Showing posts with label chef Gaston Acúrio. Show all posts
Showing posts with label chef Gaston Acúrio. Show all posts
11.9.11
O chef Gastón Acurio no Mistura: grito em prol da proteção da própria cultura e do meio ambiente
Já nem lembro mais de quantos textos escrevi e li sobre Gaston Acúrio. Muitos. Mas como tudo na vida, saber é uma coisa, ver com os próprios olhos, outra.
Meninos, eu vi.
Vi um homem que por onde passa leva um rastro de gente em seu encalço, flashes espocando. Um superstar idolatrado pelo povo, como um Pelé de 20 anos atrás. Isso não é um cozinheiro, é um homem com poder e carisma suficientes para mudar algo em seu país, alguém que já ultrapassou, há muito, quaisquer barreiras que a profissão de chef pudesse lhe impor.
Ao subir ao palco ontem, no evento gastronômico Mistura, comoveu a todos com seu discurso.
Não me alongarei em pensatas sobre o que foi dito, principalmente porque o ritmo aqui em Lima está intenso e a feira me espera (tenho postado boletins frequentes no Twitter, meu username é aleforbes) . Mas fiz questão de editar um primeiro trecho da palestra de Gaston e postar no YouTube, para dar a vocês um gostinho do que foi.
Impressionei-me, principalmente, com os paralelos entre o que aconteceu aqui e o que está acontecendo no Brasil. Eles, como nós, eram deslumbrados por tudo o que vinha de fora, e achavam a própria cozinha coisa de pobre ou de comer em casa. Um dia, enxergaram o óbvio. Nós também, já enxergamos bem melhor, mas ainda há um looongo caminho a percorrer.
Algumas frases de efeito:
"Quando saíamos de casa encontrávamos cozinha francesa, italiana. (...)
Nosso sangue, nosso sentimento, tinham um freio mental, pensávamos que estávamos destinados a comprar Hollywood, moda europeia. Não tínhamos identidade."
"Antes, tínhamos produtos que nosso olhos n podiam ver. Éramos representantes de uma cultura que não era a nossa. (...) Ocorreu uma revolução interna entre nós, descobrimos a exuberância de nossos ingredientes."
"Finalmente descobrimos que o que haviam nos contado era mentira, que nossa cultura era bonita, que nossos sabores eram intensos e sofisticados."
"Detrás dessa diversidade cultural estava a oportunidade de dar um grito de liberdade, mas para fazê-lo, primeiro, tínhamos que nos unirmos como cozinheiros."
Assistam....
1.9.11
MAD Foodcamp do chef René Redzepi: tema da coluna de hoje no Folha Comida
Esses dias já vinha contando pra vocês do MAD Foodcamp, que aconteceu no fim de semana passado em Copenhague. Quem quiser saber os detalhes, pode clicar aqui. Agora, reproduzo a coluna de hoje no Folha Comida, que fala um pouquinho do que penso sobre o tema...
Não basta saber cozinhar
Por trás de um nome que atinge fama há um chef que maneja superbem a mídia e que esbanja carisma |
Chefs nas listas dos melhores do mundo não chegam lá por acaso, como já venho dizendo neste espaço. Há que saber cozinhar e criar menus autorais com maestria, lógico, mas não basta. A verdade é que por trás de um nome que atinge fama e sucesso há um chef que maneja superbem mídia e outros relacionamentos, dá atenção quando realmente conta, e, acima de tudo, esbanja carisma. O carisma move montanhas.
Que o diga René Redzepi, do restaurante Noma, em Copenhague. Ao notar que hoje ele e seus colegas gozam de prestígio e poder jamais vistos, disse em artigo publicado no jornal inglês The Guardian: "Chefs têm uma nova oportunidade -e talvez até uma obrigação- de informar ao público que comidas fazem bem, e por quê". O "talvez" está ali por educação, já que para Redzepi é obrigação de todo chef, sim, "aprender mais sobre questões que são críticas ao nosso mundo: história culinária, flora nativa, relação entre comida e sistemas de distribuição, sustentabilidade e o significado social de como comemos".
Não é só blablablá. O entusiasmo dele convence. Tanto assim que Redzepi e parceiros conseguiram reunir mais de 200 chefs do mundo todo em um prado selvagem perto de Copenhague no fim de semana passado para falar de comida e sustentabilidade, sem patrocinadores, oba-oba ou superprodução. Só mato, feirinha de grãos e verduras, feno, fogueira e gente apaixonada pelo bem comer. Subiram ao púlpito para falar chefs do calibre de Gaston Acúrio (Peru) e Michel Bras (França). Atala também, claro.
O MAD Foodcamp (MAD de comida, em dinamarquês, e Foodcamp fazendo referência ao clima de acampamento do encontro) pretende dar o pontapé inicial em uma conversa internacional sobre comida saudável, sustentável e local versus comida má (superprocessada, muito viajada ou saída de mega plantações que enforçam a monocultura besta). O tema já pipocou por aí, mas se tem alguém com poder de bala para fazer o mundo prestar atenção de uma vez por todas, é ele. Ou assim espero.
ALEXANDRA FORBES é jornalista gastronômica, "foodtrotter" e autora de "Jantares de Mesa e Cama"
E aqui, um ótimo slideshow de fotos do MAD Foodcamp, por Mads Eneqvist.
Subscribe to:
Posts (Atom)




