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9.4.12

Livros de gastronomia: o que estou lendo ou comprando



Blame it on Pinterest.

Sempre com mania de não perder nenhuma moda internética, juntei-me aos milhões de usuários do site Pinterest, como se já não bastassem as horas gastas no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Mas sabem do quê? Viciei! O Pinterest me permite ir postando coisas que acho belas ou relevantes, bem arrumadinho por assuntos, como fichários virtuais.

Criei um "board" sobre minhas leituras:  revistas variadas, livros de gastronomia. E aí achei que faria sentido dividir aqui os livros que têm estado na minha cabeça, seja porque comprei, li ou ainda quero ler. A-mo comprar livros na Amazon, dos meus maiores vícios.... distração deliciosa quando tenho um texto para escrever mas estou emperrada no segundo parágrafo....


Lindo, não? Comprei hoje, no site brasileiro COQUELUX




Livro valiosíssimo, comprei um, dei de presente a um amigo, e
hoje comprei outro, para ter em casa como fonte de consulta.
Todo chef deveria ler.




Novo livro do chef mais cult do Canadá, Martin Picard. Está na GQ deste mês.




Pra mim, o livro mais delicioso dos últimos 2 anos. Um exemplo a ser seguido!


Gostei tanto do livro do Joe Beef que dei na GQ...


Acabou de sair, pela Penguin Books. Inglesinha sexy, a nova Nigella...

livro do Andoni Aduriz, que a Phaidon está lançando
em maio - já fiz minha pré-encomenda!

Livro de ceviches do chef Gaston Acurio. Gostei tanto que dei uma das receitas na revista GQ (abaixo)






Livro do FAVIKEN, restaurnate do chef Magnus Nilsson.
Sairá em outubro pela Phaidon e mal posso esperar.

Para quem gosta de coquetelaria, este é O livro....


Para quem, como eu, ama design gráfico e ilustrações, um verdadeiro banquete


Livro escrito pela minha querida amiga Alice Granato, e recém-lançado pela editora Sextante.
Fotos de Sérgio Pagano. Um riquíssimo passeio pela gastronomia brasileira.


Resumo extraído do press release:
Resultado das muitas viagens pelo país feitas pela jornalista Alice Granato e o fotógrafo Sergio Pagano. A dupla mapeou a vocação natural de cidades e regiões, seus produtos genuínos, influências, observaram os modos de consumo e preparo dos alimentos, visitaram mercados e feiras, seus povos e os artistas que retrataram esses locais. Ao final de cada capítulo, o livro apresenta uma seleção de receitas emblemáticas de cada local.

A região Norte está representada pela fartura das frutas, dos peixes e do queijo do Marajó. “Nunca se deu tanto valor à culinária nortista, de raiz. É um redescobrimento do valor da grandiosa herança indígena”, avalia a autora que visitou, dentre outros pontos, o Mercado Ver-o-Peso, em Belém, e acompanhou a pesca artesanal de pirarucu, nas proximidades de Manaus.
O Nordeste está retratado como uma região que alia a culinária marcante do sertão – a carne de sol, o charque, as carnes de cabrito e de bode, o queijo coalho e a manteiga de garrafa – com peixes, camarões, lagostas, caranguejos e siris.

A autora visitou uma autêntica casa de farinha de mandioca, nos Lençóis Maranhenses, e conheceu a residência de Gilberto Freyre na companhia de sua filha, Sonia. O sociólogo, autor de Açúcar – Uma Sociologia do Doce, era um estudioso da influência da alimentação brasileira na formação da nossa cultura e tinha uma receita secreta de conhaque de pitanga. O livro resgata essa história.

Em Natal, Sabor do Brasil concilia os famosos bolinhos de macaxeira das tias Chica e Lucia com uma visita à casa do etnógrafo e historiador Câmara Cascudo, autor de História da Alimentação no Brasil.
Já na Bahia, Alice e Pagano exploraram os sabores de Salvador, a Ilhéus de Jorge Amado e a influência africana.

As cidades histórias de Tiradentes, em Minas Gerais, e Paraty, no Rio de Janeiro, são conhecidas por oferecer uma culinária muito própria, cada uma delas com suas singularidades.

“Tiradentes representa à perfeição o que há de melhor na substanciosa cozinha mineira, a importância do forno a lenha e do tacho de cobre. Já Paraty apresenta uma cozinha mais leve e voltada para os pescados e frutos do mar, tratados à maneira caiçara, isto é, à moda do caipira do litoral”, revela Alice. A influência dos imigrantes marca o Rio de Janeiro e São Paulo. A herança portuguesa no Rio está representada em seus botequins. São Paulo é a terra das cantinas, das massas das mamas italianas, das pizzas e pastéis de feira.

Já a cozinha pantaneira passeia por sua vocação natural: a pesca – o pacu, o dourado, o pintado, a piranha – e a pecuária, que rende pratos como o chamado “joão sujo”, um pirão de carne seca; o caribéu, ensopado de carne de sol com mandioca, além do arroz de carreteiro.

E, finalmente, o sul do Brasil oferece saborosos contrastes: dos encantos da Serra Gaúcha, com seus vinhedos, passando pelo churrasco (“um prato de carne não pode faltar à mesa, o resto é variável”, confessa o escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo, em entrevista ao livro) e chegando às ostras, mariscos e camarões das praias catarinenses, além da cozinha italiana artesanal, o galeto, a polenta e os cafés coloniais e o chimarrão.

13.3.12

Editora Phaidon em alta: livros de Atala, Andoni Aduriz e Magnus Nilsson em 2012


Minha última coluna na Folha falava sobre livros. 

Mas só hoje fui ver que a Phaidon, que disse ser a mais prestigiosa editora de livros de gastronomia, foi escolhida para a lista de "Tastemakers" (formadores de opinião) da revista Bon Appétit para 2012. Eles pelo jeito viram o mesmo que eu: a editora está com tudo. 



O livro do Andoni Aduriz do Mugaritz sai em maio e recebi esta semana as fotos. Lindas! O do Alex Atala já foi noticiado aqui e ali (inclusive neste Boa Vida),  mas o que aprendi, lendo a Bon Appétit, é que a Phaidon também está preparando um livro com Magnus Nilsson, o garoto incrivelmente talentoso do Faviken, do qual vivo escrevendo aqui. 

Bom ver que mesmo em 2012 e com toda essa onda de iPad iPhone e iTudo ainda tem gente suficiente comprando livros e engordando a conta de editoras como a Phaidon. Longa vida aos livros de papel!



E a seguir, eis o primeiro rascunho do que veio a ser a coluna publicada (editada e bem mais curta) no Comida:



Novo livro do Martin Picard, lançado semana passada


O gentil gigante Martin Picard, caçador e incentivador da chamada cozinha nose-to-tail, é idolatrado por cozinheiros dos dois lados do Atlântico. O chef televisivo Anthony Bourdain declarou famosamente que seu restaurante Au Pied de Cochon em Montréal “é uma ode ao excesso, não hesito pegar um vôo de Nova York só para comer lá”. Dada a legião de fãs, não surpreende que o novo e já controverso livro de Picard, Cabane à Sucre Au Pied de Cochon, seja iconoclasta como o autor. 



Há desde sua patissière posando nua em uma banheira de maple syrup a uma receita de sushi de esquilo; centenas de fotos passo-a-passo de como preparar receitas doces e salgadas a demonstração de como se arranca a pele de um coelho. Grotesco ou artístico? Sexual ou didático? Picard adora confundir e desafiar convenções.

Desde que o mundo é mundo – ou desde que saiu o primeiro dos cinco volumes da enciclopédia L’Art de Cuisine Française, de Marie-Antoine Carême, em 1833 - chefs publicam livros com suas receitas. Uma busca por “Mario Batali” na livraria online Amazon faz aparecerem dez títulos publicados pelo cozinheiro-celebridade. O escocês Gordon Ramsay tem mais que o dobro disso: 23! A grande maioria fica só nisso: livros de receita. Já o de Picard soma-se a outro time: o dos chefs que definem seu estilo e demarcam território através da palavra impressa.

O pioneiro, como de hábito, foi Ferran Adrià, que revolucionou o mercado editorial ao lançar em 1993 seu primeiro “catálogo geral”: El Bulli 1983-1993. Aquele catatau de capa dura listava cada prato criado pelo catalão e seu time, com descrição técnica e foto – e até um DVD! A partir daquele momento, podiam copiar o quanto quisessem, que a autoria dos conceitos e combinações já tinha sido explicitada... “Havia muitos livros que davam receitas (...) mas poucos centravam na análise de estilos, de métodos de criar. O catálogo representou uma vontade de codificar nossa cozinha do ponto de vista teórico, atitude que prosseguiu nos livros seguintes”, diz Adrià.

revista Lucky Peach do chef David Chang


Demorou muito até surgirem outros lançamento verdadeiramente notáveis, até  de repente abriram-se as comportas. Nunca se viu tamanho bombardeio de grandes lançamentos de chefs, cada qual procurando fazer algo totalmente novo. David Chang, chef-proprietário do Ko e outros restaurantes Momofuku, quis inventar uma revista pensada para iPad mas desistiu. Sua descoladíssima Lucky Peach, impressa e vendida online, sai quatro vezes por ano e faz enorme sucesso. 

René Redzepi, dono do restaurante cotado número um no mundo, o Noma, em Copenhague, mandou ver com o Noma: Time and Place in Nordic Cuisine, lançado em 2010. Um livrão com a sua cara: fotos de pratos nus e crus intercalados com paisagens gélidas, e um diário personalíssimo como introdução, acompanhado de mapa. Foi lançado com grande pompa em megaevento na Sydney Opera House, na Austrália – vendiam-se ingressos só para ver o chef falar! - e na sequência Redzepi fez turnê mundial assinando autógrafos. Hoje, publicar algo com a Phaidon, editora dele, tornou-se o maior prêmio ao qual um chef de renome pode aspirar. Pelo menos dois conseguiram: em maio sai o livro de Andoni Aduriz, do Mugaritz na Espanha, e em outubro, o de Alex Atala.

O verdadeiro divisor de águas, no entanto, é outro: a série Modernist Cuisine, último status symbol entre foodies. Custou anos e fortunas para ser produzida pelo milionário Nathan Mhyrvold (que não é chef mas amigo de todos os que importam) e jamais será batida nos quesitos peso (um homem não consegue carregar os cinco volumes sozinho!), aprofundamento técnico e beleza fotográfica. A cada vez que consulto um dos volumes aqui em casa, assusto-me com o peso de todo aquele papel lustroso. Aí está a grande ironia: cozinheiros caminham na contra-mão da migração do papel para o digital, como se buscassem, ao retratarem-se em livros que acumulam pó na estante, a permanência.


8.8.11

Modernist Cuisine, de Nathan Myhrvold: livro-bíblia-objeto-de-desejo




O livro-bíblia Modernist Cuisine, com cinco volumes e incontáveis fotos maravilhosas, é a coisa que eu mais quero ganhar de presente atualmente. Sim, de presente, porque se eu mesma comprá-lo vou morrer com um baita prejuízo!

Último status symbol entre foodies, a série é tudo o que sua enciclopédia sempre sonhou em ser. a Ferrari dos livros de cozinha explica e ilustra, com detalhes, técnicas culinárias (vide cheeseburger abaixo). os cinco volumes, que custaram ao inventor (e ex-chefão da Microsoft) Nathan Myhrvold anos e fortunas, mal saíram da gráfica e viraram objeto de desejo, apesar do preço.


Modernist Cuisine Trailer from Modernist Cuisine on Vimeo.


Este mês, usei uma das fotos do livro para ilustrar a página de abertura da minha seção SABOR, na revista GQ. Adivinhem o tema da matéria? Hambúrgueres, claro! Mais especificamente, búrgueres “haute”, ou finos. Onda lançada pelo chef Daniel Boulud uma década atrás, em Nova York, mas que não dá sinais de que vai regredir – pelo contrário!




Nathan Myhrvold, o autor, já foi chefão da Microsoft, e gastou anos e milhões de dólares na “brincadeira”. O resultado virou objeto de desejo e logo que saiu esgotou-se.

Uma segunda fornada chega logo mais à Amazon- convém ficar alerta para não perder o bonde, porque certamente a série vai esgotar-se mais uma vez nas livrarias. Dá inclusive para comprar agora, e assim que chegarem mais livros eles mandarão um email avisando.





Para quem não quiser esperar, há duas opções. A primeira é pagar mais caro por um exemplar usado (me parece roubada). A segunda é consultar, no site do Modernist Cuisine, o super prático "locator" que indica quais livrarias têm cópias à venda. Chequei de novo hoje e descobri, por exemplo, que dá para comprar na seguinte livraria novaiorquina:

Barnes & Noble - Union Square, NYC
33 East 17th Street
New York, NY 10003
Map | Web site
Hours: Daily 10am-10pm
Phone: (212) 253-0810



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