estrelados do guia na edição 2012.

Digo apenas que a lista inclui lugares onde eu não gastaria meus valiosos tostões, como Marea, Corton e Adour. Mas, de uma forma geral - e nessa era de perigosos rankings de amadores e/ou gente de rabo preso - de uma forma geral, trata-se de um raioX razoavelmente coerente e verdadeiro de quem está fazendo as coisas direito em Nova York.


4.9.11

Restaurante Manzo, no Eataly, em Nova York: chef ex-Babbo, vitello tonnato nota 10




Ja falou-se e escreveu-se muito sobre o Eataly, aquele megamercado gourmet vendendo todo o tipo de guloseima made in Italy. Espécie de Disneylândia para foodies.




Então.... em dezembro fui conhecer o Eataly e fiquei impressionada com a quantidade de tudo: gente, chocolate, carne, sorvete, pão, massas. Uma bagunça alegre, em suma, que combina compras e gastronomia (há vários “restaurantes” dentro do mercado, cada qual com uma especialidade). Eu, que detesto filas e multidões, me cansei ali dentro depois de cinco minutos, mas entendo que há quem goste. Ou melhor dizendo: há muita gente que adora! :)




Mas no meio daquele formigueiro há um canto mais reservado e pacífico: o restaurante Manzo.

bar do restaurante Manzo, no Eataly


Apesar do nome (boi, em italiano), seu menu vai muito além de carnes. Bob Noto, um amigo de Turim e grande conhecedor do assunto, jantou ali na sexta-feira e me garantiu que os melhores pratos são a carne crua, a codorna frita, o vitello tonnato e o papardelle com ragù di salsiccia. O chef é Michael Toscano, ex-Babbo.

Papardelle com ragù di salsiccia do Manzo


Fui jantar lá, sentei-me no balcão e pedi tudo o que o Bob recomendou, exceto a codorna. Não vou dizer que tenha achado nada de extraordinário, mas estava bem bom. O "tartare" de carne, com gema crua por cima e torradas trufadas, achei muito bem temperado. Mas o melhor, pra mim, era o vitello tonnato, a carne agradavelmente rosa-bebê, o creminho de atum muito aveludado e suave.



Em suma: mais um italiano de responsa em Manhattan.


Manzo at Eataly
200 5th Avenue, tel. (212) 229-2180, http://eatalyny.com

30.8.11

M. Wells, restaurante mais falado de Nova York, fecha as portas



Era uma vez o M. Wells, um restaurante–casual-porém-gastronomicamente-ambiciosíssimo.

Hoje é sua última noite de funcionamento.

R.I.P.

Um lugar com cara de diner americano mas alma de bistrô québecois, que durou pouco mas teve vida intensa e glórias mil.

E porque diabos esse tal de M. Wells deu tanto o que falar, enquanto existiu?

A resposta, curiosamente, está no link do que era servido ali e um certo chef de Montréal: o cultuado Martin Picard, dono do igualmente cultuado Au Pied de Cochon.

Se o M.Wells lembrava um pouco o Au Pied de Cochon, não era coincidência. O chef e dono, Hugue Dufour, foi sous-chef do APDC vários anos. Mudou-se de Montreal para Nova York e, sem grana para abrir algo em Manhattan, alugou um velho diner em Long Island City.

O M.Wells fez fama servindo pratos ogros, enormes, rústicos, claramente inspirados na cozinha québecoise-renovada de Martin Picard.

Chef Martin Picard (à direita) com o restaurateur Carlos Ferreira, em Montreal


Picard tornou-se alguns anos atrás, sem querer, uma espécie de guru de chefs como Anthony Bourdain e David Chang. Ele faz uma cozinha nose-to-tail (usa o animal inteiro, da fuça ao rabo), bem carnívora, bem farta, com ênfase em foie gras, porco e sua versão de velhos clássicos do Québec.
Dufour tornou-se uma espécie de representante de Picard em solo americano. 

The rest, como diriam os americanos, is history.



Alguém o descobriu perdido naquela lonjura de Long Island City, contou aos amigos, e assim a boa nova foi se espalhando e pipocando na mídia até que o M.Wells virou, simplesmente, o restaurante mais falado da cidade. Choveram elogios à cozinha rústica porém ao mesmo tempo refinada de Dufour (mesmo se apresentados displiscentemente, os ingredientes têm altíssimo nível de qualidade, e aparecem em combinações inspiradas e bem-executadas – um falso casual, digamos).

Uma crítica especialmente favorável – e com divertido slide show – foi publicada no The New York Times em abril.

Bom, se a história do lugar já era interessante assim, ficou ainda mais quando foi anunciado que Hugue e sua mulher não conseguiriam renovar o aluguel do imóvel e teriam que fechar o M.Wells no fim de agosto.



Recebi um email deles que dizia assim:
“Os detalhes da negociação são de virar o estômago. Depois de meses tentanto negociar, desistimos e aceitamos o fato de que não era para continuarmos inquilinos daqui. A boa notícia é que reabriremos em algum lugar aqui perto, em breve. Enquanto isso, vamos encerrar em grande estilo, com uma série de mega jantares. (….)”
Como prévia para o último fim de semana, apesar do furacão Irene que chegava, recebi outro email:
“Estamos cozinhando há dias para esse épico fim e estamos super pilhados para fazer os últimos FareWells Dinners. A não ser que um de nós – ou o restaurante em si – seja levado para baixo do East River, estaremos abertos este fim de semana. Transporte público talvez inexista então encorajamos que você pegue carona. Seu espírito de aventura será bem recompensado.”



Mas esperem, tem mais! O jeito-descontraído-de-ser de Dufour e sua equipe acabou irritando o crítico de restaurantes da GQ, Alan Richman. A história é longa – MUITO longa. E envolve até uma garçonete acusando ter levado dele um tapa na bunda!!!

Inacreditável. Ele conta nesta matéria tintim-por-tintim nesse escandaloso texto (em que ele poderia ter focado um pouco menos nele e mais nas questões maiores…).

O título? “Diner para trouxas”. Imperdível para quem lê bem em inglês.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…




E para saber mais sobre o chef Martin Picard, clique aqui.

6.8.11

Terminal da TWA em JFK, Nova York: asas de gaivota de Saarinen devem virar hotel



Vivemos na era do downsizing aéreo: poltronas na classe econômica cada vez mais apertadas e companhias aéreas oferecendo cada vez menos a bordo, e cobrando até pelo uso de cobertores, travesseiros e até fones de ouvido. Por isso é notável o movimento da americana Jetblue na contramão da mentalidade muquirana. A empresa gastou nada menos que 800 milhões de dólares para construir seu Terminal 5 no aeroporto John F. Kennedy, inaugurado em 2008 – e no processo, consolidou sua imagem eco-consciente e tecnológica.


Luz natural! Wifi grátis! Restaurantes superdescolados! Acabo de voltar de Nova York, voando de Jet Blue, e posso atestar que o terminal tornou minha viagem infinitamente mais tranquila e divertida.
O T5, inaugurado em 2008, foi desenhado com incrível bom gosto e pensado para transmitir uma sensação de calma. Espaço de sobra. Pé-direito altíssimo. Pouco barulho. Detalhes que fazem toda a diferença!

Impressionam a qualidade de seus restaurantes – um espanhol, um bistrô, um japonês – todos com décor e design bacaníssimos – e a abundância de toques hi-tech. As estações para check-in self-serve, cada vez mais comuns em todos os aeroportos, são onipresentes, claro. Mas a computadorização vai muito além daquilo... Há vending machines, por exemplo, que ao invés de conterem batatas chips e refrigerantes, vendem iPhones e iPods. Operadas pela Apple, as máquinas vendem grande variedade de gadgets para macmaníacos, bastando passar o cartão no leitor e alguns cliques na tela sensível ao toque (touchscreen) para levar o brinquedo para casa.

Ainda mais incrível é o restaurante virtual Re:Vive, que consiste em algumas banquetas alto-design de frente para touchscreens mostrando convidativas fotos de pratos e bebidas. Basta tocar a opção escolhida com o dedo, passar o cartão e sentar ali mesmo para ler o jornal. Em dez minutos surgirá um garçom sabe-se lá de onde com a comida, embalada para ser levada a bordo ou aberta ali mesmo.



Quem diria: justo a companhia americana que associa sua imagem a passagens baratas é dona do mais belo e moderno terminal de JFK! Outro grande trunfo: o T5 conecta-se por passarela ao famoso terminal da extinta TWA, hoje fechado ao público mas ainda bem visível a quem chega em Nova York de Jet Blue. Desenhado por Eero Saarinen para lembrar asas de gaivota em voo, o belíssimo TWA Flight Center já apareceu em vários filmes de Hollywood (inclusive o delicioso Prenda-me se for capaz, com Leonardo di Caprio).

Eventualmente o terminal – maior símbolo dos anos dourados da aviação – será reaberto, provavelmente abrigando um hotel butique. Se hoje já dou preferência à Jet Blue ao comprar passagem para Nova York, o dia em que seu terminal de JFK der acesso a um hotel instalado em pleno TWA Flight Center, não tenham dúvida que viajarei um dia antes só para me dar o luxo de dormir sob as asas aerodinâmicas de Saarinen.

5.8.11

Restaurante Le Bernardin de Nova York refaz o décor e reabre em setembro

Chef Eric Ripert
O Le Bernardin, do chef Eric Ripert, é indisputavelmente o melhor restaurante de peixes de Nova York, fato comprovado por dezenas de prêmios e títulos e críticas em jornais e revistas. Sempre adorei comer lá, uma aula de como preparar coisas de rio e mar com o nível máximo de respeito pelo produto e sofisticação. Os pratos do Bernardin são, para mim, a epítome da francesice boa, atual: finos, no melhor sentido da palavra.

Sempre me pedem dicas de Nova York e só não indico mais o Le Bernardin porque, além de caro, ele tem um jeitão meio corporativo, meio pessoa jurídica, sabem como? Salão careta, muita gente de terno e gravata, localização no miolo do Midtown.


Fotos: divulgação

Pois não é que o chef-proprietário Eric Ripert anunciou agorinha no Twitter que ficará fechado neste mês de agosto para reformas? Vejam o tweet dele:
“Le Bernardin close5weeks in august.Modern,convivial,timeless,luxurious, comfortable,sexy=key words for our reinvention/design Food?our best!”


Chef Eric Ripert (à esq.) com o chef Thomas Keller (Per Se, French Laundry)
no prêmio dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo

Reinvenção do design? Ótima ideia! Mas nem todo mundo gostou... Esses dias Ripert voltou a tuitar sobre o tema (username @ericripert):

Le Bernardin closing for reinvention in 5 days/open 9sept Clients are nostalgic.Why?
The restaurant will be/look/feel 1 000 000 times better


Anotem, portanto: dica infalível para quem vai a Nova York a partir de setembro, o “novo” Le Bernardin!

Le Bernardin . 155 West 51st Street, tel. (00xx1) 212-554-1515

www.le-bernardin.com/



24.6.11

Jantar no Momofuku Ko, em Nova York: porque me decepcionei



No início de maio, minhas amigas Karin e Constance conseguiram o impossível: marcaram um jantar no Momofuku Ko, o restaurante novaiorquino mais impossível de se conseguir reserva. O tão almejado passe para comer no Ko foi o que me fez pegar um avião para Nova York, confesso. Empolgada como uma colegial, dias antes prometi aqui contar “as cenas dos próximos capítulos”.

Pois bem: o tão aguardado jantar foi uma lição divina. Aprendi que não se deve nunca acreditar no hype sem conferir com seus próprios olhos e boca se algo merece mesmo a fama que tem.

No dia 11 de maio, ao acordar, postei no Twitter: “Jantar ontem à noite talvez tenha sido a maior decepção da minha carreira. Ainda tentando entender o quão decepcionante foi.” Nem sequer mencionei o nome do restaurante, já que o objetivo não era castigar, mas sim desabafar. Afinal de contas, depois de incontáveis tentativas frustradas de reservar lugares naquele famoso e pequeno balcão, fui jantar lá e.... a experiência ficou quilômetros aquém das minhas expectativas. Saí do Ko inconsolável, triste mesmo.

Pensando bem, logo ao pisar lá dentro já senti que a coisa poderia não correr como eu gostaria. O sujeito que me recebeu queria ver a prova impressa de que tinha mesmo um lugar reservado. Humpf! Perguntei a ele: “e por acaso tem alguma outra reserva de quatro lugares em nome de Karin e Constance?!”

O espaço em si era bem feinho e sem graça, estreito, pouco confortável – e aos que dizem que isso não importa, eu respondo que importa, sim senhores! Logo chegaram as outras meninas e começamos o jantar. Secamente, friamente. Não nos sentíamos bem-vindas ali.

Logo a música começou a irritar. Altíssima, descabida. Confesso que sou bem chata com isso, mas mesmo relevando minha preferência por restaurantes silenciosas nem mesmo um adolescente skatista acharia aquele volume de som normal. Mal dava para escutar o que o garoto-chef estava nos servindo.
Ah, sim, ainda não contei da comida....

O menu degustação era como uma montanha-russa, repleto de altos e baixos. Notas amargas e doces sobressaíam-se. Um incrível caldo dashi (especialidade do chef Chang) com broto de ervilha, porco, bolinhas de melão e uni traduzia lindamente aquele início de primavera. Maravilha.

Pena que na sequência serviram-nos um ovo supostamente defumado - parecia o ovo cozido que sirvo a minha filha de café da manhã. A compota de cebola que o acompanhava, dulcíssima, roubava o holofote. E, assim, seguiu-se: um erro, um acerto, um erro, um acerto. Terminando com uma sobremesa intragável, salgada, onde só se salvavam os pedacinhos de ruibarbo no fundo do prato.

Bem feito para mim, que cheguei lá com expectativas altas demais. Mas que a má experiência sirva de importante lembrete: há que se ir a restaurantes sem opinião formada, o quanto seja isso possível. Por isso evito sempre ler críticas de colegas sobre um lugar onde ainda não estive.

E não se pode nunca pensar que inacessibilidade é sinônimo de excelência.

O mundo está cheio de bibocas onde se pode ir sem reserva e comer esplendidamente, enquanto muitos lugares caros e badalados, que se fazem de exclusivos, não entregam o que prometem. Assim como em tudo na vida, à mesa o preconceito (o pré-conceito, seja para o bem ou para o mal) atrapalha e envenena.

8.6.11

Hotel Mondrian Soho, em Nova York: uma noite esquecível



Vejam vocês que incrível coincidência: eu estava editando, hoje, as fotos que tirei na noite que passei no hotel Mondrian Soho há duas semanas. Quando estava lá, me senti meio mal de não experimentar o restaurante. Parecia lindo, mas... sei lá, meu instinto dizia que seria roubada: lugarzinho querendo ser badalado, com uma clientela de ladies who lunch e engravatados de crachá.



E não é que meu sexto sentido estava certo? Hoje, no The New York Times, o Sam Sifton mandou ver em sua crítica do Imperial No. 9, o restaurante do hotel. OUCH! :)

Mas aproveitando o embalo, deixem eu mostrar para vocês meu quarto lá no Mondrian. Minúsculo, mas devo admitir que o décor dá uma bela disfarçada na falta de espaço (espelho, teto pintado de azul, etc). Gostei do vibe meio náutico, meio sul da França. A cama era ótima, e tinha um belo iPod dock na cabeceira.







Mas o que me incomodou no hotel foi a sensação de estar em um clone de um hotel butique.

O Mondrian Soho pertence ao grupo Morgans, que já foi um dia do super hoteleiro Ian Schrager. Schrager aventurou-se no mundo hoteleiro com o Morgans, em Nova York: o primeiro a abaixar as luzes e aumentar o som e dar às áreas públicas um certo quê de boate. Mas foi com os hoteis seguintes que Schrager selou sua reputação. O Mondrian, em Los Angeles, o Delano, em South Beach, o Hudson em Nova York e o Sanderson, em Londres, conjuntamente lançaram uma nova estética, meio surrealista, meio sexy, que seria copiada pelo mundo afora. E um clima de badalação que ele gosta de chamar de lobby socializing.

Até hoje, hoteis  pelo mundo afora usam elementos de decoração lançados por ele, como cortinas gigantescas e esvoaçantes (Delano), e vasos ainda mais gigantescos, do tamanho de um homem adulto (Mondrian). A parceria com o designer francês Philippe Starck – e o look Alice no País das Maravilhas que popularizaram juntos, nos hoteis do grupo – marcaram uma era.
Um dia, o criador cansou-se da criatura, e vendeu o Morgans Hotel Group.

E os novos donos tentaram fazer esse novo Mondrian Soho no molde dos hoteis by Schrager. Só que.... não é a mesma coisa. Saiu meio fake. Feio, não é - pelo contrário. Mas achei irritante a recepção no 1o andar, com funcionários distraídos, o elevador escuro tocando música lounge, a clientela nada charmosa. E por $400 ou $500 a diária, sei de vários hoteis que valeriam mais a pena....

Mondrian Soho : 9 Crosby Street, New York, NY, United States +1 212-389-1000 ·

28.5.11

Suíte de hotel mais incrível de Nova York? A do Intercontinental!


Fotos: divulgação

Vivo pingando de hotel em hotel. Não só é meu trabalho, como acho fascinante. Sempre que vou a uma cidade marco três, cinco visitas, e me levam a ver vários quartos, para conhecer, comparar.
Fiz isso recentemente em Nova York, para a ALFA. Já contei (e mostrei) um pouco do Gansevoort Park, e também do The Surrey, mas a verdade é que a grande surpresa da viagem não foi nem um nem outro, mas sim um hotel que descobri meio por acaso no dia em que eu ia embora.
Me falaram para ir dar uma olhada no novo Intercontinental do Times Square e, confesso, não botei muita fé. Hotel de rede... bem naquele miolão bagunçado da Times Square.... Mas fui mesmo assim - não se deve fazer julgamentos sem ver com os próprios olhos.
Pois bem: eu estava errada ao esperar pouco. O hotel é show! Não só isso como tem uma penthouse suite de babar, a mais bonita e sexy que já vi na vida! Sei que trata-se de uma afirmação grandiosa, por isso resolvi mostrar para vocês, em fotos em vídeo. Tem uma tal lei que proíbe a construção de edifícios de mais de 9 andares em um pedaço de Manhattan que, para sorte do hotel, fica bem em frente a ele.
Resultado: o hotel tem algumas das vistas mais espetaculares da cidade!









Show, não?

Intercontinental Times Square: 300 West 44th St., tel. (212) 803-4500
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