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14.9.12

Chefs Daniel Humm (Eleven Madison Park) e Grant Achatz (Alinea) trocam de cozinha



Essa ideia leva, na minha opinião, o prêmio de originalidade. Os chefs Grant Achatz e Daniel Humm, super amigos, resolveram trocar de cozinha por uns dias, com equipe e tudo. Achatz vai cozinhar no Eleven Madison Park, em Nova York, e Humm vai cozinhar no Alinea, em Chicago, #1 dos Estados Unidos no 50 Best.

Esse vídeo explica melhor: MUITO bom!





O mistério é proposital. Maiores informações "vazarão" no Facebook, nesta página aqui.



Como já escrevi algumas vezes, acho que o Daniel Humm está no auge de sua carreira.
(Aqui, o texto que escrevi sobre ele no caderno COMIDA, da Folha).

E o melhor: Humm está de viagem marcada para São Paulo! Ele vai palestrar na Semana Mesa SP e cozinhar no restaurante Clos de Tapas na semana do 5 de novembro.

ADENDO - agora soltaram uma página explicativa, respondendo a várias FAQs (frequently asked questions) - neste link.


30.7.12

Os 10 restaurantes onde eu sonho em ir comer

Frosted rain: imagens projetadas sobre tiras de cristal no 41 Grados, em Barcelona

Outro dia, conversando com minha amiga Marie-Claude Lortie, crítica gastronômica do jornal La Presse, de Montreal, disse a ela que nada faz mais sucesso na mídia impressa e em sites do que listas. As pessoas amam ler listas, debater listas, imprimir listas para levar em suas viagens de férias.

Ela ouviu, achou curioso e resolveu escrever no blog dela um post com a lista dos 10 restaurantes que ela sonha em conhecer. Resultado? Choveram comentários, estações de rádio chamaram-na para dar entrevista sobre a (controvertida) lista, e chefs do mundo inteiro tomaram nota do auê via Twitter. Agora, resolvi imitá-la.

41 Grados
Hoje, ao ver um vídeo recém-postado da nova encarnação do restaurante 41 Grados (que já era algo totalmente incrível, conforme mostrei, prato-a-prato, nesse post musical), resolvi que não há nada que eu queira mais, hoje, do que jantar lá de novo. O Albert Adrià reformou o espaço, transformando radicalmente o look. Do teto ele pendurou, com a ajuda de um artista multimídia, montes de tiras de cristal que servem de tela assimétrica e amorfa para uma série de imagens que projetam durante o jantar. Ao mesmo tempo, a trilha sonora acompanha o fluxo dos minipratos e das imagens, formando, em seu todo, uma experiência maluca e multisensorial que vai muito além do simples ato de comer. Este é, portanto, o número 1 na minha lista de restaurantes que sonho em conhecer (neste caso, re-conhecer). Vejam o vídeo:




Vamos aos outros 9:

2- Calima, Marbella
Há muitos anos acompanho o trabalho do chef Dani Garcia, um dos grandes talentos de sua geração. Mas ainda falta ir até Marbella provar seu menu....

3- Osteria Francescana, Modena
Massimo Bottura não chegou à terceira estrela Michelin ou ao topo do ranking dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo à toa.... Sou fã da filosofia dele, e adoro como ele insere sua sensibilidade artística no que cozinha. 

4- Faviken Magasinet, Suécia
Já escrevi montes sobre o jovem Magnus Nilsson, aqui e também na Folha. Admiro enormemente o trabalho dele, e tenho fascínio pelo domínio que ele tem sobre o processo de putrefação de carnes e legumes. O rei das conservas.

5- Enoteca Pinchiori, Florença
Dos grandes clássicos, o que mais tenho vontade de conhecer. Talvez por causa dos elogios rasgados que ouço, há anos, de parentes e amigos.

6- Jiro, Tóquio
Sim, sei que o Jiro-San não é flor que se cheire. Sim, sei que custa uma fortuna comer lá, sendo que o ambiente é bem pobrinho. Mas também sei que o sushi é de virar os olhos, inesquecível. Desde que vi o trailer sobre o filme que fizeram sobre esse japonês tinhoso e seríssimo tenho curiosidade em conhecê-lo ao vivo.


NOZAWA from CITY ROOM CREATIVE


7- Remanso do Bosque, Belém
A verdade verdadeira: envergonho-me de nunca ter ido a Belém. Já li tanto a respeito, já vi tantas fotos, mas, até hoje não peguei um avião até lá. Quando o dia chegar, minha primeira parada será o mercado Ver-o-Peso. E a segunda, o Remanso do Bosque, restaurante dos irmãos Thiago e Felipe Castanho.

8- Next, Chicago
Segundo restaurante do Grant Achatz, que segue um conceito genial e inédito: vendem ingresso ao invés de mandar contas para as mesas, e os menus temáticos viram o estilo da cozinha de cabeça para baixo regularmente.

9- The Bazaar, Miami
Pode ser que nem seja tão bom - sempre corre-se esse risco instalando-se em um hotel da moda, como é o SLS Miami - mas essa novíssima filial do The Bazaar de Los Angeles tem o carimbo de um dos chefs mais talentosos dos Estados Unidos, o espanhol José Andrés. Aqui, eu explico porque acho ele incrível.

10 - Bras, Laguiole
O restaurante do chef francês Michel Bras é uma peça que falta no meu repertório. Ele inspirou tantos chefs, ensinou e inovou tanto que será para sempre referência. Até para poder fazer o meu trabalho direito, acho importantíssimo ir lá e tentar entender o fascínio que ele exerce sobre seus colegas de profissão.


4.8.11

Ferran, Achatz, Liebrandt e cia. agora resolveram fazer cinema



Post-relâmpago só pra dizer que hoje é dia de caderno Comida na Folha. O tema da minha coluna? Chefs e cinema...  Ferran Adrià, cujo El Bulli foi o assunto principal do Comida, está metido em pelo menos dois filmes. Um já saiu, e chama-se El Bulli - Cooking in Progress. O outro está em produção e vai focar nos muitos estagiários que passaram pela sua cozinha (hoje, muitos se tornaram chefs premiados, como René Redzepi e Grant Achatz). Será a versão cinematográfica do livro da jornalista Lisa Abend, The Sorcerer's Apprentices. Vejam o trailer do Cooking in Progress:




E aqui, a coluna publicada no Folha Comida:




1.6.11

Aviary, o bar do chef Grant Achatz em Chicago: quebrando conceitos e dando show de técnica



Quatro anos atrás eu fui pra Chicago só pra comer no Alinea, o famoso restaurante do chef Grant Achatz, cotado número 1 das Américas na lista 50 Melhores Restaurantes do Mundo. O restaurante se esconde atrás de fachada modesta, cinza e sem adorno nem placa, num bairro residencial de Chicago. O corredor de entrada, ladeado por parede com escamas terminando numa escultura que se move e soa como uma fonte, parece anunciar o lema “bem-vindo ao inesperado”.
Peguei avião, táxi, o escambau, dormi, acordei, andei pelas ruas, jantei, dormi e fui embora. Loucura, eu sei, mas eu tinha que ver porque diabos o tal Grant Achatz tinha sido chamado de melhor chef dos Estados Unidos pela Ruth Reichl, editora da Gourmet.

Fui. Gostei. Aprendi. Absorvi surpresas sem fim. Achei as texturas e os sabores um pouco esquisitos demais mas entendi que aquele garoto não veio à Terra a passeio: pratos grandíssimamente complexos e ambiciosos.


Eu poderia escrever um livro sobre o Grant: um cara sério, meio seco até, mas absolutamente genial. Por falar em livro, acabei de ler a biografia dele, recém-publicada, o que só fez minha admiração triplicar.

Falo dele hoje para contar do novo bar que ele abriu em Chicago em abril.  O Aviary – granja, em tradução livre – serve drinques altamente elaborados, que quebram barreiras entre comes e bebes e também estabelecem um novo e altíssimo padrão de qualidade. Além de serem absolutamente incomuns e surpreendentes. O "gim tônica" abaixo, por exemplo - que eles já tiraram do menu - levava quase cem bolotas de suco de pepino esferificado, xarope de açúcar, gim artesanal, ácido cítrico, licor Chartreuse amarelo, tônica. O canudo de vidro, bem grosso, foi desenhado e produzido especialmente para o bar.

 Chef Grant Achatz e o gim tônica que estava no menu inaugural do Aviary.
Crédito: Aviary (stills de vídeo)



Crédito: Aviary

Destilados envelhecidos ali mesmo, em barricas,  ervas e frutas frescas de mercado, misturas doidas, comidinhas mais doidas ainda para acompanhar... um bar para quebrar conceitos.

 Cítricos e especiarias usados para fazer o coquetel Ginger. Crédito: Aviary

Há uns meses recebi um email do próprio Achatz contando que “o bar terá três porta-coqueteleiras com capacidade para 175 coqueteleiras. Nossos chefs não lavarão coqueteleiras ou copos enquanto criam drinques. E tem ainda o “ice room” (com um "chef" encarregado só disso, de fazer gelos variados!!) e o “bar da diretoria”, além de outras surpresas”.


 Barris de destilados e bebidas curtindo em aromáticos
nos fundos do bar. Crédito: Aviary

Quem toca o bar é o chef Craig Schoettler, que era do Alinea. Sempre gostou de "brincar" com coquetéis, e já vinha criando coquetéis comestíveis no Alinea, então a promoção a chef do Aviary foi uma coisa natural. Dele vieram as ideias mais iconoclastas da carta de drinques, e é ele quem controla todo o "serviço", como fazem os chefs executivos nos restaurantes.

Chef Craig Schoettler, do Aviary  Crédito: Aviary (still de vídeo)

Um fato é certo: as inovações do Aviary marcarão época, terão copiadores e nos farão pensar, como nunca antes, no que faz de um restaurante um restaurante, e de um bar, um bar.

O bar não tem site, claro. Seria totalmente não-cool mostrar-se ao mundo, né? :o  O único jeito de reservar lugar é mandando email para reservations@theaviary.com.
Aviary: 955 W Fulton Market, Chicago

Crédito: Aviary (still de vídeo)

A cereja no bolo é este vídeo que eles postaram no YouTube, mostrando a noite de inauguração (de onde eu tirei muitos dos stills que ilustram este post). De babar. Dá vontade de pegar um avião agora e ir provar aquelas loucuras etílicas.

23.4.11

The World's 50 Best Restaurants: a cobertura completa


Ufa.

Que loucura foi esta minha última semana!

Acabo de voltar de Londres - onde aconteceu, segunda à noite, a premiação dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, e tenho mil coisas pra contar. O filé mignon eu já tinha adiantado, lá no site da GQ: Alex Atala subiu para a 7a posição no ranking! Detalhes, nesses dois posts:


Mas o grande feito de Atala não foi, claro, o único ponto alto da noite. A coisa sempre fica mais animada quando muitos restaurantes sobem e descem no ranking - e foi o que aconteceu este ano.

Quando cheguei ao Guild Hall para a cerimônia estávam no pátio externo muitos dos chefs mais famosos do mundo - uma cena realmente rara e especial. Cliquei uns poucos, vejam:

Eric Ripert (Le Bernardin, NY), Thomas Keller (Per Se e The French Laundry), Juan Mari Arzak (Arzak), Daniel Boulud (Daniel, em NY, entre outros) e Josean Martínez Alija (Guggenheim Bilbao)




Wylie Dufresne (WD-50, NY), Andoni Aduriz (Mugaritz, País Basco), Pascal Barbot (l'Astrance, Paris), René Redzepi (Noma), Alex Atala, Gaston Acúrio (Astríd y Gaston, Peru), Juan Mari Arzak e a filha Elena (Arzak) e Joan Roca (El Celler de Can Roca, Girona).


Eu, que acabara de ler a nova biografia do chef Grant Achatz, levei um baita susto com sua magreza - mas até que para alguém que viu a morte de tão perto, ele está bem...
(Batalhou um violentíssimo câncer na língua)


Fui cumprimentá-lo, e ele logo me apresentou sua namorada:

- "This is Heather, my girlfriend".

Eu sei, respondi. Afinal de contas, depois de ler a biografia dele me sentia como se tivesse passado uma semana na casa do casal como hóspede! "Acompanhei" o namoro do primeiro beijo à mudança dela de Nova York para Chicago! Uma gata, a Heather. Aqui, posaram para foto com o grande amigo e mentor dele, o chef Thomas Keller:





Os meninos do Noma, como sempre, foram ao 50 Best em bando. E festejaram com tanto entusiasmo o primeiro lugar no ranking que acabei acreditando que eles não sabiam o óbvio - que ganhariam de novo este ano.


Com a simpatia de sempre, René Redzepi, o comandante do time Noma, fez discurso curto e simples, e fez questão de incluir seus cozinheiros na celebração.


Ao subirem ao palco para pegarem o troféu, vestiram chapéus de viking, estouraram champagne e logo foram arrancando os chifres para servirem de taças!


E olhem onde os chifres acabaram indo parar:


Quem não se deu tão bem este ano foi Heston Blumenthal, do The Fat Duck que desceu da 3apara a 5a posição. Mas não acho que isso incomodou o chef. Mais magro e bronzeado do que nunca, ele agora tem cara de celebridade televisiva. Me parece um outro homem bem diferente do geniozinho gorducho de cinco anos atrás. O que não fazem a fama e a fortuna... :)


Mas não dá para terminar este post sem falar de outro grandíssimo vitorioso: Joan Roca. Ele e os irmãos Josep e Jordi Roca levaram o prêmio de 2o melhor restaurante do mundo para seu El Celler de Can Roca. Quem segue este blog sabe que para mim, aquele lugar é inigualável, então fiquei feliz de saber que muitos jurados compartilham a mesma opinião que eu. 
Joan, como sempre, um lorde:

Já disse aqui e volto a repetir: isso tudo foi muito legal, adorei estar lá, mas há que se dizer que o ranking tem seus defeitos e não pode ser levado ao pé da letra. Escreverei em maior profundidade sobre esse tema nos próximos dias, mas desde já, aos que tiverem interesse em ver os dois lados da moeda, recomendo as seguintes leituras:





Os 50 Melhores Restaurantes do Mundo

Rank Position Restaurant Country
1 — Noma Denmark
2 Up 2 El Celler De Can Roca Spain
3 Up 2 Mugaritz Spain
4 Up 2 Osteria Francescana Italy
5 Down 2 The Fat Duck England
6 Up 1 Alinea USA
7 Up 11 D.O.M Brazil
8 Up 1 Arzak Spain
9 Up 2 Le Chateaubriand France
10 — Per Se USA
11 Down 3 Daniel USA
12 Up 12 Les Creations de Narisawa Japan
13 Up 3 L'Astrance France
14 Up 15 L'Atelier de Joel Robuchon France
15 Up 2 Hof van Cleve Belgium
16 Down 3 Pierre Gagnaire France
17 Up 2 Oud Sluis Netherlands
18 Down 3 Le Bernardin USA
19 Re-Entry L'Arpege France
20 Up 28 Nihonryori RyuGin Japan
21 Up 1 Vendome Germany
22 Down 1 Steirereck Austria
23 Up 7 Schloss Schauenstein Switzerland
24 Up 26 Eleven Madison Park USA
25 Up 9 Aqua Germany
26 Up 1 Quay Australia
27 Up 1 Iggy's Singapore
28 Up 7 Combal Zero Italy
29 Up 4 Martin Berasategui Spain
30 Re-Entry Bras France
31 Up 15 Biko Mexico
32 Down 12 Le Calandre Italy
33 Re-Entry Cracco Italy
34 New Entry The Ledbury UK
35 Down 12 Chez Dominique Finland
36 Down 5 Le Quartier Francais South Africa
37 New Entry Amber China
38 Down 2 Dal Pescatore Italy
39 Up 1 Il Canto Italy
40 Down 14 Momofuku Ssam Bar USA
41 Up 2 St John UK
42 New Entry Astrid Y Gaston Peru
43 Up 6 Hibiscus UK
44 — Maison Troisgros France
45 Down 4 Alain Ducasse au Plaza Athenee France
46 Down 9 De Librije Netherlands
47 Down 33 Restaurant de l'Hotel De Ville Switzerland
48 New Entry Varvary Russia
49 New Entry Pujol Mexico
50 Re-Entry Asador Etxebarri Spain



14.12.10

Hypadíssimo Next Restaurant, do chef Grant Achatz: preview do menu

Peito de galinha com enrolado de patê de frango e
pepino em capa de bacon
Crédito: Next restaurant


Para mim, um dos chefs mais geniais das Américas é Grant Achatz, do Alinea. E já me cansei de explicar a importância dele: primeiro nisto, premiado naquilo, teve câncer na língua e milagrosamente curou-se, blablabla.

Crédito: Next Restaurant


O fato é que ele está pra abrir um restaurante que já anda super hypado, que vai se chamar Next, e que promete virar de ponta-cabeça nosso conceito de como um restaurante deve funcionar.

Ele vai vender entradas pela internet, como se um jantar no Next fosse um show da Lady Gaga!

Ou seja: não haverá contas a pagar depois do cafezinho, nem reservas de mesa. A pessoa chega lá de entrada em mãos, come e pronto: tudo está incluído no preço, desde os vinhos à gorjeta! E como acontece com entradas para um show, os preços podem variar conforme a data e o horário. Será que vai rolar comprar ingresso de cambista?

Outra ideia revolucionária: em vez de menu, Achatz irá servir pratos inspirados por épocas da história e cidades do mundo. Em dezembro podem servir pratos de Paris em 1912, enquanto em março tudo poderá ter mudado e a cozinha irá se inspirar na São Paulo de 1968.



O menu inaugural vai ser "Paris 1906" e, considerando o naipe do chef e tudo o que está em jogo, nem preciso dizer que ele está testando há meses as receitas que irão compor o menu. Como a Time é, afinal de contas, a Time, só mesmo a revista americana foi convidada a ver e provar os primeiros pratos, ainda em fase de aperfeiçoamento.




Mais especificamente, um tal de Joel Stein pegou um avião até Chicago e passou algumas horas vendo Achatz e equipe trabalhando, e depois comeu os resultados.


Resumindo, Stein conta que o menu baseia-se todo em receitas de Escoffier (muito vagas, segundo o repórter), interpretadas livremente sob o prisma da obcessão técnica e minuciosa de Achatz.

Stein saiu de lá rolando: achou tudo gostoso mas bem engordativo e pesado. Entre outras coisas, ele provou:

- Gougères recheados de molho Mornay e trufas
- Velouté de avelãs e trufas negras
- Peito de galinha com molho Albufera (manteiga, foie gras, trufa, caldo de frango) e enrolado de patê de frango e pepino em crosta de bacon
- Perna de galinha (com pé e tudo) com duxelle de cogumelos e fond de vitela e pommes purée (1.5 partes de manteiga para 1 de batatas!)
- Salade Saint-Sylvestre: círculos de alcachofra e celeriac com maionese de nozes, servidos com "moedinhas" de batata e de trufa negra.


Aqui, link para a matéria da Time na íntegra - escrita com bastante humor.

Os muito curiosos podem acompanhar os preparativos para a inauguração do Next pelo Facebook, neste link.

E um vídeo em que Achatz mostra o preparo do peito de galinha:






Next Restaurant - site oficial


E aqui, uma entrevista de rádio com o chef, em inglês, meio superficial mas.... informativa.

30.11.10

Chicago agora tem Guia Michelin: Alinea de Grant Achatz leva 3 estrelas

Chef Grant Achatz recebendo o prêmio de melhor
restaurante das Américas para seu Alinea no
World's 50 Best em Londres

Para mim, um dos chefs mais geniais das Américas é Grant Achatz. Seu  restaurante Alinea, em Chicago (na foto abaixo), é atualmente cotado como número 1 dos Estados Unidos e sétimo no mundo segundo o prêmio World's 50 Best.



E agora, o guia Michelin assina embaixo. Acaba de ser lançado o primeiro Michelin de Chicago, à venda desde 18 de novembro.



E quem vocês acham que levou três estrelas? Achatz, claro. E também o L2O, um super restaurante de peixes.



O L20 (tel. (1-773) 868-000, www.l2orestaurant.com), do chef Laurent Gras, que tem no currículo passagem pelos restaurantes de grandes nomes, como Guy Savoy, Alain Ducasse e Alain Senderens. De forte influência japonesa, o L20 é forte em peixes preparados de modo nada convencional: ouriço do mar com grapefruit, tamboril sobre merengue de tomate e daí por diante. Há tempo recebe elogios rasgados da crítica especializada. O décor tem grande impacto: colunas de ébano, cabos de aço fazendo as vezes de divisórias, cadeiras de couro branco, tudo forma um conjunto moderno-chique. Pena: dizem que o chef Gras está com um pé na porta de saída.....

Aqui, a lista completa dos restaurantes estrelados de Chicago (quem não deve ter gostado nada é Charlie Trotter, que já foi, um dia, rei daquela cidade e hoje está cotado abaixo do Alinea, com duas estrelas):






E aqui, uma entrevista de rádio com o chef Grant Achatz, em inglês, meio superficial mas.... informativa. Pra quem nunca ouviu o chef falando.... 

21.11.10

Os melhores restaurantes de Chicago segundo o chef Grant Achatz



Saiu ótima matéria no Washington Street Journal com dicas de Chicago por gente que entende do riscado. Logo vão tirar a matéria do ar, já que o conteúdo é só pra assinantes, então é agora ou nunca! Aqui, o link.

Reproduzo, a seguir, as dicas do chef Grant Achatz, do Alinea:

Peixes e frutos do mar: Kith & Kin, em Lincoln Park.
1119 W. Webster Ave., knkchicago.com
 
Pra jantar tarde: The Drawing Room, um lounge de coquetéis subterrâneo, aberto até 4 da madruga. 937 North Rush St., thedrchicago.com

Loja de vinhos: Perman Wine Selections.
802 W. Washington Blvd., permanwine.com

Restaurante tailandês: TAC Quick Thai Kitchen.
3930 N. Sheridan Rd., tacquick.net

Menu-degustação com trilha sonora: Schwa, em Wicker Park, um "foodie gem"
1466 N. Ashland Ave., schwarestaurant.com


Não sabem quem é o Grant Achatz? Eu explico....

Quatro anos atrás eu fui pra Chicago só pra comer no Alinea, o restaurante dele. Peguei avião, táxi, o escambau, dormi, acordei, andei pelas ruas, jantei, dormi e fui embora. Loucura, eu sei, mas eu tinha que ver porque diabos o tal Grant Achatz tinha sido chamado de melhor chef dos Estados Unidos pela Ruth Reichl, editora da Gourmet.

Fui. Gostei. Mas… sei lá, achei tudo um pouco esquisito demais.

Era noite de domingo de um novembro especialmente frio. Casa cheia. Sentei-me, tomei o primeiro gole de meu champanhe rosé e logo surgiu sobre minha mesa uma tigelinha de cera contendo creme frio de batatas. Pequeninos cubos de manteiga, batata e queijo parmesão e uma fina fatia de trufa pendiam sobre a sopa, espetados numa varetinha pontuda que atravessava a cera. “Puxe a vareta, deixe que os ingredientes caiam na sopa e beba tudo de uma vez, como se fosse uma ostra gigante”, disse o garçom.

Obedeci.

A batata, quente e macia, fazia derretar na boca a manteiga e o parmesão, realçava a trufa e constrastava com a sopa fria. Delícia. Esse foi o primeiro de uma sucessão de 19 incríveis bocados que degustei naquela noite, uma sinfonia de pingos e cubinhos coloridos, aromas evocando bosques e outono, molhos com textura de gel, folhinhas e surpresas sem fim.


O restaurante se esconde atrás de fachada modesta, cinza e sem adorno nem placa, num bairro residencial de Chicago. O corredor de entrada, ladeado por parede com escamas terminando numa escultura que se move e soa como uma fonte, parece anunciar o lema “bem-vindo ao inesperado”.

As mesas largas de mogno, os sofás de veludo, as taças Spiegelau, os impecáveis garçons e sommelier vestidos por Ermenegildo Zegna, tudo exala um refinamento austero.



Mas o que faz o Alinea lotar toda noite é a comida, que tem elementos em comum com o avantgardismo à la Ferran Adrià, mas estilo e brilho próprios. Hoje considerado por muitos o maior restaurante das Américas, sua excelência deve-se ao talento e à disciplina ferrenha de Grant Achatz, 36 anos, o menino-prodígio que virou a haute cuisine americana de pernas para o ar.


Achatz é o Ferran Adrià dos Estados Unidos: o mais bem-sucedido e admirado chef americano alinhado com a chamada cozinha hipermoderna (o novo nome dado à gastronomia molecular).

Assim como Adrià, com quem estagiou durante uma semana, Achatz cozinha carnes em sacos plásticos selados a vácuo em baixas temperaturas, prefere a indução a fogões a gás, encapsula líquidos no miolo de delicadíssimos “raviólis” sem massa e busca sempre novas técnicas, novas texturas para ingredientes conhecidos, novos modos de apresentar comida ao cliente. Um de seus trunfos foi ter inventado a “anti-grelha” em parceria com uma indústria de equipamentos de laboratório. A engenhoca congela superfícies com a mesma rapidez com que uma grelha sela carnes, o que permite obter comidas com consistência dupla: geladas e quebradiças por fora e melosas ou cremosas por dentro.

Se hoje chefs como Charlie Trotter e Thomas Keller têm anti-grelhas em suas cozinhas, é graças a Achatz.


Ao formar-se pelo Culinary Institute of America, em 1996, Achatz mandou seu (curto) currículo e carta pedindo emprego para os melhores chefs dos Estados Unidos, inclusive o grande Thomas Keller. Ninguém respondeu. Obstinado, teimou e continuou mandando cartas e emails para Keller até que finalmente conseguiu um posto em seu restaurante The French Laundry, no vale do Napa, um dos melhores do país. Meros dois anos mais tarde, foi promovido a sous-chef.

Daí a virar o chef número 1 das Américas, foram anos de labuta, mas esse menino nunca teve medo de trabalhar duro. O que explica boa parte do seu sucesso....

Para dar uma ideia do que serve Grant Achatz em seu famoso Alinea, eis uma descrição rápida de alguns pratos do meu jantar de quatro anos atrás (confesso que gosto mais do chef e sua história do que de sua comida, preciso voltar lá....).




Bolota de creme de abacate, pudinzinho sedoso de coco salpicado com flocos de bonito desidratado, espuma de pepino, ovas de truta. Posso falar? Ruim. Estranho. Fortes sabores que brigavam entre si.




Pedaço quadrado de peixe (medai) com um palitinho de rabanete e coentro, de tão pequeno, nem se sentia o gosto. Vinha com um leite de semente de papoula que… posso falar? Era ruim.




Edamame sobre um creme bem grosso de cogumelos. O prato levava também manga, preparada como um pacotinho dentro do qual havia amendoim. Fatias de cogumelo matsutake desidratado coroavam o todo. Também estranho, mas gostoso. Estranhamente gostoso. Faz sentido?







Essa é o truffle explosion, prato que fez o chef famoso. Infelizmente, o meu veio morno. Tratava-se de um envelope de interior líquido com forte sabor trufado. Uma fatia de trufa, outra de parmesão e uma folha rugosa e caramelizada de alface traziam ainda mais complexidade ao conjunto. Delícia!




Uva congelada. Não vou entrar em papo técnico pra explicar como ele faz isso em sua “anti-grelha”, que dá choque gelado ao invés de esquentar os alimentos, mas basta dizer que o retangulinho era pura uva, gelada e cremosa. Bem interessante.




Rocambole de marmelo e prosciuto servido num utensílio que o chef chama de antena porque parece… uma antena. A pessoa tem que aproximar a boca da comida e dar o bote, sem a ajuda de garfo ou faca. Era bem bom.




Outra brincadeira surreal. Um travesseirinho translúcido de abacaxi. Pó de bacon. Pimenta preta. Dissolvia-se ao encostar na língua. Intrigante.

23.8.10

Grant Achatz do Alinea - top restaurante das Américas - lança o Next



Para mim, um dos chefs mais geniais das Américas é Grant Achatz. Seu  restaurante Alinea, em Chicago (na foto abaixo), é atualmente cotado como número 1 dos Estados Unidos e sétimo no mundo segundo o prêmio 50 Best.



As mesas largas de mogno, os sofás de veludo, as taças Spiegelau, os impecáveis garçons e sommelier vestidos por Ermenegildo Zegna, tudo exala um refinamento austero. Mas o que faz o Alinea lotar toda noite é a comida, que tem elementos em comum com o avantgardismo à la Ferran Adrià, mas estilo e brilho próprios. Hoje considerada uma das maiores cozinhas do mundo, sua excelência deve-se ao talento e à disciplina ferrenha de Achatz.

Achatz é o Ferran Adrià dos Estados Unidos: o mais bem-sucedido e admirado chef americano alinhado com a chamada cozinha tecnoemocional. E ele recentemente anunciou uma grande novidade: vai abrir um novo restaurante, também em Chicago, chamado Next, que promete virar de ponta-cabeça nosso conceito de como um restaurante deve funcionar.

Ele vai vender entradas pela internet, como se um jantar no Next fosse um show da Lady Gaga!

Ou seja: não haverá contas a pagar depois do cafezinho, nem reservas de mesa. A pessoa chega lá de entrada em mãos, come e pronto: tudo está incluído no preço, desde os vinhos à gorjeta! E como acontece com entradas para um show, os preços podem variar conforme a data e o horário. Será que vai rolar comprar ingresso de cambista?

Outra ideia revolucionária: em vez de menu, Achatz irá servir pratos inspirados por épocas da história e cidades do mundo. Em dezembro podem servir pratos de Paris em 1912, enquanto em março tudo poderá ter mudado e a cozinha irá se inspirar na São Paulo de 1968.

Parece maluquice, mas pelo que eu conheço de Achatz o conceito será muito bem amarrado até a inauguração, ainda este ano (não há uma data específica confirmada). Só o vídeo em que o Next é "explicado", por si só, já é uma viagem:






Next Restaurant - site oficial


E aqui, uma entrevista de rádio com o chef, em inglês, meio superficial mas.... informativa. Pra quem nunca ouviu o chef falando....
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