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25.11.11

Guia Michelin Espanha 2012: celebra Madri, resignam-se Andoni, Quique e Dani Garcia


Semana passada falei aqui do lançamento do Guia Michelin italiano, edição 2012, que causou enorme bafafá por causa da ascensão de Massimo Bottura ao Olimpo dos tri-estrelados. E agora é hora de passar à Espanha, que reclamou mais do que celebrou ontem à noite, quando as estrelas novas foram anunciadas em noite de gala em Barcelona.

Como já se sabia há tempos nas altas rodas gastronômicas (a informação que vazou confirmou-se como certa), continuarão a ter que brigar pelas três estrelas os chefs que muitos acreditam merecê-las há muito: Andoni Luis Aduriz (Mugaritz), Quique Dacosta (Quique Dacosta) e Dani Garcia (Calima). Assim como aconteceu com o El Celler de Can Roca, que teve que "pastar" anos e anos até senhor Michelin dignar-se a constatar o óbvio, os três restaurantes vão amargar mais um pouco na lista de espera.
Reprodução: El País


Como a má notícia não era nenhuma surpresa para os chefs, eles estavam zen. Ou, como diz hoje a crítica Rosa Rivas em sua ótima matéria no El País (cliquem nela para verem em tamanho maior), "Horas antes do evento estelar, os máximos candidatos aos três brilhos (…) navegavam entre a resignação e à alegria tranquila, algo assim como a paciência inteligente que os budistas recomendam".

O subtítulo já dizia tudo: "Mais um ano e o Guia Michelin resiste a acrescentar restaurantes à lista dos distinguidos com três [estrelas]"

O guia não gosta quando jornalistas focam a conversa nos três estrelas, vivem insistindo que se fale dos bib gourmands, dos um estrelas. Bah.

Dignas de nota são os muitos restaurantes madrilenhos com duas estrelas, entre eles os recém-premiados Diverxo e Club Allard. Achei uma injustiça que o Arrop, em Valência, não ascendesse a essa categoria: meu recente jantar ali foi melhor do que muitos dois ou até três estrelas!

E aos que entendem espanhol, recomendo vivamente a leitura do post do crítico Carlos Maribona sobre o tema. Ao contrário de muitos de seus conterrâneos, tomados pelo furor patriótico, que vêm maldizendo o guia francês pela internet afora, Maribona faz uma análise pausada, pensada, equilibrada. Aqui o link.

E basta de tanto papo de Michelin, concordam? Aqui, um resuminho dos estrelados, com uma grande falha/omissão (Quique Dacosta, que tem duas), em imagem reproduzida do jornal basco El Correo.
(basta clicar para ver em tamanho maior).


16.11.11

Osteria Francescana de Massimo Bottura ganha 3a estrela - e jantamos lá agorinha!



O chef Massimo Bottura acaba de conseguir o que ele mais queria: a tão almejada terceira estrela Michelin (a edição 2012 foi lançada hoje).

Pois o timing não poderia ser melhor: hoje estreia aqui no Boa Vida como colaboradora uma cozinheira e foodie de mão cheia, Mariana Marshall Parra, que acaba de jantar lá e nos conta tudo!

Estive com Mariana agorinha lá em Turim e quando ela me contou que iria na semana seguinte à Osteria Francescana eu imediatamente pensei em pedir que ela dividisse a experiência dela aqui. Dito e feito - espero que gostem. E Mariana... seja bem-vinda!


Menu Classici da Osteria Francescana – uma ode às musas de Massimo Bottura, por Mariana Marshall Parra

    Osteria Francescana        Foto:Divulgação

Costumo vasculhar todo tipo de informação sobre os chefs em cujos restaurantes eu programo visitar. Não por ser uma versão gastro de groupies e tietes, mas por buscar entender ao máximo aquilo que me será servido: o propósito da ordem de pratos; o significado de cada ingrediente; referências levadas em conta na criação dos menus...

Em se tratando de Massimo Bottura, é evidente que a reputação precedeu – em muito – o amuse bouche. Há mais de um bom par de anos que a Osteria Francescana, em Modena, figurava em minha lista de coisas a comer antes de morrer. Duas estrelas Michelin*, 4° restaurante do mundo na lista The World's 50 Best Restaurants e um chef com raízes profundas fincadas na região da Emilia Romagna - mas também asas que ignoram solenemente qualquer tipo de fronteira.

O que eu não sabia ainda era que a mulher do chef (Lara Gilmore, uma novaiorquina formada em história da arte) era peça fundamental nas criações de Bottura. Isso explica muito sobre a maestria de Bottura em unir a influência de uma das culinárias mais tradicionais da Itália à inspiração artística quase que onipresente nos pratos da Osteria Francescana.

O dedo de Lara se faz muito presente na ambientação do restaurante, que por fora não passa de  uma fachada discreta cravada no centro histórico da belíssima Modena. No interior, muito branco e cinza. Uma pequena biblioteca, poucas mesas, e a combinação de obras de arte, objetos de design e iluminação deixando claro que a comida ali provoca muito além de prazer e eventuais memórias gustativas. É também meditação.**


O primeiro prato, Ricordo di panino alla mortadella, brinca com o costume emiliano de abrirem-se as refeições com gnocco fritto e mortadella. Sai a pasta frita, entra uma espécie de foccaccia crocante, e no lugar da fatia de embutido, uma leve e aerada espuma de mortadela. Pó de pistache e creme de alho completam o canapé, e a adaptação de sabores comuns a texturas inesperadas dá o tom do jantar que começa a se desenrolar.


Croccantino di foie    Foto:Divulgação

Quem nunca salivou lendo em revistas de gastronomia sobre o Croccantino di foie all'Aceto Balsamico (um picolé de foie gras, em tradução livre e grosseira)? Prová-lo foi como encontrar pessoalmente aquela celebridade deslumbrante das telas de cinema e constatar que a desgraçada é ainda melhor ao vivo. A crosta uniforme são avelãs e amêndoas tostadas. No interior, mousse de foie gras com textura rica e cremosa, como um bom gelatto. Escondido lá no meio, um núcleo precioso na forma de uma gota de Aceto Balsamico stravecchio. Doce, espesso e suficientemente marcante para interagir com os outros sabores, como só 30 anos de batteria podem permitir. (Batteria é o nome dado ao conjunto de barricas onde o Balsamico envelhece segundo métodos ancestrais.)

Palmas para a divertida ironia de servir ingredientes altamente sofisticados em uma versão tão lúdica!



O Tortino di porri, scalogno di Romania, tartufo di Bologna e sale di Cervia foi o prato menos expressivo da noite. Uma pasta longamente cozinhada de alhos porrós e echalotes, trufas bolognesas e um sal célebre das cercanias. Bom, mas nada de espetacular. E se havia alguma mensagem implícita, não fui perspicaz o bastante para captar. Talvez tenha me perdido com a quantidade de locais citados no título. Forse...


    Cinque Stagionature di Parmigiano Reggiano             Foto:Divulgação


Cinque Stagionature di Parmigiano Reggiano
Uma obra de arte minimalista. Um ingrediente, cinco texturas e uma apresentação que parece poesia. Apoiando-se nas diferenças operadas pelo envelhecimento no Parmigiano, Bottura apresenta o mais jovem, de 18 meses, como creme leve, na base do prato. O de 24 meses vem em forma de demi-soufflée, o de 30 é uma espuma, 36 uma gallette. O mais ancião, com 50 meses de idade, é quase etéreo: uma espuma que está mais para ar, de leveza que contrasta com o sabor pungente fruto da maturação avançada. Surpreende descobrir que a técnica base para essa espuma é das tradições mais simbólicas da Emilia Romagna: a Maltagliata di croste di Parmigiano. Consiste em ferver a camada externa do queijo, dura e seca, obtendo-se um caldo rico em sabor (umami, principalmente). Assim, nada é jogado fora, e mesmo na falta de carne, o brodo não perde a graça. Truques da singela cozinha camponesa de outrora sendo homenageados em um prato que mais parece um quadro. Eu vejo uma imagem marinha, a gallette como coral, banhada por espuma do mar e avizinhada por uma concha. E você?

Compressione di pasta e fagioli

Pasta e fagioli (ou massa com feijão) é um prato comum em toda a Itália. As receitas variam um pouco de região para região, mas é basicamente isso: um comfort food nacional. Sensacional como Bottura transformou um símbolo de cozinha singela em uma miríade de sabores e texturas. Mais sensacional ainda como funciona bem! O copinho que se vê acima vem com instruções: cada colherada deve ser levada até o fundo, trazendo de volta um pouco de cada uma das camadas. Na base, um velouté de vitela, seguido por radicchio salteado em vinho (acidez e amargor necessários em meio aos demais ingredientes). Em seguida, mais uma vez a Maltagliata di croste di Parmigiano. Aqui, a crosta foi fervida no caldo de feijão, sendo depois ralada e unida a pancetta. O feijão em questão vai por cima, na forma de puré aveludado. No topo do bicchierino, uma espuma levíssima batizada de acqua di rosmarino faz as vezes do alecrim que costuma aparecer na receita tradicional. Como a erva tem folhas duras e sabor pronunciado, a acqua traz sutileza na textura e apenas uma nota aromática.


O Ravioli di cotechino al Lambrusco e lenticchie brinca com a própria singeleza. Cotechino é um salame cozido. Gordo, até pele do porco leva. Costuma ser servido com lentilhas e harmonizado com Lambrusco, o vinho símbolo da Emilia Romagna. Depois de uma refeição nestes moldes, a siesta é obrigação! Bem, não na versão Francescana, na qual pedacinhos de cotechino são cozidos no vapor de Lambrusco, unidos a poucos grãos de lentilha e transformados em recheio de massa (as masas recheadas são outro clássico regional). Delicado como eu nunca pensei que um prato com estes ingredientes poderia ser.


Costola di maiale nero all'Aceto Balsamico, purea di patate e topinambour
Uma costela de respeito, glaceada por Balsamico e com a carne se desprendendo dos ossos. Dois purês, um de batatas, outro de Jerusalem artichokes (ou topinambo, como a Wikipedia acaba de me informar), e basta. Para quê mais? O grand finale do menu salgado é um manifesto: apóia-se em dois elementos da sagrada trindade emiliana (que além de porco e Balsamico, inclui o Parmigiano), sem arroubos técnicos ou ingredientes inusitados. É o que é, e está ótimo assim. A cena final diz tudo: ossos limpos e talheres cruzados sobre os pratos vazios. Existe sinal mais primitivo e eloquente de satisfação absoluta?


Depois de tanto porco, Parmigiano e pratos conceituais, a sobremesa traz refresco em todos os sentidos. Seguindo um pré-dessert  de gelato de leite de cabra com coulis de pêssego sobre biscoito de ervas e iogurte, vêm à mesa pâte sucrée, gelato de capim limão e zabaglione, mais uma gota de calda concentrada de menta. Detalhe: tanto prato como sobremesa vêm em cacos, como se a coisa toda tivesse sido lançada contra a parede.


Eu costumo esperar dois tipos de sobremesa: em restaurantes vanguardistas, uma cornucópia de elementos que no mais das vezes é excessiva. Parece que o chef pâtissier fica ressentido por ter menos pratos do que a cozinha salgada e resolve usar todas as técnicas que conhece em uma ou duas sobremesas, deixando o pobre comensal tonto e confuso. As boas casas tradicionais, por sua vez, apostam em uma receita só, executada e apresentada à perfeição. (Eu sei, é uma generalização, mas neste caso sou definitivamente old school, e quando gosto de um doce, quero mais do que uma colherada ou gota.) Pois aqui não é uma coisa, nem a outra: sim, temos uma tartelette com gelato e zabaglione, três clássicos, classicamente combinados. Mas temos também um prato espatifado. Não é genial?

Bottura tem o dom de misturar seu amor desmesurado pela Emilia Romagna à sua sensibilidade artística e capacidade técnica. Na cozinha da Osteria Francescana vêem-se as influências de Ducasse e Adrià, de quem o chef foi discípulo, mas vê-se muito mais do que isso. Massimo Bottura é dotado de talento, inteligência, senso de humor e humildade.


O resultado? Bem, além dos prêmios e reputação gozada pelo restaurante no mundo inteiro, eu não vejo a hora de voltar a Modena para provar o Menu Sensazioni.


**A colaboração do casal Bottura/Gilmore pode ser vista no curta Il Retorno, filme lindo e tocante sobre a Emilia Romagna e sua influência na cozinha da Osteria Francescana.




E a seguir, a quem interessar possa, os novos estrelados do novo Michelin Italia 2012:

19.10.11

Per Se, Daniel, Bernardin, etc.: os melhores restaurantes de Nova York: Michelin 2012

Eleven Madison Park: 3 estrelas no guia Michelin

Com atraso, e sem muito tempo de fazer comentários a respeito, e sem querer com isso dizer que acho que o Guia Michelin acertou em tudo, divido com vocês a lista de estrelados do guia na edição 2012.

Digo apenas que a lista inclui lugares onde eu não gastaria meus valiosos tostões, como Marea, Corton e Adour. Mas, de uma forma geral - e nessa era de perigosos rankings de amadores e/ou gente de rabo preso - de uma forma geral, trata-se de um raioX razoavelmente coerente e verdadeiro de quem está fazendo as coisas direito em Nova York.


3.12.10

Chef Martin Berasategui agora tem sete estrelas no Guia Michelin


Minha semaninha em San Sebastian foi intensa. Quase intensa demais: havia momentos em que eu não sabia se aguentaria de pé até o final, de tanto que bati perna, fotografei, entrevistei, comi e bebi.

Felizmente, consegui experimentar vários restaurantes que estavam na minha lista: Elkano (peixes e frutos do mar na grelha), Akelarè (três estrelas Michelin), Mugaritz (ultra vanguardista, duas estrelas Michelin) e o mítico Extxebarri ("asador" quiçá mais refinado do mundo, de altíssima qualidade), etc.

Mas não deu pra voltar ao Martin Berasategui, onde jantei uma vez com meu pai, anos atrás. Pena.....

Restaurante Martin Berasategui, nos arredores de San Sebastian


Só que nem por isso vou deixar de falar desse chef que, esta semana, está jubilante por ter ganho mais uma estrela Michelin, totalizando sete - só Santi Santamaria conseguiu tal façanha na Espanha.

Um crítico gastronômico que respeito muito, o espanhol Carlos Maribona, esteve há pouco no segundo restaurante dele, o Lasarte, em Barcelona, e gostou muito. Vejam o que ele escreveu a respeito:


Hacía casi dos años que no pasaba por Lasarte. Y tengo que decir que el restaurante está aún mejor que entonces. El nivel de cocina es altísimo; la sala, dirigida con mano firme por Oneka, la mujer de Martín, funciona como un reloj; y la bodega sigue siendo espléndida, con un trato más directo por parte del nuevo sumiller, cuyo nombre siento no tener controlado. Sigue siendo un espectáculo la enorme cocina donde se forman muchos de los que serán grandes nombres de la gastronomía española de los próximos años. Porque Martín es un magnífico maestro. Por poner sólo dos ejemplos, discípulos suyos son dos de los recién ascendidos a dos estrellas Michelin: Dani García y Eneko Atxa. Esa capacidad formativa es la que le permite tener restaurantes de alto nivel repartidos por España e incluso por el mundo. LASARTE, en Barcelona; MB, en Tenerife; SANTO, en Sevilla; o MARTÍN, en Shangai. Al frente de cada uno de ellos, un cocinero de altura formado junto a Berasategui en Lasarte. Así es este personaje, cariñoso como pocos y al mismo tiempo mal enemigo.

Aqui, o texto de Maribona na íntegra.

Martín Berasategui: Loidi Kalea 4. 20160 Lasarte-Oria (Gipuzkoa)
Tel. (34-943) 366 471 / (34-943) 943 361 599

E mais Gastronomika e San Sebastian:



30.11.10

Chicago agora tem Guia Michelin: Alinea de Grant Achatz leva 3 estrelas

Chef Grant Achatz recebendo o prêmio de melhor
restaurante das Américas para seu Alinea no
World's 50 Best em Londres

Para mim, um dos chefs mais geniais das Américas é Grant Achatz. Seu  restaurante Alinea, em Chicago (na foto abaixo), é atualmente cotado como número 1 dos Estados Unidos e sétimo no mundo segundo o prêmio World's 50 Best.



E agora, o guia Michelin assina embaixo. Acaba de ser lançado o primeiro Michelin de Chicago, à venda desde 18 de novembro.



E quem vocês acham que levou três estrelas? Achatz, claro. E também o L2O, um super restaurante de peixes.



O L20 (tel. (1-773) 868-000, www.l2orestaurant.com), do chef Laurent Gras, que tem no currículo passagem pelos restaurantes de grandes nomes, como Guy Savoy, Alain Ducasse e Alain Senderens. De forte influência japonesa, o L20 é forte em peixes preparados de modo nada convencional: ouriço do mar com grapefruit, tamboril sobre merengue de tomate e daí por diante. Há tempo recebe elogios rasgados da crítica especializada. O décor tem grande impacto: colunas de ébano, cabos de aço fazendo as vezes de divisórias, cadeiras de couro branco, tudo forma um conjunto moderno-chique. Pena: dizem que o chef Gras está com um pé na porta de saída.....

Aqui, a lista completa dos restaurantes estrelados de Chicago (quem não deve ter gostado nada é Charlie Trotter, que já foi, um dia, rei daquela cidade e hoje está cotado abaixo do Alinea, com duas estrelas):






E aqui, uma entrevista de rádio com o chef Grant Achatz, em inglês, meio superficial mas.... informativa. Pra quem nunca ouviu o chef falando.... 

26.11.10

Estrelas Michelin Espanha 2011: sobem os chefs Dani Garcia e irmãos Torres



Acabei de chegar da cerimônia de entrega das estrelas Michelin 2011 para Espanha e Portugal. Surreal, a cena. À minha volta, muitos dos chefs multi-estrelados da Espanha - Andoni Aduriz, Quique Dacosta (elegantíssimo, de terno e colete), Joan Roca, e o trio de ouro de San Sebastian: Juan Mari Arzak, Pedro Subijana, e Martin Berasategui.

Também estranhei muito que o caro e chique hotel Hotel Maria Cristina de San Sebastián não oferecesse um mínimo de conforto: os chefs e vários jornalistas se amontoavam, de pé, passando calor, em uma sala de conferência. Se estivesse o Michelin a ser julgado, levaria meia estrela pelo set-up.... :)


Quique Dacosta, logo antes de saber que não receberia a terceira estrela


Enquanto câmeras filmavam as reações deles, algum oficial do Michelin ia lendo os novos - e poucos - ganhadores de estrelas. Os três estrelas continuam os mesmos: ninguém entrou pro clubinho de ouro composto de El BulliArzakMartin BerasateguiAkelareSant Pau, Can Fabes e El Celler de Can Roca.



Dani García, do Calima, que anda impressionando muita gente com o que sai de sua cozinha, foi de uma pra duas. Justíssimo. E logo os chefs todos davam brados de alegria e confraternização, e abraçavam Dani. Javier Torres, um dos dois gêmeos do Dos Cielos, celebrou, na mesma rodinha, a conquista da primeira estrela (na verdade trata-se de um dois ou até três estrelas, mas é novo então só por isso tem apenas a primeira....).

Joan Roca, do El Celler de Can Roca, e Javier Torres, feliz
com a primeira estrela para seu Dos Cielos


Confesso que nunca tinha imaginado como seria, para esses chefs, estar em tal evento. Cinegrafistas filmando suas reações, incomodando, quase, todos ali querendo saber deles como se sentem com os resultados. Um pouco cruel, para ser sincera. Não gostaria de estar na pele deles.


A lista completa segue abaixo mas contém poucas novidades. A verdadeira notícia foi a não-notícia: Quique Dacosta, que do ponto de vista de todos os que comeram em seu restaurante recentemente já está mais do que no ponto de receber a terceira estrela, foi "castigado" com a não-ascensão. Idem Andoni Luiz Aduriz, do Mugaritz, que também tem que se contentar com duas estrelas por mais um ano pelo menos.

Portugal foi solenemente ignorado durante a festa - sequer citou-se quaisquer um de seus chefs - mas os observadores notaram que a grande - e triste - novidade foi a queda do Eleven, em Lisboa, que perdeu sua estrela.

Restaurante Eleven, em Lisboa, perde sua única estrela Michelin

Outra grande vergonha? Perdeu sua estrela o El Castell de Ciutat, que pertence a ninguém menos que o presidente mundial da associação Relais & Châteaux, Jaume Tapiès, que vive viajando pelo mundo afora. É o que sempre digo: o olho do dono engorda o boi....


O recado do Michelin é simples: chefs, estejam em suas cozinhas. Os mais viajantes foram castigados. E o guia fez bem em "promover" o Dani Garcia, que está de fato em ótima forma. Só me incomodou ver que Quique Dacosta ainda não levou a merecida terceira estrela: querem fazê-lo pastar mais um pouco, pelo visto...

O chef Juan Mari Arzak servindo um de seus "menires" de mandioca, huitlacloche,
cebola e foie ao José Carlos Capel, um dos maiores críticos gastronômicos da Espanha.


Depois do anúncio oficial passamos a outra sala onde tinham montado um cocktail dinatoire. O melhor "estande", sem dúvida, era o do Akelarè, onde estavam preparando a famosa "lagosta na cafeteira" do chef Pedro Subijana, entre outras coisas. Que de tão maravilhosa merece um post por si só, já já edito o filme...



E mais sobre os estrelados no Guia Michelin:

Meu jantar no El Bulli: fotos prato-a-prato e vídeo 

El Celler de Can Roca, em Girona, o melhor da Espanha, quicá do mundo

Almoço no Akelarè com Daniel Boulud, Drew Nieporent e Colman Andrews (biógrafo de Adrià) 

Quique Dacosta fecha de novembro a abril e abre o bar de tapas MercatBar em Valência 

Almoço no excelente Dos Cielos, em Barcelona (1 estrela Michelin) 



6.10.10

Guia Michelin New York 2011: saem os resultados








Acaba de sair o Michelin de Nova York, edição 2011. Nenhuma mudança nos três estrelas. Agora... acho que ando meio por fora das coisas. Que diabos é o tal Chef Table at Brooklyn Fare? Nunca ouvi falar! Kajitsu e Soto também preciso anotar no caderninho... Que vocês acham? Alguma surpresa?


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