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26.1.12

Chef Felipe Bronze convoca governo a agir n'O Globo: "somos a terra do carnaval e da praia mas podemos ser mais"




Taí: gostei. Felipe Bronze escreveu no jornal O Globo aquilo que pensam muitos chefs. A falta de apoio do governo na promoção da gastronomia brasileira lá fora é mesmo vergonhosa. Se órgãos públicos do Peru e do México - só para citar países próximos - movem mundos e fundos para se mostrarem no exterior, o que estão esperando os nosso representantes? 

Coréia, Finlândia, Japão... vejo muitos exemplos, diariamente, de países que inventam eventos de gastronomia, subsidiam visitas de jornalistas, montam estandes em feiras, produzem filmes promocionais. Enquanto isso, ficamos vendo a banda passar - e com ela, o dinheiro de negócios e de turistas.

Gastronomia não só é cultura como movimenta grana pesada e atrai turistas. 

Já é mais do que hora. 





E aproveito o embalo para reproduzir aqui uma matéria que escrevi sobre o Felipe em maio, na revista GQ. Explica um pouco do que penso dele e de sua atual cozinha... Meus amigos bem sabem a aversão que tenho a chefs que fazem "consultorias". Por muito tempo invoquei com ele justamente por seu passado cheio das tais "consultorias" bobinhas e de resultados compreensivelmente ruins, e de quão mal comi nos estabelecimentos do tal grupo Marina para o qual trabalhou. 

Mas acho que hoje, mais maduro e focado em trilhar um caminho seu e (espero!) sem se distrair com projetos de terceiros ou menus bobinhos, ele tornou-se peça importante do cenário gastronômico carioca. E, descubro agora, peça com voz forte e vontade de fazer seu Rio andar para frente.








6.8.11

Enotria por Joachim Koerper: restaurante novo na Barra da Tijuca

chef Joachim Koerper         Foto: Divulgação

Antes de mais nada, deixem explicar o vago "europeu" do título: o chef Joachim Koerper, alemão, já morou em diversas partes da Europa e hoje comanda o restaurante lisboeta Eleven, ao lado da mulher brasileira, a também chef Cíntia Paiva Koerper. Fala um português perfeito, apesar do sotaque.

O Eleven, membro da associação Relais & Châteaux, está entre as melhores mesas de Lisboa, embora alguns o considerem irregular e tenha perdido há alguns meses sua estrela Michelin. Quando almoçei lá, em 2010, estava simplesmente maravilhoso - mas devo dizer que sentavam-se à minha mesa ninguém menos que os próprios Joachim e Cíntia... :) Pareceu-me uma cozinha clássica perfeitamente executada e felizmente rejuvenescida pelas influências que Koerper integrou ao seu repertório ultimamente – principalmente ingredientes brasileiros como o feijão de Santarém, apresentado por Cíntia, que é paraense.

Restaurante Eleven        Foto: Divulgação
Além de Koerper, Lisboa não tem muitos chefs de projeção internacional. Eu diria que os mais famosos são José Avillez (protegido de Ferran Adrià), Leonel Pereira (do restaurante Panorama, no Hotel Sheraton) e Vítor Sobral, proprietário da Tasca da Esquina (que acaba de ganhar filial paulistana) e quiçá o mais famoso dentre os tugas para o público leigo.


Chefs Ferran Adrià e José Avillez, no El Bulli, em 2010

Fazendo grossas comparações para ilustrar mais facilmente o ponto, eu definiria os principais chefs trabalhando hoje em Lisboa  assim: Avillez e Lujbomir Stanisic (100 Maneiras) fazem alta cozinha tecnoemocional com referências emotivas de Portugal; Leonel Pereira (Panorama), um pouco mais conservador, moderniza sabores portugueses e às vezes os salpica com pitadas de Brasil, país onde já viveu e pelo qual tem paixão; Luís Baena (Manifesto) provoca e faz rir clientes com pratos servidos de modo ultrainusitado, como um Ferran Adrià não tão minucioso e em versão bistrô. Menos vanguardista, porém com uma pegada absolutamente 2010, Henrique Sá Pessoa (Alma) cozinha seguindo a escola clássica-with-a-twist dos chefs que mais admira, Gordon Ramsay e Marco Pierre White, incorporando ingredientes portugueses. Koerper está para os outros como Laurent para a gastronomia paulistana, a grosso modo.


Agora, Koerper tentará a sorte no Rio. Sonho antigo desse apaixonado pelo Brasil (e sua brasileira!), o chef chegará timidamente, assumindo o comando do já existente Enotria, agora rebatizado de Enotria por Joachim Koerper, no Casashopping da Barra. Ele trará quase toda a aquipe da Europa, inclusive somelier e cozinheiro. Aguarda as louças e equipamentos e liberação do visto de trabalho de todos para poder inaugurar, o que acontecerá provalvemente em setembro.


E ele já tem um segundo projeto na manga, que se chamará A Cozinha de JK. Deverá abrir no ano que vem. Esperemos que não na Barra, e não em shopping center!!



O blog português Mesa Marcada disse o seguinte sobre esse assunto:
"O Eleven é a minha casa", garantiu Joachim Koerper ao Mesa Marcada, "e é lá que estarei na maior parte do tempo". Por falar em Eleven, há também mudanças importantes na equipa, com o chefe permanente, Gonçalo Costa, a rumar também ao Brasil, para trabalhar em São Paulo, não sabemos ainda onde. Para o seu lugar, Koerper foi buscar o espanhol Pedro González, com quem já tinha trabalhado na Posada de la Abad, em Palencia (Castela e Leão), e que agora estava no Hangar 7, em Salzburgo, famoso restaurante da Red Bull. Vamos ver se traz nova energia a este óptimo restaurante, que, com estrela ou sem estrela Michelin (não é provável que a reconquiste este ano, para mais com estas mexidas na equipa) continua a ser uma referência em Lisboa e em Portugal.

Eleven: Rua Marquês de Fronteira, Jardim Amália Rodrigues, Lisboa, Tel. 21 3862211 
Enotria por Joachim Koerper:  Casashopping, Bloco G - Segundo Piso, Av. Ayrton Senna, 2.150, telefone:  (21) 2431-9119

3.8.11

CT Boucherie, do chef Claude Troisgros, no Rio: churrascaria à la française


A dica não é nada nova - já dei na GQ há alguns meses - mas continua valendo: CT Boucherie, no Leblon, já foram?

O que faz um francês quando abre uma churrascaria? Troca as bombachas por uniformes très chics (boina! Avental de um ombro só!)....


Encomenda um design à la bistrô estilizado, lembrando os restaurantes novaiorquinos do Keith McNally (Pastis, Balthazar, Morandi)....






 Estende um toldo listrado vermelho-e-branco na entrada e oferece suas carnes grelhadas com molhos (bordelaise, mostarda de meaux, etc.).



Só que se o francês em questão chamar-se Claude, da famosa e arquiestrelada dinastia Troisgros, a churrascaria também chacoalha alicerces.
Bem à moda desse chef brincalhão, sua CT Boucherie, no Leblon, tem um esquema doido de rodízio inverso onde o cliente escolhe a carne e os garçons circulam com n acompanhamentos, servindo sem parar.

Se o francês sabe fazer faróf, fritar batát e grelhar bíf? Oui, messieurs!




E ainda rebate com uma senhora musse de chocolate....




CT Boucherie: Rua Dias Ferreira, 636, LjA, Rio, tel. (21) 2529-2329



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