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3.9.11

San Sebastian: os melhores restaurantes da cidade basca e arredores



Hoje recebi um email que me tocou profundamente, de um leitor que, por acaso, é também alguém que conheço desde a infância. São emails como o do Fábio que me encorajam, que me fazem insistir em dedicar uma vida e tantas horas dos meus dias ao meu trabalho.

Um trechinho diz assim:
"Seria oportuno, quiçá oportunista, solicitar "some inside info" das suas recentes
explorações ibéricas... mas não, tentarei não abusar da sua boa vontade e do seu precioso
tempo ao ler as próximas linhas...

Na mesma página da web onde encontrei "as estrelas
españolas", um comovente relato da sua ida ao Akélarre com Dr. G, inspirou (com o perdão da redudância), comoveu... (...)

Eu acabei traçando o roteiro-pré-Ibiza com o Phil para San Sebastian e Bilbao... Nele, Akélarre era/foi a grande atração... Até então, Akélarre soava como uma estranha palavra basca no vocabulário... Afinal de contas, nã estamos falando de um El Bulli, de um Arzak, ou de algo que o valha (?)... Foi, entre sorte e
intuição, uma escolha "under the radar"...

Ansiosas semanas anteciparam a nossa memorável experiência sob o vistoso bigode do carismático Pedro Subijana... Espero poder voltar lá um dia, durante o dia, para almoçar e apreciar as sinuosas curvas até chegar naquele inesquecível
espaço...

Needless to say, o seu relato só trouxe doces lembranças de uma distante noite há 4 anos
atrás... Talvez, a mais especial que tive com meu querido irmão..."
Diante de tão bonito relato, logicamente eu não poderia deixar de me manifestar aqui, pra dizer que SIM, Fábio, você pode e deve pedir "inside info".

Confesso que depois de minha última ida a San Sebastian, em novembro de 2010, voltei achando que os melhores restaurantes não são os mega-famosos-e-estrelados, mas sim os lugares simples e focados em produtos, sem grandes combinações ou invenções.

Confesso também que saí decepcionada do Mugaritz, e que desta vez a ida ao Akelarré deixou saudades, querendo dizer que a comida, a meu ver, caiu um ou dois pontos...

E no Arzak, feio dizer, acho que tudo pode ser maravilhoso, desde que o próprio Juan Mari esteja lá, ele é tão divertido e carismático que a coisa parece não ter a mesma graça sem ele.

Portanto, a seguir, te passo minhas experiências favoritas em San Sebastian e arredores:

Atxondo, o vilarejo perdido onde fica o lendário Etxebarri


1 - Extebarri, o top dos tops
Não tem, pra mim, coisa melhor no mundo do que um almoço no lendário restaurante Etxebarri, perto de Bilbao. Uma experiência mística, quase: um vilarejo de dez casas de pedra, montanhas de picos nevados, animais pastando, calma bucólica. Restaurantezinho simples, com ar de fazenda. O chef-proprietário, tímido, é o rei da grelha. Até ovo o cara prepara nas super grelhas dele, com um cuidado e um rigor monásticos. Cozinha de produto, sem firulas. Vá de menu degustação, sem medo de ser feliz. Uma super gamba. Um super bife. Uns super percebes. De chorar de tão bom.

Nem pense em ir até lá sem um choffeur de responsa. Vai se perder e a viagem custará o dobro. O meu cobrou 150 Euros para levar, esperar duas horas e voltar.




Restaurante Extxebarri





Menu de comidinhas do Bernardina


2- Vinoteca Bernardina: jamon Joselito e outras delícias, sem turistas
O restaurante simples bacana de verdade, onde não vão turistas. Pequeno, aconchegante, ótimos vinhos, petiscos impecáveis. A comida mata a pau e há montes de jamón Joselito (a Ferrari dos presuntos espanhóis).



 3- Elkano: peixes, kokotxas e lagosta na parrilla
Outro lugar in-crí-vel. Simples, modesto, menu limitado. Mas.... que peixes, minhanossasenhora! Longe, sim, mas vale cada euro cobrado pelo taxista (20 a 30 minutos de San Sebastian). Eu contei tudo em detalhes neste post.
Calle Herrerieta, 2, Guetaria, tel. +34 943 140024



Eu e o chef Juan Mari Arzak, de pintxo em pintxo    Foto: Marie-Claude Lortie


4- Ganbara, o melhor para pintxos
O Centro antigo de San Sebastian tem montes de lugares de pintxos, muitos excelentes. Mas eu, que tive o imenso privilégio de ser levada pelo próprio Juan Mari Arzak para um giro pelos bares favoritos dele, concluí depois da maratona gulosa que o número um é, sem dúvida, o Ganbara.
Pintxos clássicos e de-li-ci-o-sos. Cogumelos incríveis (e especialidade deles). Tudo de primeiríssima.
(Para quem lê bem em francês, minha amiga Marie-Claude Lortie fez excelente relato do nosso giro de pintxos com o Arzak neste post, cheio de fotos).
Calle San Jeronimo,19, tel +34 943 42 25 75

5- Martin Berasategui
Não vou mentir: faz tempo que não vou ao restaurante principal desse chef, que leva o seu nome. Da última vez que fui, escrevi o seguinte: "O jantar foi esplêndido. Obstinado, estudioso e perfeccionista, Berasategui conquistou três estrelas Michelin para seu restaurante homônimo nos arredores de San Sebastián e um lugar no olimpo dos grandes chefs espanhóis com muita labuta. Descrito por Rafael García Santos, principal crítico gastronômico da Espanha, como “um fenômeno da natureza, um superdotado destinado a ganhar todas maratonas gastronômicas”, o obstinado chef está sentado no olimpo dos grandes, à direita de Adrià todo poderoso. Jovens garçons, super entendidos, diziam-nos como “atacar” cada prato: beber em dois goles, ou mergulhar no caldo tal antes de morder, e assim por diante. O que ficou é uma lembrança embaçada mas deliciosa  de lindos pratinhos, ora de sopas espumosas, ora de frágeis tubinhos recheados com cremes ou folhas, pérolas brilhantes de cenoura ou nabo, nuvens  esbranquiçadas de cebola."






E mais sobre San Sebastian e o fórum anual Gastronomika que acontece ali todo novembro:


Chef Martin Berasategui agora tem sete estrelas no Guia Michelin

Mugaritz, do chef Andoni Aduriz: entendendo a filosofia de um gênio

Meu jantar no Arzak: passeio pelo laboratório e papo com Juan Mari e Elena até alta madrugada 

Meu almoço no Akelaré com o chef Daniel Boulud - com vídeo


Brasil, México e Peru serão o tema do Gastronomika 2011

Abertura do Gastronomika 2010: noitada no Museo del Whisky

Palestra de Ferran Adrià no Gastronomika: vídeo mostrando os pratos de 2010

Gastronomika: programa completo inclui grandes nomes como Adrià, Andoni, Arzak, Anthony Bourdain e Daniel Boulud  

Chef Josean Martínez-Alija do restaurante do Guggenheim Bilbao anuncia novo - e revolucionário! - restaurante para o início de 2011 

Uma semana em San Sebastian para o Gastronomika: as lições que aprendi e os gim tônicas que bebi

Resumo (em espanhol) do Gastronomika pelo crítico Carlos Maribona 

23.4.11

The World's 50 Best Restaurants: a cobertura completa


Ufa.

Que loucura foi esta minha última semana!

Acabo de voltar de Londres - onde aconteceu, segunda à noite, a premiação dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, e tenho mil coisas pra contar. O filé mignon eu já tinha adiantado, lá no site da GQ: Alex Atala subiu para a 7a posição no ranking! Detalhes, nesses dois posts:


Mas o grande feito de Atala não foi, claro, o único ponto alto da noite. A coisa sempre fica mais animada quando muitos restaurantes sobem e descem no ranking - e foi o que aconteceu este ano.

Quando cheguei ao Guild Hall para a cerimônia estávam no pátio externo muitos dos chefs mais famosos do mundo - uma cena realmente rara e especial. Cliquei uns poucos, vejam:

Eric Ripert (Le Bernardin, NY), Thomas Keller (Per Se e The French Laundry), Juan Mari Arzak (Arzak), Daniel Boulud (Daniel, em NY, entre outros) e Josean Martínez Alija (Guggenheim Bilbao)




Wylie Dufresne (WD-50, NY), Andoni Aduriz (Mugaritz, País Basco), Pascal Barbot (l'Astrance, Paris), René Redzepi (Noma), Alex Atala, Gaston Acúrio (Astríd y Gaston, Peru), Juan Mari Arzak e a filha Elena (Arzak) e Joan Roca (El Celler de Can Roca, Girona).


Eu, que acabara de ler a nova biografia do chef Grant Achatz, levei um baita susto com sua magreza - mas até que para alguém que viu a morte de tão perto, ele está bem...
(Batalhou um violentíssimo câncer na língua)


Fui cumprimentá-lo, e ele logo me apresentou sua namorada:

- "This is Heather, my girlfriend".

Eu sei, respondi. Afinal de contas, depois de ler a biografia dele me sentia como se tivesse passado uma semana na casa do casal como hóspede! "Acompanhei" o namoro do primeiro beijo à mudança dela de Nova York para Chicago! Uma gata, a Heather. Aqui, posaram para foto com o grande amigo e mentor dele, o chef Thomas Keller:





Os meninos do Noma, como sempre, foram ao 50 Best em bando. E festejaram com tanto entusiasmo o primeiro lugar no ranking que acabei acreditando que eles não sabiam o óbvio - que ganhariam de novo este ano.


Com a simpatia de sempre, René Redzepi, o comandante do time Noma, fez discurso curto e simples, e fez questão de incluir seus cozinheiros na celebração.


Ao subirem ao palco para pegarem o troféu, vestiram chapéus de viking, estouraram champagne e logo foram arrancando os chifres para servirem de taças!


E olhem onde os chifres acabaram indo parar:


Quem não se deu tão bem este ano foi Heston Blumenthal, do The Fat Duck que desceu da 3apara a 5a posição. Mas não acho que isso incomodou o chef. Mais magro e bronzeado do que nunca, ele agora tem cara de celebridade televisiva. Me parece um outro homem bem diferente do geniozinho gorducho de cinco anos atrás. O que não fazem a fama e a fortuna... :)


Mas não dá para terminar este post sem falar de outro grandíssimo vitorioso: Joan Roca. Ele e os irmãos Josep e Jordi Roca levaram o prêmio de 2o melhor restaurante do mundo para seu El Celler de Can Roca. Quem segue este blog sabe que para mim, aquele lugar é inigualável, então fiquei feliz de saber que muitos jurados compartilham a mesma opinião que eu. 
Joan, como sempre, um lorde:

Já disse aqui e volto a repetir: isso tudo foi muito legal, adorei estar lá, mas há que se dizer que o ranking tem seus defeitos e não pode ser levado ao pé da letra. Escreverei em maior profundidade sobre esse tema nos próximos dias, mas desde já, aos que tiverem interesse em ver os dois lados da moeda, recomendo as seguintes leituras:





Os 50 Melhores Restaurantes do Mundo

Rank Position Restaurant Country
1 Noma Denmark
2 Up 2 El Celler De Can Roca Spain
3 Up 2 Mugaritz Spain
4 Up 2 Osteria Francescana Italy
5 Down 2 The Fat Duck England
6 Up 1 Alinea USA
7 Up 11 D.O.M Brazil
8 Up 1 Arzak Spain
9 Up 2 Le Chateaubriand France
10 Per Se USA
11 Down 3 Daniel USA
12 Up 12 Les Creations de Narisawa Japan
13 Up 3 L'Astrance France
14 Up 15 L'Atelier de Joel Robuchon France
15 Up 2 Hof van Cleve Belgium
16 Down 3 Pierre Gagnaire France
17 Up 2 Oud Sluis Netherlands
18 Down 3 Le Bernardin USA
19 Re-Entry L'Arpege France
20 Up 28 Nihonryori RyuGin Japan
21 Up 1 Vendome Germany
22 Down 1 Steirereck Austria
23 Up 7 Schloss Schauenstein Switzerland
24 Up 26 Eleven Madison Park USA
25 Up 9 Aqua Germany
26 Up 1 Quay Australia
27 Up 1 Iggy's Singapore
28 Up 7 Combal Zero Italy
29 Up 4 Martin Berasategui Spain
30 Re-Entry Bras France
31 Up 15 Biko Mexico
32 Down 12 Le Calandre Italy
33 Re-Entry Cracco Italy
34 New Entry The Ledbury UK
35 Down 12 Chez Dominique Finland
36 Down 5 Le Quartier Francais South Africa
37 New Entry Amber China
38 Down 2 Dal Pescatore Italy
39 Up 1 Il Canto Italy
40 Down 14 Momofuku Ssam Bar USA
41 Up 2 St John UK
42 New Entry Astrid Y Gaston Peru
43 Up 6 Hibiscus UK
44 Maison Troisgros France
45 Down 4 Alain Ducasse au Plaza Athenee France
46 Down 9 De Librije Netherlands
47 Down 33 Restaurant de l'Hotel De Ville Switzerland
48 New Entry Varvary Russia
49 New Entry Pujol Mexico
50 Re-Entry Asador Etxebarri Spain



22.11.10

Chegada em San Sebastian, na Espanha, onde reina o chef Juan Mari Arzak

Chef Juan Mari Arzak na cozinha de seu restaurante, o Arzak

Nossa, como o tempo voa... acabo de desembarcar em San Sebastian, no País Basco. Estou animada, ansiosa, contando as horas, porque acho que vai ser uma semaninha espetacular.

E quem diria: eu estive aqui há apenas um mês e meio, em uma passagem-relâmpago, pra jantar no famoso três estrelas Michelin Arzak com minha amiga Marie-Claude Lortie. Chegamos à tarde, largamos as malas, trocamos de roupa e duas horas mais tarde fazíamos um tour da cozinha experimental do chef Juan Mari Arzak (o grande padrinho e mentor dos principais chefs de vanguarda espanhóis) e da filha e braço-direito Elena:








Amoras falsas e verdadeiras: impossível adivinhar qual é qual!
Nada é por acaso: o complicado caderno de notas de Juan Mari e Elena

Detalhe da vasta "biblioteca" de temperos e especiarias do mundo todo


O jantar foi muito bom, mas começou meio estranho, com o sommelier não entendendo muito bem o que a gente queria (um vinho diferente com cada prato) e teimando em servir-nos Txakoli, o branco local. Mas foi só o próprio Juan Mari Arzak aparecer que a coisa mudou de figura no mesmo instante. Ele veio à mesa, cumprimentou-nos com a habitual simpatia e perguntou:

"Hombre, como vai? Tá indo tudo bem?", e eu:

"Er..... hããn... tá indo ok, mas o vinho poderia estar melhor". Foi a senha pra abrirem-se as portas do paraíso e daquele ponto em diante o serviço melhorou mil por cento, e o sommelier subitamente compreendeu que a gente não estava ali a passeio. :)


Comemos, entre outras coisas:

Patata, bogavante y copiba

Lagosta em uma casquinha feita de batata com molho à base de copaíba, uma árvore amazônica de onde se extrai o óleo, que Arzak descobriu graças ao Alex Atala. Foi o melhor da noite.



CRÓMLECH Y CEBOLLA CON TE Y CAFE

Uns "menires" curiosíssimos, semi-ocos e frágeis, parecendo batatas souflées, só que feitos de mandioca e huitlacloche, o fungo que os mexicanos adoram. Desintegrava-se na boca, revelando um untuoso foie no recheio. Inesperados e saborosos farelos de chá e de café completavam o prato.

Mas a brincadeira visual mais incrível de todas era esta, as mignardises em forma de "oficina":




Já era uma da manhã quando passamos ao bar, onde entrevistamos Arzak e sua filha (e parceira na cozinha) Elena até 2 ou 3 da manhã. Mas essa conversa vou guardar pra Prazeres da Mesa... :)



Ao final, Arzak, eterno gentleman, ofereceu:

"Querem que eu leve vocês pra comerem uns pintxos amanhã?"



Nem pensamos duas vezes, óbio. "SIM!" E logo estava marcado nosso tour-privê com chef Arzak.



No dia seguinte, chovia cântaros. Passamos de táxi no restaurante pra pegar Juan Mari, que já nos esperava debaixo de um toldo, a cabeça toda molhada de chuva. O taxista arregalou os olhos e perguntou:

"Nossa, mas é o próprio Juan Mari?!" 

Achamos a maior graça no espanto do homem e, nos sentindo super privilegiadas, apanhamos Juan Mari e seguimos pro Centro Velho de San Sebastian.

O tempo era curto, então só dava pra dar uma passada em um lugar de tapas moderninhas, e outro bem clássico. Os favoritos de Juan Mari. Mas isso já é tema pro próximo post....

E mais San Sebastian:

Gastronomika: a programação completa 
O incrível restaurante Mugaritz, do chef Andoni Aduriz 
Dois ex-cozinheiros do Mugaritz mudam-se para São Paulo para comandar o novo Clos de Tapas


12.11.10

Gastronomika, fórum em San Sebastian: de levar qualquer foodie à lou-cu-ra!



Eu ia fazer mistério da minha próxima viagem mas... não vou aguentar esperar até o dia 22 pra contar pra vocês que eu estou indo participar do Gastronomika em San Sebastian. Yesssssssssss! Vocês não imaginam o naipe desse fórum gastronômico, só dá feras. De fazer virar os olhos de quem se interessa por gastronomia. Querem ver? Um gostinho do programa:

Segunda-feira, 22 de novembro:

11.00 - 11.45 h  Carme Ruscalleda
Sant Pau Rest. (Sant Pol de Mar)

11.45 - 12.30 h  Massimo Bottura
Osteria Francescana Rest. (Modena)

12.30 - 13.15 h Martin Berasategui
Martin Berasategui Rest.(Lasarte)

13.15 - 14.30 h El Bulli 2010
Ferran Adrià
El Bulli Rest. (Roses)

15.30 - 16.15 h
Bate-papo intimista (no máximo 30 pessoas) com Thomas Keller
Per Se Rest. (New York)

16h30 Quique Dacosta
Quique Dacosta Rest. (Denia)

17.15. - 18.00 h  Andoni Luis Aduriz
Mugaritz Rest. (Errenteria)

18.00 - 18.45 h  Joan Roca
El Celler de Can Roca Rest. (Girona)

18.45 - 19.30 h Juan Mari and Elena Arzak
Arzak Rest. (San Sebastián)



Terça-feira, 23 de novembro

10.00 - 10.45 h Bate-papo intimista (no máximo 30 pessoas) com Anthony Bourdain 
Moderador: o jornalista Pau Arenos

11.00 - 11.45 h New styles in the restaurant trade of New York
Drew Nieporent (super restaurateur dono de vários endereços em NY)

11.45 - 12.30 h Astonishing fusions
David Chang
Momofuku Rest. (New York)

12.30 - 13.15 h French Connection
Daniel Boulud
Daniel NYC Rest.(New York)

13.15 - 14.00 h Intelligent incitement
Anthony Bourdain
Writer, chef and traveler (New York)

16.30 - 17.15 h New american cuisine
David Bouley
Bouley Rest. (New York)

17.15 - 18.00 h Real avant-garde
Wylie Dufresne
WD-50 Rest. (New York)

18.00 - 18.45 h O autor da biografia do Ferran, Colman Andrews,
vende seu peixe...

18.45 - 19.30 h The philosophy of elegance
Thomas Keller
Per Se Rest. (New York)

Quarta-feira, 24 de novembro


10.00 - 10.45 h Bate-papo intimista (no máximo 30 pessoas) com Wylie Dufresne  
WD-50 Rest. (New York)

11.00 - 11.45 h Paco Roncero
La Terraza del Casino Rest. (Madrid)

11.45 - 12.30 h Hilario Arbelaitz
Zuberoa Rest. (Oiartzun)

12.30 - 13.15 h Guggenheim, the restaurant of the future
(performance)
Josean Martínez Alija
Guggenheim Bilbao Rest. (Bilbao)

13.15 - 13.30 h 2nd Gueridón de Oro Prize
Giorgio Pinchiorri
Enoteca Pinchiorri Rest. [Florencia]

16.00 - 17.30 h “LA GRANDE BOUFFE”
Eneko Atxa
Azurmendi Rest. (Larrabetzu)
Iñigo Lavado
Iñigo Lavado Rest. (Irún)
Paco Morales
Hotel Ferrero Rest. (Bocairent)
Francis Paniego
Echaurren Rest. (Ezcaray)
Albert Raurich
Dos Palillos Rest. (Barcelona/Berlín)
Mario Sandoval
Coque Rest. (Humanes de Madrid)
Marcelo Tejedor
Casa Marcelo Rest. (Sant. Compostela)
Sergio y Javier Torres
Dos Cielos Rest. (Barcelona)


Acharam pouco ou querem mais? ;)
Ah, mas tem mais! Alguns überchefs vão ensinar a fazer um prato para pequeno grupo de "alunos" (15 pessoas no máximo), vejam isso:

"Aulas de cozinha" multi estreladas

Terça-feira 23 de novembro

10.00 - 10.45 h Juan Mari Arzak
Arzak Rest. (San Sebastián)
10.00 - 10.45 h Joan Roca
El Celler de Can Roca Rest. (Girona)
15.30 - 16.15 h Quique Dacosta
Quique Dacosta Rest. (Denia)
15.30 - 16.15 h Dani García
Calima Rest. (Marbella)

Quarta-feira 24 de novembro

10.00 - 10.45 h Pedro Subijana
Akelarre Rest. (San Sebastián)
10.00 - 10.45 h Andoni Luis Aduriz
Mugaritz Rest. (Errenteria)
15.30 - 16.15 h Paco Roncero
La Terraza del Casino Rest. (Madrid)
15.30 - 16.15 h Christian Escribà
Escribà Cake Shop (Barcelona)


Sem palavras..... 

25.9.10

Restaurantes desta viagem à Espanha: quais os melhores pratos?

jantar no El Bulli


Que semana! Desde o instante em que cheguei em Barcelona não faço quase nada além de comer, beber, comer, beber, comer, beber. Haja fígado. Cuines Santa-Caterina, no mercado de mesmo nome. Moo, com assinatura dos Roca. Dos Cielos. Moments by Carme Ruscalleda. Tapas24. Bravo24. El Bulli. Arzak (em San Sebastian, onde fiz um pit stop de uma noite só para esse jantar). Dos Palillos.

Escrevo isto sentada em um trem lotado que vai se arrastando lerdamente até Girona, uma hora e pouco ao norte, onde mais uma longa orgia gastronômica me espera.

E reflito: faz sentido este modo de comer? De tão intenso o pique -  beirando no obsessivo - meu corpo começa a achar massacrante.

Será que mesmo assim, os olhos, as papilas, o cérebro, conseguem absorver cada bocada? O retrato que ficou gravado na memória de cada almoço e jantar, terá distorções?

Não sei, mas sei que nesses casos de viagens brutalmente intensas, a companhia faz toda a diferença. Minha parceira de crime chama-se Marie-Claude Lortie e, como eu, tem uma sede que não diminui com o passar dos dias. Ela trabalha no maior jornal do Québec, o La Presse, há mais de 20 anos. Como eu, é crítica gastronômica (e vem blogando sobre nossa viagem, aqui neste link).


Marie-Claude Lortie e Juan Mari Arzak, em San Sebastian


Ela corre x quilômetros todas as manhãs, em preparação para não sei qual maratona.

Eu, bem menos sábia ou disciplinada, acordo, bebo café e edito fotos, sem me permitir comer nada, para chegar a cada restaurante com apetite. Fome, digo.

O corpo protesta: meus olhos ardem de falta de horas de sono, sinto-me inchada, abatida. Mas lá dentro o fogo arde em altas labaredas, como se o embalo da maratona gastronômica extinguisse meu cansaço.

Mesmo que pareça injusto, eu comparo os restaurantes. E sei que os leitores irão me pedir o mesmo: "e daí, Alexandra, qual foi o melhor jantar no final das contas?"

Deveria responder com longa introdução que explique que um menu degustação de 44 pratos (no El Bulli) não pode se comparar a outro, vegetariano, de 6 pratos, no almoço, no Moo. Mas assim é: todos viajamos e comemos e, sem grande ciência, comparamos e julgamos com base em uma Polaroid, um dia da vida de cada lugar.

Portanto, para bem ou para o mal, com todas as inevitáveis injustiças e subjetividades, faço público aqui meu veredito:

tartare de tomate do El Bulli
  • Pratos mais gostosos: Dos Palillos
  • Pratos mais lindos e minuciosamente executados: Dos Cielos
  • Pratos mais alucinados e curiosos e perturbadores: El Bulli, óbvio
  • Pratos mais apagados, embora belos: Moo
  • Pratos mais irritantemente caros, embora bons: Bravo24
  • Pratos mais poeticamente concebidos e descritos: Arzak (pelo próprio, o que ajuda!)
  • Pratos vegetarianos mais brilhantes: El Bulli
  • Comidinhas que mais impressionaram: Ganbarra, bar de pintxos em San Sebastian
  • Melhor qualidade-preço: El Bulli
  • Chef mais carismático e generoso e acolhedor: Juan Mari Arzak
  • Chef menos simpático e acolhedor: Albert Raurich, Dos Palillos, que durante o jantar aparecia de vez em quando, de camiseta, fazendo fotos de pratos, dando de costas para os clientes, sem dar um aceno ou sinal com a cabeça sequer a todos que o olhavam.


As carnes do Bravo24, no menu: pero que caras, hombre!

Dos Cielos, dos gêmeos Torres: pratos belíssimos


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