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14.4.13

Posts na FOLHA: Bourdain em São Paulo, novo restaurante dos Adrià em Barcelona, etc.

M.Wells, no museu MOMA P.S.1 em matéria que fiz para a CASA VOGUE


De vez em quando passo aqui só para dividir com vocês os links para os posts da "casa nova", lá na FOLHA. Não vou perder tempo linkando tudo, mas esses posts a seguir, em especial, acho relevantes... comentários, como sempre, são super bem-vindos!

1 - Primeiras fotos do restaurante nipo-peruano Pakta, de Albert Adrià, em Barcelona
2 - M.Wells no museu MOMA P.S.1 em Nova York, de um discípulo do chef Martin Picard: cool e delicioso
3- O hotelier André Balazs abre um segundo hotel The Standard em Nova York, na Bowery
4- Ferran Adrià fatura US$ 1.8 milhões para a El Bulli Foundation em leilão na Sotheby's
5- Mel urbano virou hype - e faz bem ao meio-ambiente
6- As 50 escolhas foodie do jornal The Observer: ótimas dicas de Londres!
7- Mocotó Café, o novo restaurante do chef Rodrigo Oliveira
8- O culto ao café de origem e nossa representante paulistana, a Isabela Raposeiras do Coffee Lab
9- Bar Tatu, no subsolo do restaurante Jacarandá em Pinheiros: ótima novidade
10- "Um chef tem que saber beijar bem, mesmo sem saber quem ele está beijando"
11- Um jantar vale 1220 reais? Minha conta no Frantzén/Lindeberg em Estocolmo
12- Mission Chinese, em Nova York, e o chef-proprietário Danny Bowien, explodem em cena
13- Minha "briga" com o dono do Chez Sardine, novidade ultrabadalada de Nova York
14- A moda da salada caesar "reinventada" e restaurantes de Nova York
15- Decepção no japonês de Nova York mais elogiado por chefs: Kajitsu
16- O bacaníssimo hotel NoMAD em Nova York
17- Ici Brasserie no Shopping JK: primeiras impressões
18- Salvation Taco, em Nova York:o novo mexicano da chef April Bloomfield (The Breslin, John Dory)
19- Episódio do programa The Layover do Anthony Bourdain sobre São Paulo.

1.8.12

Chef James Lowe vem ao Epice cozinhar com o chef Alberto Landgraf

chef James Lowe


Desde a primeira vez que experimentei um prato seu, em Paris, onde ele participava de um evento gastronômico, virei fã do chef James Lowe. Meses depois, em Londres, ele me serviu os ovos mais marcantes dos últimos anos - eram de gaivota, recolhidos dos ninhos nas rochas por algum alpinista maluco. Admiro, entre outras coisas, o domínio que ele tem sobre o processo de maturação da carne. Ele mesmo envelhece bifões de vacas que compra em Cornwall, na costa Sul da Inglaterra, chegando a servir a carne com mais de um mês desde o abate. Sabor denso, profundo, não para principiantes.

Até há pouco, ele tinha, com o  sócio Isaac McHale (eles se auto-denominavam Young Turks) um restaurante pop-up escondido no segundo andar de um pub no East End, o Ten Bells. Uma das especialidades era justamente essa carne ultra-maturada, servida crua, como um tartare, e por cima um farelo de pão frito na gordura da mesma vaca.

Pois os dois romperam a sociedade e James agora está para abrir um restaurante dele, estreando sua carreira solo.

O CV básico do moço: depois de passagens pelo Noma e pelo The Fat Duck ele foi head chef do St. John Bread and Wine, em Londres (do chef cult Fergus Henderson).

E enquanto isso, adivinhem: James resolveu viajar. Depois de encantar-se com o que viu e comeu no México, ele chega a São Paulo semana que vem, para cozinhar a quatro mãos com o chef Alberto Landgraf, no Epice. O jantar será dia 13 de agosto.

James disse: "Não sabemos qual será o menu. Estou super animado, será minha primeira ida ao Brasil. Combinei com o Alberto que decidiríamos juntos o que servir, depois que eu tiver uma ideia melhor dos ingredientes à nossa disposição. Adoraria incorporar uns ingredientes brasileiros, inclusive".

Se eu estivesse em São Paulo não perderia essa por nada!


 Epice: Rua Haddock Lobo, 1002, tel. 3062-0866  Preço: 165 reais, mais bebidas.



31.7.12

Ladurée, agora em São Paulo, no shopping JK Iguatemi



Li o press release e imediatamente pensei em minha amiga "macarronólica" Constance Escobar....

Agora tem Ladurée em São Paulo, no térreo do shopping JK Iguatemi, entre Dolce & Gabanna e Louboutin. O projeto da loja brasileira segue molde de todas as lojas Ladureé.

Vendem macarons, mas também chocolates, balas, chás, geléias e velas. Tudo importado da França.

LADURÉE

13.6.12

Restaurante Momentto, de Fernanda Valdivia, e Lourdes Hernandez, a cozinheira-poeta


Há coisa mais brega do que Dia dos Namorados?


Pois bem: só saí de casa ontem porque recebi um email lindo de uma cozinheira-poeta mexicana chamada Lourdes Hernandez.

Lourdes Hernandez

Uma mulher encantadora tanto pelos guisados e guacamoles e saladas que faz e pelas palavras que pincela lá e cá, em menus e artigos de jornal, sempre com grande lirismo.



Não vou descrever o jantar, primeiro porque já foi e jamais se repetirá, e segundo, porque ela, a seu modo, o faz melhor, como verão a seguir.



Mas vou, sim, falar da casinha linda onde foi o jantar, da jovem chef Fernanda Valdivia e sua sócia Giovana Sonda. Um lugar chamado Momentto, que merece ser buscado e descoberto. Na verdade, é um adorável empório que, às quintas-feiras, transforma-se em restaurante.

Acho que o email-convite da Lourdes, a seguir, e as fotos dizem mais do que qualquer post-descritivo poderia dizer....



"Fernanda me liga na semana retrasada:

- Vamos fazer o dia dos namorados aqui na casita?

- Você tá louca?, respondo. Eu, dia dos namorados? Eu o que gosto é do dia dos rejeitados, da dor de cotovelo, dos que sofrem na espera infinita... Sempre gostei do Mastroianni mas cai de amores por ele quando, interrogado sobre o amor, ele confessa – um ano antes de morrer – que não tem certeza de tê-lo sentido. (Gassman participava da conversa) e Mastroinni insiste que isso que Gassman qualifica de relacionamento estável, solidariedade, companhia, está certo, mas ele não acha que isso seja amor. Que ele só tinha certeza da própria paixão no sofrimento, quando penou por alguém, na espera dolente na frente da porta fechada.

Dia dos namorados, nunca!

- Vamos fazer, sim? Retrucou Fernanda.

- Tudo bem, topei. Mas será de meu jeito. Nada de clima romântico nem jantar perfumado, um menu único de sabores fortes temperado apenas com músicas de letras escritas no desespero.  E velas, pode colocar velas.

Mas já que é o dia dos namorados, vamos admitir qualquer tipo de namoro, inclusive o daqueles intrépidos navegantes solitários que se dão bem com eles mesmos. Que seja noite de desejos, que a casita vire palco de olhares cheios de coisas nunca faladas. Não seria gostoso escrever para o outro (a outra) algo diferente, talvez malicioso? Esperar quiçá entre o primeiro e o segundo prato e trocar os papéis num toque imperceptível. Imagino um frenesi gastrósofo onde tudo está acontecendo mas os corpos ficam lá, numa coreografia impávida como a do gato que deitado parece não ver a pressa passar. Olhos que perseguem essa velha linha que parte dos olhos até lá, e abrem, tiram desconfianças, culpas, impedimentos deixando ao descoberto cérebro, alma e sexo... ótimo coquetel.

Mas dissimulem, que ninguém saiba das coreografias ocultas de seus corpos, que a conversa siga outros caminhos enquanto o desejo vai sem dúvidas nem disjuntivas nessa sua impulsiva deliberação.  Sexo e gula, velha fórmula. Onde o estômago é uma prova de caráter e o fascínio pela comida faz da gente viciado no desejo a primeira vista. Ai, a mesa! Tão cheia de truques, você leva à boca um pedaço recheado de formas que você não sabe, só intui e se entrega numa oportunidade perversa de carícias fragmentárias. A mesa é um fato eminentemente cênico. Você pode descrever a  duração, o número de goces, as singularidades tangíveis e orgânicas. O amor, como a comida, é uma curiosidade mais ou menos forte.

Gostaria que vocês que vão nos acompanhar nessa noite lembrem que a literatura erótica depende em grande parte de fazer da imaginação a grande zona erógena.

“O amante que treme não fica entediado”, escreveu Stendhal.





O menu é quase simples:

Uma bebida embriagante para soltar amarras,

Guacamole picante para fortalecer aos caçadores

Sopa quente com monte de coisinhas para colocar dentro e observar os movimentos do adversário do outro lado do campo

Um gelo de mezcal para estender o prazer – frio no quente. A parte mais protetora do casal deverá colocá-lo na boca e começando a desmanchar passar à boca do outro. (único momento no roteiro em que aprovamos que os lábios se toquem.)

Sarape de pato em salsa verde de chile poblano

Crepas de cajeta al tequila

Café – chá

$130 + 10% por pessoa


AGORA PAREM E APERTEM PLAY NO VIDEO ABAIXO. Só então continuem a ler....




Rayuela, capítulo 7, de Julio Cortázar



Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.


Me mirás, de cerca me mirás, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y los ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. 
Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.




Momentto:
Rua Desembargador do Vale, 454
Perdizes
T: (11) 2362-6582
@: contato@momentto.com.br

10.6.12

Chef Morena Leite do Capim Santo lança livro de bolos





Se eu tivesse metade do pique da minha amiga Morena Leite já me consideraria uma garota de sorte. Generosa, verdadeira, leal, workaholic, ela é gente que faz. Na semana passada, lançou mais um livro (confesso que já perdi a conta de quantos ela já publicou): Doce Brasil Bem Bolado.

O tema da vez: bolos. Tudo bem brasileirinho, claro. Em parceria com Otavia Sommavilla.





Mas o meu favorito continua sendo o Brasil: Ritmos e Receitas, que, com suas versões em inglês e francês, é ótimo presente para gringos.

Aliás, Morena não foi a única a dar autógrafos na semana passada, quando houve uma enxurrada de lançamentos de livros.



Fui também ao do super sushiman Tsuyoshi Murakami, que lançou belíssimo livro sobre o Kinoshita (r. Jacques Félix, 405, Vila Nova Conceição, tel. 3849-6940).  O livro, que inclui um DVD, tem texto do jornalista João Gabriel de Lima e chama-se "Kinoshita e o Jazz de Murakami".

Pode ser comprado online, neste link.

E um terceiro lançamento bacana foi o do Manoel Beato, que assinou autógrafos no Baretto, o piano bar do Fasano, por seu livro Cachaça, lindamente ilustrado com fotos do Araquém Alcântara.

29.5.12

Shin Zushi: sushis imbatíveis feitos por sushiman recém-chegado do Japão

À esq., Egashira Keisuke, sushiman top-de-linha

Desde que pus os pés em São Paulo, duas semanas atrás, já fui comer em um sem fim de restaurantes, uns melhores outros piores. Mas nenhum deixou um carimbo mais forte na memória do que o Shin Zushi, onde jantei no sábado.

Nada menos que fenomenal, me levando a concluir que, atualmente, tecnicamente falando, não há sushi melhor na cidade (por mais que eu adore o Jun e o Kinoshita).

Que arroz, Deusdoceu! Que atum, Deusdoceu!

Sentei-me no balcão (óbvio) e disse que só queria crus. Faltava peixe: tinham recebido muito mais clientes do que o esperado, me contaram. Por isso, tinha acabado quase tudo, da cavalinha ao buri (ou olho-de-boi, meu peixe favorito).

Eis aí o mais curioso: mesmo se virando só com lula, atum, uni (ouriço), ovas (in natura e secas/prensadas) e pargo, o novo (e craquíssimo) sushiman Keisuke Egashira, recém-chegado do Japão, deu um verdadeiro show. O sushiman principal do Shin, Ken Mizumoto (outro fera) teve que ficar traduzindo para nós, já que Keisuke mal fala português - mas valeu o esforço...

atum do Shin Zushi: dá de dez no bluefin que anda sendo
vendido a preço de ouro em outros japoneses


O atum (bachi, jamais kihada) estava melhor do que qualquer outro que já provei em São Paulo. E olhem que pude prová-lo de vários modos: em niguiri, em niguiri de sua barriga (toro), em sashimi, depois... raspado com colher e servido com finos pedacinhos de ciboulette.

O mesmo atum, raspado com colher e servido com ciboulette


O pargo veio em tiras, com raspas de "bottarga" de tainha. Também ótimo.


pargo com raspas de ovas secas


O golpe de misericórdia foi um "misturado" de lula em tiras, uni e ovas: espetacular!

Lula, ovas, uni

O único ponto menos alto, o camarão (também em sushi) me pareceu um pouco passado do ponto...

camarão

De ruim, no Shin, só mesmo o preço: mesmo valendo cada real cobrado, a conta foi ardidíssima. 


Shin Zushi: Rua Afonso De Freitas, 169, Tel.: (011) 3889-8700

ovas de salmão

E outros restaurantes japoneses ótimos de São Paulo, aqui no Boa Vida:

20.5.12

Anthony Bourdain em São Paulo: o porquê do meu sumiço



Anthony Bourdain na Vila Madalena, fazendo algo que
evidentemente detesta: assinando autógrafos

Mea culpa. Fiquei DEZ dias sem escrever aqui no Boa Vida, coisa que nunca fiz na vida, penso eu. Eu bem que queria, mas... passei as duas últimas semanas no olho de um inesperado furacão chamado "Anthony Bourdain em São Paulo".

Chamaram-me para coordenar as filmagens do episódio sobre São Paulo do novo programa dele, o The Layover. Eu, que nunca fiz tevê, não tinha a-me-nor-i-deia do quão grande era a encrenca. Essa gente doida que trabalha com ele acha normal trabalhar 13 horas por dia, ir comendo mordidas de coisas pelo caminho, sem horário de almoço, sem tempo pra nada.

Não quero que pareça um post-choramingo, mas o fato é que não me lembro quando foi que tive duas semanas tão enlouquecidas quanto essas últimas.

Só não conto aqui de todos os lugares onde levamos mr Bourdain porque... estou guardando para contar na Folha. Mas ilustro o post com algumas fotos de making of...

Agora, a vida continua: eis-me aqui no Rio e, como sempre, com MUITO a contar!

Feliz feliz de estar de volta a uma das cidades que mais amo no mundo.

Filmando no Minhocão


Na falta de um tripé, vai um tênis....

Na piscina do hotel Unique

Benny Novak e seu sócio Renato Ades, do Ici Bistrô, fumando um cigarrinho com sr Bourdain

Mariana Martins e Baixo Ribeiro, co-proprietários da galeria
Choque Cultural, dando entrevista para o programa




Vai gostar de Twitter assim lá longe! (O cara não larga do iPhone nem um minuto)


Alex Atala mostra uma típica feira paulistana a Anthony Bourdain

Na barraca de seu peixeiro favorito, Marcelo Nonaka
Bourdain na feira, de iPhone na mão: Twitterhólico!
Anthony Bourdain com Speto na Avenida Cruzeiro do Sul





Equipe improvisando, na falta de um trilho corrediço, em Guarulhos
Anthony Bourdain indo embora, depois de um intenso fim de semana em São Paulo

Edson Yamashita, ex-Shin Zushi, é a estrela no Aze Sushi

Edson Yamashita


Aos habitués do Boa Vida não preciso repetir, mas o fato é que sou louca por sushi a ponto de conseguir ir comer num japonês noite sim, noite não, feliz da vida.

Pois bem.

Há um japonês cult entre os entendidos e pseudos-entendidos que se chama Shin Zushi - muitos que me lêem sabem do que estou falando. Luz fria, serviço meia-bomba, tudo bem caro mas.... sushi de prima, admito. Peixe de prima, também. Em suma, um japonês muito sério. Outro dia almocei lá e juro que eu era a única pessoa ali que não tinha olhos puxados (sempre um bom sinal).

Mas a verdade não dita é que o grande trunfo do Shin era o Edson Yamashita, um rapaz ultra sabido, ultra confiante, ultra ambicioso e, ao contrário de tantos ali, simpático e extrovertido. Apesar da pouca idade, comandava o sushibar. Até o dia que ele resolveu ir embora.
Adendo: se hoje o Edson ainda estivesse no Shin Zushi ele já não seria mais o trunfo atrás do balcão de sushis. O time to Shin está fortíssimo: tem o mestre Keisuke Egashira, recém-chegado do Japão, e o também fera Ken Mizumoto.

Pois o Edson - ó, horror dos horrores! - para desespero dos que pensam que só existe sushi bom no circuitinho cult, foi parar no Itaim. Mais precisamente, na esquina onde ficava muito antigamente aquele japonês de playboy, o Sushi Company.

Pois há alguns meses o lugar chama-se Aze Sushi e tem decoração previsivelmente brega. Das tevês que passam shows musicais já falou-se muito pela blogosfera. Incomodam menos, na minha opinião, do que o esgoto logo a um metro da entrada, que emana odores absolutamente horripilantes.

Mas não quero assutá-los: eles têm um "tapa-esgoto" bem eficiente, e - o mais importante - Edson dá plantão atrás do balcão e não decepciona.



Ali come-se sushi de gente grande. Nada de maionese, hot roll disso ou daquilo. Do jeito que eu gosto.

Se os quentes são bons? Confesso que não sei: estava com desejo de peixe cru e comi cada bocado de niguiri e sashimi sofregamente, como se fora o último de todo o sempre.

Para minha surpresa, estranhei muito o toro naquela noite. Não tinha a textura familiar, era mais fibroso e peixoso do que eu esperava. E confesso que não me lembro da explicação do Edson. Diz ele que eu estava errada, era um super toro.

?

Adendo#2: estranhamente, dois chefs com quem falei há pouco tiveram a mesma má impressão do atum no dia em que comeram no Aze Sushi, esta semana (maio de 2012). Escorregão grave para um sushiman do nível do Edson. 

Buri do Aze Sushi


Em todo caso, o xaréu estava espetacular, assim como o buri, servido com flor de sal. Ótima garoupa também, já servida com uma pimentinha e pincelada de shoyu.

Carapau do Aze Sushi


Em suma: o Aze Sushi é cafona, mas não mais do que o Shin - e custa um pouquinho menos. E ter um lugar servindo sushi nesse nível no Itaim é, no mínimo, uma notícia feliz.





Aze Sushi
R. Dr. Renato Paes de Barros, 769, Itaim Bibi, 3168-3673.
(fecha domingo)

4.5.12

Virada: chefs Janaína Rueda, Benny Novak, Carlos Ribeiro e cia. servem comidinhas no Minhocão este fim de semana

Chef Janaína Rueda, a Dona Onça em pessoa: homenagem ao Love Story na Virada!


Já saiu em um monte de lugares mas queria registrar aqui no Boa Vida também: este fim de semana vai rolar mais street food em São Paulo, na Virada Cultural. Chefs mais e menos famosos vão montar barraquinhas e vender comida, a preços variando entre 5 e 15 reais. 

Buraco quente de picadinho... ai meu Deus, só de escrever o nome da larica que o Carlos Ribeiro irá servir nesse ajuntamento de chefs bacanas já fico com água na boca - com o perdão da expressão brega.

E a comidinha que a Janaína Rueda vai ser bacana também: puchero à Love Story, me soou a melhor de todas. Love Story... tem coisa mais tradiça no Centro? Baladinha das mais divertidas. E fica ali pertinho do QG dela, o Bar da Dona Onça. Tudo a ver. Aliás, ela conhece aquele pedaço da cidade como poucos.

Eu ia mencionar também que o Alex vai participar, com sua já famosa galinhada, mas depois que meu amigo NB me mandou um email esta semana mandando eu parar de falar de Atala, Atala, Atala, 50 Best, 50 Best, 50 Best, achei melhor registrar só como um parêntese... :)

No "menu":
 
Da meia-noite do sábado às 2 do domingo:
Alex Atala e a galinhada do Dalva

2h - 6h
Erick Jacquin: sopa de cebola

8h - 20h - domingo
Dagoberto Torres: arepas e ceviches
Danilo Rolim: montaditos e tapas
Janaina Rueda: puchero à Love Story
Carol Brandão: brownie, arroz-doce e quindim
Vitor Sobral e Hugo Nascimento: bolinhos de bacalhau e salada
Marco Soares: espetinho de polpetini de cordeiro
Renato Carioni: hambúrguer de pato com maionese trufada
Checho Gonzales: choripan
Lourdes Hernández: tostadas e drinques
Carlos Ribeiro: buraco quente de picadinho
Rodrigo Oliveira: baião de dois
Paula Labaki: sanduíches de pernil em escabeche e de frango defumado
Daniela França Pinto: polenta cremosa com cogumelos ou linguiça
Raphael Despirite: hot dog à francesa
Henrique Fogaça: sanduíche de copa de lombo
Benny Novak: costelinhas com barbecue e milho
Luiz Emanuel: steak tartar e batatas fritas
Leandro Freitas e Henry Miguel Caceres: sushis e sashimis
Marcio Silva e Daniela Amendola: arroz de carreteiro com pipoca
Heloisa Bacellar: pão de queijo e bolo com café


Minhocão - elevado Costa e Silva, acesso pelas ruas Sebastião Pereira (altura do no 90), Ana Cintra (altura do no 200) e Helvétia (altura do no 800), centro, São Paulo, SP. S/tel. Dom. (6): das 0h até as 8h. Livre. Pratos: R$ 5 a R$ 15. 

30.4.12

D.O.M. do Alex Atala em 4o lugar nos Melhores Restaurantes do Mundo!




O dia hoje foi uma loucura. Chefs nervosos, ligando uns para os outros, mandando mensagens de texto febrilmente, querendo saber se havia vazado alguma informação. Todos desesperados para saberem quem subiu, quem desceu. Tive a sorte de ser convidada para um café da manhã em que estava a nata da gastronomia espanhola: Arzak, Ferran, Joan Roca, Quique Dacosta, Andoni Aduriz. Eletricidade no ar. Muito tititi, muito papo de se daria Noma número um de novo ou se os irmãos Roca subiriam ao primeiro posto.

Escrevo estas linhas de dentro do auditório, no que vão sendo anunciados os resultados.

De mais chocante, este ano, foi o surgimento do segundo restaurante do chef Heston Blumenthal, o Dinner, no hotel Mandarin Oriental, na NONA colocação!! Sinceramente, esta não entendi MESMO. O Fat Duck, restaurante que o fez famoso, desceu no ranking. O filhote, que Heston teima em chamar de "brasserie", entrou para a elite gastronômica mundial.

A segunda maior surpresa é a subida dos latino-americanos. Há quatro restaurantes no top 50: Astrid y Gastón, Biko, Pujol e, claro… D.O.M.
Mas esperem… o D.O.M. não só continua entre os top 10 como subiu da sétima para a QUARTA posição!!! Aumenta a fama, aumenta a responsa, aumenta a fúria dos non-believers, aumenta a legião de admiradores.

Fora isso, há algumas outras mudanças significativas. Não vou discuti-las todas aqui, principalmente porque a after-party me aguarda, mas preciso dizer que é uma grande notícia para nosso país termos três brasileiros entre os 100 melhores: além do D.O.M., temos Maní em 51o lugar e Roberta Sudbrack em 71o!

E agora… fui! The party awaits.

24.4.12

Elle à Table japonesa elegeRodrigo Oliveira um dos jovens chefs mais influentes do mundo

O chef Rodrigo Oliveira e as comidinhas que serve no Mocotó

         
Li a notícia que segue abaixo na newsletter do crítico gastronômico italiano Paolo Marchi, do Identità Golose, e quase caí pra trás.

Não falo italiano, mas entendo o suficiente para ver que a edição de maio da revista japonesa Elle à Table fez uma lista dos chefs mais importantes do mundo (Alex Atala em nono lugar). Até aí, nenhuma novidade.

Mas a revista fez também uma lista dos jovens chefs de grande relevância, em que o segundo colocado é ninguém menos que.... Rodrigo Oliveira do Mocotó!!!

Muito bom saber que os estrangeiros - até aqueles do outro lado do planeta - começam a reconhecer que o Brasil tem outros talentos e embaixadores além do Alex Atala. 

Deco, Carluccio, Edgard e outros leitores italianófilos, se eu li algo errado na notícia abaixo, me avisem... :)
    


"Il vero problema è leggerlo, perché non vi sono dubbi sull’importanza del servizio uscito sul numero di maggio 2012 del mensile ELLE à table, versione giapponese. E’ andata così: Yumiko Inukai, tra l’altro riferimento per il Giappone per i 50 Best, ha chiesto a tre colleghi importanti, Melissa Clark, François Simon e William Sitwell, più il sottoscritto, quali pensano siano i 10 migliori chef al mondo e i 5 baby top. Idem, almeno per me, a livello di Italia, 15 e 10 nomi. Purtroppo nel servizio fatico a capire i confini tra scelte nazionali e quelle globali anche perché sono stati riportati i cuochi più citati, senza però stilare classifiche. In ogni modo, la prima pagina è interamente occupata da Bottura e la seconda da René Redzepi.

Queste le mie classifiche mondiali: Top mondo 1. René Redzepi (Noma a Copenhagen): “Redzepi ha il grandissimo merito di avere catturato l’attenzione del mondo su una cucina, quella dei Paesi Nordici, dell’estremo nord europeo a ridosso dei ghiacci perenni, che letteralmente non esisteva o, in ogni modo, non aveva nulla di affascinante tanto che l’alta cucina, tra la Danimarca e il Polo Nord , era sempre stata un scopiazzatura dell’Haute Cuisine francese. A lui il merito di avere reso golosi i licheni tanto da farceli sognare”.

2. Massimo Bottura (Osteria Francescana a Modena): “Bottura ha saputo mettere nuova linfa e profonda intelligenza in piatti e in sapori che tutti al mondo pensavano di conoscere fin nel più piccolo dettaglio. Una tradizione rivoluzionaria”.

3. Joan Roca (El Celler de Can Roca a Girona): “In un periodo che vede la Spagna meno glamour perché Ferran Adrià si è ritirato, trasformando il Bulli in una fondazione, e Santi Santamaria è scomparso, i tre fratelli Roca, Joan, Josef e Jordi, ci ricordano come la rivoluzione iberica ha radici e motivazione vere e serie. Non era affatto una moda anche se è passata di moda”.

Quindi: 4. Seiji Yamamoto (Nihonryori RyuGin a Roppongi Tokyo); 5. Massimiliano Alajmo (Le Calandre a Rubano – Padova); 6. Daniel Humm (Eleven Madison Park a New York); 7. Carlo Cracco (Ristorante Cracco a Milano); 8. Pascal Barbot (Astrance a Parigi); 9. Alex Atala (D.O.M. a San Paolo); 10. Gaston Acurio (Astrid y Gaston a Lima).

Top 5 giovani: 1. Josean Martinez Alija (Nerua a Bilbao): “Alija è un alieno nel senso che sapeva cosa avrebbe fatto da grande quando ancora era nella culla, una di quelle persone che hanno il futuro già disegnato nella loro testa e sanno assecondarlo con serietà e discrezione. Genio precoce, ha temperato il suo carattere in anni di incompresa ristorazione all’interno del museo Guggenheim a Bilbao. Ora che ha un locale più suo, lo applaudono anche coloro che non volevano vedere e capire. O non ci riuscivano a vedere e a capire per loro ignoranza”.

2. Rodrigo Oliveira (Mocotò a San Paolo): “La cucina brasiliana semplicemente non esiste. Il Brasile è un continente nel continente con mille volti e culture che rendono forti cucine popolari e povere. Rodrigo Oliveira sta codificando la tradizione che meglio conosce per elevarla al rango di grande cucina mondiale. Due secoli dopo la Francia e uno dopo l’Italia”.

3. Magnus Nilsson (Fäviken Magasinet a Järpen): “Il ristorante di Magnus Nilsson conta 16 coperti e ben pochi tavoli ma si trova anche in un villaggio a ridosso della Lapponia dove le renne sono mille e mille volte più numerose degli uomini. Inutile chiedersi se avrebbe cucinato nordico se non ci fosse stato prima Redzepi. Se possibile, la sua mano è ancora più asciutta e severa del danese. In fondo uno sta nel vuoto innevato e l’altro in una capitale di un milione di abitanti che ha un lunapark per simbolo”; 4. Stevie Parle (The Dock Kitchen a Londra); 5. Lorenzo Cogo (El Coq a Marano Vicentino – Vicenza)."

E mais Rodrigo Oliveira e Mocotó no Boa Vida:


Mocotó: um post sentimental

Leitores do Boa Vida almoçam no Engenho Mocotó: farra!

Chef Rodrigo Oliveira cozinha com Atala e Carla Pernambuco no Astor

Rodrigo Oliveira e outros chefs do Brasil participam do Gastronomika, em San Sebastian

16.4.12

Restaurante Attimo, do chef Jefferson Rueda: inauguração em junho

O chef Jefferson Rueda (à direita) prepara no Engenho Mocotó do chef Rodrigo Oliveira (à esquerda)
galinha ao molho pardo e polenta com queijo meia-cura

O simpático chef Jefferson Rueda (ex-Pomodori) tocará a cozinha do Attimo, restaurante auto-denominado "ítalo-caipira" que, segundo o proprietário Marcelo Fernandes (o mesmo do Kinoshita e do Clos de Tapas) consumiu um investimento de 4 milhões de reais. Uma inauguração desse porte não se vê sempre, mesmo em uma cidade como São Paulo onde cada semana surgem novidades - por isso eu venho acompanhado cada passo com atenção.

Sei, por exemplo, que o Attimo terá uma carta de cachaças com mais de 120 variedades, elaborada pelo sommelier Manoel Beato.

No menu, muito porco e releituras de pratos caipiras como galinha ao molho pardo (sim, com galinha de verdade!)

A inauguração foi adiada para junho.

O espaço está praticamente pronto. Ocupa uma casa antiga na rua Diogo Jácome, perto do Parque do Ibirapuera, desenhada pelo starquiteto David Libeskind, o mesmo que assina o Conjunto Nacional. A reforma e a restauração consumiram boa parte do investimento total.

Casa desenhada por Libeskind, antes da reforma que a transformará no Attimo


Fernandes não dá ponto sem nó: para cuidar da pâtisserie escalou ninguém menos que Saiko Yoneda, ex-confeiteira do D.O.M.

Rueda preparou alguns dos pratos que estarão no cardápio no encontro anual dos leitores deste Boa Vida, lá no Engenho Mocotó (vejam neste link) e deixou o grupo impressionado.

Rufam os tambores...

14.4.12

Restaurante A Peixaria, em São Paulo: leitor provou e aprovou



Vivo elogiando meus leitores, e com razão: graças a eles, que me mandam emails o tempo todo contando onde e o que comeram, sinto que tenho "olheiros" por toda parte, consigo me manter antenada nas melhores novidades, seja de São Paulo, Paris ou Turim.

Um dos mais divertidos e aplicados é um certo "leitor secreto" (ele prefere ficar anônimo) que tem um apetite quase infinito e vive viajando e comendo bem. Recebo boletins fresquinhos e constantes: fotos dos pratos, que ele me dispara pelo celular, com notas de 0 a 10. Um sarro!

Outras vezes, a avaliação dele chega sem foto. A de hoje:

"Dopo "Parigi"...viva o Essencial Light. (Peixaria então...ambrosia da Dio !) Spaghetti alle vongole ( plastificado )  e o Canard à la presse (duro e insosso). #devolvemos... Enfim, + 3 anos sem dar nova chance ao fajutíssimo Parigi : a quem gosta...sorry."

Aliás, graças a ele descobri o novo Peixaria, em São Paulo, citado acima. Esse leitor foi comer lá depois de ler crítica muito elogiosa do Luiz Américo Camargo, do Estadão. Um trechinho: "Este restaurante cheira um pouco a… peixe. Simplesmente porque ele também é uma peixaria. (...) A Peixaria abriu em fevereiro, em Moema, sob o comando do jovem chef Cauê Tessuto. Na frente, funciona a loja de pescados; no ambiente contíguo está o restaurante"

Pois mr. leitor secreto foi  e aprovou, com pouquíssimas palavras:

"Testei hoje, vale a pena!"

Eu e os leitores do Boa Vida agradecemos a dica!



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