23.4.11

The World's 50 Best Restaurants: a cobertura completa


Ufa.

Que loucura foi esta minha última semana!

Acabo de voltar de Londres - onde aconteceu, segunda à noite, a premiação dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, e tenho mil coisas pra contar. O filé mignon eu já tinha adiantado, lá no site da GQ: Alex Atala subiu para a 7a posição no ranking! Detalhes, nesses dois posts:


Mas o grande feito de Atala não foi, claro, o único ponto alto da noite. A coisa sempre fica mais animada quando muitos restaurantes sobem e descem no ranking - e foi o que aconteceu este ano.

Quando cheguei ao Guild Hall para a cerimônia estávam no pátio externo muitos dos chefs mais famosos do mundo - uma cena realmente rara e especial. Cliquei uns poucos, vejam:

Eric Ripert (Le Bernardin, NY), Thomas Keller (Per Se e The French Laundry), Juan Mari Arzak (Arzak), Daniel Boulud (Daniel, em NY, entre outros) e Josean Martínez Alija (Guggenheim Bilbao)




Wylie Dufresne (WD-50, NY), Andoni Aduriz (Mugaritz, País Basco), Pascal Barbot (l'Astrance, Paris), René Redzepi (Noma), Alex Atala, Gaston Acúrio (Astríd y Gaston, Peru), Juan Mari Arzak e a filha Elena (Arzak) e Joan Roca (El Celler de Can Roca, Girona).


Eu, que acabara de ler a nova biografia do chef Grant Achatz, levei um baita susto com sua magreza - mas até que para alguém que viu a morte de tão perto, ele está bem...
(Batalhou um violentíssimo câncer na língua)


Fui cumprimentá-lo, e ele logo me apresentou sua namorada:

- "This is Heather, my girlfriend".

Eu sei, respondi. Afinal de contas, depois de ler a biografia dele me sentia como se tivesse passado uma semana na casa do casal como hóspede! "Acompanhei" o namoro do primeiro beijo à mudança dela de Nova York para Chicago! Uma gata, a Heather. Aqui, posaram para foto com o grande amigo e mentor dele, o chef Thomas Keller:





Os meninos do Noma, como sempre, foram ao 50 Best em bando. E festejaram com tanto entusiasmo o primeiro lugar no ranking que acabei acreditando que eles não sabiam o óbvio - que ganhariam de novo este ano.


Com a simpatia de sempre, René Redzepi, o comandante do time Noma, fez discurso curto e simples, e fez questão de incluir seus cozinheiros na celebração.


Ao subirem ao palco para pegarem o troféu, vestiram chapéus de viking, estouraram champagne e logo foram arrancando os chifres para servirem de taças!


E olhem onde os chifres acabaram indo parar:


Quem não se deu tão bem este ano foi Heston Blumenthal, do The Fat Duck que desceu da 3apara a 5a posição. Mas não acho que isso incomodou o chef. Mais magro e bronzeado do que nunca, ele agora tem cara de celebridade televisiva. Me parece um outro homem bem diferente do geniozinho gorducho de cinco anos atrás. O que não fazem a fama e a fortuna... :)


Mas não dá para terminar este post sem falar de outro grandíssimo vitorioso: Joan Roca. Ele e os irmãos Josep e Jordi Roca levaram o prêmio de 2o melhor restaurante do mundo para seu El Celler de Can Roca. Quem segue este blog sabe que para mim, aquele lugar é inigualável, então fiquei feliz de saber que muitos jurados compartilham a mesma opinião que eu. 
Joan, como sempre, um lorde:

Já disse aqui e volto a repetir: isso tudo foi muito legal, adorei estar lá, mas há que se dizer que o ranking tem seus defeitos e não pode ser levado ao pé da letra. Escreverei em maior profundidade sobre esse tema nos próximos dias, mas desde já, aos que tiverem interesse em ver os dois lados da moeda, recomendo as seguintes leituras:





Os 50 Melhores Restaurantes do Mundo

Rank Position Restaurant Country
1 — Noma Denmark
2 Up 2 El Celler De Can Roca Spain
3 Up 2 Mugaritz Spain
4 Up 2 Osteria Francescana Italy
5 Down 2 The Fat Duck England
6 Up 1 Alinea USA
7 Up 11 D.O.M Brazil
8 Up 1 Arzak Spain
9 Up 2 Le Chateaubriand France
10 — Per Se USA
11 Down 3 Daniel USA
12 Up 12 Les Creations de Narisawa Japan
13 Up 3 L'Astrance France
14 Up 15 L'Atelier de Joel Robuchon France
15 Up 2 Hof van Cleve Belgium
16 Down 3 Pierre Gagnaire France
17 Up 2 Oud Sluis Netherlands
18 Down 3 Le Bernardin USA
19 Re-Entry L'Arpege France
20 Up 28 Nihonryori RyuGin Japan
21 Up 1 Vendome Germany
22 Down 1 Steirereck Austria
23 Up 7 Schloss Schauenstein Switzerland
24 Up 26 Eleven Madison Park USA
25 Up 9 Aqua Germany
26 Up 1 Quay Australia
27 Up 1 Iggy's Singapore
28 Up 7 Combal Zero Italy
29 Up 4 Martin Berasategui Spain
30 Re-Entry Bras France
31 Up 15 Biko Mexico
32 Down 12 Le Calandre Italy
33 Re-Entry Cracco Italy
34 New Entry The Ledbury UK
35 Down 12 Chez Dominique Finland
36 Down 5 Le Quartier Francais South Africa
37 New Entry Amber China
38 Down 2 Dal Pescatore Italy
39 Up 1 Il Canto Italy
40 Down 14 Momofuku Ssam Bar USA
41 Up 2 St John UK
42 New Entry Astrid Y Gaston Peru
43 Up 6 Hibiscus UK
44 — Maison Troisgros France
45 Down 4 Alain Ducasse au Plaza Athenee France
46 Down 9 De Librije Netherlands
47 Down 33 Restaurant de l'Hotel De Ville Switzerland
48 New Entry Varvary Russia
49 New Entry Pujol Mexico
50 Re-Entry Asador Etxebarri Spain



13.4.11

GQ, restaurantes Epice e Dalva e Dito, e o Boa Vida



Este é um post-pedido-de-desculpas. Como vivo no Twitter e no Facebook, acabo achando que tudo o que eu conto por lá acaba sendo sabido por todos, mas descobri que não é o caso. O querido leitor C. reclamou não uma mas sim DUAS vezes, nesta semana, de não ver posts fresquinhos por aqui. A explicação é simples: o dia só tem 24 horas, e, entre o fechamento da próxima edição da GQ e muitos posts no meu novo blog também na GQ, e colunas para o portal Vida Boa, não consegui respirar!

Até eu "botar a casa em ordem", estarei "atendendo" em outro endereço. Ou seja: no momento, só dou conta de atualizar o blog da GQ, que ficou sendo, por agora, espécie de filial deste meu Boa Vida. Espero vocês por lá! Alguns posts recentes:

- Kosushi, um restaurante de sushis e sashimis impecáveis
- O novo AK Vila, da chef Andrea Kaufmann, na Vila Madalena


E no portal Vida Boa, escrevi o seguinte recentemente:

- O chef Carlos Bertolazzi do Zena Caffé, lidera, em São Paulo, o uso das mídias sociais


Aproveitando o embalo, tá aqui também o link de uma matéria minha sobre a rua Joaquim Antunes que saiu este mês na revista americana Food + Wine (versão beeeem resumida):




4.4.11

Angelo Gaja, restaurantes japoneses e GQ



Sumi, eu sei. Mas foi por bom motivo... Passei o último mês mergulhada na redação e edição da primeira seção SABOR - meu "quintalzinho" dentro da nova revista GQ Brasil. A revista, como acho que sabem, saiu há uns dez dias (e foi lançada com festa de arromba no Jóquei, com direito a Alessandra Ambrósio, a garota da capa, in attendance).

A partir de agora, vou editar sempre essa seção de gastronomia, vinho e coquetelaria, coisa que estou a-man-do fazer. Vejam como ficou a primeira:




Agora, estou em São Paulo sem poder brincar muito, mergulhada no fechamento da segunda GQ, que, espero, vai ser outro estouro.

A seção SABOR tem um blog que a acompanha, no site da GQ. É lá que eu tenho escrito alguns relatos recentes de restaurantes.... O inesquecível almoço na cabane à sucre do chef cult Martin Picard, e meu jantar desse sábado no Kosushi. 



Foi na GQ, também (aqui o link), que contei um pouquinho do meu almoço com o grande Angelo Gaja, que continua tão elegante e carismático do que da última vez que estive com ele, uns quatro anos atrás. Que homem! 



Conversamos durante quarenta minutos, a sós - mas vou guardar o que foi dito para a GQ #2, claro. 

Espero que leiam a revista, comentem, sigam. Como digo sempre, sem vocês, perderia a graça!


24.3.11

O grande Angelo Gaja dá super jantar no hotel Emiliano dia 31



Passei muitos anos frequentando super degustações de vinhos. Bebia muita coisa boa. Um privilégio, admito. Desde meus 20 anos foi assim: lautos almoços, conversas com super enólogos, uma escola em companhia de grandes entendedores e bebedores, que me serve até hoje.

Mas desses anos todos, lembro-me claramente de pouquíssimos encontros, pouquíssimos vinicultores.

Lembro-me, sim, de quão impressionada fiquei com Robert Mondavi (e a mulher dele, que tinha um paladar apuradíssimo). O casal recebeu pequeno grupo para um almoço estupendo no velho Fasano da Haddock Lobo. Assim como lembro-me da revelação que foi meu primeiro gole de Krug Clos de Mesnil, em companhia de monsieur Krug em pessoa, no La Tambouille.

Diria que a terceira grande experiência inesquecível foi ouvir falar, por uma hora, o incrível Angelo Gaja, em almoço no Pomodori uns três anos atrás. Que histórias! Que carisma! Que vinhos! Que homem!

Pois ele vai a São Paulo de novo semana que vem. Comemora 50 anos de carreira com um jantar de estourar a boca do balão. Se eu recomendo? Ora, ora.....  que pergunta!




Aqui, maiores informações, do press release:

Verdadeira lenda do vinho e maior nome da Itália, o produtor Angelo Gaja comemora 50 anos de carreira com um jantar exclusivo no Hotel Emiliano no dia 31 de março, quinta-feira, às 20h30. A convite de Ciro Lilla, o carismático italiano – eleito diversas vezes o “Homem do Ano” por revistas como Decanter e Wine Spectator – vem ao Brasil para falar ao público de sua trajetória e do que mudou no mundo do vinho nas últimas cinco décadas. No evento, ele também apresentará algumas de suas melhores criações, seis grandes vinhos, especialmente selecionados para a noite.

Angelo Gaja assumiu a prestigiosa propriedade familiar em 1961, aos 21 anos. Percebeu que os principais problemas da região eram a má qualidade das uvas e as técnicas rudimentares de vinificação utilizadas até então. Deu início a uma grande revolução no panorama do vinho italiano e, com genialidade e perfeccionismo, conseguiu talhar vinhos finíssimos e repletos de elegância, e colocar o Barbaresco entre os grandes vinhos do planeta.

Gaja é único produtor a receber as “quattro stelle” do guia Gambero Rosso, para o qual o produtor, “rei do vinho piemontês, e do vinho italiano em geral”, “construiu um verdadeiro mito enológico”. Mesma opinião tem a Wine Spectator, que afirmou que “em pouco menos de vinte anos, Gaja conseguiu fazer o que não havia sido feito em mil anos”.

Os vinhos de Gaja “são verdadeiras ‘obras de arte’, que valem cada centavo que custam”, segundo o crítico Robert Parker. Seu emblemático Barbaresco é um dos maiores ícones do vinho italiano, com uma assinatura única, apresentando enorme elegância e complexidade e longo potencial de envelhecimento. Prestígio equivalente têm seus maravilhosos Nebbiolo de vinhedo: Sorì San Lorenzo, Sorì Tildin e Costa Russi, em Barbaresco, e Conteisa e Sperss, em Barolo. Darmagi é o grande Cabernet Sauvignon de Gaja, enquanto o Sito Moresco é um classudo corte de Nebbiolo, Merlot e Cabernet. Seus brancos piemonteses têm grande classe e complexidade, em especial o Gaia&Rey, um fantástico Chardonnay.

O produtor também possui duas reputadas propriedades na Toscana, elaborando tintos tão elegantes como seus piemonteses. Em Pieve S Restituta, produz dois excelentes Brunello di Montalcino e em Ca’ Marcanda, na região de Bolgheri, faz três ótimos supertoscanos.

No jantar, serão servidos os seguintes vinhos de Gaja:

Alteni di Brassica Langhe Sauvignon Blanc 2008
Ca'Marcanda DOC Bolgheri 2006
Barbaresco 2005
Sperss Langhe Nebbiolo 2005
Conteisa Langhe Nebbiolo  2001
Brunello di Montalcino Sugarille 2000

Os vinhos serão acompanhados por um menu especial composto por:

- Vieiras marinadas com limão siciliano e amêndoas tostadas
- Polenta mantecata com ragú de cogumelos e trufas
- Carré de cordeiro com brasato de feijão branco
- Tartine de manga gratinado com zabaglione de vinho pasito

Todos os participantes ganharão um exemplar do livro “A arte de fazer um grande vinho”, de Edward Steinberg.
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