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10.4.12

Chef Wagner Resende sai do Le Marais para tocar nova filial no Itaim do Serafina



Recebi agora à tarde um press release que acho que deve interessar a muitos de vocês leitores... O chef Wagner Resende saiu do Le Marais - a coisa vai ficando dura para Ida Maria Frank.... (Para quem não sabe: o Paulo de Barros do Girarrosto era sócio do Le Marais).

E, quem diria: aprendi lendo o release que vem aí um Serafina no Itaim! Eu nunca dei bola para esse lugar badalete dos Jardins, filial do Serafina original, em Nova York - restaurante de pouca expressão mas que sempre teve muita clientela brasileira. Mas pelo jeito, tem (muita) gente que gosta....

Vejam:


"Wagner Resende acaba de deixar o comando do Le Marais Bistrot. Ele desfez a sociedade com Ida Maria Frank e também se desligou do St. Honoré, outra casa da restauratrice, aberta em 2011.

O chef irá assumir a cozinha da segunda unidade do Serafina, prevista para ser inaugurada no mês de junho, na Rua Pedroso Alvarenga, Itaim Bibi. Até a abertura do novo restaurante, ele ficará no Serafina da Alameda Lorena.

Wagner Resende foi subchefe de Erick Jacquin no Café Antique e na La Brasserie. Depois de uma rápida passagem pelo extinto Lucca, foi para o Due Cuochi Cucina, de onde saiu em julho de 2009, para inaugurar o Le Marais. "

6.12.11

Spago, Figurati, Mangiare, Girarrosto... overdose de restaurantes italianos em São Paulo!

Spaghetti alle vongole do Spago    Foto: Carlos Bertolazzi

Tô indo pra São Paulo. E já comecei a fazer a lição de casa: a lista de restaurantes novos que tenho que experimentar. E não é que antes mesmo de começar já cansei?! A lista é I-MEN-SA! Do Spago eu sei um pouco, porque sigo o chef-proprietário Carlos Bertolazzi no Twitter (quem não segue, né?). Mas dos outros... não sei praticamente nada. Quem se habilita a comentar, recomendar, etc? Anyone? ;)






O chef Carlos Bertolazzi, amigo de meia São Paulo e assistido pela outra metade na tevê, em seu programa Homens Gourmet, acaba de abrir um italiano sem grandes ambições gastronômicas. Não é para esperar achar ali cozinha autêntica toscana ou piemontesa. Na verdade, trata-se de uma cantina ítalo-americana - que pretende ser animada, convivial. Uma coisa inspirada nos restôs italianos de Nova York, com climinha badalado (meio asssim... Zena? ;) - e spaghetti with meatballs no menu.
R. Leopoldo Couto de Magalhães, 681, Itaim, tel. 3078-0796. 12h/15h e 18h/0h (sáb. e dom., 12h/0h).

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Girarrosto
Como tudo em que o chef Paulo de Barros bota a mão (exemplo? Due Cuochi!), o Girarrosto vai ser um estouro, aposto.
Já no ano passado, ele contou para a Patrícia Ferraz do Paladar: “Vamos oferecer comida italiana simples, massas típicas da Toscana a preços mais baixos que os do Due Cuochi”. Na época, não se sabia que ele sairia da sociedade no Due Cuocchi...
Como indica o nome, no Girarrosto o foco será o girarrosto, ou "girador de assado", ou, em bom português, tevê de cachorro. Abrirá muito em breve, onde era o Pandoro.
(Paulinho já tem, como sabem, o Italy, um imenso italiano nos Jardins que tem feito muito sucesso)

Basilicum Trattoria
Em Santa Cecília, serve clássicos como ossobuco com polenta, spaghetti com frutos do mar, tiramisù.
R. Tupi, 496 - Santa Cecília, Tel: 3662-2977


Figurati
Dos mesmos donos do Le Vin.
R. Min. Rocha de Azevedo, 1.041, Jardins, Tel: 3062-4198


Mangiare
Na Vila Leopoldina, serve pizzas e bisteca à fiorentina.
Av. Imperatriz Leopoldina, 681, Vila Leopoldina, Tel: 3034-5074.


Mello & Mellão Trattoria
No Itaim Bibi, o chef Hamilton Mello (de quem não ouvia falar há anos) manda ver nos pratos com prosciutti, grana padano e altri ingredienti cari. ;)
R. Pais de Araujo, 184, Itaim, Tel: 3078-0812


E fiquem atentos: logo mais será aberto ainda mais outro italiano - ou "ítalo-caipira", como prefere o chef Jefferson Rueda. Trata-se do novo negócio de "Jeffinho", em parceria com o restaurateur Marcelo Fernandes, que já tem o Kinoshita e o Clos de Tapas. Este, aposto, será o mais sofisticado de todos. Jefferson tem passado os últimos meses viajando muito pela Europa, estagiando aqui e ali, aprendendo, pegando ideias.... A ver o que sairá como resultado.

3.12.11

Samba no Pirajá e Pra Ver as Meninas: a festa que eu estou perdendo...



OUTRO AUDIOPOST - APERTEM PLAY ANTES DE LER!


Hoje o samba saiu... lá no Pirajá.

Souberam da farra organizada mais conhecida como projeto “Para ver as meninas”?

Teve as cantoras Mariana de Moraes (neta do Vinícius de Moraes), Thaís Macedo, e a cozinheira Donzília Gomes, do premiado Bar da Portuguesa, da Zona Norte do Rio. Começou agora ao meio-dia, deve estar pra acabar...

Comandado por Moacyr Luz, padrinho da casa, o projeto reúne nomes de destaque nas áreas de música e gastronomia e já trouxe para a cidade Mart’nália, Verônica Ferriani, Thalma de Freitas, Mariana Baltar, Ana Costa, Aline Calixto e as chefs Kátia Barbosa, do boteco Aconchego Carioca, e Rosiana Coelho, do Pontapé Beach.

Os quitutes preparados por dona Donzília para a festa? Pastel de camarão com catupiry e risole de bacalhau. Portuguesa radicada no Brasil, Donzília comanda o Bar da Portuguesa, aberto em 1972, em uma esquina de Ramos, tradicional bairro do subúrbio carioca. Ele foi eleito em 2010 o melhor boteco da cidade pela revista Veja Rio e já serviu como cenário de um encontro histórico, entre Pixinguinha, morador de Ramos, e o violonista Baden Powell, registrado pelo músico francês Pierre Barouh no documentário "Saravah".

Então não resisti em republicar aqui as fotos que tirei no último "Pra Ver as Meninas"....

Não era qualquer sambinha não…. Estavam lá, em dezembro passado, o grande Moacyr Luz, o prodigioso Carlinhos Sete Cordas (adivinhem o que ele toca?) e um outro craque carioca, o Gabriel, no cavaquinho.


E mais uns paulistas também muito bons de samba….



Cheguei tarde mas ainda deu para pegar a sessão-larica do final… sem querer entrar pra “briga do cabrito de boêmio”, posso dizer que tava mais-do-que-bom! Cabritada à passarinho das sérias…




Este camarão à milanesa com Catupiry não era meu mas…. saquem só:


Isso sem falar naquele chopp do Pirajá, de espuma densa como uma musse, servido no copo perfeito, que vai chegando sem parar, sem que a gente tenha que pedir. Êêêê, delícia!

Lavou minha alma.


 

 

Bar Pirajá

Av. Brigadeiro Faria Lima, 64 – Pinheiros – (11) 3815-6881
Segunda a quarta, do 12h às 1h. quinta a sábado do 12h às 2h. Domingo, do 12h às 19h.
www.piraja.com.br/

29.9.11

Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira: um post sentimental



Com as pauladas que a gente vai levando pelo caminho, vai ficando calejada. Vai entrando pra dentro da concha. Vai guardando histórias.


Houve um tempo em que eu escrevia mais livremente. Levemente.


Já não posso.


Talvez por isso eu tenha evitado contar de minhas últimas idas ao meu tão querido Mocotó. Pra guardar pra mim aqueles momentos, sem misturar trabalho no meio.


Ou talvez eu tenha evitado escrever simplesmente porque detesto chover no molhado. Até os jornalistas gringos, de François Simon do Figaro (o famoso porém preguiçoso e desinformado, que sequer se dá o trabalho de corrigir seu vídeo em que troca Tordesilhas por Mocotó) ao ótimo Carlos Maribona , da Espanha, já desfiaram elogios.

Pra quê repetir aqui o óbvio? Quem é que já não sabe, com tudo o que se escreve dele, que o Mocotó é uma delícia de programa para um sábado ou domingo preguiçoso?



Mas aí soube de um certo almoço recente na casa de um certo Mr. G. - aquele que encorajou o garoto desde o início - e o coração balançou de saudade. Vontade de compartir.

Taí, vou contar: descobri o menino Rodrigo uns anos atrás, não por matéria de revista ou jornal, mas graças ao mr. G. - aquele que ODEIA ser citado neste blog. Ele teve a esperta ideia de lançá-lo nas altas rodas convidando-o a servir aos bacanas num almoço bico-fino uma mocofava, lado a lado com um cassoulet do Laurent. Foi quando o povo que nunca tinha posto os pés na Vila Medeiros resolveu que valia a pena chamar um táxi especial e ir "desbravar": a mocofava ganhou de lavada!

Pois bem: um tempo depois almoçamos juntos, eu, ele, mr G.

Vi o brilho nos olhos daquele gentil cozinheiro, o entusiasmo febril que só alguns têm, a gentileza, a atenção com que ouvia e absorvia tudo, e logo entendi que ele iria longe.

Hoje, leio com grande satisfação os textos dele na Folha, que falam de coisas não-ditas. De tapioca, que tanto brasileiro desconhece, por exemplo. Textos que abrem os olhos dos mal-informados para a beleza escondida na feiúra da grande São Paulo, para os bairros menos badalados.

Ah, que orgulho tenho do fato de Rodrigo nunca ter se rendido aos mil e um convites para mudar o Mocotó para algum bairro de bacana.... não é hora das pessoas verem que a cidade não termina nos Jardins ou no Itaim?

Não me lembro se antes ou depois daquela comilança no Due Cuochi, finalmente fui conhecer o Mocotó.

Justo no dia em que baixou por lá uma espanholada de responsa, inclusive o Joan Roca. Ah, sim, e o Alex Atala. E... um bando de gente bacana. Que tarde incrível! Até hoje sinto pena de ter perdido a foto histórica que tirei de Joan Roca e Alex Atala parando os carros na frente do Mocotó, fazendo pose no asfalto.

Naquele dia descobri, pela primeira vez, aqueles dados de tapioca incríveis, hoje tão copiados.


Eu, cachaceira e pimenteira que só, me senti em casa desde o primeiro minuto. E lá tem cachaça, sim sinhô, e das boa. E pimenta, e farinha, e cozinha nordestina feita com cuidado mas sem frescuras. E tem filas e filas também - disso, já não gosto nada.... :)



Depois daquele dia voltei, lógico. Não com a frequência que gostaria, já que moro meio longe (oi? Montréal!). Num certo almoço, uns meses atrás, fazia um calor pra nordestino nenhum botar defeito, e eu sentia a cachaça evaporando pelos poros, o suor correndo pelo peito. Felizmente, arrumei lugar no quintal dos funcionários, graças ao seu Zé, bem do lado da geladeira das cervejas...

Apesar do bas-fão, mandamos ver. Do festim, o que mais me impressionou foi o "carpaccio" ou "carpacho" de carne de sol curada, um samba de texturas, um frescor tão bem-vindo. Queijo coalho ao invés de parmesão, lógico.


Mas nesta versão mais clássica, quente, com molho,  alho e pimenta biquinho, a mesma carne de sol, tenra e cheia de gosto, era boa que só, também....


Em outra ocasião, convidei Rodrigo para vir cozinhar para os leitores deste Boa Vida no Astor. Um encontro anual que me é muito querido. Ele veio, de bom grado, e serviu o melhor prato dele que já provei.



Era uma paleta de cordeiro recheada com copa (o pescoço do cordeiro), com cuscuz de farinha d'água. Cordeiro assim, no Brasil, nunca tinha comido. Nada neste mundo é à toa: o cordeiro era bom daquele jeito porque vem de um super produtor - uma família, na verdade, que não faz outra coisa senão criar os bichinhos para depois abatê-los. Dedicação total.

E qualquer coisa com farinha d'água, para mim, é covardia - eu adoro. Mas esse cuscuz, que tinha também jerimum e pimenta cambuci, era chose de lóc.

(Esse almoço, aliás, foi histórico. Aqui, o relato completo).

E aí, em abril passado, o chef Felipe Bronze, do restaurante ORO, veio a São Paulo. Um chef que me encanta cada vez mais por sua vontade de fazer direito, de aprender, de andar pra frente. Estávamos em estúdio, fotografando uns pratos dele para a GQ, já era tarde e ele disse:


- Já que vim até São Paulo... tem um lugar que tenho muita vontade de conhecer, quero ir lá hoje...
- Que lugar?
- O Mocotó. Faz tempo que estou pra ir lá.
- Ah, então vambora! Vou pedir pro Rodrigo botar mais água no feijão!

E lá fomos nós. Desses raros luxos que temos nós, os jornalistas falidos porém independentes: poder gastar uma tarde no meio da semana comendo e bebendo na Vila Medeiros.

E como comemos bem, minhanossasenhora! Aquela tapiocona recheada com carne seca e requeijão-do-norte, suculentíssima.... o feijão novinho, fresquinho, com manteiga de garrafa e bacon... de chorar. Felipe estava pasmo, juro.










Só descobriram no final que era meu aniversário. Felipe se espantou. "O quê? Não quis estar com a família? Assoprar velas do bolo entre amigos?".

Que nada... naquele momento, entre um gole e outro de cachaça, papeando com chefs que admiro e vendo a chuva chegar de mansinho, eu era feliz....


Felipe Bronze, à esquerda, seu Zé Almeida, pai de Rodrigo e fundador
do Mocotó, e o filho bom de tempero
E pra quem não conhece, a história do Mocotó, contada por eles próprios:






 
E a seguir, a explicação de como chegar, roubada do blog do querido Riq Freire, o Viaje na Viagem


Mas a minha teoria é que não é apenas a qualidade da cozinha que fez o sucesso do Mocotó. Sem o Google Maps este restaurante continuaria no completo anonimato :-)

Zaki Narchi + Conceição = Mocotó
Zaki Narchi + Conceição = Mocotó

Brincadeirinha: nem é tão difícil de chegar assim. Basta pegar a avenida Zaki Narchi (a primeira avenidona passando a rodoviária do Tietê na avenida Cruzeiro do Sul), passar pela antiga penitenciária do Carandiru (que virou parque; estará à sua esquerda) e seguir as placas para a Av. Conceição.
À esquerda na Reverendo Israel

À esquerda na Reverendo Israel
Uma vez na Conceição, siga toda vida até aparecer uma rua Rev. Israel Vieira Ferreira (a placa grande dirá apenas “Israel”) e então suba até a Av. N. Sra. do Loreto, que aparecerá à sua direita. Pronto, chegou.

26.8.11

Danielle Dahoui abre um segundo restaurante Ruella, o Caffé & Bistrô, em Pinheiros



Em 1996, depois de estudar fotografia em Paris, Danielle Dahoui inaugurou com a amiga Roberta o Ruella Bistrô, primeiro de vários restaurantes. Abriu em seguida o Café Bistrô em Moema, o Bar D’Hôtel e o Café D’Hôtel, ambos no Hotel Marina no Rio de Janeiro, e o À Côté nos Jardins, por onde passaram Cássio Machado (Di Bistrô - SP), e Danni Camilo (Miam Miam e Oui Oui - RJ).

O Ruella original chama-se assim por estar, de fato, em uma ruela, ou beco, no final da rua João Cachoeira. Agora Dahoui, filha de um francês e uma brasileira, abriu com a sócia Leticia Urbano um novo Ruella bem menos escondido, e com nome um pouco afetado e cheio de duplas consoantes: Ruella Caffé & Bistrô.



O legal de lá é o “jardim francês” com pergolados, sofás e muitas plantas: lavanda, alecrim, roseiras, jabuticabeira, pitangueira, romãs e oliveiras.

Bem à sua maneira, Dahoui enfeitou o lugar com um mix de arte (inclusive fotografias) de gente como Isabelle Tuchband, Verena Matzen, Dudu Santos, Lu Maia, Grá Pinto e Tercia Marques, Klaus Mitteldorf e Annie Leibovitz.





O menu é bem parecido com o do Ruella original, mas abre o leque ao servir comidinhas mais matutinas como bolinhos, gauffres, croissants, geleias, quiches, média com pão e manteiga na chapa e  Torradas Petrópolis.

Os chocolates todos são da chef pâtissière Carole Crema, da La Vie en Douce. “Ela traduziu meus sonhos mais íntimos com chocolate e criou quatro blends para o Ruella Caffé”, diz Dahoui.


Mais ao fundo do salão, há um reservado para jantares pequenos e fechados. O mezanino também recebe petit comités, em um cantinho com sofás e teto rebaixado.


Ruella Caffé & Bistrô
R. Vupabussu, 199, Pinheiros
Tel. (11) 3097-9257




6.7.11

Tappo Trattoria, Nagayama Café, Emiliano, etc: comendo em São Paulo



Pode ter feito um frio dos diabos esses dias, mas isso não me impede de estar feliz feliz feliz com minha chegada a Sampaulo. Home sweet home!

E como sempre, já cheguei com uma lista de lugares a provar: Butcher's Market, Santovino, um japa secreto que promete e cujo nome não revelo nem sob tortura.

chef Vítor Sobral, da Tasca da Esquina


E além disso estou contando os dias para a inauguração, semana que vem, da Tasca da Esquina, do portuga Vítor Sobral (dos maiores cozinheiros da terrinha), na Alameda Itú. Abre terça dia 12!

E vem muito mais coisa boa por aí além disso, a começar pela Taberna 747 do meu querido primo Ipe Moraes.

Mas falemos antes do que já vi desde que cheguei. Dias de altos e baixos....

Um jantar rápido no Nagayama Café (por preguiça, cansaço, mais do que escolha), restaurante que racha de ganhar dinheiro a julgar pela lotação perene e o povo na rua esperando mesa.


Imaginem que agora eles inventaram até uma prateleirinha de acrílico que pregam no muro de fora, para as pessoas que esperam possam ter onde apoiar os drinques!



Foi traumatizante de tão ruim (atum péssimo, estranhamente aguado, arroz dos niguiris frio demais, sólido demais, etc etc etc). E caro, mesmo bebendo quase nada. Reparem nos preços abaixo....  E o pior é que os 40 reais cobrados pela dose de "sake japonês extra-dry" nem dá direito a saber o nome do dito cujo ou ver a garrafa!




A coisa melhorou na noite seguinte com um jantar de-li-ci-o-so na Tappo Trattoria, meu italianinho favorito na cidade.



Que o risoto de funghi estivesse bom eu já esperava. Mas... arraia? Eu lá imaginava que eles conseguiam acertar a mão no peixe?



Magret de pato impecável, também. E eu pedi um curioso ravióli de camarão, de massa bem fininha e leve, arrematado com uns poucos pinolis e generosa quantidade de molho de... foie gras! E não é que era ótimo?!



Deixamo-nos levar por umas indicações intere$$antí$$imas da super sommelière Daniela Bravin que só teriam sido melhores se não doessem tanto no bolso... welcome to São Paulo prices....

Tentei relevar ao lembrar o quanto me deu prazer beber, por exemplo, um nebbiolo do... Uruguai! (Vivendo e aprendendo.... desconhecia completamente a bodega Carrau e seu Vilasar Nebbiolo 2000 - pena que enxugamos o último ou penúltimo deles...)

No final, o chef-proprietário Benny Novak sentou-se conosco um pouco. Mais simpático - e preocupado em fazer as coisas direito - impossível. Grande cara.



Arranjei pique para dar uma passada na Galinhada do Dalva e Dito, baladinha bem no meu estilo, low-key, adulta, com serviço decente e alta frequencia de chefs (Bertolazzi, Bassoleil, Jacquin e o dono da casa, para citar apenas os que eu vi).

Hotel Emiliano

Também achei tempo para ir com duas amigas comilonas profissionais como eu ao Emiliano. Tinha que voltar lá, meu último almoço tinha sido bem decepcionante, e ao escrever isso no Twitter o chef José Barattino me contactou pedindo uma segunda chance. Pois lá fomos nós e.... estava médio.

Tenho muita pena de dizer isso porque o chef me parece incrivelmente aplicado e entendido e modesto, mas acho que falta ali apertar uns parafusos, delegar menos. Não entendi o porquê da presença no menu de uma sopa fria com sorvete em pleno inverno, mas mais grave foi o exagero de sal no meu gnocchi de milho verde com coelho, além das texturas desacertadas (a carne, passada, os gnocchi, com gruminhos de textura pouco palatável).

 

As sobremesas? Também decepcionantes. Talvez os invernos úmidos paulistanos não se prestem a um bom milles feuilles à francesa, quebradiço, etéreo - o do Emiliano mal se consegue partir com o garfo...  E assim foi, um jantar com alguns raros lampejos mais felizes, como o delicado falso ravioli de coelho galinha d'angola defumada.


O ponto alto foi, sem dúvida, minha entrada: ovo pochê e sardinhas sobre torrada bem crocante, salsinha picada, tomate confitado. Disse minha amiga Constance que o prato ganhou um prêmio importante - eu não tinha idéia. De todo modo, excelente!



Que mais.... provei uma rabada um tanto pálida e rija no Dalva e Dito (não ajuda o fato de eu ter crescido comendo em casa a que eu considero a melhor rabada do mundo, que passava mil horas em panelão de cobre sobre o fogão a lenha e ficava ainda mais incrível no dia seguinte).



Consolei-me com os ótimos doces de fazenda, em versão sofisticada (o de mamão verde era especialmente fino).

Doces de frutas variadas com calda e queijo, no Dalva e Dito


Confesso que o que comi de melhor, até agora, foi o cozido de carne com batata e coentro, o camarão com catupiry em crosta de suspiro e o bolo "de leite" da Nara.

E quem é Nara?

Ora, a cozinheira de casa! :)


Dalva e Dito: Rua Padre João Manuel, 1115
Tel.: (011) 3068-4444
www.dalvaedito.com.br

Tappo Trattoria:
Rua Da Consolação, 2967
Tel.: (011) 3063-4864
www.tappo.com.br

Emiliano: Rua Oscar Freire, 384
Tel.: (011) 3068-4390
www.emiliano.com.br

Nagayama Café: Rua Bandeira Paulista, 355
Tel.: (011) 3079-4675
www.nagayama.com.br

24.6.11

Restaurante Epice, do chef Alberto Landgraf, em São Paulo: cozinha cuidada e sofisticada


São Paulo tem muito cozinheiro bom e milhares de restaurantes informais onde come-se bem e despretensiosamente. Mas faltam restaurantes servindo a clássica alta cozinha. Quem é o Gordon Ramsay ou o Thomas Keller ou o Daniel Boulud paulistano? Não há. Temos bons chefs de vanguarda – Alex Atala, Helena Rizzo – mas pena-se para achar alguém em São Paulo que tenha talento e/ou disposição para fazer uma cozinha de raíz francesa com cara contemporânea e toques autorais (Raphael Despirite do Marcel, talvez).

Por isso vejo com bons olhos a chegada em cena do jovem Alberto Landgraf, de 30 anos. Filho de mãe japonesa e pai alemão, crescido em Maringá, no Paraná, o garoto aprendeu a cozinhar em Londres, onde começou a carreira no chique hotel Blake’s. Enquanto morou lá passou por vários restaurantes, dos quais o melhor foi a joia da coroa do império do Gordon Ramsay, o restaurante na Royal Hospital Road que tem três estrelas Michelin. Esteve também três meses em outro grandíssimo restaurante, do chef Pierre Gagnaire, na França. Depois de pular mais um pouco de galho em galho, voltou a São Paulo e abriu, há dois meses, o pequeno Epice, nos Jardins.



De um garoto de trajetória relativamente curta, esperava menos, confesso. Mesmo neste começo, percebe-se a minúcia na execução de pratos incrivelmente refinados, como o salmão cortado fino como um véu e servido com um ovo trêmulo e de gema mole, e cogumelos marinados picadinhos por baixo.
“Faço uma cozinha simples”, disse ele ao se sentar à mesa para uma rápida entrevista. Nada mais longe da verdade.

A barriga de porco, por exemplo, leva cinco dias para ser preparada, passando por salmoura molhada, depois salmoura seca, etc. etc. etc. Quando finalmente chega ao prato, tem o formato de um perfeito retângulo (depois de prensada), uma casca perfeitamente crispy e um interior rosado, tenro.
Do prato de charcuteries da entrada ao belíssimo pargo com cenoura em várias leituras ele deixa claro que entende do riscado. Pratos chegam à mesa em bandejas, em pegada haute cuisine.

O restaurante em si é estreito, elegante e banhado de luz natural à hora do almoço, com chiques cadeiras de madeira caramelo e estofado carmuça verde-sálvia e madeira.



O serviço, apesar de esforçado, ainda parece bem atrapalhado – um ponto contra que não me impede de achar que esse restaurante ainda vai dar o que falar.

Entusiasmei-me tanto com meu primeiro almoço lá que voltei para jantar no mesmo dia (tira-teima!) e já fui logo escrevendo, correndo, minhas primeiras impressões.

Mas vamos lá, deixem mostrar o que provei que me deixou tão impressionada…

Primeiro, um prato com rillete de porco, mousse de foie gras, rémoulade de couve-flor crua e uma maravilhosa terrine de joelho de porco perfumada com conhaque. Não sei de muitos lugares que servem essas coisas em São Paulo, ainda mais com tal grau de refinamento (o maior perigo, ao fazer patês, terrines e quetais, é que fiquem pesados, grosseiros). Por cima, finos flocos do melhor sal. Belo “prosciutto” de pato, também, molinho, de sabor profundo.




Outra entrada nota dez? O salmão, cortado fino como um papel de seda, com aspargos al dente e ovo de gema mole. Uma combinação clássica. Simples, lindo e delicioso:




Pedi um pargo de prato principal, mas recebi um porco (já falei que o serviço precisa de ajustes?). No fim das contas, foi ótimo, porque provei os dois. Ambos ótimos – a barrica de porco, bem rosinha por dentro e de casca crispy.




O pargo era mais fino e delicado, porque vinha com endívias e um “estudo” de cenouras (em fitas, em purê, em espuma). Verdadeira pintura:




À noite, notei que o chef gosta dessas montagens de prato “artísticas”, usando a “tela” toda com pinceladas e “rabiscos”. Mas no caso do cordeiro, de produtor nacional, a “pintura” acabou ficando meio over, além das costelas serem mirradinhas demais:




Das carnes provadas, o pato venceu com louvor. Bem mal-passado e suculento, casou à perfeição com as lentilhas durinhas e a cebola (foto péssima, desculpem!):




Assim como o pargo trazia cenoura em várias versões, minha deliciosa sobremesa era uma festa do abacaxi: fatias finíssimas, ora frescas, ora desidratadas, sorvete etéreo, fina brunoise da fruta cozida. E umas nuvens de côco para completar.




Até as mignardises me faziam lembrar aquelas dos restaurantes finos de Londres ou Nova York: bem mais caprichadas do que o que se costuma ver por aí:




Saí de lá, tanto no almoço como no jantar, com vontade de voltar. Comida caprichada assim, não se acha facilmente em São Paulo…



Epice: Rua Haddock Lobo, 1002, tel. 3062-0866,
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